TRANSPORTES E O ITAQUERÃO: São Paulo teve um golpe de sorte?

Transportes e Copa

O Governo do Estado de São Paulo teria tido uma grande sorte em relação a mobilidade com a escolha do Itaquerão, estádio do Corinthians, na zona Leste de São Paulo, para sediar jogos (inclusive a abertura) da Copa do Mundo de 2014. O local possui uma malha de trens e metrô que não precisa ser criada, mas aperfeiçoada. E melhorar é muito mais fácil que criar. A população é grande e carente de melhorias de transportes, assim, qualquer intervenção feita inevitavelmente vai virar legado Os imóveis têm um custo menor que os do entorno do Morumbi e o espaço para obras é maior. O Governo do Estado pretende criar o Expresso Copa, uma linha de trem, que vai usar os trilhos já instalados, que vai sair do centro da cidade até Itaquera. Foto: Alexandre Ue

Assembleia Legislativa vai acompanhar obras de transportes para a Copa em São Paulo
Comissão de Transportes e Comunicações vai analisar as propostas de políticas públicas para o setor e se as opções dos mais feitas pelo Governo do Estado de São Paulo são as mais adequadas

ADAMO BAZANI – CBN

Durante a abertura do Fórum Legislativo das Cidades-Sedes da Copa do Mundo de Futebol no Brasil, a Comissão de Transportes e Comunicações da Assembleia Legislativa de São Paulo disse que vai acompanhar mais de perto as obras e as políticas públicas voltadas para o setor de transportes, com o objetivo de preparar a cidade de São Paulo para receber o mundial.
São Paulo, apesar das indefinições quanto ao início das obras do estádio do Corinthians, que começaram depois de o anunciado pelo clube, e também das mudanças dos planos de transportes por causa do descredenciamento do Morumbi (antes a obra prioritária era o monotrilho entre Congonhas e o estádio do São Paulo), foi confirmado pela FIFA (entidade máxima do futebol) como sede para abertura da Copa do Mundo.
Entre as funções que serão exercidas pela Comissão é ver se o cronograma das obras está sendo respeitado e se as escolhas dos modais por parte do Governo do Estado de São Paulo realmente foram as melhores.
A comissão já ouviu o secretário de Logística e Transportes, Saulo de Castro Abreu Filho (que já foi secretário de Segurança Pública) e o secretário de Transportes Metropolitano, Jurandir Fernandes.
O Fórum Legislativo das Cidades-Sede da Copa do Mundo foi realizao em parceria com o Senado e contou com a participação do presidente da ALESP, deputado estadual Barros Munhoz (PSDB), co presidente da Comissão de Turismo e Desporto da Câmara dos Deputados, deputado federal Jonas Donizette (PSB/SP), ca presidenta da Subcomissão Temporária da Copa 2014 do Senado Federal, Lídice da Mata (PSB/BA), e do secretário de Estado do Turismo de São Paulo, Márcio França.
Um dos pontos que foram discutidos foi o de manter legados para a população, principalmente na área de transportes, para que os investimentos sirvam a cidade como um todo, e não apenas um evento esportivo.
E essa tem sido uma das maiores cautelas por parte de estudiosos de transportes.

ITAQUERÃO: SÃO PAULO TEVE MUITA SORTE

Não só em São Paulo, mas em outras cidades, há projetos caros que vão servir apenas demandas específicas, ao entorno dos estádios.
Em média, em dia de jogo, um estádio deve reunir 100 mil pessoas. Número quase insignificante se comparado a demanda de muitos bairros ou regiões que necessitam de mais investimentos na oferta de transportes em quantidade e qualidade.
A preocupação é de mais uma vez a maioria sair perdendo, já que grandes recursos, em modais muito caros como VLT (Veículo Leve Sobre Trilhos) serão investidos em regiões muito específicas.
Com os mesmos recursos, usando modais mais simples e baratos, como corredores de ônibus do tipo BRT (Bus Rapid Transit), a exemplo dos que existem em Curitiba, que oferecem maior velocidade aos ônibus e possibilidade de uso de veículos maiores, é possível atender a regiões maiores e a mais pessoas.
São Paulo, na questão de mobilidade, segundo analistas, teve “sorte” da escolha do estádio ser na região de Itaquera, na zona Leste de São Paulo.
A área maior permite mais intervenções com menos desapropriações ou valores de ressarcimento de imóveis mais baixos que na região do Morumbi, onde há área menor para intervenções.
Além disso, já existe uma rede de trens e metrô instalada que pode ser melhorada e ampliada a capacidade de atendimento, como prevê o Governo.
É possível realizar também alargamento das vias com mais facilidade e integrar o sistema metroferroviário com o grande número de linhas de ônibus que atendem a região.
Mesmo havendo trem, metrô e várias linhas de ônibus, os bairros próximos são muito populosos e há carência de melhoria de transportes.
Sendo assim, qualquer intervenção bem feita na área, nem que seja uma ampliação das estações ou reordenação das linhas de ônibus, vai beneficiar a população e acaba sendo propagandeada como legado.
Para a Copa, o Governo do Estado promete fazer o Expresso Copa, uma linha de trem da CPTM – Companhia Paulista de Trens Metropolitanos – que vai sair da Estação da Luz e vai até Itaquera sem paradas.
Pense na sorte que São Paulo deu para a Copa. Imagine se o estádio fosse o Morumbi mesmo?
O campo do São Paulo poderia ter toda a estrutura para os jogadores, mas fazer intervenções em seu entorno, altamente adensado, como empreendimentos caros, e com parte da população que não gosta de transporte público, não ia ser impossível, mas iria ser mais difícil certamente.
Basta São Paulo não perder de vista o óbvio: existe vida após a Copa e a cidade é muito mais que os entornos do Itaquerão.
O Governo do Estado diz que as obras que têm feito em relação aos sistemas metroferroviários contemplam toda a cidade.
Já em relação aos ônibus municipais, que devem receber investimentos e se modernizarem junto com o metrô e trem (pois modais se complementam e não devem competir), não registram o mesmo ritmo de evolução.
Não adianta ter um ótimo sistema de metrô se não houver um serviço de ônibus bom que leve as pessoas dos locais onde o metrô não pode chegar até a estação.
Muitas destas áreas comportam corredores de ônibus, mas as perspectivas em relação aos espaços exclusivos de ônibus mostram que a rede continuará tímida se for levada em conta a demanda.
Adamo Bazani, jornalista da Rádio CBN, especializado em transportes

12 comentários em TRANSPORTES E O ITAQUERÃO: São Paulo teve um golpe de sorte?

  1. Matéria decepcionante, heim! Sorte com o Itaquerão que vai ser erguido com o meu e o seu dinheiro? Sendo que já temos estádios prontos?

    A região tem muitas outras prioridades que não este estádio. Sem contar que a região do Morumbi, independente do estádio, tem gargalos de transporte que devem ser resolvidos, pois pessoal que trabalha lá sofre para chegar em seu emprego, seja no Morumbi, Vila Andrade e Vila Sônia.

  2. Quero Justiça na area 4 // 8 de novembro de 2011 às 23:10 // Responder

    Concordo com você Eric.
    O sistema de transportes aos entornos de Itaquera não é este primor não. O governo de SP está querendo mostrar para o Brasil e pro mundo uma falsa visão de que está tudo bem e não está nada bem.
    Tente utilizar uma linha municipal no metrô Itaquera e vc verá que o transporte por ônibus principalmente em Itaquera está dominado por mafiosos que comandam cooperativas de transporte.
    Hoje eu vi uma cena lamentável no Terminal de ônibus do Metrô Itaquera:
    Vi o coordenador da linha 3766-10 empurrando e com o dedo apontador sobre o peito de um fiscal da SPTrans em atitude intimidatória porque o fiscal autuou um microônibus que estava sem condições de operar na linha 3766-10. Quando viram que eu estava percebendo aquilo foram para um canto onde não tinha público para “conversarem”.
    Sobre o metrô e trem: Se agora que ainda nem estádio ainda tem erguido o sufoco e a superlotação são praticamente insuportáveis imagina quando estiver as portas da abertura da Copa de 2014, porque não só torcedores utilizarão do serviço, mas lembrem-se que um batalhão de trabalhadores de todos os ramos estarão se locomovendo para trabalhar direta e indiretamente na Copa de 2014.
    Só o metrô e CPTM não darão conta.
    O primeiro passo é descredenciar as cooperativas mafiosas da area 4 como a Novo Horizonte e colocar um transporte por ônibus eficiente para auxiliar o metrô e o trem senão, bau bau, vai ser fiasco o sistema de locomoção para a Copa de 2014.

  3. Muito legais as opiniões divergentes. Creio que a discussão se dá dessa maneira, com visões diferentes e acréscimos de informações, para não ficarmos apenas sob um ângulo dos fatos.
    O Governo com certeza vai fazer muito mais propaganda e esas visões são esclarecedoras

  4. Parabéns pela matéria, isso mostra que o Sr. tem uma visão acima dos interesses da burguesia capitalista. O legado da Copa ficará com quem mais precisa, a população carente da Zona Leste e o Estádio do Corinthians foi um benção dos céus para o Estado de São Paulo.
    Quanto ao comentário do Sr. Éric Moises, peço a V. Sa. que desconsidere, deve ser mais um desses São Paulinos com raivinha e sem argumentos pois o Estádio do Morumbi além de ser inapropriado para a realização de um Copa do Mundo gastaria bilhões para adequação do entorno, e esse dinheiro do entorno é dinheiro público, bem como o dinheiro que seria gasto na reforma do Morumbi, que viria de linha de crédito do BNDES, logo, dinheiro público. Sem contar que o Estádio do Morumbi recebeu dinheiro público em 1956 da prefeitura conforme consta em decreto-lei daquele ano e depois foi concluído com dinheiro proveniente do Estado de São Paulo através do desvios feito pelo Governador Biônico da Ditadura, Laudo Natel, torcedor e presidente do São Paulo. A escolha do Morumbi seria um indecência a população carente, seria o favorecimento explícito do Estado, novamente, aos barões do Morumbi.

  5. amigos,
    e o corredor de onibus da Radial Leste prometido pelo Kassab? que serviria como complemento e alternativa ao sistema ferroviário.
    Será que ficará na historia igual ao do Corredor Celso Garcia???
    abraços

  6. Gente, talvez alguns leitores não entenderam pontos específicios.

    1) NÃO ESTOU FALANDO DE ESTÁDIO E SIM DA FACILIDADE DE OBRAS PARA OS TRANSPORTES. È muito mais fácil realizar essas obras na região do Itaquera e atenderiam pessoas sim mais carentes de transporte público.

    2) EU NÃO ME LEMBRO NA MATÉRIA DE DIZER QUE A ESTRUTURA DO METRÔ E TREM DA ]REGIÃO ESTÃO UM PRIMOR. Mas é fácil melhorá-los que criar um monotrilho às pressas do Aeroporto at´r o estádio. Eu acho este monotrilho importante, MAS É MAIS IMPORTANTE AINDA MELHORAR ESTA ESTRUTURA JÁ IMPLANTADA E A REGIÃO LESTE PRECISA MAIS DE MELHORIAS

    3) Assim, ainda questiono a totoal uitilidade de uma obra que liga estádio a aeroporto. Calro, é importante, mas precisamos levar o trabalhador da periferia para trabaçlhar onde ele está empregado, com mais rapidez e conforto.

    4) DINHEIRO PÚBLICO PARA ESTÁDIO: QWuem me garante que não ia entrar dinheiro público numa reforma do Morumbi?

    5) Uso o termo SORTE porque imagine se fosse no Morumbi, Pacaembu, alestra Itália, estádio do Juventus, seja lá o que for…O GOEVERNO TERIA DE SUAR MAIS PARA PLANEJAR E IMPLANTAR AS OBRAS; Óbvio, desaproporiações mais caras, licenças ambientais com maior fiscalização, e a cada dúvida (pçrocedente ou não) a obra para e uma classe que talvez não gostaria de metrô, ônibus, monotrilho, VLT, VLP, trasnway, autotrolley, etc perto de suas garagens de seus 4 carros por família.

    6) Mas como disse na opinião anterior, posições diverrgentes (mas respeitosas) são bem vidas.

    Abraços

    • Ádamo, vários pontos bons.
      – Não vejo as opiniões acima “divergentes”, mas descrentes. E com toda razão.
      No eixo da Radial Leste a brutal demanda reprimida exige aumento de capacidade dos modais metroferroviários. Problema é que, mesmo revitalizadas com a melhor tecnologia, Metro 3 + CPTM 11 não atenderiam. Supondo uma intervenção agressiva na CPTM 11, para intervalos entre 1,5 e 2 minutos, construção de estações entre Brás e Itaquera, um monte de trens novos a mais e Expresso Tiradentes cumprindo a ambiciosa e inédita capacidade (para monotrilhos), mesmo assim a demanda poderia não estar atendida. E me parece improvável que CPTM 11 conseguisse tal upgrade em 3 anos.

      – A Copa “esfrega na cara” da administração pública inteira a muito mal resolvida mobilidade da ZL. Aumentar a capacidade dos metroferroviários exigirá contrapartidas viárias e para ônibus. Como existe caos nos ônibus já, todo este movimento deveria justificar redefinições nas linhas.

      – Ligar estádio a aeroporto é detalhe, vai depender da qualidade e oportunidade da rota. Todos concordam que a Metro 17 é muito boa rota; a única queixa é desapropriação de áreas/imóveis nobres, inevitável e esperada. Mas ligar aeroporto à rede de transportes é básico e nunca realizado até agora, por mais que haja projetos desde décadas.

  7. Sr. Adamo, você teria ideia de quando efetivamente o Gruo Ruas vai assumir as linhas da Antiga Himalaia/Novo Horizonte, vou ser sincero hoje não se nota nenhuma mudança, acho até que as linhas estão piores do que a duas semanas atras quando da noticia.

  8. O processo de tranbsição vai demorarr uns 6 meses. O Grupo Ruas vai assmir 70% da Himalaia (trólebus, linhas e linhas irregularmente transferidas para a Novo Horioznte).

    Algumas pessoas do Consórcio Leste 4 devem continuar mesmo depois da transição. Preciso confoirma quem são estas pessoas.

    O MP está fazendo a parte dele, nós, noticiamos, mas há também a parte da administração pública.

  9. Amigos
    Um sistema de transporte completo interliga suas linhas, não importando o modal.
    Compreendo (como diz o Adamo) “sorte” para o povo da zona leste o Estadio para a Copa encontrar-se na região mais carente de transportes publicos da capital, pois, obrigará os governos Federal, Estadual e Municipal a juntar forças com o intuito de transportar os torcedores e assim deixar como herança a população atendida por melhores transportes.
    No caso da linha 17 (Aeroporto/Morumbi) ela se integrará as linhas 1, 5 e 4 e as futuras linhas
    20 (lapa/moema) e 19 (guarulhos/moema) e também com a linha 9 da CPTM .
    Só não vejo ainda o Corredor de onibus Radial Leste saindo do papel.

  10. Boa tarde.

    O amigo Luiz, mencionou “descrença”. Concordo com ele e com os demais amigos e, torço que mesmo diante do histórico até o presente momento de, poucos sinais de VERDADEIRO E ROBUSTO INVESTIMENTO, a necessária melhoria ocorra.

    Não sou da Capital e, me utilizo dos trens da CPTM e do Metrô, esporadicamente e, ainda assim, lhes digo que têm sido ASSUSTADOR, constatar o RÁPIDO ESTRANGULAMENTO DA CAPACIDADE do metrô, pior, para todos os lados. Imagino que para a IMENSA Zona Leste então, CADA DIA PIOR !

    Continuemos a perseverar e cobrar nossas autoridades.

    Abraços.

  11. Porque parou a obra do parque linear que passara pela aquela favela e as obras viarias que o governo prometeu ate jun/2013 que nem começou.

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