Só 1/3 das obras do PAC 1 saiu no papel. Situação dos transportes é a pior

obras de transportes atrasadas

Obras na rodovia BR 365, na região de Uberlândia também estão paradas. O caso é um dos vários exemplos de rodovias que precisam de intervenções, tiveram dinheiro liberado pelo PAC – Programa de Aceleração do Crescimento, mas que por problemas de uso do recurso público e principalmente erros de projeto estão com as obras paradas, Muitos locais são velhos pontos conhecidos de acidentes. Só 1/3 das obras previstas pelo PAC 1 foram realizadas. O restante está parado, e desperdiçando o dinheiro da população, por erros de projeto boa parte terá de ser refeita, o que vai deixar as obras mais caras que o previsto inicialmente e 20% dos projetos anunciados em 2007 sequer saíram do papel

Só um terço das obras do PAC saiu do papel
Apesar de alardeadas, as intervenções em transportes e infraestrutura ainda não foram feitas. Situação é pior das obras sob responsabilidade do Dnit

ADAMMO BAZANI – CBN

Quando foi anunciado em maio de 2007, o PAC 1 – Programa de Aceleração do Crescimento despertou a esperança de diversos setores e cidadãos que há anos ou décadas aguardavam alguma melhoria em relação a transportes e infraestrutura.
A propaganda foi grande, mas o crescimento não foi tão acelerado assim e por vários motivos: uso inadequado de recursos, financiamentos não claros, falta de liberação do dinheiro, questões ambientais, desapropriações e principalmente erros e incompetência na elaboração de projetos.
Após quatro anos de anunciadas, apenas aproximadamente um terço das obras foram concluídas. O restante continua na promessa. Algumas obras só têm o projeto básico, outras começaram mas tiveram de ser interrompidas principalmente por questões ambientais e erros nos projetos e para pasmar o contribuinte e quem acreditou nos anúncios do PAC 1, 20% das obras sequer foram iniciadas.
Os projetos envolvem intervenções para melhoria dos transportes, como em estradas, portos, aeroportos, ferrovias e sistemas de transportes públicos e também melhoria da infraestrutura no caso de saneamento básico e recursos hídricos.
O levantamento foi feito pelo jornal O Estado de São Paulo, que comparou o balanço de maio de 2007, no anúncio da fase do PAC 1, com o relatório do PAC 2, divulgado em 29 de julho deste ano.
Dos 144 projetos, 90 continuavam em aberto, ou seja, não foram concluídos.
Algumas obras sequer foram licitadas ou estão em fase de contratação.
Os piores problemas são em relação aos transportes.
Os empreendimentos rodoviários lideram a lista de obras não realizadas ou paradas.
Um dos motivos seria a competência técnica do Dnit- Departamento Nacional de Infraestrura de Transporte, segundo a reportagem.
O Dnit, sem pessoal suficiente para analisar as obras, aprovaram as intervenções sem estudos corretos e sem a prevenção de eventuais problemas. Estas obras então apresentaram diversas irregularidades e tiveram de ser interrompidas.
Muitas gastaram dinheiro público de maneira inadequada com intervenções que precisam ser desfeitas.
O jornal cita dois exemplos:

“Um caso emblemático é a pavimentação da BR-163, entre Guarantã do Norte (MT) e Santarém (PA), num total de mil quilômetros (km). Prevista para ser concluída no ano passado, a obra ainda tem vários trechos por fazer. Recentemente, as atividades na estrada foram paralisadas por causa de uma rede de transmissão de energia, que deveria ser transferida de lugar para a realização das obras. Segundo o Dnit, foi necessário o remanejamento de 192 postes. Até agora, apenas 271 km estão concluídos.
Na BR-365, no trecho chamado Trevão de Uberlândia, não só o edital de obras está suspenso desde dezembro como uma construtora pediu a rescisão do contrato em um dos lotes. A previsão inicial era concluir a obra em 2009, mas ela não sairá do papel antes de 2013, conforme o relatório do PAC 2. “

Enquanto as obras foram aprovadas de qualquer jeito e depois paradas e muito dinheiro investido sem retorno, isso sem contar que por conta da paralisação, algumas obras vão ficar mais caras que o inicial, pois muita coisa tem de ser refeita ou mudada, segundo a CNT – Confederação Nacional dos Transportes, mais da metade das estradas brasileiras estão em condições inadequadas e mais de 20% em situação crítica.
Além disso, as cidades passam por uma crise de mobilidade, comprovadamente precisando de expansão de metrô e corredores de ônibus para as pessoas se convencerem a deixar o carro em casa. Mesmo com toda essa urgência, o PAC se limitou a liberar recursos sem exigir competência e planejamento mais sério dos órgãos que gerenciam seus recursos.
Adamo Bazani, jornalista da Rádio CBN, especializado em transportes.

2 comentários em Só 1/3 das obras do PAC 1 saiu no papel. Situação dos transportes é a pior

  1. Boa tarde.

    Necessidades, cujas soluções são mal planejadas e mal colocadas em prática.

    Abçs.

  2. Eu mesmo ja imaginava que boa parte dos projetos nao sairia do papel. E os que sairam provvelmente vão gastar mais do que o orçamento previsto.

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