BRT ESTÁ MAIS BARATO AINDA E MELHOR COM NOVAS TECNOLOGIAS DA CONSTRUÇÃO CIVIL

BRT alternativa

Maior ônibus do Mundo. Modelo de ônibus biarticulado de Curitiba, Neobus Mega BRT, também será usado nos sistemas de corredores de ônibus de trânsito rápido em Recife. Além de um Veículo Leve Sobre Trilhos, a cidade terá três sistemas de BRT, que vão contar com ônibus biarticulados que podem transpçortar até 270 passageiros por mês. Além da segregação do espaço para transporte público do trânsito convencional, o uso de ônibus maiores também auxilia no aumento da velocidade dos transportes coletivos. Isso porque, um biarticuçado pode substituir três ônibus convencionais e quanto mais livre estiver o corredor, mais rápidas serão as viagens. A novidade é que com os avanços tecnológicos, é possível fazer BRTS mais baratos, em tempo menor e com maior qualidade. Foto: Divulgação.

O maior ônibus do mundo vai dobrar a velocidade das viagens em Fortaleza
Quando concluídos, BRTs vão reduzir o tempo de deslocamento do cidadão. Tecnologias foram apresentadas para melhorar os transportes da cidade

ADAMO BAZANI – CBN

O que já é o maior ônibus do mundo, o biarticulado de 28 metros, também vai ser o mais rápido em muitas cidades.
Isso porque, os municípios que escolheram projetos de BRTs, – Bus Rapid Transit, que são corredores com pavimentação especial e que separam o transporte público do trânsito convencional, tumultuado pelos carros, esperam por conta deste privilégio ao transporte público um aumento da velocidade operacional.
É o caso de Fortaleza, que possui um projeto de VLT – Veículo Leve sobre Trilhos, e três de BRT, que vão receber ônibus biarticulados.
Durante o IV Encontro de Qualidade e Tecnologia do Transporte Urbano, promovido pelo Governo do Estado do Ceará e pela prefeitura de Recife, foram apresentadas as vantagens na redução do tempo de viagem, da poluição e do número excessivo de carros de passeio nas ruas (o que provoca custos econômicos e baixa qualidade de vida) de políticas que privilegiam os cidadãos que optam por transportes coletivos.
Um dos maiores anseios desta população (e das pessoas que usam carros também) é que os deslocamentos sejam mais rápidos. Ninguém mais aguenta ficar preso em congestionamentos mesmo dentro da “zona de conforto” de seus veículos particulares.
Por isso, se os transportes públicos forem mais rápidos e confortáveis, sem superlotação, a tendência é que as pessoas deixem os carros em casa. Mas para que tal fato aconteça, os veículos de transporte público devem ter espaços exclusivos.
Como as soluções precisam ser tomadas de forma urgente, mas bem planejada e não de caráter paliativo, a opção adequada para corresponder a este desejo foi a implantação dos BRTs, de acordo com os técnicos e engenheiros que realizaram as palestras no Encontro.
Hoje a média de velocidade de ônibus da capital do Ceará é de 13 km/h. Com o BRT, a média de velocidade pode mais que dobrar e chegar a 30 km/h.
Além disso, a própria introdução de ônibus de grande porte vai ajudar a reduzir o tempo de viagem, uma vez que menos ônibus podem fazer mais viagens e atenderem a mais pessoas. Em vez de três ônibus, o biaticulado atende a mesma demanda. E quanto mais livre o corredor de ônibus, mais velocidade também.
O presidente de NTU – Associação Nacional das Empresas de Transportes Urbanos, Otávio Cunha, afirmou que as cidades que optaram pelo BRT, como Curitiba, Goiânia e São Paulo não se arrependeram de suas obras.
Otávio Cunha falou sobre custos de implantação de BRT, em valores atualizados.
Por conta de novas técnicas de construção e o desenvolvimento da engenharia, agora é mais barato implantar um corredor de ônibus com toda a estrutura de BRT, como estações que possibilitam embarque no nível do assoalho do ônibus e pagamento antes da entrada no veículo, e pontos de ultrapassagem para evitar filas de ônibus nas paradas.
Agora é possível, segundo Otávio Cunha, implantar um BRT (e não somente um corredor convencional) com US$ 10 milhões por quilômetro se houver necessidade de obras de readequação urbana e desapropriações. “Sem desapropriações e com pouca intervenção, o quilômetro pode sair entre US$ 3 milhões e US$ 5 milhões” – disse.
O valor é muito vantajoso se for levado em conta que os outros modais, com exceção do metrô, não levam um número maior de pessoas em relação ao BRT que possa justificar diferenças de preços tão grandes.
A prefeita de Fortaleza, Luizianne Lins, serão 45 quilômetros de corredores de ônibus ba cidade, em três sistemas de BRT. Os alargamentos das vias para receber da melhor forma estes espaços exclusivos para o transporte coletivo vão começar no entorno do Castelão, estádio público da cidade.
Segundo a prefeita, mesmo com vistas para a Copa de 2014, os corredores vão beneficiar a população em geral., mesmo depois do evento esportivo.

INTEGRAÇÃO:

Para a prefeita, não basta apenas oferecer estrutura para os transportes e os custos diretos para os trabalhadores e demais passageiros não forem compatíveis com a realidade econômica da população.
Fortaleza deve ter também uma linha de VLT – Veículo Leve Sobre Trilhos.
O sistema dever ser integrado aos ônibus.
O VLT de Fortaleza terá 12,7 quilômetros de extensão (sendo 11,3 km em superfície e 1,4 em elevado) e vai ligar Mucuripe a Parangaba.
Os custos previstos para o VLT de Fortaleza, que deve transportar 90 mil passageiros por dia, serão de R$ 330,7 milhões, que representa R$ 26,03 milhões por quilômetro feito.
Mas os valores podem ser maiores ainda por conta da desapropriação de uma grande quantidade de imóveis que a obra vai exigir.
O impasse gira em torno de 2700 famílias que terão de ser removidas de suas casas. A maioria está na comunidade Aldacir Barbosa.
Segundo os moradores, os imóveis foram avaliados abaixo do valor de mercado e o local para onde seriam transferidos desagradou.
Os moradores seriam transferidos para imóveis do Programa Minha Casa, Minha Vida II, no conjunto José Walter, que fica mais distante do centro da cidade, das escolas onde estão matriculadas as crianças do caminho do VLT, e das demais atividades exercidas pelo moradores.
Além disso, criticam, que o VLT acaba indiretamente desvirtuando, no caso de Fortaleza, o objetivo do Programa Minha Casa Minha Vida que, em vez de oferecer moradia a quem não tem, acaba apenas substituindo os locais de habitação de quem já tem onde morar.
Mas os ganhos de transporte, segundo a prefeitura, devem ser grandes.
Os projetos de BRT são os seguintes:

– BRT Avenida Dedé Brasil: custo total de R$ 41,6 milhões
– BRT Avenida Alberto Craveiro: custo total de R$ 33,7 milhões
– BRT Avenida Paulino Rocha: custo total de R$ 34,6 milhões.

A prefeita Luizianne Lins também garantiu a integração destes sistemas com o metrô.
Segundo ela, por conta da implantação da tarifa social, que garante desconto na integração entre ônibus e metrô, a procura pelo transporte publicou teve um acréscimo de 20%.
Adamo Bazani, jornalista da Rádio CBN, especializado em transportes

2 comentários em BRT ESTÁ MAIS BARATO AINDA E MELHOR COM NOVAS TECNOLOGIAS DA CONSTRUÇÃO CIVIL

  1. Caro Adamo.

    Estive em Fortaleza há duas semanas, onde tive o privilégio de visitar as oficinas da Cia. Cearense de Transportes Metropolitanos – Metrofor e conhecer a empresa, que aliás possui uma política de qualidade e de projetos singulares. Gostaria de esclarecer alguns pontos e de retificar algumas informações passadas aqui:

    1 – Fortaleza possuia duas linhas de trens urbanos a diesel: a Sul, entre o Centro (João Felipe) e Pacatuba (Vila das Flores) e a Oeste, entre o Centro (João Felipe) e Caucaia.

    2 – Além dessas duas linhas, existe uma linha antes utilizada apenas para cargas, que saia do meio da Linha Sul em Parangaba até o Porto do Mucuripe, em sentido Sudoeste-Sudeste.

    3 – A Cia. Cearense de Transportes Metropolitanos – Metrofor desativou os antigos trens a diesel da Linha Sul, que está sendo convertida a Metrô, com trens elétricos com capacidade de carregamento 3x maior que um corredor de biarticulados e emissão zero de poluentes.

    4 – A Linha Oeste está sendo convertida em linha de VLTs a diesel misturada com trens a diesel com carros com ar condicionado. Porém o projeto é para conversão em Metrô (elétrico) após a conclusão total da Linha Sul.

    5 – A linha de cargas entre Parangaba e Mucuripe terá VLTs circulando nela também, mas não deixará de ser uma linha também para trens de carga pois ela é indispensável para tal. Portanto, não sei o que querem? Acabar com a linha para fazer corredor? Ou passa um VLT sobre as casas desses moradores ou passa uma avenida com um coredor no meio, pois não há um viário que acompanhe integralmente a linha, apenas num trecho entre os fundos do Aeroporto Pinto Martins e o Porto.

    6 – Uma terceira linha de Metrô está em projeto, entre o Centro e a UNIFOR-Bairro Edson Queiroz, em sentido Leste-Sudeste. Esta linha será totalmente subterrânea e integrará a linha do VLT na Estação Papicu.

    7 – O projeto do BRT que tanto a prefeita anuncia como se fosse algo fantástico, se abrangerem apenas estas avenidas citadas, na verdade nada mais farão do que ligar o Aeroporto ao Estádio Castelão e este equipamento público à BR-116 e talvez a uma estação do VLT Parangaba x Mucuripe. Se seguir pela Dedé Brasil no trecho que ela continua com o nome de Av. Paranjana talvez chegue à Estação Parangaba do Metrô, que vai ser a mais próxima do Estádio. De qualquer forma, não passa nem perto do Centro e não chega a 45km nem a pau. Veja isso facilmente o mapa de Fortaleza no Google Maps.

    8 – NTU o que que é mesmo? Porque será que eles acham BRT melhor que VLT? E onde é que tem BRT em São paulo (pelo menos BRT como deve ser! Ops…é verdade, a gente tem 5km de BRT no Expresso “Sacomã”).

    Abraço a todos.

  2. Rafael Asquini
    Realmente é incrível alguém dizer “São Paulo optou pelo BRT”. Só pode ter havido mal entendido.

    Mas é bom saber que Fortaleza utiliza vários modais e parece estar conseguindo sua rede.

    Os perigos que vejo nas estimativas de custo/km de BRT:
    – Se a intenção é média/alta capacidade, são necessários mais pontos de ultrapassagem = mais desapropriações.
    – Valores e custo político de desapropriar são profundamente diferentes, dependendo da rota e da cidade.

    Certamente não é por outro motivo que São Paulo acaba optando por Metrô pesado subterrâneo.

    Mas com todo respeito aos colegas que julgam solução de curto prazo VLTs e BRTs para RMSP, entendo que principalmente nas periferias menos adensadas – por exemplo Cotia e Mairiporã – cabem bem rotas radiais de média capacidade. Só que NECESSARIAMENTE criadas como rotas de rede, alimentadas por Metrô pesado ou Monotrilho (onde a topografia for muito difícil). E acessadas por linhas de ônibus adequadas, servidas por ônibus adequados.

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