SÓ METRÔ NÃO RESOLVE PROBLEMAS DE TRÂNSITO E TRANSPORTES DE SÃO PAULO

lotação metrô
Estações da linha 4 Amarela do Metrô já nascem com superlotação. Um dos motivos é a concentração dos serviços de transportes. O secretário estadual da área, Jurandir Fernandes, admite atrasos na conclusão das estações, que elas não foram inauguradas completas e que os deslocamentos só serão garantidos plenamente aos cidadãos se forem ampliados os corredores de ônibus.

Só expansão do Metrô não dá conta dos problemas de transportes em SP
Secretário de Transportes Jurandir Fernandes admite atrasos em obras e diz que mais corredores de ônibus são essenciais

ADAMO BAZANI – CBN

O Secretário dos Transportes Metropolitanos, do Estado de São Paulo, Jurandir Fernandes, admitiu que só a expansão do Metrô não é suficiente para atender toda a demanda de passageiros de São Paulo e Região Metropolitana tão pouco para resolver os problemas de trânsito na Capital e Grande São Paulo.
Em matéria publicada pelo jornal O Estado de São Paulo, Jurandir Fernandes admite que nem as 11 obras metroferroviárias que devem estar em andamento até a metade do ano que vem vão dar conta de resolver os problemas de trânsito da capital.
Jurandir Fernandes declarou que é necessário investir em corredores de ônibus.
E a lógica relatada pelo secretário é simples. Não há tempo suficiente e nem condições de o metrô atender a toda cidade e região metropolitana. As obras são caras, lentas e o metrô não pode ser levado, por questões técnicas e geográficas a todos os lugares.
O Metrô deve servir às principais regiões e as chamadas linhas troncais, de grande demanda que necessita e justifica investimentos tão altos e obras tão complexas.
Todo o sistema de transporte deve ter capilaridade, ou seja, deve atender à cidade como um todo e contar com serviços não apenas alimentares das linhas tronco, mas complementares a elas.
Assim, investir em metrô sem ao mesmo tempo investir em sistemas complementares que privilegiam os transportes públicos é um descompasso. Nesta linha de raciocínio, a tão necessária expansão do Metrô deve ser acompanhada com crescimento proporcional dos corredores de ônibus.
E quando se fala em corredor de ônibus, não são apenas faixas pintadas na rua convencional. Trata-se de pistas segregadas do trânsito convencional com pavimento adequado ao peso dos ônibus e características, como pagamento da tarifa antes do embarque e estações e paradas que proporcionam acessibilidade a todos. Esse tipo de corredor garante velocidade aos ônibus que podem ser mais confortáveis e com mais tecnologia por não serem expostos aos riscos de danos que o pavimento comum (ruas e avenidas mal conservadas) oferece.
No Brasil, há bons exemplos de BRTs (Bus Rapid Transit), estes tipos de corredores de ônibus de trânsito rápido, como o sistema de Curitiba e região metropolitana, pioneiro no mundo, e o Corredor ABD, entre as zonas Sul e Leste de São Paulo, passando por municípios do ABC Paulista e operado pela empresa Metra.
A linha 4 Amarela, do Metrô, que teve recentemente mais duas estações inauguradas (Luz e República) e o horário de funcionamento ampliado, agora atendendo das 04h40 à meia noite, é prova de que o sistema de transportes deve ter ofertas distribuídas e não concentradas. Até os corredores das estações estão lotados, o pico de passageiros chegou a 405 mil pessoas em um dia na linha, e a travessia entre as estações Paulista e Consolação não era feita em menos de 15 minutos.
Jurandir Fernandes disse que enquanto a linha Lilás não estiver concluída, a lotação da linha 4 vai demorar pelo menos outros três anos para ser resolvida:
“Por que estamos sofrendo hoje com as estações Paulista e Consolação? Porque a linha 5 atrasou. Se ela estivesse pronta, como era previsto, a população da zona sul teria mais opções e não desembocaria todo mundo na linha 4”, explica. “Com o atraso, ainda vamos passar aí mais uns três anos com lotação.”
As estações Sé e República parecem ter nascido já saturadas. Tanto é que o Metrô teve de adotar algumas soluções paliativas que faz em algumas outras estações nas linhas mais antigas, como direcionar para um sentido só o funcionamento de escadas e esteiras rolantes.
Jurandir Fernandes nega, no entanto, que as estações foram mal dimensionadas.

GOVERNO ADMITE ATRASOS:

Jurandir Fernandes admitiu que não será possível entregar cinco estações da linha 4 Amarela do Metrô até 2014. Deve haver atrasos na conclusão das obras e a preocupação maior é com a estação Vila Sônia:
“Nossa meta com bastante aperto é 2014. Higienópolis-Mackenzie, Fradique, Oscar Freire e São Paulo-Morumbi, já em obras, têm mais chance de ficarem prontas. A que fica com data sob risco é a Vila Sônia, que é totalmente nova”
Mesmo sendo inauguradas com quatro anos de atraso do previsto, as estações já em operação da linha 04 não atendem ao prometido.
Não há banheiros públicos, como na Sé e na República, da linha Amarela e o sinal de celulares prometido pela empresa operadora ViaQuatro não existe ainda. São promessas que ainda não têm data para serem cumpridas.
A estação Pinheiros também tem outro problema: o terminal de ônibus prometido para funcionar ao lado não está pronto.
A obra é de responsabilidade da Prefeitura de São Paulo e oferecia conexões entre carros, ônibus municipais, ônibus intermunicipais e o metrô.
A Prefeitura, também sem dar datas para a conclusão, se limitou a dizer que 50% das obras estão prontos e que o restante vai depender de uma licitação.
Ainda de acordo com a reportagem de O Estado de São Paulo, o secretário disse ainda que mais duas empresas manifestaram interesse em participar da Parceria Público-Privada (PPP) para a construção da Linha 6-Laranja. A Odebrecht, uma das maiores construtoras do Brasil, encaminhou uma proposta em setembro e, por isso, o Metrô publicou um edital com regras para outros interessados. A Camargo Corrêa e um consórcio coreano seriam os demais competidores.
Adamo Bazani, jornalista da Rádio CBN, especializado em transportes.