INVESTIMENTOS METROFERROVIÁRIOS: CRESCER, MAS PENSAR NOS IMPACTOS AMBIENTAIS E SOCIAIS DO PROGRESSO.

METROFERROVIÁRIO
Trem da CPTM. Semana Metroferroviária discutiu os desafios e as soluções para a mobilidade urbana sobre os trilhos, apontada como uma das soluções para as cidades. Um dos pontos mais polêmicos é: Como investir e respeitar o meio ambiente e o espaço urbano, sem repetir os erros do passado, que, como rolo compressor, o progresso causou impactos sociais e ambientais. Foto: Adamo Bazani

O Futuro está nos trilhos
Este foi o principal tema da Semana Metroferroviária que mostrou a importância destes modais para o desenvolvimento das cidades
MARCOS GALESI

A 17ª Semana de Tecnologia Metroferroviária, promovida pela AEAMESP (Associação dos Engenheiros e Arquitetos do Metrô), foi realizada no período de 13 a 16 de setembro de 2011, no Centro de Convenções Frei Caneca, em São Paulo, paralelamente à exposição de produtos e serviços Metroferr 2011.
O encontro teve como proposta reunir técnicos, entidades, empresas e órgãos públicos municipais, estaduais e federal para discutir novas tecnologias no setor de transportes no País e no mundo, bem como debater estratégias de investimentos tanto para o transporte de passageiros como para o de cargas.
“O Futuro está nos Trilhos! Os caminhos para o desenvolvimento” é o tema principal dessa edição, que reuniu uma grande quantidade de trabalhos técnicos, desenvolvidos por profissionais e por empresas, abordando novas tecnologias nas áreas de engenharia civil e de sistemas; bem como nos novos modos de transportes que atualmente estão sendo discutidos e implantados no País: Monotrilhos, VLTs e TAV, proporcionando um rico e importante intercâmbio de conhecimentos.
Para que o Brasil desponte como uma das lideranças no cenário global são necessários maiores investimentos em infra-estrutura, principalmente em sistemas estruturantes sobre trilhos, para organizar o transporte, a mobilidade e a acessibilidade em suas principais cidades.
“O Futuro está nos Trilhos! Os caminhos para o desenvolvimento” foi o tema principal deste ano, por meio do qual mostra a importância de unir os esforços dos governos, da indústria, das operadoras, das entidades de classe, dos profissionais da área tecnológica e dos cidadãos brasileiros na construção de um novo País, com projetos metroferroviários e de infra-estrutura para serem implantados a curto, médio e longo prazo.
Nesta edição da Semana de Tecnologia foi apresentada uma quantidade maior de trabalhos técnicos, desenvolvidos por profissionais e por empresas, abordando novas tecnologias nas áreas de engenharia civil e de sistemas; bem como nos novos modos de transportes que atualmente estão sendo discutidos e implantados no País: Monotrilhos, VLTs e TAV, proporcionando um rico e importante intercâmbio de conhecimentos.
Nos painéis de debates estiveram em pauta: as políticas públicas e sua integração, a importância do planejamento urbano nas cidades, projetos sustentáveis na ocupação do solo, as diversas ações e soluções para a preservação do meio ambiente, investimentos permanentes no setor de transporte público sobre trilhos, nas cidades e na ligação entre elas, com trens regionais ou de longo percurso; a logística integrada no transporte ferroviário de carga e passageiros e a expansão da malha metroferroviária no País.
A grande missão: Mostrar para a sociedade organizada, órgãos de governo e agentes financeiros a importância de se considerar, no cálculo da taxa de retorno dos investimentos, também os ganhos das externalidades monetizáveis.
A semana Metroferroviaria e suas conclusões:

A semana metroferroviária trouxe a tona várias discussões, e elucidou inúmeras dúvidas com relação ao transporte metroferroviário e seus investimentos.
Inclusive houve o direcionamento de investimentos até 2030 e percebeu se que algumas linhas houve várias mudanças significativas, direcionadas pela pesquisa de Origem e Destino que faz o balizamento das várias novas linhas do metrô.
O Secretário Jurandir Fernandes justificou a demora das linhas, devido aos problemas com o Estudo de Impacto Ambiental o EIA-RIMA que com sua demora, acabam atrasado obras importantes do metrô.T odas as linhas de metrô a serem construídas dependem de EIA-RIMA que é uma das partes mais demoradas da burocracia da implantação de uma linha de metrô.
Para se ter uma idéia, há obras que demoraram alguns anos devido à demora do EIA-RIMA. Sem o EIA-RIMA, não se faz obra nenhuma. Além do EIA-RIMA, temos a segunda parte da burocracia, a parte da LICITAÇÃO que quando corre tudo bem, demora em torno de 6 meses quando é proclamado o nome do ganhador da licitação. Se alguma empresa não concordar com a maneira que a outra empresa ganhou , aí temos a fase do recurso que graças ao nosso judiciário pode demorar de 6 meses a um ano, e nisso a obra vai demorando e a população vai sofrendo mais.
Eu conversando com um técnico a respeito do EIA RIMA, ele me disse que é uma forma de disciplinar os engenheiros que muitas vezes fazem projetos errados que se forem para frente, acabam impactando não apenas o Meio Ambiente, mas também os arredores aonde as obras atingem, pois os engenheiros em nome do progresso só vêem obras e não os arredores, desapropriam sem pagar uma indenização decente ou então sem nenhum princípio jogam as pessoas na rua sem um imóvel decente para morarem, enfim, é necessário uma certa disciplina, só vermos o que aconteceu com parte a avenida São João com a construção do minhocão, aquele elevado acabou com os arredores, os moradores não tem sossego, vivem respirando grande parte de poluição de ar no abaixo do elevado e acima convivem direto com poluição sonora.
Então, para disciplinar, existe o EIA-RIMA, e se não tomarmos cuidado, o poder público pode demonizar em nome do progresso e justificar a sua incompetência.
A verdade é: Por qual motivo os engenheiros não fazem seus projetos de acordo com o EIA-RIMA?? Por que quando licitam uma obra não o fazem de acordo com a lei?? Por que não se faz acordos para evitar os recursos judiciais?
Por que não se fazem obras sustentáveis que teriam melhor aprovação das secretarias do meio ambiente e da parte do IBAMA???
Há muitas perguntas que deveriam ser respondidas, a grande questão: SERÁ QUE QUEREM NOS RESPONDER???

Marcos Galesi, vice-presidente do Movimento Respira São Paulo e técnico em transportes