BRT PODE DEIXAR CIDADES MAIS BONITAS

BRT bus

O ônibus faz parte da paisagem urbana e do dia a dia das cidades. As pessoas podem não perceber claramente, mas ônibus limpos, com design mais claro e moderno podem contribuir para que as cidades sejam mais bonitas e agradáveis. E os projetos de BRT além de proporcionarem uma mobilidade melhor para as pessoas no transporte público, atraindo quem usa o carro, o que pode resultar em menos trânsito e poluição, têm a capacidade de contribuírem para cidades mais belas e com maior bem estar. Isso porque, os sistemas de corredores podem receber ônibus mais modernos e diferenciados e aproveitando o momento, a indústria investe para oferecer veículos com design que remetam à modernidade e agilidade. Prova disso é o Neobus Mega BRT, modelo desenvolvido exclusivamente para corredores, que ganhou o prêmio IDEA, um dos mais conceituados na área de design. A versão biarticulada do modelo consiste no maior ônibus do mundo, com 28 metros de comprimento, inovações tecnológicas e mais espaço interno e acessibilidade. Foto: Adamo Bazani.

Neobus Mega BRT ganha um dos mais importantes prêmios de design do mundo
O maior ônibus do mundo também é um dos mais bonitos. Pelo menos é o entendimento dos jurados do IDEA/Brasil, um dos prêmios mundiais de design mais importantes.

ADAMO BAZANI – CBN

As vantagens do BRT (Bus Rapid Transit) para a mobilidade são grandes: com baixo custo, privilegiando os ônibus no espaço público, os corredores exclusivos não exigem grandes e demoradas obras e conseguem aumentar significativamente a qualidade de vida nas cidades, diminuindo a poluição e os congestionamentos, ao oferecer um sistema de transporte público mais rápido e confortável capaz de convencer as pessoas a deixarem o carro em casa.
Exemplos de que o BRT, desde que seja um corredor de ônibus segregado e moderno e não apenas uma faixa pintada no chão, pode tirar sim pessoas do carro de passeio não faltam. O sistema de Curitiba, o primeiro BRT do Mundo, o Corredor Metropolitano ABD (entre São Mateus e Jabaquara, via ABC Paulista), o Transmilênio, da Colômbia, o Transantiago, no Chile, o Orange Line Los Angeles, nos Estados Unidos, entre tantos outros, têm boa parte de seus passageiros formada por pessoas que possuem um ou mais carros, mas prefere deixá-los em casa, pelo custo baixo e praticidade dos sistemas de ônibus em corredores segregados.
Menos carros nas ruas, menos poluição e congestionamento. Justamente o que as cidades precisam.
Mas além de proporcionarem mobilidade de fato para as pessoas e qualidade de vida, os ônibus de BRT podem deixar as cidades mais bonitas.
Isso porque, a indústria de ônibus adequados para esse sistema de transporte tem caprichado no design. E como a maior parte dos profissionais sabem: o ônibus faz parte da paisagem urbana. Veículos novos, bem conservados e bonitos podem aumentar a sensação de bem estar nas cidades.
Por isso, algo não muito comum há alguns anos, tem se intensificado com as perspectivas de implantação de BRTs: os ônibus têm ocupado lugar importante no mundo do design.
E um modelo feito especialmente para BRT conquistou um dos mais relevantes prêmios de design do mundo.
O IDEA International Design Excellence Awards, edição Brasil 2011, premiou o modelo Neobus Mega BRT na categoria Prata/Transporte como melhor projeto estético.
O IDEA é um prêmio destacado em todo o mundo e o Brasil é o único país que possui uma edição fora dos Estados Unidos. Por aqui, ele é promovido pela Associação Objeto Brasil em parceria com a Aprex Brasil (Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos).
O Neobus Mega BRT é projetado para operações em corredores exclusivos e faz parte dos avanços do setor de ônibus para a modernização das cidades.
Já usado em sistemas brasileiros, como de Curitiba e da Metrobus, em Goiânia, o ônibus possui um desenho diferente dos veículos mais antigos. A frente com desenho que apresenta uma caída em ângulo do teto ao pára-choque, com maior área de envidraçamento, novos conjunto óptico, o design dá a impressão de agilidade e limpeza.
Mas não é apenas na aparência que o ônibus é diferente.
Na versão biarticulada, trata-se do maior ônibus do mundo, com 28 metros de comprimento e capacidade entre 270 e 300 passageiros.
Há também a versão articulada, de 21 metros para 170 passageiros, e convencional, esta última usada pelos “Ligeirinhos” (serviços com poucas paradas no meio do caminho) de Curitiba.
O espaço interno é bem maior, o que oferece mais conforto e circulação mais fácil dos passageiros dentro do ônibus.
A largura total do ônibus é de 2,60 metros e a altura interna é de 2,20 metros. O mercado brinca dizendo que da até para “jogadores de basquete viajarem em pé”.
O ônibus segue as normas mais modernas de acessibilidade e segurança. Há espaço para cadeira de rodas, cão guia acompanhante de pessoas com limitação visual, botões especiais de parada acionados por pessoas com necessidades especiais que informam ao motorista que passageiros nestas condições vão precisar de atendimento no próximo desembarque.
Computadores de bordo informam ao motorista em tempo real, dados operacionais e eventuais problemas que podem ser corrigidos na hora.
Além disso, câmeras de monitoramento reforçam a segurança assim como sistemas de GPS que informam a central da garagem dados como posição dos ônibus nas linhas e velocidade.
Dependendo da configuração do veículo, ele pode ter painéis com avisos de texto e sonoros sobre as próximas paradas e dados do sistema de linhas.
A Neobus acredita que o design do ônibus, somado à qualidade de operação, que é garantida pelo sistema de BRT, pode chamar a atenção das pessoas sobre o fato de que o ônibus não é mais o mesmo de alguns anos e que se desenvolveu de maneira a fazer parte da melhoria nas cidades.
Outras encarroçadoras também apostam na modernização dos modelos e nos ganhos de estética que o design pode trazer às cidades com ônibus mais harmoniosos.
Na Transpúblico 2001, feira que reúne fornecedores, empresas de peças, serviços, encarroçadoras e montadoras, foi dada mais uma amostra de que o BRT pode deixar ônibus e cidades com mais beleza e bem estar.
A Marcopolo apresentou o modelo Viale BRT, com linhas futuristas. Outras empresas como Mascarello, Comil e Caio também anunciaram que vão oferecer ônibus com design mais atraente para os serviços de BRT (Bus Rapid Transit).
A era dos “ônibus quadradões”, desconfortáveis e barulhentos já tem sido superada.
Adamo Bazani, jornalista da Rádio CBN, especializado em transportes

7 comentários em BRT PODE DEIXAR CIDADES MAIS BONITAS

  1. Amigos, boa noite

    Com o visual e limpeza externa todos se preocupão, quero ver é ter conforto e limpeza
    interna.

    O que precisa é deixar é o passageiro bonito e não a cidade; sem contar as pinturas
    horríveis que as prfeituras inventam.

    Muito obrigado
    Paulo Gil

  2. Boa noite.

    Considerações interessantes e importantes. Entretanto, creio que, precisamos tomar um certo cuidado, para não enfeitarmos demais, encarecermos demais, algo que pode ser mais eficiente, porém com simplicidade.

    Abçs.

  3. Concordo inteiramente com o Paulo Gil. Eu até já havia comentado aqui das pinturas *horríveis* que sugeriram pra Goiânia.

    E digo mais. Eu não seria tão inocente de achar que alguém abandonaria seu carro novo com ar condicionado e mp3 player por um ônibus com 300 (TRE-ZEN-TOS!?!?!) passageiros, sujo e quente. E olha que adoro ônibus modernos, projetos sustentáveis e odeio trânsito.

    E muitas vezes de que adianta um ônibus BRT bonito se o ônibus convencional para fazer integração for ainda mais feio, quente, cheio, sujo e barulhento? (que exatamente o que acontece com a integração do metrô de brasília, onde ela existe, o que é raro)

    O conceito de BRT é ótimo. O problema é que, no Brasil, tirando Curitiba, o conceito é totalmente desvirtuado. Pesquisem sobre a qualidade do sistema existente em Goiânia* e do sistema que está sendo desenvolvido em Brasília**. Muito ruins. Em Goiânia estão até acelerando um projeto para substituir o atual BRT por bonde (VLT) com recursos do PAC.

    * em Goiânia: estações feias, lotadas, sujas e com asfalto ruim
    ** em Brasília: estações feias em concreto bruto/reboco, pistas de concreto mas de baixa qualidade (muito ondulado e já com rachaduras, muito mal feito), vias exclusivas mas sem segregação, acessibilidade péssima, sem pagamento antecipado ao embarque

    • Antonio Filho, bom dia

      Também concordo inteiramente com suas ponderações.

      É só OBA OBA.

      Eu também adoro o Buzão, mas o uso do mesmo na real, é um inferno.

      É a velha preocupação com visual, a operação é aquela “caca” de sempre.

      Sem contar as insuportáveis freadas e arrancadas brucas; e diga-se de
      passagem que nem motorista de caminhão boiadeiro dirige assim; eles
      pelo menos respeitam a carga .

      Grato
      Paulo Gil

      • Antonio Filho // 15 de setembro de 2011 às 16:35 //

        Muito bem lembrada essa questão das acelerações e freadas. Geralmente não se preocupam com o treinamento do condutor (de maquinistas também, mas principalmente dos motoristas) nem com o conforto da viagem. Só no transporte de gado é que a carga é preciosa por estas bandas.

        Por isso acho que o melhor jeito de ver um BRT embelezando a cidade é de dentro de seu próprio carro. =D
        (pelo menos no Brasil, tirando Curitiba)

        Saudações (:

  4. Bom dia.
    Os comentaristas que me precederam já disseram bastante, e BEM!
    Complementaria: TRANSPORTE PÚBLICO NÃO é feito para “deixar o carro em casa” é para transportar o cidadão de um ponto para outro.
    Eu gosto de ônibus e creio que o tal “BRT” é um “mal necessário” pois o que enfeia a maioria das cidades é uma coisa terrível.
    Saudações

  5. Comentários muito importantes e bem focados.

    Ônibus só bonito ajuda o fabricante mas não basta para o usuário. Aida falta praticamente tudo para integração eficiente de ônibus; começou com o Bilhete Único e estacionou. Me desculpe quem cita Expresso Tiradentes e Corredor da Metra como bons exemplos, mas entendo que estão longe do conceito BRT integral. Por mais que admire a Metra como empresa de ônibus, quando comparada com seus pares.

    A iniciativa da CPTM 9 Esmeralda, que acaba de comprar trens com recursos – para o usuário! – similares aos do Metro 4 Amarela, é bom. A integração na Estação Pinhios até é bem sinalizada, mas, por exemplo, não é possível comprar bilhete de Metro nos guichês das estações da CPTM.

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