O CUSTO DA DESONESTIDADE NOS TRANSPORTES

Teresina Passagens

Teresina, depois de manifestações de estudantes contra o aumento das tarifas, decidiu rever os custos do sistema e mensurou o quanto a desonestidade e a cultura de querer levar vantagem em tudo pesam no valor das tarifas de ônibus. Mau uso de benefícios e gratuidades acabam custando caro para quem paga correta. Além disso, um ato por parte dos empresários também encarece o valor das tarifas de ônibus. Os salários dos diretores do Sindicato que representa as empresas, o Setut, também entram na conta para o aumento das tarifas.

Salários de empresários de ônibus e mau uso da gratuidade pesam no valor de passagem em Teresina
Desoneração fiscal sobre as tarifas é alternativa para baixar o valor das passagens, mas corte de abusos já ajudaria bastante
ADAMO BAZANI – CBN
O mundo evoluiu, a tecnologia trouxe avanços jamais pensados há décadas, mas parece que a mente humana, principalmente no tocante a um querer levar vantagem sobre o outro, mesmo que indevida, continua a mesma ou até piorou.
Nos transportes coletivos isso é sentido todos os dias. Seja desde o mais alto cargo do setor até o usuário do dia a dia, há sempre aquele que não age de acordo com o básico de honestidade que se espera de um profissional e de um cidadão.
A corrupção e a cultura de levar vantagem nos transportes extrapola classes. Há o empresário corrupto, o gestor público corrupto e o passageiro também que age de má fé.
Os profissionais mais antigos dos transportes sem lembram da época que os ônibus não precisavam de catracas, simples fichinhas feitas de cartolina para indicar a secção (a divisão do itinerário do ônibus que determinava o valor da tarifa) bastavam.
Mas aí, muita gente começou a esconder as fichinhas, fazer mau uso delas, descer sem pagar pelos ônibus que ficaram maiores e ganharam no mínimo mais uma porta.
Veio a catraca mecânica. Os abusos foram contidos por um tempo. Por um tempo só. Muitas pessoas continuavam a descer pela porta de entrada, a pular a catraca e alguns motoristas e cobradores mal intencionados descobriram métodos de adulterá-las.
Antes se embarcava pela porta de trás do ônibus e o passageiro andava dentro do veículo no sentido que ele percorria.
Mas muita gente descia pela porta de trás. Então, a inércia física (o princípio da continuidade do sentido de força mesmo após o fim do movimento) foi desafia e as pessoas começaram a ser obrigadas a entrar pela porta da frente, enfrentar o movimento do ônibus e até hoje muita gente se desequilibra nos veículos.
Para evitar fraudes e evasão e garantir melhores receitas, nos anos de 1990 começa a se intensificar nos ônibus a bilhetagem eletrônica.
Novamente outro bom efeito que aos poucos começou a ser burlado. Falsificações de cartões, de tarjas magnéticas em bilhetes de papel (tinha gente que colocava fita cassete sobre o magnético) e outras artimanhas continuavam.
Com o passar do tempo, a sociedade também se desenvolveu em alguns aspectos.
Os direitos do cidadão foram mais reconhecidos, principalmente para as pessoas que mais precisam de atenção, como idosos e portadores de deficiência física.
Estes passageiros começaram a contar com gratuidade para terem melhor acesso aos transportes.
O benefício foi estendido para categorias profissionais que precisam se deslocar várias vezes dentro da cidade ou em regiões metropolitanas e usam ônibus para isso, como carteiros, oficiais de Justiça e policiais militares.
O problema, no entanto, é que tais benefícios, dentro ainda da cultura de abusos e de querer tirar vantagem, acabam tendo uso desvirtuado e quem tem direito a eles gratuitamente acaba cedendo ou mesmo vendendo para pessoas que não teriam a possibilidade prevista dentro da lei.
Tudo isso junto, mau uso dos direitos e gratuidades, fraudes e evasão de receitas acaba também provocando custos maiores nos transportes.
Afinal, os serviços não saem de graça nem para o empresário oferecer e ele visando lucro, aumenta estes valores e, portanto, muito menos para o passageiro pagante.
Sem essa cultura de querer levar vantagem, as passagens poderiam ter valores menores, de forma considerável.
Foi o que revelou análise feita pela Strans (Superintendência de Transporte e Trânsito) de Teresina, no Piauí.
A cidade foi palco de manifestações de estudantes contra o reajuste das passagens de ônibus municipais. A prefeitura chegou a recuar dos R$ 2,10 concedidos às empresas e estipulou o valor de R$ 1,90 por um prazo de 30 dias para análises de valores que consigam cobrir os custos das empresas e não pesar demais no bolso dos trabalhadores.
Neste dia 07 de setembro não foi folga para os técnicos da Secretaria e até desonerações fiscais são levadas em conta para o barateamento das passagens.
No entanto, a autarquia detectou uma série de usos indevidos de benefícios que, se fossem corrigidos, poderiam facilitar a vida de todos os passageiros pagantes de fato.
MUDANÇA DE SEXO NAS CATRACAS:
Na reunião da Setrans foram descobertos casos de homens que se passavam por mulheres para conseguirem gratuidade com idades menores. Servidores com o mesmo direito repassavam seus crachás para mais de um passageiro que não gozava do benefício.
Entre estes servidores, está um policial militar que emprestava a carteira para 5 pessoas diferentes.
Já um deficiente físico foi acusado de também repassar sua identificação para outros passageiros também. Outra série de casos foi descoberta e deve ser coibida.
Além dos abusos e desonestidades, a Setrans acredita que os salários que os empresários e diretores que ganham para trabalharem no Setut (Sindicato da Empresas de Transportes Urbanos de Teresina) são altos e oneram as passagens já que eles também fazem parte da cesta de cálculos das tarifas.
Isso também é visto como distorção, pois o Setut é considerado um órgão de classe, de defesa dos interesses das empresas , e não um órgão direto à execução dos transportes.
O superintende da Strans, Alezenir Porto, afirmou ao site Clica Piauí, que os empresários também deveriam fazer sua parte para a redução da tarifa, inclusive neste aspecto dos salários do Setut.
“O empresariado tem que entrar com a parte dele, se for o caso reduzir a remuneração. Eu acredito que o sistema vai trabalhar de uma maneira muito melhor a medida que tivermos mais passageiros”, disse Alezenir Porto.
Adamo Bazani, jornalista da Rádio CBN, especializado em transportes

8 comentários em O CUSTO DA DESONESTIDADE NOS TRANSPORTES

  1. salomao jacob golandski // 8 de setembro de 2011 às 18:46 // Responder

    ola
    quanto ao mau uso do transporte coletivo , isto existe em todo o Brasil .
    existe aquele funcionário que quer levar vantagem , cadê a fiscalização
    se os passageiros reclamassem contra os coruuptos , a passagem seria bem menor
    maior numero de passageiros transportados significa menor tarifa
    é a razão e proporção .

  2. Boa tarde.

    Novamente, matéria realizada com simplicidade, objetividade, abordando um tema atual e relevante.

    Legal Adamo.

    Mencionei em posts anteriores que, na verdade o mais adequado é que, todos paguem passagem, pois assim, alguns não suportarão o rateio dos custos por outros. Mas, sei que isto está longe de ser possível; contudo, há de ser combatido mau uso das gratuidades, sob pena do sistema encarecer cada vez mais e, mais rápido, fazendo com que mais e mais pessoas, andem a pé ou de bicicleta.

    Porque é saudável ? Rs., não, porque não têm condições de pagar mesmo.

    O empresário também têm sua parcela de culpa e responsabilidade, nas mudanças que precisam ser realizadas, entretanto, ressalto uma vez mais, NÃO VAMOS DEMONIZAR O EMPRESÁRIO DE ÔNIBUS, O EMPRESARIADO EM GERAL, PORQUE ANTES DE SER EMPRESÁRIO, ELE É UMA PESSOA COMO QUALQUER UM DE NÓS, COM VIRTUDES E DEFEITOS. HÁ BONS E MAUS, COMO EM TODOS OS RAMOS PROFISSIONAIS.

    UMA PROVA DISSO, SÃO OS DIZERES DA REPORTAGEM, SOBRE COMO ERA O PAGAMENTO DAS PASSAGENS, ATRAVÉS DE FICHINHAS DE CARTOLINA, COM ÔNIBUS SEM CATRACAS E, COMO É HOJE, ONDE CÂMARAS SÃO INSTALADAS NOS ÔNIBUS PARA TENTAR EVITAR AS FRAUDES E, NEM ASSIM, SE EXTINGUEM OS DESVIOS.

    É isso.

    Abçs.

  3. Obrigado amigos pelos comentários. Realmente, os custos da corrupção são nocivos não apenas aos transportes, mas a todos os serviços da nação.
    Há algum tempo vi uma reportagem de um levantamento que mostrava o custo da corrupção no Brasil. Não me lembro dos valores exatos, mas eram astronômicos.
    Enquadra-se como corrupção não apenas propina e desvios de verbas, mas a desonestidade em geral, desde milhões não aplicados numa obra até um “simples” não pagamento de uma passagem de ônibus.

  4. galesitransportes // 8 de setembro de 2011 às 21:41 // Responder

    Amigo Adamo

    Esta história de Evasão só acontece no Brasil por conta da própria cultura do Brasileiro que sempre gostou da lei de gerson a de levar vantagens, Vamos apostar na nova geração já que a geração do Funk é uma geração perdida, a EDUCAÇÃO pode salvar o futuro e baratear os custos.

    Abraços
    Marcos Galesi

    • Galesi,

      Permita-me, humildemente, fazer minhas as suas palavras.

      SOMENTE A EDUCAÇÃO E FORMAÇÃO DE NOVOS CIDADÃOS E NÃO MOLEQUES, É QUE PODE SALVAR ESTE PAÍS.

      ABÇS.

      • galesitransportes // 9 de setembro de 2011 às 13:26 //

        Amigo Gustavo

        O que me deixa indignado:
        Infelizmente as mães em vez de se manifestarem solicitando MELHORIAS DA EDUCAÇÃO, elas se manifestam quando falta o LEVE LEITE, o VALE UNIFORME, o VALE CADERNO o BOLSA FAMILIA,, BOLSA CARAMBA ÀS QUATRO, e aí vai MAS não pedem MELHORIAS NA EDUCAÇÃO.
        Minha noiva ela sempre diz que no Japão as crianças já aprendem a importância da EDUCAÇÃO, a importãncia dos meios de Transporte e é por isso que lá eles tem uma rede de metrô ideal, uma rede ferroviária ideal e até um trem bala, isso chamo de mentalidade de primeiro mundo, agora, enquanto o Brasil tiver a mentalidade de mendingância, da população achar que os governantes estão fazendo é caridade, isso tem que acabar, somos dignos, somos trabalhadores, não precisamos de esmolas do governo, o que precisamos é resgatar o amor proprio e gritarmos bem alto que não precisamos de esmolas do governo, precisamos é de respeito e dignidade. Infelizmente a Geração Funk não pensa nisso, e pensam que tudo vai se resolver com Funk, portanto temos que tentar salvar a próxima, pois o progresso do nosso país depende deles.

        Abraços Marcos Galesi

  5. Outro caso que é comum é o passageiro pagar a passagem para o cobrador, mas o cobrador pede que o passageiro desça pela porta da frente. Onde é costume fazer isso é nas linhas intermunicipais
    (EMTU) da CS Brasil (Julio Simões) e na Viação Atual

  6. Quanto absurdo nestas fraudes! nas pequenas desonestidades, corrupções iniciam as maiores! assim é que por conta destas pequenas atitudes somadas a outros fatores o transporte, o trânsito das cidades, a vida das pessoas fica mais dificil! é lamentável observar que por trás dessas coisas há interesses mesquinhos que acabam prejudicando uma maioria! mas tudo isso caminha para possibilitar situações que forçarão mudanças! cada dia mais carros e motos, veículos particulares nas cidades neste trânsito caótico provocarão alterações que visarão amenizar a mobilidade das pessoas! um dia quem sabe teremos um transporte rápido, confortável e barato, é um sonho, mas um dia isso pode ser possível!

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