MATO GROSSO QUER VLT MAS ADMITE ÔNIBUS

O Governo do Mato Grosso quer instalar um sistema de VLT - Veículo Leve sobre Triljos até a Copa de 2014. Mas precisa convencer o Governo Federal os motivos e as vantagens por ter optado por um modal mais cara de difícil implantação. As obras do VLT chega a custar 5 vezes mais que a de corredores de ônibus modernos e de grande capacidade, como os BRTs - Bus Transit, opção que o governo estadual não descarta. Para garantir a viabilidade do VLT, a Agecopa - Agência Executora da Copa de 2014 prevê a parceria com empresas privadas, entre elas da Argentina e da Coreia.

Mato Grosso quer VLT mas admite BRT
Governo do Estado disse que fará o possível para conseguir verbas para projeto sobre trilhos, mas se não houver recursos vai optar por transportes de ônibus modernos
ADAMO BAZANI – CBN
Parcerias com empresas internacionais, como da Argentina e Coréia, remanejamento de recursos próprios e muita negociação com o Governo Federal.
É desta maneira que o Governador do Mato Grosso, Silval Barbosa, vai tentar implantar um sistema de VLT – Veículo Leve sobre Trilhos no Estado, dentro das obras contempladas pelo PAC da Mobilidade (Programa de Aceleração do Crescimento para a Copa de 2014).
A proposta para obtenção de recursos junto ao Governo Federal, no Ministério das Cidades, em Brasília, deve ser apresentada nesta quarta-feira, dia 20 de julho de 2011, pelo governador e membros da AgeCopa – Agência Executora da Copa de 2014.
O Governo Federal quer saber o motivo pelo qual o Estado de Mato Grosso optou pelo VLT em vez do BRT, que é mais barato e de fácil implantação e como o governo estatal vai conseguir honrar os custos do VLT, estimados em R$ 1,1 bilhão. Se em vez do VLT, o governo optasse pelo BRT – Bus Rapid Transit, que são corredores de ônibus modernos com pontos de ultrapassagem, embarque no nível da estação e do assoalho do ônibus, acessibilidade para portadores de necessidades especiais, pré – embarque, que é o pagamento do ônibus antes da entrada no veículo, além de ônibus mais modernos que os convencionais, as obras não ultrapassariam R$ 400 milhões.
O Governo do Mato Grosso está convicto de que o VLT pode trazer vantagem como maior capacidade de passageiros transportados, o que pode ser contestado dependendo do sistema de BRT implantado, e melhor adequação urbanística, além da tração elétrica que não é poluente.
Silval, no entanto, assegurou que até a Copa de 2014, as obras estarão prontas e que o estado está disponível e se não for possível a concretização do VLT, os serviços serão feitos por ônibus, sem perda de qualidade.
“Se não for (VLT) teremos dinheiro em conta e vamos executar o BRT, mas vamos analisar essa situação”, alertou.
O Governo porém vai insistir no sistema sobre trilhos.
Com o passar do tempo porém, pela implantação do VLT ser mais cara e demorada, os riscos de esse desejo do estado não concretizar são grandes.
Especialistas dizem que, mesmo com o PAC da Mobilidade, falta uma interatividade entre estados e Governo Federal na questão da mobilidade urbana.
Desde quando o Governo Federal atribuiu aos estados e municípios a incumbência de operar os transportes públicos, ele tem se omitido não só na questão operacional, mas de financiamento também.
Além disso, pela lei do superávit primário, a capacidade de endividamento dos estados, que não pode ultrapassar a razão com a arrecadação, diminui a possibilidade de investimentos.
Alguns estados não possuem recursos disponíveis para grandes investimentos, ainda mais se tiverem de obedecer o superávit primário.
Mato Grosso diz conseguir recursos para o VLT, inclusive com a participação de empresas privadas, a exemplo das companhias da Coréia e da Argentina. Mas se não houver essa possibilidade, o dinheiro para a construção dos sistemas de ônibus está praticamente garantido.
Nesta hora é necessário ver se vale a pena um sistema mais caro como o VLT, pelo número de passageiros que atende, ou se o BRT dará conta do recado por um custo menor e obras que interfiram menos no ambiente urbano.
Adamo Bazani, jornalista da Rádio CBN, especializado em transportes.