MAUÁ QUER PADRONIZAR PINTURAS DE ÔNIBUS EM ÉPOCA DE ELEIÇÃO

Leblon Transporte

Visão e força como da águia, impondo respeito são características predominantes nos transportes coletivos. Mas os serviços são feitos por seres humanos e para o ser humano. Assim, a águia é formada por rostos de pessoas. Esta é a visão de como devem ser os serviços de acordo com o Grupo Leblon Transporte de Passageiros As cores remetem tranqüilidade, não agressão ao ambiente urbano e às cores da bandeira de Mauá. Tudo isso pode ser anulado com a padronização de pinturas que a prefeitura quer fazer, evidenciando sua marca nas latarias dos ônibus em ano eleitoral. Foto: Adamo Bazani

Mauá quer padronizar pintura de ônibus
Passageiros aprovaram que cada empresa tivesse sua cor, mesmo assim Prefeitura quer impor sua marca nas latarias
ADAMO BAZANI – CBN
Mauá, na Grande São Paulo, que tem vários problemas de transportes, mas que tem recebido elogios pelas mudanças que vem realizando, como a entrada de uma nova empresa operadora, a instalação de um sistema tronco-alimentador de uso de linhas mais racionais e a renovação de frota, pode tomar uma medida que deve desagradar os usuários do sistema.
A administração municipal estuda em criar uma autarquia de transportes e como primeira medida quer padronizar as pinturas dos ônibus que operam os dois lotes da cidade.
Atualmente, a vida do passageiro de ônibus de Mauá, principalmente dos que possuem mais dificuldades de visão, foi facilitada, pelo fato de as duas empresas terem cores e desenhos diferentes. A VCM – Viação Cidade de Mauá – adora a padronização antiga com as cores branca, vermelha e azul, formando uma espécie de sorriso no desenho, igual ao símbolo da prefeitura.
A operadora mais nova, Leblon Transporte de Passageiros Ltda, que presta serviços desde 06 de novembro de 2010, já possui uma pintura mais sofisticada: prata e azul com uma águia formada por rostos humanos.
De acordo com a empresa, a pintura foi permitida desde a época do edital de licitação e foi feita especialmente para Mauá, já que onde opera há mais tempo, nas cidades de Fazenda Rio Grande e Curitiba, no Paraná, há padronização das cores dos ônibus conforme os serviços e linhas atendidos.
A pintura concorre a prêmios nacionais de desenhos de frota.
A empresa diz que o desenho reflete o que deve ser os transportes coletivos. Um transportador deve ter a força, a agilidade e a visão de uma águia, que é determinada em seus objetivos e impõe respeito. Mas ela abriga a quem é responsável. Como os transportes são feitos por seres humanos e para seres humanos, os rostos formam a águia demonstrando a preocupação e a prioridade que os serviços devem dar ao ser humano. Ou seja, são seres humanos servindo seres humanos, na visão da empresa.
A população acha bonita a pintura, que é metálica e escolhe as cores azul e prata para fazer uma referência às cores da cidade e também ser uma combinação suave, não agressiva e que não destoa na paisagem urbana.
A população aprova, tanto pela beleza da pintura, na opinião dos usuários, como pela facilidade de diferenciar os dois serviços.
Mas Mauá, em ano de eleição, quer nivelar as duas empresas de ônibus, impossibilitando de o passageiro por ele mesmo saber as diferenças entre elas de maneira mais fácil, e impor sua marca.
É verdade que o poder público tem méritos nas mudanças que ocorrem nos transportes de Mauá.

Viação Cidade de Mauá

Ônibus da Viação Cidade de Mauá seguem a pintura da antiga padronização municipal. Mesmo assim, a diferenciação de suas cores com as da Leblon agradam a população que identifica melhor o ônibus que deve pegar. O fato de as duas empresas terem duas tonalidades e desenhos diferentes ajuda principalmente a quem possui algum tipo de dificuldade visual e também colabora para os usuários julgarem melhor a qualidade de serviços entre as duas companhias, diferentemente de Santo André, por exemplo, onde a população não tem sequer o direito de saber qual empresa está prestando serviços em sua linha. Foto: Adamo Bazani.

Mas vale ressaltar, antes de colocar sua marca nos ônibus com predominância, que foram as empresas que compraram os veículos e que investiram milhões em renovação da frota. A Leblon entrou na cidade com todos 86 ônibus 0 km e a Viação Cidade de Mauá também trouxe vários veículos novos.
Já existe até um profissional na área de design elaborando a pintura da Prefeitura.
Só de saber que duas empresas diferentes podem ser niveladas e que a identificação dos ônibus nas ruas será mais difícil, a população não aprova a idéia.
Mauá se destacava justamente por quebrar os paradigmas das padronizações.
A questão da padronização das pinturas de ônibus é polêmica e mostra o quanto as diversas esferas do poder público querem aproveitar cada espaço na cidade para imporem suas marcas e as dos seus respectivos partidos.
Há vários casos emblemáticos que fizeram com que o dinheiro público e das empresas de ônibus, que vem do público também, fosse tratado de foram ridícula também.
No início dos anos 2000, quando Marta Suplicy assumiu a Prefeitura de São Paulo, a pintura que era para ser padrão na cidade tinha cinco “bonequinhos”, de bracinhos dados, que davam a impressão de serem estrelas vermelhas. O símbolo, que a administração pública dizia representar união e integração, na verdade mais lembrava a estrela do PT, símbolo do partido de Marta Suplicy.
A prefeita foi obrigada a mudar a padronização para uma mais racional adotada nos dias de hoje, apesar de tal padronização não dar direito de o cidadão saber de maneira facilitada a empresa que presta serviços.
Em Santo André, o desrespeito com o dinheiro dos passageiros foi maior ainda.
No final de 2008, o prefeito petista João Avamileno determinou que o azulão que já padronizava os ônibus da cidade desde 1997, quando o Prefeito Celso Daniel privatizou os serviços operacionais da EPT (Empresa Pública de Transportes) e reorganizou os transportes, fosse substituído por uma pintura nas cores branca e vermelha, ciom um pequeno detalhe azul.
No mesmo ano, o candidato a Prefeitura Vanderlei Siraque, do PT, cotado como favorito perde as eleições para o médico Aidan Ravin, do PTB, partido rival histórico do PT na cidade.
Em 2009, quando Ravin assumiu, uma das primeiras medidas foi determinar a troca da cor dos ônibus. Com o mesmo desenho, o vermelho teve de dar lugar ao azul. Ocorre que as empresas nem tiveram tempo de trocar o azulão de Celso Daniel, tiveram de adotar uma terceira pintura em menos de 09 meses depois da determinação do ex prefeito João Avamileno.
Em nome da política, a padronização, que em tese significa organização dos transportes virou bagunça total. Na mesma linha, havia empresas na cor azul Celso Daniel, vermelho João Avamileno e Azul mais claro no tom Aidan Ravin.
O petebista afirmava que os ônibus e os pontos tinham de ter as cores da bandeira da cidade e que não havia motivação política. Mas o objetivo seria mesmo apagar as marcas do PT na cidade.
Com isso, dinheiro das passagens das empresas de ônibus que poderia ser investido em renovação de frota, em manutenção ou mesmo no caixa para a saúde financeira da empresa, foi gasto em tinta. O nome EPT, que já era gerenciadora dos transportes, foi trocado para SATRANS. Ocorre que a autarquia não mudou praticamente em nada sua função. O munícipe teve dinheiro gasto, com a burocracia de mudança de nome, só para que o nome da antiga administração não fosse lembrado mais pela população.
Teve de aderia à pintura de Aidan até mesmo a Expresso Guarará, que não faz parte do Consórcio União Santo André, pois opera depois de vencer a licitação do Sistema de Vila Luzita, que possui um corredor, terminal e linhas alimentadoras (AL) e troncais (TR), tinha uma pintura diferenciada para mostrar que prestava serviços em um sistema diferente. Era uma pintura predominantemente branca, com detalhes azuis e vermelhos.
Em Santo André a situação é tão explícita que, com exceção da Expresso Guarará, todos os ônibus do Consórcio União Santo André sequer levam os nomes de suas empresas, Na parte traseira dos veículos, está escrito União Santo André, o nome do Consórcio. Se o passageiro quiser saber qual empresa o serve ou qual o ônibus por exemplo que arrancou o retrovisor de um carro e fugiu, tem de decorar o prefixo que fica na frente do número do ônibus, o que ninguém é obrigado a saber. (01 –Viações Guaianazes e Curuçá, 02 Viação Vaz, 03 Transporte Coletivo Parque das Nações, 04 ETURSA – Empresa de Transportes Urbanos Rodoviários de Santo André e 05 – EUSA – Empresa Urbana Santo André).
O Rio de Janeiro, considerada a capital exemplo de preservação das pinturas de ônibus que preservavam a identidade que as pessoas tinham com as empresas, aboliu neste ano esta ligação entre população e transportes públicos, e na formação dos consórcios adotou pinturas padronizadas.
Agora com Mauá, deve se repetir a novela.
Os ônibus, que começaram a ter aprovação de parte da população, vão ter de seguir a caprichos de administração pública, coincidência ou não, em ano de eleições.
Adamo Bazani, jornalista da Rádio CBN, especializado em transportes.

9 comentários em MAUÁ QUER PADRONIZAR PINTURAS DE ÔNIBUS EM ÉPOCA DE ELEIÇÃO

  1. Eu acho a padronização algo tão impessoal, tira a identidade dos veiculos. Em Santos os antigos amarelinhos e os onibus da CSTC deram lugar a pinturas tão sem graça.
    O mesmo acontece com os onibus da EMTU, pra mim são todos a mesma coisa

  2. Boa tarde.
    Adamo, parabéns pela matéria e continue assim !
    Em poucas palavras, quando o poder público, através do que estabelece a Constituição Federal; ELE, somente ELE, através de empresa municipal constituída para o fim de transporte público, realize o transporte de uma cidade, aí sim, ELE, pode se utilizar da pintura que desejar, do contrário, não sejamos tão “pobres” a ponto de mascarar o sucesso, o bom trabalho realizado, não no todo, mas em boa parte, pela inciativa privada, como tendo sido realizado pela Prefeitura, Governo Estadual e Governo Federal, quando assim o for.

    Nós podemos mais que isso, é só querermos.

    • a padronização é um bem para toda a polução, dependendo do seu tempo. Aqui em SP, a era pós Serra e Marta, os ônibus ficaram bastante imparciais. O problema aí em Mauá é q veio numa época totalmente errada.

  3. Nosssa, o q vão fazer!
    To sem palavras!
    Bela matéria Adamo!
    :/

  4. Padronização = descaracterização
    CADA EMPRESA TEM QUE TER SUA IDENTIDADE.
    Infelizmente quando a prefeitura IMPÕE sua identidade, está matando a IDENTIDADE das empresas e o munícipe tem o direito de diferenciar cada empresa através da identificação visual. LAMENTÁVEL ESTA DECISÃO AUTORITÁRIA DA PREFEITURA.
    Aqui em São Paulo esta história de Consórcio acabou com a identidade das empresas. Em Guarulhos, RJ e outras cidades que seguem estas tendências, infelizmente está acabando com a IDENTIDADE DE CADA EMPRESA e também está acabando até com o próprio direito de escolha do passageiro.

    • Marcos, boa tarde.

      Como salientei, é mais que uma descaracterização, é mascarar a eficiência e qualidade de um serviço, como tendo sido prestado pelo poder público, fato não verdadeiro.
      Repito, toda Prefeitura pode estampar, sua pintura, seus dizeres, o que desejar, desde que, a empresa SEJA SUA e o SERVIÇO EFETIVAMENTE PRESTADO POR ELA, do contrário, é usar A BEM SUCEDIDA E ALHEIA IMAGEM, CONSTRUÍDA COM TRABALHO.

  5. Amigos, boa noite

    E o mais interessante é que a nova pintura é
    de um mal gosto irreparável e egoísta.

    Só ela quer ser feia.

    Helllow Mauá já estamos em 2012 !

    Grato
    Paulo Gil

  6. (COMENTÁRIO DESPROVIDO DE RESPEITO)

    GENTE VAI SE PREOCUPAR COM OS HOSPITAIS PELO AMOR DE DEUS E COM A EDUCAÇÃO PARA TORNARMOS NOSSA PAIS SEM, VIOLENCIA, ESSE POVO QUE ESTA APOIANDO ESSE ADAMO AI É CAPACHO DELE,,,VAO TRABALHAR.

  7. Concordo que cada empresa precisa ter sua indentidade, mas não podemos negar que os ônibus da Barão pintados semelhantes ao da Leblon ficaram bonitos e deram uma nova aparência a frota na cidade.

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