ÔNIBUS COM CANA DE AÇÚCAR A PARTIR DO DIA 15 NO RIO DE JANEIRO

ônibus Rio de Janeiro

A partir do dia 15 de julho, 30 ônibus da cidade do Rio de Janeiro, vão circular com o diesel feito de cana de açúcar, desenvolvido pela Amyris do Brasil e testados nos ônibus da Mercedes Benz. Diferentemente de São Paulo, cujos testes iniciais tinha, uma mistura de 10% do novo combustível ao diesel de petróleo, pelos bons resultados de São Paulo, os ônibus do Rio de Janeiro vão começar a circular com uma mistura de 30% de diesel de cana e de 70% do diesel de petróleo. O objetivo é verificar como serão as reduções de emissão de poluentes, o consumo e o desempenho nas condições de operação do Rio de Janeiro, que apresentam diferenças e semelhanças em relação a Capital Paulista. Os ônibus serão monitorados, as operadoras terão de apresentar um relatório mensal sobre desempenho e poluição ao Inea – Instituto Estadual do Meio Ambiente – e os ônibus terão de seguir as normas de emissão baseadas no Euro III e não podem ser fabricados antes do ano 2000. Foto Gabriel Peclat

Ônibus com diesel de cana vai circular no Rio a partir do dia 15
Os testes vão durar até setembro de 2012. Inicialmente serão 30 ônibus urbanos da marca Mercedes Benz que desenvolveu o produto junto com a Amyris

ADAMO BAZANI – CBN

A partir do dia 15 de julho, o diesel de cana de açúcar, desenvolvido pela Amyris do Brasil em veículos da Mercedes Benz, vai começar a abastecer a título de testes, 30 ônibus urbanos do sistema do Rio de Janeiro.
O Blog Ponto de Ônibus já havia anunciado os testes, mas na época não havia ainda a data definida.
Os testes foram autorizados pelo Inea – Instituto Estadual do Meio Ambiente, do Rio de Janeiro.
Diferentemente de São Paulo, cujos testes começaram na Viação Santa Brígida com uma mistura de 10% do diesel de cana de açúcar em 90% de diesel de petróleo, os ônibus do Rio de Janeiro, pelos resultados positivos de São Paulo, já poderão circular inicialmente com uma mistura de 30% do diesel de cana em 70% do combustível fóssil.
O objetivo é ver qual o desempenho dos ônibus abastecidos com os 30% do diesel de cana de açúcar e a redução da emissão dos poluentes, nas condições de operação e climáticas do Rio de Janeiro, que apresentam diferenças e semelhanças à operação na Capital Paulista.
Em São Paulo, segundo a Mercedes Benz, a mistura de 10% do diesel de cana de açúcar no tanque dos ônibus da Viação Santa Brígida, proporcionou uma redução de 9% de emissão de materiais particulados e de 15% a 40% na opacidade da fumaça.
O diesel de cana de açúcar, segundo a Mercedes Benz, pode reduzir em até 40% de emissão de materiais particulares se caso o abastecimento for de 100% com o combustível.
Em relação ao desempenho, não houve diferenças entre os ônibus abastecidos com diesel de cana e com o diesel convencional na Viação Santa Brígida. Foram rodados cerca de 200 mil quilômetros pela empresa da Capital Paulista.
Os parâmetros de emissão de poluentes são praticamente os mesmos entre São Paulo e Rio de Janeiro em relação à qualidade da mistura. Assim como na Capital Paulista, os ônibus do Rio são abastecidos já com o diesel S 50 (50 partículas de enxofre por milhão), que é um diesel de petróleo menos poluente que o usado em várias regiões e caminhões, o S 500.

NÃO PRECISA MUDAR NADA NO ÔNIBUS:

Os ônibus para funcionarem com o diesel de cana de açúcar não precisam sofrer alterações mecânicas.
Isso porque, apesar de a matéria prima ser diferente do diesel de petróleo, por isso é menos poluente, o produto possui características físicas e de combustão semelhantes ao combustível fóssil.
Assim, o diesel de cana de açúcar não pode ser considerado etanol, pois não possui água em sua composição.
A diferença está no processo de fermentação do caldo de cana.
O diesel de cana de açucare chamado de Farneseno, cuja fórmula é C15H32.
A cana de açúcar é moída da mesma forma que na produção do etanol.
Mas no processo de fermentação, é adicionada a levedura Saccharomyces cerevisiae geneticamente modificada.
Em vez de liberar água e o etanol, a levedura por ser geneticamente modificada, libera um óleo.
Este óleo é centrifugado, ficando 97% puro. Depois ele é tratado com hidrogênio, o que aumenta a pureza em 99%.

REDUÇÃO DA EMISSÃO DAS FONTES MÓVEIS:

O inventário da Região Metropolitana do Rio de Janeiro tem o objetivo de reduzir a emissão de materiais particulados e demais poluentes e o principal alvo são as chamadas fontes móveis, como veículos.
De acordo com o inventário, estas fontes são responsáveis por 77% da poluição do ar na Região Metropolitana do Rio de Janeiro.
No Rio de Janeiro, pela proporção maior, é esperado que o uso do diesel de cana de açúcar reduza mais ainda os poluentes em comparação aos testes da Viação Santa Brígida de São Paulo.
Os testes começam no dia 15 de julho e vão até setembro de 2012.
Mensalmente, as empresas devem encaminhar um relatório sobre emissões e desempenho ao Inea (instituto Estadual do Meio Ambiente) e o combustível poderá ser usado em ônibus que seguem as normas de controle da poluição baseadas no Euro III, fabricados a partir do ano 2000.
O instituto acredita que devam ser usados 300 metros cúbicos de diesel de cana de açúcar nos ônibus do Rio de Janeiro.
Adamo Bazani, jornalista da Rádio CBN, especializado em transportes.

2 comentários em ÔNIBUS COM CANA DE AÇÚCAR A PARTIR DO DIA 15 NO RIO DE JANEIRO

  1. Boa noite.
    Esta é a nossa riqueza. O petróleo é finito e o biodiesel não.
    Parabéns Adamo pela matéria e pelos seus esforços em nos proporcionar conteúdos de tamanha importância.

  2. Sinceramente acho uma bola fora, da cana já são extraídos os dois tipos de álcool, o para ser usado diretamente nos carros e o para ser misturado à gasolina, além da cachaça, dos varios tipos de açucar, da rapadura, do caldo de cana, do álcool em gel e do álcool líquido domiciliar e hospitalar, além de outros possíveis usos que a cana deve ter. Portanto entendo que deve ser investido no biodisel a patir de outras fontes, como a mamona e o dendê que já vem sendo estutado e aplicado a mais tempo, e não da cana, que já é muito utilizada, ao passo que podemos criar uma dependência sem precedentes para esse cultivo, levando-se ainda em conta que o álcool que é produzido hoje as vezes não já dá conta do consumo, o que vem elevando o preço deste produto e do açucar.

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