DUAS CATRACAS EM ÔNIBUS: AGILIZAR OU TENTATIVA DE TIRAR COBRADOR?

duas catracas

Ônibus com duas catracas têm agradado empresas, pela redução dos custos, SPTrans e passageiros pela redução no tempo de embarque que pode chegar a 40%. No entanto, lugares dentro do ônibus são retirados para o passageiro sentar e medida é vista como tentativa de justificar retirada dos cobradores dos ônibus, algo que as empresas querem há algum tempo e que foi aceito pelo sindicato que representa os próprios cobradores. Foto: Isadora Brant – Folha Press.

Duas catracas nos ônibus de São Paulo: uma tentativa de tirar o cobrador definitivamente?
SPTrans afirma que o objetivo é apenas agilizar o embarque e diminuir os custos de operação
ADAMO BAZANI – CBN

A utilização de duas catracas em 19 ônibus da Capital Paulista, a título de experiência, tem agradado tanto empresas, passageiros como a SPTrans, empresa gerenciadora e fiscalizadora do sistema de transportes da Capital Paulista.
São 19 ônibus que servem as zonas Sul e Leste de São Paul, com linhas que atendem, por exemplo São Mateus e as estações do Metrô Tamanduateí e Parque Dom Pedro II.
A nova catraca é colocada ao lado da tradicional e só aceita passageiros com o Bilhete Único.
Segundo a SPTrans, em alguns casos, o tempo de embarque nos ônibus foi reduzido em 40%. Para as empresas, a medida significa custos menores, já que o ônibus parado para a entrada do passageiro é gasto de combustível e tempo de forma ociosa.
O cobrador continua na catraca antiga.
Muitos, no entanto, veem a medida como uma tentativa a mais para retirar os cobradores dos ônibus.
Depois de um determinado tempo, as empresas devem apresentar balanços à SPTrans dizendo que a catraca sem cobrador recebeu mais passageiros do que o equipamento com o profissional.
A retirada dos cobradores de alguns ônibus da Capital Paulista já vem sido discutida há alguns anos, mas ganhou força agora com a ajuda do próprio Sindicato dos Motoristas e Cobradores de Ônibus, que no último acordo salarial da categoria aceitou que os ônibus circulassem sem cobrador desde que o motorista ganhasse R$ 250,00 a mais trabalhando sozinho.
Uma ótima oportunidade para os empresários. Afinal, R$ 250,00 a mais para o motorista sai bem mais em conta que pagar o salário de um cobrador que ganha de R$ 978,00 a R$ 1072,00 dependendo do mês trabalhado.
A SPTrans e as empresas afirmam que a minoria dos passageiros, apenas 8%, pagam as tarifas de ônibus a dinheiro e que o cobrador fica ocioso a maior parte do tempo.
A ideia é reaproveitar o cobrador em outras funções.
A dúvida, no entanto, é saber se haverá vagas para todos os cobradores que poderão ser dispensados.
As empresas pretendem retirar os cobradores não de toda a frota, mas de cerca de 2/3, em especial dos ônibus que servem terminais e corredores.
A Prefeitura, no entanto, não apresentou nenhuma proposta para criar nos corredores de ônibus da Capital o sistema de pré-embarque, pelo qual o passageiro paga a tarifa no ponto ou na estação antes de entrar no ônibus, a exemplo do que ocorre no sistema de BRT – Bus Rapid Transit – de Curitiba. Na capital do Paraná, os cobradores ficam na estação tubo.
Adamo Bazani, jornalista da Rádio CBN especializado em transportes

18 comentários em DUAS CATRACAS EM ÔNIBUS: AGILIZAR OU TENTATIVA DE TIRAR COBRADOR?

  1. salomao jacob golandski // 18 de junho de 2011 às 17:11 // Responder

    ola
    o meu comentário é que sempre houve a idéia dos empresarios em retirar os cobradores . mas isto nunca vai acontecer , pois tem que haver alguem para cobrar o passageiro . se o motorista cobra , veja bem não é acumulo de função ? querem poupar de um lado , e gastar de outro . mais tarde o motorista reclama que exercia duas funções , e daí vem a reclamatória , pouparam de um lado e gastaram de outro .
    tem uma empresa na região metrop de porto alegre que usa duas roletas ,
    uma na entrada e outra na saida .
    entra pela frente , recebe um cartão de entrada , e na saida entrega para o cobrador que está na roleta de saida , para que a tarifa seja calculada pela roleta eletronica . paga e desce .
    salomão

  2. Isso já aconteceu há uns 20 anos, na antiga CSTC, antiga empresa municipal de Santos
    Haviam alguns onibus Mafersa com duas catracas, uma para DINHEIRO e outra para FICHAS.
    Era o tempo em que se usavam fichas nas catracas automáticas, o maquinario era feito pela Villares, se não me engano … Esse sistema foi extinto em Santos no ano de 1995

    Atualmente existem duas linhas para Peruibe, com saidas de Sao Vicente e de Santos, linhas 905 e 926, que tem catracas na entrada e na porta de saída, nesse mesmo sistema de Porto Alegre. Mas as empresas da baixada santista não tem mais cobradores de onibus desde 2001. Isso atrasa muito os embarques

  3. Obrigado amigos pelos comentários e por compartilharem a experiência e as infprmações.

    Essa questão de catraca na entrada e outra na saída é o princípio de o passageiro pagar pelo que é relamente transportado, no estilo das seções antigas que eram marcadas pelas cores das fichas.
    Porque creio ser algo justo, afinal, o passageiro que usa o ônibus por 3, 4 pontos não deveria pagar igual aquele qiue usa mais de 70% do trajeto.

  4. Boa tarde à todos, novamente !!!

    No post sobre a questão da segurança dentro dos coletivos em Maceió, sugeri, o pagamento através de fichas, extinguindo o pagamento em dinheiro.

    Salvo engano de minha parte, parece-me que, em Sorocaba – SP, este sistema já existe, pois, uma vez, dirigindo-me a trabalho para a referida cidade, e, talvez precisando utilizar-me de um coletivo local, fui informado para, adquirir uma ficha antes, pois do contrário, meu embarque seria recusado pelo motorista.

    Contribuí para agilidade, segurança e praticidade.

    Quanto ao cobrador. Por favor, não me julguem mal, contudo, eu, vocês, enfim nós, estamos presenciando ao longo das últimas décadas, a extinção de vários ofícios, profissões e o surgimento de tantas outras.

    Neste caso, assim como a vida, o cobrador também é passageiro.

    Outras portas, profissões, até melhor pagas surgirão, para aqueles que, sorriram, nos disseram bom dia, acompanharam durante anos, o nosso voltar da escola.

    Motorneiro, relojoeiro (quase em extinção) e o alfaiate, são alguns exemplos de como o tempo passa e ele passará, podemos ter certeza.

    Abraços

    • leandro josé silva // 2 de julho de 2011 às 12:08 // Responder

      vc sabe o q é andar de ônibus?????? Parece q não, vc naum sabe o q fala, andar num onibus em q o motrista tb cobra, ou, sem o pagamento em dinheiro, é loucura

  5. Adamo,
    Isso que eles querem fazer ai em Sampa ja existe no Rio de Janeiro há quatorze anos. Começou nos micros onibus onde o motorista cobra a passagem e dirige ao mesmo tempo. Depois substituiram estes ônibus por micromasters, que são ônibus do tamanho dos antigos ônibus Mercedes LPO 1113 com carrocerria Condor que aqui é chamado de micrão, também com motorista cobrando a passagem e dirigindo. E ainda ha casos e empresas da região metropolitana e que ja foi praticadas por empresas extintas da capital, com a Ocidental, por exemplo em que nos onibus convencionais eles removeram a cadeira do cobrador e o motorista cobra e dirige também. Neste ultimo caso, a empresa deixa o passageiro sentar nesta cadeira, as vezes proibe, remove e alguns casos coloca dois portas dinheiros, um no capô do motor e outro sobre a cadeira do cobrador. O pior disso tudo é qu o motorista que faz a dupla função além de não receber a mais por ela ainda ganha em torno de 60 a 70% do salário do motorista convencional que só dirige. O cargo do motorista que se encontra nesta situação chama-se motorista junior. Tal situação ja provocaram acidentes com mortes sérias e que nunca deram em nada.
    Aqui para eles fazerem isso eles nunca precisaram colocar duas roletas. Isso só ocorreu ha vinte anos atrás para evitar calotes nos ônibus ( e um a delas não cobrava e nem contablizava nada só servia para travar caloteiros )o que era uma prática comum e que acabou não dando certo, tendo sido abolido tempos depois.

  6. Empresas do Rio de Janeiro como Jurema, Reginas, São José, Mauá, Rio Ita Coesa e etc se utilizam dos artificios citados no texto escrito por mim.

  7. A retirada dos cobradores só pode ser feita se a bilhetagem for, ou externa, ou feita exclusivamente pelo bilhete único. Se não a agilidade da segunda catraca será ofuscada pelo demora do motorista em receber a tarifa de quem não usa bilhete único.

    Boa questão levantada Adamo

    Abraços

    Renato Lobo

  8. Questão muito importante e que nunca evolui, só patina.
    O Gustavo foi aso ponto: cobrador dentro de veículo público coletivo não faz mais sentido. Os recursos atuais para cobrar, inclusive e se for o caso, pelo trecho percorrido são viáveis, acessíveis e muito eficientes, permitindo pesquisar origem/destino com muito mais acurácia.
    Pode haver outros motivos para um segundo prestador de serviços estar dentro de um coletivo ou composição, mas para cobrar passagem certamente não faz mais sentido. Esta mão de obra pode e deve prestar tantos outros serviços necessários e mais importantes.
    Caramba, paremos pra pensar: hoje se usa cartão de débito pra praticamente tudo. Não cabe discutir se deve ser usado para transporte coletivo, cabe implantar o quanto antes.

  9. São Paulo é uma cidade que não pode ficar sem cobrador. No atual sistema não tem como, podem até tentar, mas não vai dar certo. É muito diferente dizer que em uma cidade X já não tem cobrador e achar que isto é aplicável a São Paulo.

  10. Adamo.

    Se depender dos empresários, em breve inventarão os ônibus driverless….

    Abraços.

  11. O sistema com dupla catraca teve origem em Curitiba, qundo foi implantado o sistema BRT, nos anos 90. Realmente é útil no andamento das filas em pontos muito movimentados. Enquanto uma entra direto para a roleta com cartão a outra entra em direção ao cobrador. Facil. Já imaginaram, por exemplo, está operação no Largo da Batata no embarque da linha Terminal Campo Limpo. Talvez não necessitasse usar quatro funcionários para organizar as filas como acontece hoje.

  12. Só digo uma coisa.

    Tchau Kassab!

    Abraço a todos.

  13. Amigos, boa noite.

    Vivendo e “desaprendendo”, nunca tinha ouvido falar em 2 catacras dentro de um “buzão”.

    Mas como a copa vem aí, vale qualquer tipo de chute. Rssssssssssss

    Pesem comigo:

    Duas catracas, um degráu no meio do carro e um passageiro com “n”
    peculiaridades. [ Ex. tem gente que pergunta se o buzão passa na Francisco Morato e o mesmo
    vai pela Francisco Matarazzo… ]

    E quem entrar na catracra errada ou se entrar na certa e o bilhete estuver sem crédito.

    Façam me um favor. Cadê o profissionalismo?

    Numa cidade como Sampa, motorista cobrar nem em pesadelo, eles não merecem, os R$ 250,00 a mais
    não vai dar para o remédio, fora a sobrecarga do INSS.

    Se o Sindicato, já aprovou, pronto. Colaca o motorista numa cabine blindada e deixa “o barco rodar”,
    digo o buzão.

    O cobrador tem uma função pedagógica e de segurança no buzão, mas se querem fazer economia
    de palito de fósforo (lembrando que a economia é a base da porcaria).

    Mas se optarem pelo profissionalismo, sigam o exemplo de Curitiba e pronto, mas não esqueçam da cabine blindada do motorista.

    Só quem não usa o buzão pode ter uma idéia dessa; mesquinha e inoperante.

    Façam o que tem de ser feito, operem os buzões com profissionalismo, o resto não dará o lucro
    que vocês estão pensando que vai dar.

    Atulamente para se ter faturamento numa empresa é preciso prestar um serviço profissional, principalemnte
    em Sampa que é uma das maiores metrópolis do mundo.

    Tirem os carros grandes e os articulados de circularem vazios pela cidade, em horários semm rush, e pronto
    só este desperdício pagará o custo do cobrador; querem um exemplo linha 8012 e outro dia num sábado
    no corredor 9 de julho, um monte de articulados “batendo lata”.

    Acordem…

    Muito obrigado.

    Paulo Gil

  14. a empresa vive do poder do capital voce sabia que o cobrador ja era infelismente nao decimo terceiro salario no final salario maternidade.

  15. Amigos, boa noite

    Ontem e hoje embarquei no corredor Rebouças e senti na pele o CAOS; para tal colaboro
    com duas sugestões a moda do jeitinho brasileira:

    1) Parada Eldorado: Já chequei, tem espaço, é só tirar umas grades e dividir o desembarque do embarque;

    2) Observei um Mondego articulado, e ele tem espaço para deslocar a catraca para perto da “sanfona”; pronto essa simples mudança já aumentará o fluxo de embarque em carros grandes.

    3) Nos demais Apaches (pau véio) é so colocar um fiscal com um bilhetador externo e liberar
    a catraca, pronto ist também aumentará o fluxo de embarque em paradas de grande porte como a do Eldorado no corroedor Rebouças.

    4) Outra sugestão emergêncial e fazer um corredor (a moda da casa) em toda a extensão da Av Votal Brasil, tendo em vista a rápida mudança no perfil da região dada a operação da Linha 4 do Metro até às 21:00 e claro pela Estação Butantã ser na Vital Brasil

    5) Vi também uma linha recem criada Metro Butanta – Estação da Luz; pore´m como já tem a 7411 e a 8012, entendo que estas tres linhas devem ser fundidas, pois há uma clara sobreposição e
    disperdício de carros novos, principalemente os Vialles novos da 8012.

    6) A linha 7411, se mantida, não deve mais transitar pela Vital Brasil no sentido centro bairro, devido ao novo perfil da região, principalemente por haver embarque quase zero na Vital Brasil.

    Amigos, novas idéias, criticas e sugestões serão bem vindas.

    ACORDA SPTrans!

    Muito obrigado
    Paulo Gil

  16. helder do amaral oliveira // 17 de Fevereiro de 2013 às 02:58 // Responder

    A Catraca dupla, sugiu como forma de se combater as gratuidades no transporte público . Um exemplo, foi na região da Grande Niterói onde a empresa de ônibus Viação Galo Branco na década de 1970 colocou no carro nº SG.35.73 um Caio Bela Vista que fazia a linha 035-Alcântara x Praça Zé Garoto Circular via Av. Edson este carro que era para evitar a entrada de gratuidades, principalmente alunos de escolas públicas e caronas, que o empresário dono da dita viação era contra. Neste carro era localizada a catraca na porta dianteira posicionada no lugar do banco individual e outra tradicional, com o trocador na porta de entrada na traseira . Após protestos de passageiros o ônibus teve a roleta retirada.
    Já no final dos anos 80 inicio dos anos 90 havia muito a incidencia do calote nos ônibus , os passageiros forçavam as portas de tras dos coletivos e desciam sem pagar a passagem , então a pedido da Fetranspor fora introduzido o “curral” chamado “passarela de indução de passageiros” ,posicionando uma placa na porta de trás do coletivo em forma de “L” invertido onde a catraca sem cobrador era posicionada , e a pessoa passava por esta roleta e depois chegava a outra roleta normal com o trocador ao lado da porta traseira . Para por esta catraca extra eram retirados os bancos atras da porta traseira de embarque e o banco em frente à porta de tras. Esta configuração durou até a tragédia do ônibus da Viação Tijuquinha no Rio de Janeiro , quando se verificou que uma das causas da tragédia eram: A dupla roleta do sistema de curral, as saidas de emergencia em forma de janelas em vez das portas de emergência que existiam nos ônibus dos anos 60 e começo dos 70 e as saidas de ventilação de teto que não possibilitavam a saída. Posteriormente o INMETRO, junto com a Fetranspor adotaram um padrão que a roleta passaria a ficar no alto da escada , até ser implantada a bilhetagem eletrônica idealizada não só por jaime Lerner como no projeto Rio Bus da COPPE-UFRJ.
    Quem aprova estes padrões na verdade são engenheiros do setor ferroviário diferente dos ônibus que tem outra caracteristica e se nivela o ônibus como um modal alimentador do transporte de massa.

Deixe uma resposta

%d blogueiros gostam disto: