ÔNIBUS: O PRIMEIRO INSTRUMENTO DE TRABALHO DE TODOS!

ÔNIBUS

Anúncio do DNER de 1978, publicado na Revista Quatro Rodas, sobre novas normas legais em relação aos trabalhos de motoristas de ônibus rodoviários. A jornada de trabalho não poderia exceder 7 horas e a cada 4 horas, tornou-se obrigatório um descanso de 20 minutos. O anúncio estimulava o uso do ônibus, o que não se vê mais esse posicionamento por parte do governo e dizia, em 1978, que o trabalhador deveria estar bem de corpo e mente, enquanto hoje em dia, muitas empresas, de diversos ramos, ainda encaram problemas psicológicos como “frescura”.

Ônibus: um agente feito para o trabalho
O transporte é o principal elo entre a mão de obra e os pólos gerados de emprego e renda. Por isso que no dia do trabalho, homenagear o ônibus e seus profissionais é uma questão até de Justiça

ADAMO BAZANI – CBN

Após a Revolução Industrial, que teve início no século XVIII, na Inglaterra, as formas de relacionamento sociais e hábitos mudaram.
As atividades que se limitavam a agricultura ofereciam uma vida mais pacata e menos competitiva.
As pessoas não moravam perto de onde trabalhavam, mas nos locais de trabalho: fazendas, sítios e outros lotes.
Com o aprimoramento das tecnologias e o surgimento de novas atividades, os trabalhos foram concentrados em áreas menores, em galpões e terrenos, e normalmente, com exceção do próprio dono do negócio, a mão de obra não residia no local de trabalho, mas inicialmente, perto dele.
No século XIX, a Revolução Industrial se expandia pelo resto do mundo. Inicialmente pela Europa, América do Norte e em seguida mais lentamente na América do Sul.
As pequenas vilas industriais próximas, normalmente às estradas de ferro, inicialmente feitas para escoar a produção agrícola, já não davam conta de tanta gente que, na tendência do crescimento previsto na Revolução Industrial, procurava uma nova ocupação.
O trabalho industrial era mais rentável.
Estas vilas operárias, muitas organizadas pelas próprias fábricas, se tornavam pequenas.
Quem procurava por trabalho acabava indo morar em regiões mais distantes.
Dentro desta nova dinâmica, foi criada uma necessidade maior de deslocamentos.
Até mesmo nos países mais desenvolvidos, que priorizaram os modais ferroviários, algumas ligações, pela urgência de serem realizadas, sem tempo para obras (mesmo que depois estas fossem executadas) ou pela topografia surgiu um grande aliado do trabalhador: o ônibus.
No Brasil, mais de 80% da população trabalhadora necessita de ônibus para ter acesso ao serviço. Em cidades como São Paulo, este índice cai pela metade, o que não diminui a importância deste meio de transporte.
Responsabilizar os ônibus pelos problemas de mobilidade e “demonizar” o ônibus é um pensamento, no mínimo, medíocre.
Tanto é que várias cidades, de países desenvolvidos ou em desenvolvimento, quando melhoraram os seus ônibus também trouxeram qualidade de vida ao trabalhador.
Foi quando o ônibus começou a ganhar prioridade no espaço urbano. Com menos tempo de viagem, o trabalhador fica mais tempo em casa, descansa mais, produz mais e pode ter um tempo ainda para freqüentar cursos e se qualificar, podendo buscar um serviço melhor e mais rentável.
O Dia do Trabalho nasceu de uma manifestação pela redução da jornada nos Estados Unidos, no século XIX. Aliás, uma manifestação sangrenta que custou a vida de operários e policiais, que são trabalhadores também.
Em 1º de maio de 1886, em Chicago, nos Estados Unidos, milhares de trabalhadores foram às ruas da industrializada cidade para pedirem redução na jornada de trabalho que era de 13 horas para 8 horas. No mesmo dia, houve uma greve geral.
As manifestações continuaram. No dia 3 de maio, vários trabalhadores foram mortos em confronto com forças de segurança.
No dia seguinte, as manifestações foram mais sangrentas ainda.
Em 4 de maio, em outra manifestação, foi jogada uma bomba em meio à policia. Sete policiais morreram.
A Polícia então revidou com tiros o que provocou a morte de 12 manifestantes e ferimentos em dezenas.
Em 20 de junho de 1889, durante a Segunda Internacional Comunista, realizada na França, o dia 1º de maio foi considerado como dia Mundial do Trabalhador em homenagem aos manifestantes de Chicago.
Aos poucos a data foi oficializada em diferentes anos nos vários países.
No Brasil, a data é comemorada desde 1895, mas só foi oficializada em 1925, por decreto de setembro do presidente Arthur Bernardes.
Em 1º de maio de 1940, pelo populista Getúlio Vargas, foi instituído o salário-mínimo, que deveria dar condições básicas de sustento ao trabalhador, o que não é uma realidade no Brasil. Além de ser insuficiente e defasado em relação ao custo de vida, a cada negociação para o aumento do direito é um sacrifício para o trabalhador conseguir uma correção decente. Até mesmo figuras como o ex presidente Luís Inácio Lula da Silva, que subiu aos palanques de sindicato e comícios tantas vezes gritando pelo salário mínio, quando chegam ao poder retém ao máximo os reajustes. Tudo em nome de um INSS falido moralmente que vê o trabalhador como gasto, mas permite desvios e não cobra dívidas altíssimas de pessoas com bastante capital, entre as quais, donos de empresas de ônibus, que sonegam e, quando querem participar de uma licitação, criam uma empresa nova, com novo nome, nova razão social, mas sem terem a cara de pau de trocarem ao menos de carros, garagens e pinturas.
Mesmo com todos estes desvios morais, a verdade é que o trabalhador conseguiu sim muita coisa ao longo do tempo. Há direitos hoje que no passado custaram luta, discussões e até a vida de trabalhadores engajados, que não eram necessariamente sindicalistas que sonhavam com o poder.
Se o ônibus é amigo do trabalhador, há um melhor amigo do trabalhador ainda, que é o funcionário do setor de transportes.
Ele teve de lutar por muitas causas, principalmente pelo fato de seu serviço exigir um desgaste e esforço a mais. Jornadas de trabalho, aposentadorias com menor tempo de serviço e descansos durante as viagens são alguns exemplos.
E uma peça publicitária do Departamento Nacional de Estradas de Rodagem, o DNER, publicada na Revista Quatro Rodas, em 1978, fala sobre a lei do mesmo ano que instituída para os motoristas de rodoviários jornadas limitadas a 7 horas e descanso obrigatório de 20 minutos a cada 4 horas trabalhadas. O texto é muito interessante e diz que com isso, as viagens se tornarão mais seguras, agradáveis deixando assim o ônibus ainda mais na situação de O MELHOR CARRO DA ESTRADA: Acompanhe o texto:

“Recoste a cabeça na poltrona e descanse. O seu motorista descanso muito antes de pegar no volante. E ainda terá um bom descanso daqui a 4 horas. Por lei. Esta é apenas uma entre as muitas normas criada pelo Ministério dos Transportes, através do DNER, para fazer do ônibus o meljor carro da estrada.
Tudo para você viajar com segurança. Para chegar pontualmente.
No ônibus você tem conforto – a viagem é sempre agradável. Tão agradável quanto saber que custa pouco porque você está dividindo a gasolina com muitas outras pessoas.
E você dispõe de motorista particular, um verdadeiro mestre da estrada.
Um profissional não apenas rigorosamente habilitado, mas com o corpo e mente em forma.
Isto também está dentro das normas do DNER que, para sua maior tranqüilidade, exerce uma permanente ação fiscalizadora para que essas normas sejam respeitadas item por item. Vá de ônibus e boa viagem
Departamento Nacional de Estradas de Rodagem”

O anúncio estimula o uso do ônibus para o meio de transporte, mesmo com a política em prol da indústria de fabricação de carros de passeio. Se nos anos de 1950 houve a explosão das produtoras de automóvel, nos anos de 1970, aumentou a participação de um setor ainda relacionado: o de autopeças. E claro, para que as autopeças prosperassem, mas carros deveriam ser feitos.
Mesmo assim, o poder público elencava a capacitação profissional do motorista, a segurança, a tranqüilidade, o preço vantajoso e o conforto de usar ônibus.
Atualmente, até em campanhas, o que se vê é uma omissão dos governos em relação aos transportes coletivos.
Além disso, a peça publicitária mostra um fato fundamental não só para o profissional de transporte mas para todo o trabalhador. Estar bem de corpo e de mente.
Isso porque os índices de problemas psicológicos ou psiquiátricos não eram tão grandes como atualmente.
Mesmo assim, acreditem, em qualquer ramo econômico, há empresas hoje que ainda encaram os problemas de ordem psicológica e mental como frescura.
De toda a forma, com todas as distorções no regime trabalhista prático (que nem sempre é o mesmo que o teórico), todos os trabalhadores estão de parabéns. Assim como o primeiro instrumento que muitos usam para trabalhar todos os dias: o ônibus.
Adamo Bazani, repórter da CBN e jornalista especializado em transportes.

5 comentários em ÔNIBUS: O PRIMEIRO INSTRUMENTO DE TRABALHO DE TODOS!

  1. Adamo, bom dia !

    Meus singelos parabéns.

    Você diz, recorrentemente que, o ônibus é um ator social e realmente, queiram ou não, gostem ou não, o é.

    Abraço.

  2. Nos anos 70 tivemos no mundo a primeira crise do petróleo em nível mundial, isto é, os países produtores resolveram aumentar o preço do barril para US$10.00, isso fez com que os paíoses que dependiam quase que exclusivamente do petroleo vindo dos paises produtores leia-se Oriente Médio (Arábia Saudita, Kuait, Iraque…..). Esse aumento de preço causou no mundo indices inflacionários altíssimos, assim como obrigou muitos países buscarem novas fontes de energia para movimentar seus carros, no Brasil foi o proalcool, porém a poluição e a necessidade de se economizar energia fez surgir ou melhor ressurgir um nnovo personagem no mundo automoblistico, o ônibus e por traz dela a industria brasileira que dava seus saltos impussionado pelo chamado “milagre economico”. Porém o ônibus surge como uma alternativa de economia de petroleo e consequentemente elemento diminuidor ods acidentes nas estradas e ruas das cidades brasileiras, como podemos ver nada é tão novo assim, de fato a optar pelo ônibus sempre teve e tem suas vantagens, por exemplo: alguém dirige por você, a sociabilidade aumenta pois o onibus permite conhecer mais pessoas, evita-se alguns tipos de acidentes e transtornos nas estradas e sobretudo se transporta um maior número de pessoas em relação ao carro, na época essa campanha funcionou bem, porém no Brasil sempre houve segmentos e classes sociais que amparados no preconceito resistiram a idéia, ou seja, “ônibus é coisa para pobre”. porém se a gente olhar nos dias atuais viajar de ônibus torna-se economicamente mais barato por causa por exemplo dos pedágios no estado de São Paulo, viajar de carro entre São Paulo e São Jopsé do Rio Preto de carro fica muito caro, melhor ir de ônibus. Sendo assim a campanha retratada na matéria ainda pode ser muito atual, lembro que eu adorava ver essa campanha na TV, o Marcopolo III e o monoblocos O-355 e O-362 também apareciam muito nessas campanhas veiculadas pelo DNER (Departamento Nacional de Estradas e Rodagens) hoje Denit ( acho que é assim que escreve), enfim em plena ditadura militar tínhamos campanhas deste porte, hoje com toda a questão ambiental, mobilidade por causa do transito os governos simplismente se omitem e pra piorar colocam o ônibus sabe Deus em que plano, pois a moda agora é trem de grande velocidade (Trem Bala) e VLTs de lugar algum pra lugar nenhum. Forte abraço

  3. Amigos, bom dia

    Embora hoje já seja 07.05.11; PARABÉNS a todos os trabalhadores do planeta; inclusive àquele que nos leva ao trabalho, os motoristas, cobradores, maquinistas
    e demais técnicos que ficam nos bastidores das garagens e dos páteos.

    Parabénbs a todos nós.

    Grato

    Paulo Gil

  4. Amigo Adamo e amigos do blog saudações.
    20 minutos para 4 horas de jornada no trânsito.Esta lei ainda existe??? Pergunto pelo motivo de que algumas locadoras de veículos não permitem descanso dos motoristas, que algumas locadoras de veículos exploram a tal ponto que não pagam o salário que estes trabalhadores merecem, com o agravante de que não são registrados como motoristas e sim são registrados como auxiliar de tráfego e pagam salário mínimo e com outro agravante, não pagam horas extras. O Trabalhador que se dane, na filosofia deles.Eu poderia citar uma destas locadoras, mas por motivos éticos não vou me pronunciar, mas seria interessante fazermos uma matéria sobre as locadoras de veiculos, já que o blog aborda o assunto transportes.

    Abraços
    Marcos galesi

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