Trabalho quer saber nesta semana se Busscar vai ser vendida

ônibus da Busscar

Busscar Urbanuss Pluss, Volkswagen 17-260, prestando serviços à Infraero, no Aeroporto Internacional Franco Montoro, em Guarulhos, São Paulo. Venda para a Infraero foi uma das últimas encomendas de grande da empresa que amarga sua maior crise, com dívidas que ultrapassam R$ 600 milhões. Foto Adamo Bazani

Busscar tem só até esta semana para explicar ao Ministério Público sobre seu futuro
Encarroçadora não paga alguns salários há mais de um ano. Apesar do retorno aos trabalhos, a produção é bem tímida e Ministério Publico do Trabalho quer saber o que a direção da empresa deve fazer
ADAMO BAZANI – CBN

A Busscar realmente será vendida a outro grupo empresarial ?
Essa e outras repostas o Ministério Público do Trabalho em Santa Catarina quer saber da encorroçadora de ônibus que enfrenta a pior crise de sua história.
Atendendo solicitações do Sindicato dos Mecânicos de Joinville e Região, o Ministério Público intimou a Busscar a dar explicações sobre seu plano de sair da crise e honrar os compromissos trabalhistas.
A advogada do sindicato, Luiza De Bastiani, disse ao Jornal Diário Catarinense que a representação de trabalhadores quer uma intervenção na indústria. Os empregados também apóiam a venda da empresa para outro grupo investidor se esta for a melhor solução.
“O objetivo da reunião com a procuradoria era solicitar apoio, intervenção, para que a empresa se explique, diga se há algum avanço nas negociações de venda. Dar informações mais palpáveis, informar quais diretrizes pretende seguir” – disse a advogada.
O promotor Guilherme Kirtsching acompanha o caso. Há em poder dele dados sigilosos comerciais que informam quais os planos da empresa, uma das mais tradicionais do setor de fabricação de carrocerias de ônibus.
A Busscar tem até esta semana para passar dados concretos do que deve fazer.
No dia 19 de abril, um representante da encarroçadora, de acordo com o pedido do Ministério Público do Trabalho, deve comparecer ao sindicato dos mecânicos de Joinville para dar explicações diretas à categoria a respeito de possíveis acordos e compromissos na reunião entre Ministério Público do Trabalho, empresa e representantes sindicais.
No último dia 05 de abril, a empresa completou um ano sem pagar salários. Aproximadamente 3,5 mil trabalhadores tentam receber os direitos. Mas atualmente, a empresa conta com 1,3 mil funcionários com carteira assinada.
Uma empresa de gestão do Rio de Janeiro foi contratada para buscar a melhor alternativa comercial para a empresa.
O que tem irritado tanto os trabalhadores como o mercado é o silêncio da empresa.
A Busscar se limita a dizer que este silêncio faz parte de uma estratégia comercial. Enquanto a estratégia não é definida, os trabalhadores acumulam dívidas, não conseguem honrar compromisso e o mercado de carrocerias se concentra ainda mais. A Marcopolo, mais tradicional em carrocerias rodoviárias, aumentou sua participação em urbanos e lidera com folga o segmento que disputava com a Busscar, sua principal concorrente A Caio tem pedidos acumulados e outras encarroçadoras aproveitam para conquistar espaço, como a Comil, no segmento rodoviário e Neobus e Mascarello no urbano.
Já é a terceira grande crise financeira da Busscar nos últimos 15 anos, sendo esta considerada a mais grave.
Esta última crise é uma somatória de fatores que incluem desde ma administração, não atualização gerencial com as dinâmicas do mercado e o não repasse de créditos do IPI – Imposto Sobre Produtos Industrializados, que a empresa tem direito a receber do poder público.
Os R$ 610 milhões de crédito já estavam no orçamento da empresa que disse ter feitos planos de investimentos contando com este dinheiro. Sem recebê-lo, ela aumentou suas dívidas.
O Governo alega que o prazo para empresa solicitar este valor se esgotou. O Superior Tribunal de Justiça reconheceu o direito de a empresa receber este montante.
As oscilações do câmbio, com as desvalorizações do Real no ano passado, também fizeram a empresa sentir, principalmente nos contratos de exportações. Com a moeda nacional mais desvalorizada, o valor final do produto tende a ser menos lucrativo. S]ao menos dólares recebidos pelo mesmo produto.
A empresa teve de cancelar vários contratos internacionais, como o fornecimento de 1350 para o BRT – Bus Rapid Transit – sistema de ônibus com corredores inteligentes e segregados, da Guatemala.
O BNDES se nega a ajudar novamente a empresa e alega que todos os esforços já foram feitos, mesmo com o fato de o próprio governo ter devido para a companhia.
Só em dívidas trabalhistas, os débitos da Busscar ultrapassam R$ 220 milhões.
Entre outros débitos, a dívida chega a R$ 600 milhões.
Ao BNDES, a dívida é de R$ 30 milhões por financiamentos não pagos.
Para bancos particulares, 11 no total, a Busscar deve R$ 270 milhões.
A empresa também deve a fornecedores. Sem crédito, ela não tem condições de financiar a compra de novas matérias-primas para produzir novas uinidades.
A empresa também enfrenta disputas judiciais com ex acionistas que querem quantias milionárias.
No ano passado, o diretor da empresa, Claudio Nielson, demonstrava a intenção de não vender a empresa, decisão agora que pode ser repensada.
Adamo Bazani, jornalista da Rádio CBN – especializado em transportes.

9 comentários em Trabalho quer saber nesta semana se Busscar vai ser vendida

  1. Boa noite Adamo !
    Sobre a questão, acima dos nossos interesses pessoais, quando empreendores, está normalmente, a vida, a sobrevivência de dezenas, centenas, até milhares de pessoas, empregados e seus familiares.
    Mesmo reconhecendo a briosa luta do Sr. Claudio Nielson; digo, é preciso saber a hora de baixar as armas e admitir a derrota, abrindo espaço para um novo amanhã.
    Abraços.

  2. Eric Moises Martins // 12 de Abril de 2011 às 00:29 // Responder

    Excelente matéria Adamo. Estava curioso por mais novidades sobre o caso Busscar. Bom saber que teremos um repórter pronto para nos trazer qualquer novidade.

    Qualquer busólogo torce pela recuperação da empresa, pois a qualidade de seus produtos são inquestionáveis. E se o STJ já deu um parecer favorável, não há previsão do governo pagar esta dívida, ou o governo recorreu e ira a outra instância?

    • Previsão não sei. Mas o governo não tem mais o que recorrer, já que a última instância é no STJ. A única coisa que resta é o governo pagar. Só nos resta saber quando…

  3. Belo e triste texto senhor Adamo
    🙁
    ai meu deus, espero que a Busscar ñ vá parar nas mãos da Marcopolo, que fez uma baita miséria na Ciferal(na atual situação era melhor ver o fim da marca Ciferal, do que a atual situação de minimização que a Marcopolo fez com a Ciferal)
    Existe especulações de que o Ruas vai comprar a Busscar, seria uma veríamos ônibus diferentes na VIP, VIPOL e etc.
    O Fato, é que a Busscar não pode desaparecer! Assim, como a CAIO e Marcopolo, é uma baita empresa pra acabar deste jeito!

  4. Realmente, não só busólogos e profissionais, mas todos torcem pelo fortalecimento de marcas tradicionais brasileiras como a Busscar.

    Mas é necessário ver o que sua manutenção do jeito que está tem provocado.

    Não sei de nomes, o que for falado seria especulação, mas interessados pela empresa há, com certeza.

    Quanto a Justiça, o Governo recorreu. Não é culpa só do governo, poos já é a terceira vez que a Busscar se encontra em maus lençóis, mas os créditos do IPI ajudariam e, ajudando ou não, é obrigação do poder público.

    Poder público que pe bom para cobrar, mas para pagar…….Veja as filas de precatórios e asções do INSS… Na Previdência, que corta auxílio doença de quem precisa e não cobra dívidas como a de Baltazar, há gente que morre esperando o benefício.

    Aliás, a pior piada de mau gosto deste país, nunca antes em sua história, é o INsS

  5. É uma situação dificil essa que a Busscar esta passando ,que nos deixa bastante triste também , eu como aprecidor de ônibus devo muito do meu gosto aos produtos desta empresa , pois desde os Urbanus quando era Nielson , passando pelos Diplomatas , até os maios novos ja como Busscar , forão sempre os carros que eu via com mais frequência , os que fizerão parte de minha infancia e adolescência , e são minhas maiores e mellhores recordações pra mim os produtos dela sempre foram melhores que da Marcopolo.
    É triste ver que ela agoniza e ninguém faz nada pra ajudar , ela tem direito a um repasse do governo ,e o governo não o faz ,que poderia ser util e ajudar neste momento dificil , e dar um folego a mais , quem é que faz algo nessa vida sozinho ?, num passado recente o mundo parou para ajudar a salvas montadoras , para termos milhões e milhoes de carros nas ruas , ocuopando pouco mais 4mts , muitas vezes om 1 unica pessoa , agora slavar um empresa que faz com que 40 ,80,100 pessoas , sei la dependendo do produto em media possam ser tranportdas em pouco mais de 10 ou 12 ou 15 metros , isso ninguem faz ou se prontifica.

    Adamo leio todo dia suas materias , só não comento em todas pois começo a escrever me veem na mente milhares de coisas , e assuntos paralelos e não sou tão bom da escrita como você , e não consigo ordenar meus pensamentos pra escrever , sou melhor falando que escrevendo entende né , mas deixo a vc meus parabens pelo Blog que sempre nos trás grandes materias e nos informa com o de melhor e mais atual que acontece nos transporte em geral.

    Um forte abraço amigo e fike na paz !!!

  6. Infeslismente esta situação vai longe ,naquela vinda do lula em joinville foi passado ao metalurgico lula que se tratava de má administração,com ares de vingança devido a mal administração da prefeitura ,com mais os protesto ,lula saiu de joinville com uma má impressão e isto so fez as coisas piorarem

  7. Caro adamo, gostaria de saber se vc sabe onde posso encontrar ônibus airport service(este da foto) usado para comprar, estou com planos para montar um trailer e esse modelo sem bagageiro e janelas grandes é perfeito.

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