CUIDADO COM A VACINA ANTI -TRÓLEBUS. ELA JÁ FOI APLICADA NA POPULAÇÃO ANTERIORMENTE !

trolebus, ônibus elétrico
Frota de tróebus em São Paulo precisa ser renovada, mas especialistas garantem que o principal problema não é a idade dos trólebus e sim a falta de conservação e de estrutura adequado para o trólebus operar. Na Metra, no ABC Paulista, há veículos antigos também, mas submetidos a um bom programa de manutenção preventiva.

Futuro do trólebus é discutido em simpósio em São Paulo
Técnicos e autoridades em transportes se reuniram no Instituto de Engenharia de São Paulo e concluíram que, se receber a operação e o tratamento que merece, ônibus elétrico tem muito a oferecer para a sociedade e meio ambiente

ADAMO BAZANI – CBN

Neste Dia Mundial da Água, 22 de fevereiro, data criada em 1993 por Assembléia Geral da ONU – Organização das Nações Unidas – boa parte das reflexões foi direcionada às questões relacionadas ao meio ambiente.
Parece ser óbvio demais dizer que a situação do Meio Ambiente é tão crítica que exige medidas urgentes em relação a qualidade de vida, o que consiste em uso racional dos recursos naturais, preservação do meio ambiente e desenvolvimento de tecnologias limpas.
E justamente numa data de tamanha importância, para discussões, pelo menos, embora que o que está sendo feito não é na mesma proporção do que é discutido, foi realizado no Instituo de Engenharia de São Paulo o Simpósio Trólebus.
O evento teve a participação do presidente do Instituto de Engenharia, Aluízio de Barros Fagundes, de profissionais do setor, como José Antônio do Nascimento, da fabricante nacional Eletra, e de Edson Corbo, da Iluminatti, de representantes de movimentos sociais em prol do meio ambiente, como Jorge Françoso, do Movimento Respira São Paulo, e de autoridades, como o Secretário de Estado dos Transportes Metropolitanos, Jurandir Fernandes e do Secretário Municipal de Transpores da Capital, Marcelo Cardinale Branco.
Um dos destaques foi a participação de Adriano Murgel Branco, consultor na área de transportes e que tem larga experiência no assunto trólebus.
Adriano Branco foi um dos grandes nomes do Projeto Sistran, na Capital Paulista em 1975, durante a administração do prefeito Olavo Setúbal. O projeto Sistran não consistiu apenas em ampliação de rede de ônibus elétricos em São Paulo, mas a modernização do sistema para todo o País, com reflexos na América Latina.
À época, por conta do projeto, foi criada uma nova geração de trólebus no Brasil. Com sistema de recortadores mais modernos, carrocerias amplas, direção mais agradável e segura, significando um importante passo para este tipo de transporte barato e limpo, de acordo com as realidades brasileiras.
Todo o projeto Sistran como grande garantidora a CMTC – Companhia Municipal de Transportes Coletivos- que assumia à época o papel de uma estatal no setor de transportes de fato. A CMTC bancava investimentos que a iniciativa privada não teria condições ou mesmo interesse de fazer. Assim foi com o trólebus, com os ônibus a gás metano, gás natural, modelos de gestão e linhas com papel social. Dizer que isso “faliu” a CMTC é no mínimo não conhecer a história. Infelizmente, ela foi vítima do vício de falta de zelo e respeito com o dinheiro público. Má administrada e cabide de empregos, a CMTC não resistiu, embora há correntes que ainda dizem que ela poderia sim ter sido salva.
E este papel do Estado garantindo o que a iniciativa privada jamais faria e aplicando recursos em prol da mobilidade moderna e sustentável que tem faltado para que o trólebus de fato volte a ser o meio de transporte que possa conciliar conforto, segurança e preservação do meio ambiente.
Essa reflexão do passado, enfatizando por exemplo a boa iniciativa do Sistran de 1975, dá uma oportunidade para pensar no presente e no futuro.
Por que a cidade de São Paulo reduziu tanto o número de ônibus elétricos? E por que os poucos trólebus que restaram apresentam tanto problemas?
Certamente falta de tecnologia e de profissionais brasileiros que dão uma nova cara ao trólebus não é.
Alavancas pneumáticas, que minimizam as quedas dos pantógrafos que ligam o trólebus a rede aérea, sistemas de armazenamento de energia elétrica em baterias para dar mais autonomia em caso de queda de energia, sistema de geração de energia com o próprio funcionamento do ônibus, como na frenagem regenerativa, quando simples ação de frear aproveita a energia elétrica, entre outras soluções, mostram que a indústria brasileira tem muita a oferecer para a construção de ônibus elétricos modernos.
Uma resposta àqueles que chegam a dizer que o Brasil sequer tem uma industria de trolebus.
Não basta só a industria fazer a sua parte. O poder público deve no mínimo oferecer condições para o trólebus operar.
Parece muito pedir que pelo menos o pavimento por onde o trólebus passe seja decente?
Não, mas pro incrível que pareça, isso não acontece na prática.
Certamente fazer um corredor para o trólebus, que ainda é o único veículo coletivo sobre pneus economicamente viável, é muito mais em conta que qualquer projeto mirabolante por aí.
Mas talvez dê menos Ibope re-capear uma via por onde passa o trólebus, que dizer que nos próximos 400 anos será inaugurado O Projeto Super YXZ, que ligará as zonas Norte e Sul, sem passar pelo Leste, em 20 minutos, dentro das obras de um programa econômico para a mobilidade da Copa Mundial Rugby 2414, no Estádio do IBISÃO, o glorioso Íbis.
Em países que pensam em mobilidade como um todo e de forma moderna, o trólebus é ainda e vai continuar sendo por um bom tempo, não só uma alternativa de transportes, mas um serviço presente no dia a dia.

O PERIGO DOS DISCURSOS QUE COLOCAM O TROLEBUS COMO PROBLEMA:

A discussão e os apelos para que haja políticas públicas que voltem a incentivar a operação dos ônibus elétricos chegam a chamar a atenção dos especialistas em transportes nestes países, já que onde trabalham, o trólebus não precisa ser discutido, sendo um veículo até corriqueiro.
Um dos problemas é que o ônibus elétrico no Brasil adquiriu uma imagem negativa. Eles são sinônimos para a população de quebras, atrasos e até apontados como causa dos congestionamentos.
Só que ao mesmo tempo que o trólebus é colocado como vilão, pouco são debatidas as causas de o modal não ser pleno no Brasil.
O tróelbus exige uma infra-estrutura, mínima perto de meios de transporte mais aclamados hoje em dia, mas não deixa de exigir um investimento. Ocorre que muitos que gerenciam o dinheiro do público encaram investimento como gasto.
No SPTV, da Rede Globo, desta quinta-feira foi veiculada uma matéria sobre o estado precário de conservação dos trólebus, a idade avançada da frota e o não cumprimento do compromisso de Gilberto Kassab em renovar estes veículos, que já possuem média de idade superior a 20 anos.
São realmente necessárias renovações, mas segundo especialistas, o foco principal do problema não reside na idade dos trólebus.
Na verdade, média de 20 anos para ônibus elétrico não chega a ser absurdo, de acordo com estes especialistas.
A Metra, empresa que opera em sistema de via segregada os ônibus elétricos que ligam São Mateus, na zona Leste de São Paulo, ao Jabaquara, na Zona Sul, por parte do ABC Paulista, possui trólebus antigos também, mas que estão em muito boas condições. E não é só o fato de operarem em via segregada que explica a boa situação dos trólebus do ABC.
Eles são submetidos a um bom programa de manutenção preventiva.
A questão é da conservação dos veículos.
Pode ser trólebus, ônibus, metrô, VLT, TAV, BRT ou qualquer outra sigla. Se o veículo não for bem conservado, não adianta!
Um motorista que deu entrevista ao SPTV disse que há vários trolebus quebrados na garagem da Himalaia, Consórcio 4 Leste.
Quem tem acompanhado nossas reportagens e o trabalho do promotor Saad Mazloum sabe que a situação das empresas operadoras do Consórcio 4 Leste, entre elas a Himalaia, não é a das melhores possíveis, quando assunto é prestação de serviços com qualidade.
Além disso, há questões que, se explicadas de uma forma mais transparente pela SPtrans e pelo próprio Consórcio, podem revelar um dos motivos de os trólebus na Capital Paulista não satisfazerem plenamente.
Documentos em poder do Ministério Público mostram uma gestão de recursos que levanta dúvidas, com dinheiro destinado a determinados fins podendo ser usado em outros, nem sempre relacionados à melhoria dos transportes públicos.
Além disso, a Himalaia Transportes foi esvaziada, só ficando com os trólebus. As operações a diesel da empresa foram transferidas para a Novo Horizonte, companhia de ônibus cuja administração se aproxima muito de uma cooperativa de subssitema local.
A população precisa saber se os investimentos para o trólebus vão realmente para este modal de transporte. E se vão, por qual motivo os veículos estão operando em um estado precário de conservação, inclusive com problemas que poderiam ser facilmente evitados com manutenção preventiva, como ferrugem nas carrocerias.
Representantes do Consórcio 4 Leste já disseram em ocasiões anteriores à reportagem que é difícil operar trólebus em São Paulo. Nisto eles estão corretos.
As vias não apresentam condições mínimas para os veículos e nenhuma espécie de segregação do trânsito convencional.
Isso desgasta muito o trólebus e deixa o sistema mais suscetível a problemas, como as constantes quedas das alavancas que unem o trólebus a rede aérea.
Mas ferrugem na carroceria, bancos quebrados, sujeira entre outras coisas não podem ser justificadas pura e meramente com o discurso de que a cidade não oferece condições para estes veículos.
É coisa de conservação mesmo, trato com o veículo.
Claro que as condições adversas de operação geram custos que elevam o que é gasto em manutenção e que muito dinheiro que poderia ser aplicado para melhorar o sistema vai para pagar consertos. Isso ninguém nega. Responsabilizar, no entanto, só a difícil operação pode revelar a intenção de se eximir das questões que envolvem os trólebus.
Cada um tem sua responsabilidade. O poder público tem sim de melhorar as vias e a rede elétrica para a operação dos ônibus elétricos, mas a empresa Himalaia precisa também melhorar os serviços no que diz respeito à sua parte. Não deixar o ônibus enferrujar, trocar um banco quebrado e gerar melhor os recursos, além de passar uma vassoura nos ônibus é uma obrigação e não das mais difíceis de fazer.
Só dá medo quando começam a pipocar em todos os lugares os problemas dos trólebus, sem suas reais causas e soluções possíveis.
A própria população em 2003 recebeu uma vacina anti – trólebus e deve-se estar atento para que essa dose não seja renovada.
E esta população precisa estar atenta ao que acontece além das quedas das alavancas e ser precavida de possíveis desculpas que podem ser arranjadas para justificar questões mais antigas.
A Ação Civil Pública movida pelo Promotor Saad Mazloum contra os problemas no Consórcio Leste 4 e as denúncias veiculadas por órgãos de imprensa já têm sido usadas internamente como desculpas para justificar falta de investimentos e a não modernização dos serviços. Mas na verdade tanto as reportagens como a Ação Civil Pública têm o objetivo justamente de contribuírem para as melhorias dos serviços.
Seria irresponsabilidade do promotor ver uma situação de não cumprimento das leis que garantem ao cidadão que o serviço de transporte é um compromisso com o público e que deve ser prestado com qualidade e não fazer nada. Também seria falta de profissionalismo de qualquer jornalista receber a informação de interesse pública, checar, tentar ouvir todos os lados e não expor fatos que são de interesse público, afinal os transportes são realizados não para dirigentes empresariais ou grupos, mas para a população em geral.
O que ocorre dentro de uma empresa de ônibus é sim de interesse da população. Afinal, isso reflete no serviço que será prestado ao passageiro.
Se a situação interna de uma empresa de ônibus é tranqüila e transparente, a tendência natural é de que os serviços sejam melhores.
Mas agora, pelo que se ouve nas garagens da região é que o Consórcio não irá para frente por causa do Ministério Público e Imprensa, órgãos, para ele perseguidores.
Só fica a pergunta pra você leitor: Promotor e jornalista atrasam ou enferrujam ônibus e trólebus?
Adamo Bazani, jornalista especializado em transportes.