TRANSPORTES E COPA: PARA ONDE ESTÁ INDO O DINHEIRO ?????

Shakira Adamo Bazani

Shakira abrilhanta Morumbi, que recebeu quase 54 mil pessoas, que depois sofreram, por falta de estrutura de transportes. Foto: Reuters

ônibus Metra

Serviços da Metra do ABC para o Morumbi foram bons, com exceção de incidente isolado com motorista, mas corredor precisa ampliar horários. Foto: Adamo Bazani.

ônibus Adamo Bazani

: Repórter entusiasma-se com a bela colombiana, mas não tem como se decepcionar em ver que a cidade não oferece uma rede de transportes adequada para quem vai a um show no final de semana, quanto mais para quem vai assistir jogos do maior evento do futebol mundial, inclusive nos dias de semana. Foto: Renata Camargo.

Copa do Mundo no Morumbi: Assim não Dá!
Em relação a transportes coletivos e infraestrutura, área onde está o Estádio do São Paulo já apresenta dificuldades para receber um show internacional, quanto mais uma maratona de jogos mundiais

ADAMO BAZANI – CBN

No sábado, o estádio Cícero Pompeu de Toledo, o Morumbi, foi marcado por beleza, arte, animação e a sensualidade única da cantora colombiana Shakira, que mesmo em meio a uma garoa forte, animou quase 60 mil pessoas, não apenas com seus quadris, mas com a forma pela qual faz da música uma forma de expressão total de arte. Ela apenas não canta, mas interpreta, expressa e dá forma à música. Mostra que música é muito mais que som, mas é perfomance we união de várias manifestações.
Todo esse clima de beleza e de sonho vivido dentro do Morumbi por quem contemplou a simpática e humilde estrela mundial, simples sem ser simplista, como diriam os críticos, não era o mesmo cenário do entorno do estádio, que despertava uma grande preocupação. E a pergunta era inevitável. Copa do Mundo e transportes. E agora?
Não era necessário ser nenhum técnico em transporte para verificar que a região do Morumbi não tem condições não de apenas ser sede de mundial, o que já teria sido descartado, mas sequer de abrigar uma partida de relevância média!.
A falta de acesso para o transporte público é o que mais preocupa. As estações mais próximas exigem longas caminhadas a pé, o que não pode ser admissível para o público do mundo todo, inclusive os brasileiros, que vierem assistir aos jogos internacionais no Brasil.
De acordo com a própria CET – Companhia de Engenharia de Tráfego – de São Paulo, a falta de condição viária em torno do Morumbi, refletia na verdade em toda a região.
Às 19h40, faltando pouco mais de um hora para Shakira subir ao palco, só na região da Avenida Rebouças, havia 4 quilômetros de lentidão por causa do show, de acordo com a própria CET.
Neste horário, vias como ponte Eusébio Matoso, Avenida Francisco Moratto, túnel Vieira de Mello travaram.
Pouco antes, a lentidão atingia parte da Avenida Brasil.
Transporte público era a melhor opção.
Mas os ônibus que servem a região do Estádio, em vez de serem privilegiados, eram tratados da mesma forma que os carros que levavam uma ou duas pessoas e, além de ficarem presos no trânsito, eram impedidos de trafegar pelos desvios e bloqueios feitos pela CET.
A reportagem fez o trajeto do ABC Paulista para o show da cantora. Na ida, o transporte público pelo corredor da Metra se mostrou parcialmente eficiente. O ônibus de Santo André para Diadema estava lotado, não deu para sentar em nenhum momento da viagem, mas por contar com corredor realmente segregado, chegou rapidamente a Diadema. No terminal da cidade foi feita a transferência para uma das duas linhas que servem a faixa segregada até a região do Shopping Morumbi A qualidade do serviço já não foi a mesma. O ônibus da linha 376 M demorou cerca de 20 minutos para sair do Terminal, por volta das 14h30. A fila de embarque para as linhas 376 e 376 M já invadia a área para outras filas. E pior! Tinha ônibus. Mas não tinha aparentemente motorista. No frio, mesmo com o terminal fechado, enquanto os passageiros aguardavam, o Busscar Mercedes Benz O 500 M, prefixo 7910 estava lá, paradão, sem ninguém para dirigir. Ele só saiu depois que chegou outro ônibus E detalhe, saíram 2 ônibus um atrás do outro diante da lotação. O motorista do 7910 não estava nos seus melhores dias. Forçava o ônibus na subida Arrancava com passageiros ainda descendo. O caso mais grave foi de um portador de deficiência visual. A acompanhante dele já tinha descido, ele estava descendo pela primeira porta a esquerda, usando a bengala típica para guiar pessoas na condição, só que com dificuldade e mais lentamente. O motorista do 7910 não esperou. Fechou a porta com ele nos degraus e arrancou. A gritaria foi total. Este repórter teve de acionar o botão de parada do ônibus para despertar a atenção do condutor.
A Metra é considerada uma empresa modelo. Nossa reportagem teve a oportunidade acompanhar o treinamento dispensando aos motoristas e demais funcionários da empresa, mas a segurança daquele portador de necessidade especial correu sério risco.
Passado o show, duas horas com Shakira no palco voam e deixam gosto de quero mais, o cenário era de total bagunça.
As interdições da CET na Jorge João Saad, entre a Francisco Moratto e Praça José Gomes Pedrosa, e na Avenida Giovanni Gronchi, entre a praça Roberto Gomes Pedrosa, e ruas Santo Américo e Santos Coimba, foram para tentar dar ordem na bagunça habitual em qualquer jogo de maior público ou evento de vulto, como nomes como de Shakira.
Era notório o profissionalismo e o esforço dos técnicos da CET, dos policiais militares que garantiram a segurança, dos guardas civis, mas não dava pra controlar a bagunça.
Porque a culpa não é deles. È a total falta de estrutura da região.
Não cabe fazer críticas ao estádio do São Paulo, ao time de futebol, um dos que dignificam o futebol brasileiro (apesar deste repórter nem sãopaulino ser) e tão pouco ao bairro onde está instalado. Mas é ser no mínimo coerente!
O Morumbi, do jeito que está, não pode abrigar jogos de futebol de Copa do Mundo, e até para uma próxima Shakira (ou outro nome internacional, já que o estádio dá mais dinheiro como palco que como campo de futebol), a organização viária, principalmente na volta, tem de ser maior.

TRANSPORTES COLETIVOS NO MORIMBI: NÃO DÁ PRÁ CONTAR!

Não dá pra contar com redes de transportes coletivos plenas na região do Morumbi, principalmente em jogos e espetáculos que vão noite a dentro. As estações ficam lotadas, mas dão conta de parte da demanda.
Mas quem precisa dos ônibus, está perdido. Sem uma faixinha sequer priorizando a circulação deles, os ônibus, escassos a noite, ficam presos no trânsito ao redor.
Com a Metra, para quem até de carona quis tentar subir ao Shopping Morumbi, não deu pra contar também. Isso porque os horários são muito reduzidos aos sábados.
Para sair da região ao entorno do Morumbi, um carro demorou mais de 1 hora. O último ônibus da Metra que sai das proximidades do Shopping é as 23h45. Não há linha noturna, nem em finais de semana ou em dias de jogos ou espetáculos. Shakira disse em bom português “Até Logo” pouco depois das 22h40. Não era muito tarde. Tarde demais para quem precisava enfrentar trânsito e depois necessitar de transporte público.
Se um transtorno desse ocorreu num sábado, chuvoso, com cerca de 60 mil pessoas, de “uma só torcida”, imagine num jogo de futebol?
Aí não se cogita nem em abertura da Copa no Morumbi. Mas a região não tem estrutura de transportes para receber um jogo mediano de Copa.
O Governo do estado de São Paulo e a Prefeitura falam nas obras, interligando trem e expandindo metrô até a região do Morumbi.
Mas elas ficarão pontas a tempo? E a principal pergunta? Serão suficientes? Entre nós. Pela lotação, o metrô não está dando conta da demanda normal de hoje, imagine da demanda maior pelos turistas que exigem, e têm o direito também de um transporte mais qualificado.
E por que ninguém cogita num corredor expresso de ônibus passando ao lado do estádio, claro, tirando o carro das vias. Isso mesmo. Fazer o que Enrique Peñalosa Londoño fez na Colômbia (coincidência a terra de nossa estrela Shakira), ao inaugurar o Transmilênio, considerado o sistema de ônibus mais moderno e eficiente da América Latina. As obras começaram em 1998 e a inauguração ocorreu em 18 de dezembro de 2000. Algumas ruas deixaram de privilegiar os carros e outras ficaram apenas com ônibus.
Quiseram retirar Peñalosa do poder, mas quando o transporte público começou a funcionar, até a classe média que adora reclamar e gosta tanto de um carro, aderiu o transporte coletivo. Aliás, falar que a classe média, em boa parte, é arrogante e não quer usar o transporte público, mesmo que ele melhore e que a questão é também cultural, dá uma dor de cabeça!
Mas ao redor do estádio do Morumbi, não se vê uma obra, uma intervenção que possa dar tranqüilidade para que a Copa em São Paulo, e no Brasil, não seja um fiasco!

TOTAL FALTA DE TRANSPARÊNCIA:

A reportagem fez um levantamento anterior no qual mostra que TODOS os 47 projetos de mobilidade urbana voltados diretamente para a Copa do Mundo, que consomem R$ 11 bilhões estão de alguma forma atrasados. Alguns podem ter a situação revertida outros, principalmente em cidades sedes que optaram por obras mais complexas como monotrilho ou VLT (Veículo Leve sobre Trilhos) correm o risco de não terem seus projetos concluídos a tempo. São Paulo é que tem a situação mais grave. Deixando de lado as inciativas de BRT – Bus Rapit Transit, corredores de ônibus modernos e que podem ter combustíveis ambientalmente corretos como meio de alimentação, a cidade é que apresenta os cronogramas de obras mais conturbados. Na verdade, não está definido nem o estádio que abrirá o mundial.
O estádio mais ideal, de acordo com várias correntes especializadas em esportes, é o do Corinthians, na região de Itaquera, zona Leste de São Paulo. Só que muitas vezes é esquecido um pequeno detalhe. Este estádio ainda não existe. Assim como não existe uma obra de estrutura viária e de transportes ao redor. Ah, mas lá perto para o metrô. Mas volta a questão, O Metrô lá não dá conta nem de sua própria demanda, sem estádio e sem jogos do mundial.
Seriam necessários também outros meios de transporte e estruturas viárias.
VLT e Monotrilho são obras contestáveis. Pelo preço, o tempo que demoram para ficarem prontas mediante ao número de pessoas que podem atender.
E se você piscar o olho, amanhã já é 2014. Um monotrilho ou VLT consome em média de 4 a 56 anos de obra. 2014 – 2011 dá quanto mesmo? Só pra saber!
Não bastassem alguns projetos ilógicos para o tempo e os recursos disponíveis, como e em que o dinheiro para as obras voltadas aos transportes não são coladas de maneira clara e transparente para a população.
Quem explica é a urbanista e relatora da ONU – Organização das Nações Unidas – Raquel Rolnik, em entrevista dada no último dia 15 de março de 2001, ao portal R 7, da Rede Record, que reproduzimos trechos.
Ela fala que obras, projetos e verbas estão na obscuridade e faz críticas à ilusão do Itaquerão.

R7 – Qual é o principal impacto que a Copa deve provocar em São Paulo?
Raquel Rolnik – Há impactos diretos e indiretos. O problema é que está tudo indefinido. Um dos principais legados, do ponto de vista da infraestrutura urbana, seria a mobilidade, que é o tema mais caótico do conjunto de pautas em São Paulo hoje. A ligação por trem pelo aeroporto de Guarulhos [anunciada pelo governo de São Paulo] , na minha opinião, deveria ser uma ligação com a cidade, não só com o aeroporto. É uma cidade com um milhão de habitantes e que não tem transporte coletivo de massa.
R7- Os investimentos em transporte são os mais importantes?
Raquel – A questão é: qual é o projeto e a quem ele vai beneficiar. Do meu ponto de vista, os projetos de mobilidade deveriam beneficiar a população. Tudo isso deve ser feito de forma a melhorar a situação das pessoas. O monotrilho, por exemplo, inicialmente proposto pelo governo do Estado – que já anunciou que desistiu do projeto – seria uma ligação direta só com o aeroporto de Guarulhos e não com a cidade de Guarulhos. É um projeto caro. Uma passagem de R$ 35 é cara.
R7 – De onde virão os recursos para essas obras?
Raquel – Ninguém sabe onde está o orçamento da Copa. De onde vai sair o dinheiro? Tem setores que serão prejudicados pela transferência de investimentos, como saúde e educação? Tudo isso não dá para dizer.
R7- Por que não dá para dizer?
Raquel – Não tem um orçamento. A divulgação dos gastos pode ser suspensa por determinação, inclusive, da própria Fifa [Federação Internacional de Futebol]. Ela envolve todas essa discussão de obras, de quem vai ser atingido, quem vai se beneficiar. No meu entender, justamente por isso é necessário haver transparência.
R7 – No final de agosto, foi aprovado no Senado um projeto de lei que autorizava empréstimos de até R$ 10 bilhões pela União à Copa de 2014 e às Olimpíadas de 2016…
Raquel – Foi um primeiro termo de compromisso e ele, basicamente, refere-se aos projetos de mobilidade [transporte]. Isso tem um termo de compromisso aprovado.
R7- Em São Paulo, estão até construindo um estádio, o do Corinthians…
Raquel – [Interrompe] Que estádio? Sabe-se lá! Cadê o estádio, cadê o orçamento? É tudo uma caixa preta. Coitados dos jornalistas que tentam descobrir se vai ter estádio ou não.
R7- No entorno da área onde supostamente será construído o estádio do Corinthians há uma favela. Há um problema de moradia no local…
Raquel – O que vimos, em obras que ocorrem nas cidades que sediam os jogos, foram despejos forçados. O direito à moradia, do qual o Brasil é signatário, não está sendo respeitado. As famílias de baixa renda estão sendo despejadas, às vezes, sem nenhuma ordem judicial, sem possibilidade de escolha de local, sem opção de reassentamento.
R7- Está sendo feito de forma arbitrária, então?
Raquel – É o que o pessoal chama de “saco de despejo”. Dão R$ 2.000, R$ 3.000 para a pessoa sobreviver. Ela vai comprar o quê com esse dinheiro? Morar onde? Em outros casos, como no rodoanel, só é feita a restituição por benfeitoria (só pela casa). E não por direito real de uso. Dão R$ 15 mil, por exemplo. Em que lugar você compra uma casa por esse valor? Em nenhum lugar! A pessoa recebe o dinheiro e acaba virando sem-teto. Ou vai viver num lugar muito pior. Isto está acontecendo em Belo Horizonte, Fortaleza, Porto Alegre… É muita ameaça de despejo.
R7- Todas essas ameaças estão acontecendo sem ordem judicial?
Raquel – Temos que olhar caso a caso. Mas em Fortaleza, por exemplo, a prefeitura está pintando as casas, colocando um número e as pessoas nem sabem o que está acontecendo.
R7- Não existe nenhum centro de fiscalização?
Raquel – Neste momento, não. Nem pela cidade, nem pelo governo federal. A questão é que, pela Copa, vale tudo, qualquer coisa.
R7- As remoções são o fator negativo desses megaeventos?
Raquel – Há vários fatores além das remoções, mas que surgem com o acontecimento dos jogos. É morador de rua que é expulso da região, vendedor ambulante… É um processo de higienização, mas isso acontece mais perto dos jogos. São atitudes muito excludentes.
R7- Existem experiências semelhantes em outros países?
Raquel – Sim. Há também o aumento de prostituição e do tráfico de seres humanos, principalmente do adolescente. Além disso, há o problema de leis trabalhistas, incluindo mortes de trabalhadores durante as obras. Em Atenas (Grécia) morreram 14 trabalhadores durante as obras dos Jogos Olímpicos.

SENHORES PASSAGEIROS, DESCULPEM ESTAR INTERROMPENDO SUA VIAGEM, EU PODERIA ESTAR PEGANDO FINANCIAMENTO, VENDENDO BALAS OU CORTADORES DE UNHA, MAS VOU USAR SEU DINHEIRO

Luis Inácio Lula da Silva, Geraldo Alckmin, Dilma Roureff, Alberto Goldman, José Serra, Gilberto Kassab. Vários nomes, correntes diferentes. Mas o mesmo discurso e a mesma prática. Todos falaram que o “Custo Copa” para os Transportes não vai sair do Dinheiro do Povo. Que a iniciativa privada arcará com boa parte das despesas, ou investimentos, que é um nome mais bonito.
Mas relatórios do próprio Tribunal de Contas da União comprovam que dos R$ 23 bilhões a serem gastos em obras para o setor de mobilidade e estrutura para a Copa, apenas R$ 336 milhões devem sair da iniciativa privativa. Ou seja, meu caro passageiro, desculpe incomodar sua viagem, mas o senhor e a senhora só vão financiar 98,5% dos investimentos.
Mas não fique assustado, meu caro passageiro, você deu e dará esse dinheiro, mas ele deve estar guardadinho ainda.
Relatório da Matriz de Responsabilidade do Ministério dos Transportes traz uma revelação interessante. Pelo menos 27 obras de mobilidade previstas até a Copa do Mundo ainda não saíram do Papel.
Não bastasse a falta de transparência, de agilidade que deixa regiões como o Morumbi incógnitas e de até de respeito entre o discurso e a prática, a seleção das empresas que prestarão serviços e obras para a mobilidade é alvo já de críticas.
O VLT de Brasília é um constante vai e não vai judicial.
Agora, é a vez de Manaus com seu Monotrilho.
O Jornal D 24, de Manaus, na edição deste domingo, dia 20 de março de 2011, mostra a particulariedade de um estudo de Adalberto Felício Maluf Filho, do Instituo de Relações Institucionais da USP – Universidade de São Paulo, que revela que a empresa Scomi Engineering Bhd, classificada para fazer o monotrilho de Manaus e que ao lado da Andrade Gutierrez ficou em segundo lugar para fazer o monotrilho da Cidade Tiradentes, já apresentou vários problemas pelo mundo.
Ela vem de um consórcio de empresas falidas, segundo o estudo revelado pela reportagem.
O projeto da empresa foi rejeitado Johanesburgo, na África do Sul, que optou mais por ônibus em corredores modernos e inteligentes e na questão de transportes pelo menos não fez feio, contando inclusive com ônibus brasileiros.
Não bastasse isso, o Monotrilho de Kuala Lumpur mostrou-se ineficiente, cara, foi feito por esta mesma empresa e faliu de acordo com o Instituto de Política de Transporte e Desenvolvimento, órgão norte-americano.
O jornal de Manaus reproduz alguns trechos do levantamento do Instituto, que levamos até você leitor:
Sistema não funcionou na Malásia, aponta reportagem
Uma reportagem no site do Institute for Transportation and Development Policy (Instituto para a Política de Transporte e Desenvolvimento), com sede em Nova Iorque (EUA), de 1º de julho de 2007, dá conta de que os 8,6 quilômetros do monotrilho de Kuala Lumpur foram construídos em cinco anos e o resultado ficou aquém do previsto.
Com um alto custo e capacidade de transporte limitada, o monotrilho depende de pesados subsídios operacionais, segundo a reportagem. “Durante os primeiros oito meses de operações, foram acumuladas dívidas de US$ 13,6 milhões (R$ 22,7 milhões)”.
Em maio de 2007, de acordo com a reportagem, o monotrilho de Kuala Lumpur entrou em liquidação após o consórcio não pagar um empréstimo a um banco da Malásia. O sistema está agora nas mãos do Banco Pembangunan Malaysia Bhd. “Na sequência da falência do sistema, o setor público será agora responsável por assumir a dívida do sistema de aproximadamente US$ 266,5 milhões (o equivalente a R$ 446 milhões).
Em Johanesburgo, na África do Sul, a tentativa do consórcio de emplacar o monotrilho, segundo o estudo de Adalberto Filho, fracassou. O projeto previa a construção de 45 quilômetros de trilhos a um custo estimado de US$ 1,7 bilhão (R$ 2,8 bilhões) ou US$ 38,1 milhões (R$ 63,8 milhões) por quilômetro.
Segundo o estudo, o consórcio da Malásia vendeu a ideia de que o novo sistema carregaria cerca de 1,5 milhão de passageiros ao dia. “Considerando que esse valor era igual a todos os deslocamentos feitos em transporte público na cidade, ficou muito difícil acreditar que esse valor seria atingido em um único corredor, ainda mais no contexto de pouca densidade que as cidades da África do Sul apresentam”, observou Adalberto Filho.
Ainda de acordo com o estudo de Adalberto Filho, embora milhões de dólares tenham sido gastos em projetos e estudos, o monotrilho foi abandonado e a cidade focou seus esforços nos corredores exclusivos de ônibus (Bus Rapid Transit – BRT).

COMO NOSSA PERSONAGEM PRINCIPAL DA MATÉRIA É A MUSA SHAKIRA, APESAR DO ASSUNTO SER TRANSPORTE, VAMOS PEDIR LICENÇA PARA USAR DUAS FRASES DE MÚSICAS DA MUSA COLOMBIANA.

Sobre a falta de transparência dos recursos, cronogramas e obras – DONDE ESTÁN LOS LADRONES?

E a respeito de São Paulo só apresentar obras caras e demoradas, mas não tirar quase nada do papel a menos de três anos, a classe administradora e gestora dos transportes só pode estar LOCA LOCA LOCA!

Foto 1: Shakira abrilhanta Morumbi, que recebeu quase 54 mil pessoas, que depois sofreram, por falta de estrutura de transportes. Foto: Reuters
Foto 2: Repórter entusiasma-se com a bela colombiana, mas não tem como se decepcionar em ver que a cidade não oferece uma rede de transportes adequada para quem vai a um show no final de semana, quanto mais para quem vai assistir jogos do maior evento do futebol mundial, inclusive nos dias de semana. Foto: Renata Camargo.
Foto 3: Serviços da Metra do ABC para o Morumbi foram bons, com exceção de incidente isolado com motorista, mas corredor precisa ampliar horários. Foto: adamo Bazani.

Adamo Bazani, jornalista especializado em transportes.

11 comentários em TRANSPORTES E COPA: PARA ONDE ESTÁ INDO O DINHEIRO ?????

  1. Olha que o estadio do morumbi é a sede oficial do maior clube de futebol do Brasil e ainda assim existem problemas com o transporte.
    …. Mas se até 2014 as obras de ampliação de transporte coletivo da região do estadio não ficarem prontas, podemos contar com o estadio para uma boa Ducha em dias de chuva , já que no dia 27 de fevereiro o estadio se transformou em uma piscina . Ou mesmo em um grande piscinão de ramos para abrigar águas de março.

  2. Rodrigo de Freitas Andrade // 21 de março de 2011 às 00:25 // Responder

    Esta reportagem é uma bela resposta para os governantes desse município de São Paulo que acham que a comunidade internacional não tem conhecimento sobre o péssimo transporte, principalmente da Zona Leste area 4, repleta de máfias de cooperativas tanto no transporte local como no estrutural, mas não restrito a só essa area, como bem explica a reportagem.
    O Governo de São Paulo adiou por tempo indeterminado a construção do trecho Aeroporto de Cumbica – Terminal São Matheus do Transporte Expresso Urbano (T.E.U), trecho este que é o mais importante do corredor T.E.U, principalmente por atingir quase toda a Av. Jacú-Pêssego e Itaquera.
    Estamos mesmo muito ruins de transporte coletivo pois nem em Itaquera e nem no Morumbi existe uma infra-estrutura decente de mobilidade urbana.
    Tá aí governantes:
    A FIFA Sabe, a ONU sabe, a comissão internacional de direitos humanos TAMBÉM SABE da péssima infra-estrutura de transportes, principalmente as máfias que aportam na Zona Leste area 4 de SP.
    É questão de pouco tempo pra estas questões irem pra imprensa maior, parece que a SPTrans e SMT quer pagar pra ver.

    • itaquera, tem a malha ferroviária bem desenvolvida, contém 3 estações de trem e metrô. mas mesmo assim, precisa de muito mais em suas adjacente, para desafogá-la e um transporte de ônibus mais racional, e melhor!

      • Rodrigo de Freitas Andrade // 21 de março de 2011 às 18:06 //

        Mesmo essas 3 estações de trem e metrô já estão sobrecarregadas, imaginem então na Copa de 2014?
        Para desafogar o metrô e cptm é necessário uma mudança radical no transporte por ônibus da area 4 senão passaremos vergonha.
        Imaginem uma linda festa preparada pra Copa, mas com os convidados (torcedores do mundo todo) atrasados pra chegar porque o trânsito e o transporte são insuficientes?
        E o pior, imaginem no ano da Copa de 2014 aí acorda o poder público para querer fiscalizar corretamente o transporte público mas não conseguir porque as máfias do transporte local e estrutural da area 4 não permitem, inclusive de forma violenta?

  3. Que o Morumbi não vai abrir os jogos é um fato. Mas ele não serve nem prá jogo mediano internacional, jogo local e nem prá show justamente por causa da falta de estrutura de transportes públicos na região, que é um dos focos da matéria.

    Não estou discutindo a estrutura do estádio em si, pois disso não tenho capacidade de falar.

    Mas lá não é nem questão de privilégio ao transporte individual, porque até para o carro está impossível

  4. A sorte (se é que podemos dizer isso), é que Copa do Mundo acontece no meio do inverno no hemisfério sul – isso já livra os transtornos provocados pelas chuvas de verão.
    Vai ser no mínimo complicado investir o que é necessário em infraestrutura nos próximos três anos o que não se fez nos últimos 30…

    Sorte a todos!

  5. Uma coisa é certa:

    OU algum governante se mexe, ou então…..2014 vocês verão os jornais mundias na primeira página estampado:

    “DE TODAS AS COPAS, DISPUTADOS EM MUITOS PAÍSES, ALGUNS QUE NEM TEM INTIMIDADE COM O FUTEBOL, O BRASIL OFERECEU A PIOR INFRA-ESTRUTURA EM TRANSPORTES.”

    com a palavra…….>>>>>>>nossos governantes……

  6. Amigo Adamo,

    Para onde está indo o dinheiro?????
    As forças ocultas estão dividindo entre si, sem contar que está indo para o bolso de muita gente.

    parabéns amigo Adamo pela matéria.

  7. Basta ver o escandalo que a midia fez no caso do Pan 2007, no Rio de Janeiro, onde foi comprovado o superfaturamento de algumas obras. Porém, como todos já sabem, o estardalhaço não deu em nada, e tudo acabou com uma bela e amarguissima pizza de aliche, para o povo brasileiro engolir mais um sapo.

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