Como a corrupção arruinou com uma família nos transportes

Ônibus Caio Vitória da Viação São José, na época da “municipalização” do prefeito Celso Daniel
 

Filha de fundador de empresa de ônibus declara que perdeu a vida

ADAMO BAZANI – CBN

 

 
PARA O PODER, NÃO EXISTE LEI. A frase foi ouvida várias vezes pela empresária Rosângela Gabrili, e é atribuída aos responsáveis do suposto esquema de extorsão, que teve a participação ativa de donos de empresas de ônibus de Santo André e que teria culminado na morte do prefeito Celso Daniel, em janeiro de 2002.
Filha de um dos fundadores da Viação São José, uma das mais tradicionais empresas de ônibus da cidade, Rosângela Gabrili não teve medo de denunciar suposto esquema que tinha como objetivo arrecadar dinheiro dos transportes por ônibus municipais para ajudar o PT Nacional, segundo apontam investigações do Ministério Público, que, ao contrário do que declara a polícia, argumenta que o assassinato de Celso Daniel teve motivação política.
Ela inclusive chegou a contar como era o esquema de arrecadação nas garagens, quais políticos e donos de empresa de ônibus se beneficiavam das extorsões de dinheiro e citou valores.
Janeiro de 2011 inicia agora. Os acusados de encomendarem o crime estão aparentemente tranqüilos, mas Rosângela Gabrili não. Acompanhe esta rápida entrevista que ela concedeu ao jornal O Estado de São Paulo, que foi publicada em 21 de novembro de 2010.:
Tantos problemas e tanta pressão puseram de joelhos a família Gabrilli. Em 2009, Luiz Alberto Ângelo Gabrilli, o patriarca, vendeu sua parte na Expresso Guarará. Beto, seu filho, foi tocar outros negócios. Rosângela, a filha, partiu. “Parei, eu me desgastei demais com tudo isso, sofri demais”, ela diz. “Perdi minha vida. Quero me reencontrar. Perdemos a motivação, o sentido de tudo isso depois de quase 40 anos de trabalho.”
Aos 55 anos, ela não tem um endereço fixo. Quer ficar na estrada por uns tempos. “Fico um pouco em cada lugar, na casa de amigos. É uma peregrinação, enquanto essa história não tiver um fim. Sei que a minha segurança é muito delicada e eu tenho que me preservar porque tenho três filhos.”
Nos tempos de boa saúde financeira, a Expresso Nova Santo André chegou a ter 80 veículos na rua. Rosângela cresceu nas empresas. “Eu brincava de boneca dentro dos ônibus. Eu quero dizer que papai é um grande homem, um grande caráter.”
Ela não pensa em retornar a São Paulo. “Eu ouvia muito dessa turma de Santo André que o poder tudo pode. Eu ouvia deles que para o poder não existe lei. Sempre fui muito revoltada com tudo isso, com o esquema, a extorsão.”
É uma pena. Pela impunidade que dá impressão de existir, se os acusados de serem os mandantes do crime forem realmente responsáveis e pelo fim da atuação de uma família que literalmente foi responsável pelo desenvolvimento de uma das regiões mais carentes da cidade de Santo André, que é a Vila Luzita.
A empresa foi fundada em 1965 por Luiz Alberto Ângelo Gabrilli Filho. A Vila Luzita era um terrão só. Poucas pessoas se arriscaram a morar no lugar, mas muita precisavam, pelos preços baixos dos terrenos, com a especulação imobiliária deixando os terrenos caros nas proximidades do centro e até mesmo pela onda de invasões e loteamentos clandestinos.
Em 1973, segundo a Junta Comercial de São Paulo, eram sócios da São José, Aladino Pisaneschi Júnior, Duílio Pisaneschi, Luiz Alberto Ângelo Gabrilli Filho, e Sebastião Passareli.
Em 1999, a família Pisaneschi saiu da sociedade da São José. Neste mesmo ano, as linhas municipais foram transformadas em Expresso Guarará, um consórcio que venceu a licitação do considerado moderno para época e ainda único sistema tronco alimentador com corredor exclusivo e terminal de transferência de Santo André.
Em 06 de abril de 2009, ainda com os reflexos do Caso Celso Daniel, era o fim dos Gabrilli na cidade.
Hoje, a São José com linhas intermunicipais, e a Guarará com as municipais, continuam com Passarelli, um dos poucos tradicionais que resistem em Santo André.
Adamo Bazani.

4 comentários em Como a corrupção arruinou com uma família nos transportes

  1. Nelson Roberto Langella // 1 de Janeiro de 2011 às 14:45 // Responder

    Espero que o ministério publico consiga desvendar esse caso, pois se deixar para a polícia civil isto nunca terá um fim, pois a mesma, ñ sei porque ,faz vistas grossas qdo se trata deste grupo transportes.Aliás será que investigaram as ameaças feitas no caso Leblon?

  2. Maria das Graças Ribeiro da Silva // 2 de Janeiro de 2011 às 02:55 // Responder

    Quando se fará JUSTIÇA e os assassinos de Celso Daniel pagarão por seus crimes?

  3. Maria das Graças Ribeiro da Silva // 2 de Janeiro de 2011 às 02:56 // Responder

    Quando se fara JUSTIÇA e os assassinos de Celso Daniel pagarão por seus crimes?

  4. SOU PRESIDENTE DA ASSOCIAÇÃO DOS USUARIOS DO TRANSPORTE COLETIVO DA GRANDE SÃO PAULO , QUÉRO DEIXAR CLARO A MINHA RESPOSTA PARA ESTA MATÉRIA ACIMA : ESTÃO COM MUITA POLITICAGEM ENCIMA DO TRANSPORTE DE PASSAGEIRO E UM PESSIMO SERVIÇO SE REFERINDO AO TRANSPORTA-LOS NOS MICROS ONIBUS LOTADOS E TARIFA CARA E OUTRAS COISAS.

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