Sob muita polêmica e suspeitas cooperativas se tornaram impérios

Cooperativas de ônibus em São Paulo se tornaram maiores que muitas empresas constituídas. Solução foi adotada para amenizar conflito político gerado pela atuação de perueiros

Entende-se como cooperativa uma instituição legalizada na qual os membros e cooperados possuem participações semelhantes nos negócios, pode de decisão, cujo papel não é somente empresarial, mas social.

Por conta disso, as cooperativas gozam de vários benefícios e isenções que as empresas constituídas, mesmo as de pequeno porte, não tem.

A idéia é excelente. Em tese, as cooperativas incluem na formalidade, trabalhadores informais e dão uma oportunidade de negócios àqueles que possuem um pequeno investimento e que, se não se unissem, jamais entrariam no mercado.

Porém, muitas cooperativas de ônibus em São Paulo, não generalizando, são o oposto disso.

Algumas destas cooperativas são na verdade geradas por homens que têm o poder político e econômico maior do que de muitos empresários do setor de transportes.

Há pessoas, que através de nomes de parentes, conhecidos e amigos, além de algumas investigações apontarem para nomes que não existem na prática, controlam grandes frotas e linhas.

Para fazer parte de algumas cooperativas, não basta ser um cooperado e atender aos requisitos técnicos.

Várias vezes o Ministério Público de São Paulo investigou uma espécie de loteamento dos serviços por tais cooperativas que obrigavam a quem quisesse fazer parte do sistema desembolsar muito dinheiro à margem dos custos esperados.

O que era pra descentralizar e dar oportunidade a todos, em vários casos acabou virando oportunidade de uns poucos crescerem e se tornarem empreendedores paralelos.

Poucos têm coragem de falar no assunto. Afinal, pro causa dos transportes muitas pessoas já perderam a vida.

Sindicatos, cooperativas, empresas, secretários, líderes comunitários, gestores, não só aparecem nas páginas de cidades dos noticiários, mas acabam virando personagens da editoria de polícia.

Não é o caso aqui de demonizar as cooperativas. Muito pelo contrário, muitas se profissionalizaram e são excelentes alternativas de transportes, serviços aos cidadãos e de geração de emprego e renda.

Mas em São Paulo, boa parte das cooperativas não nasceu fruto de um programa de inclusão ou de alternativa ao transporte oferecido pelas empresas de ônibus.

Voltando um pouco na história, nos deparamos com os não muito longínquos anos de 1990.

A economia estava assim: O Brasil ainda tinha a ferida aberta de anos e anos de inflação. O desemprego estava em alta. O Plano Real foi o melhor sucedido para conter este monstro inflacionário, entre os desastrosos planos anteriores, de Sarney a Collor. Mas sua implantação teve duas características: o aumento das taxas de juros e a abertura para o capital estrangeiro a fim de estabilizar a moeda.

Houve um período de crescimento com cautela na economia e em alguns setores foi registrada uma desaceleração das atividades. A Guerra Fiscal, entre estados e municípios fez com que muitas pessoas em São Paulo e no ABC perdessem os empregos.

Com pouca escolaridade, aproveitando o dinheiro da indenização e os preços convidativos de vans asiáticas, muitos partiram o transporte clandestino. As empresas de ônibus, acomodadas, deixavam várias brechas nos sistemas das grandes cidades. Essas brechas de horários e até de regiões atendidas eram cobertas pelos perueiros.

O combate policial foi grande. Mas, parece mesmo que toda sociedade requer um líder. E logo líderes apareceram entre os perueiros. O combate foi político e muita gente viu que, pelo dinheiro movimentado e pelo número de pessoas, a legalização das peruas poderia virar votos.
Surgiam os ônibus bairro a bairro, como este da foto, controlados por cooperativas, a maioria de ex perueiros.

Alguns, ex perueiros e atuais barões das catracas locais.

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