Subsídios estimados pelo setor de transporte em São Paulo serão 30% maiores que orçamento da SPTrans

Com o congelamento da tarifa, estimativa é de que ao menos R$ 3 bilhões sejam necessários para complemento. Orçamento total da SPTrans é de R$ 2,3 bilhões

ADAMO BAZANI

Os subsídios ao sistema de transporte da capital paulista podem superar em 30,4%, pelo menos, todo o orçamento da SPTrans- São Paulo Transporte para este ano.

Nesta quarta-feira, 19 de abril de 2017, a Prefeitura de São Paulo detalhou no Diário Oficial o orçamento da cidade para este ano, aprovado no final de 2016 pela Câmara Municipal

A SPTrans – São Paulo Transporte deve contar com recursos de diversas fontes, a maior parte do tesouro municipal, que somarão neste ano R$ 2,3 bilhões.

Elaborado no ano passado pelos técnicos da gestão Fernando Haddad, que se encerrou em 31 de dezembro de 2016, o orçamento levava em conta a possibilidade de aumento na tarifa de ônibus e, portanto, destinou R$ 1,74 bilhão para complementações dos custos do sistema.

Mas o setor de transporte estima que, com o congelamento da tarifa unitária dos ônibus em R$ 3,80 e a demora de quatro meses da batalha judicial para permitir o aumento do valor das tarifas integradas com o metrô e CPTM, o valor necessário para subsídios complementarem os gastos sistema devem ultrapassar R$ 3 bilhões.

Os subsídios são pagos pela Secretaria Municipal de Transportes e o dinheiro passa pelo gerenciamento da SPTrans.

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MEDIDAS DE LONGO PRAZO:

Para tentar evitar que a situação das contas do transporte coletivo de São Paulo não piore, a administração Doria citou ao longo do ano até agora uma série de medidas que podem reduzir os custos do sistema. No entanto, a implementação total das ações são de médio ou longo prazo.

A licitação dos transportes que deveria ter sido realizada em 2013 pode fazer com que haja uma racionalização dos custos do sistema. Entretanto, o edital será lançado somente em maio e até o certame ser concluído, os efeitos iniciais nas finanças serão sentidos a partir de 2018.

Um dos principais pontos que a licitação deve atacar é a sobreposição de linhas. Há a estimativa, assim, de mais trajetos serem reduzidos, aumentando a necessidade das integrações.

O ponto é polêmico. Isso porque, apesar da redução de sobreposições ser necessária, é preciso fazer estudos detalhados sobre a malha e a condição de terminais e pontos de mudanças de linhas. Outro aspecto é analisar se as alterações não tornarão os trajetos dos passageiros mais cansativos e demorados, desestimulando assim, o uso do transporte público.

Esses pontos estão sendo analisados para a elaboração do edital, que está em fase final, garante a prefeitura.

A questão é que o sistema tronco-alimentador, pelo qual as linhas menores iriam até serviços de ônibus de maior capacidade, funciona melhor com uma rede de corredores para que os veículos maiores e que recebem toda essa demanda não fiquem presos no trânsito.

Ocorre que o 130 km de corredores na cidade de São Paulo são insuficientes e o plano de metas da prefeitura não traz a previsão do total de espaços desse tipo serão abertos para usuários do transporte público.

Mesmo sem uma racionalização radical de linhas, só a presença de mais corredores adequados ao transporte público já traria uma redução nos custos operacionais. Hoje os ônibus perdem muito tempo no trânsito. Além de gastarem mais combustíveis e horas dos trabalhadores do setor sem produção, por causa dos congestionamentos, os ônibus fazem menos viagens e atendem menos passageiros. Logo, é necessário colocar mais ônibus que, numa linha em corredor, seriam desnecessários.

Outra possível medida que Doria deve tomar é a redução de algumas gratuidades, como para estudantes e pessoas com idade entre 60 e 64 anos. A Lei Federal determina gratuidade para idosos com 65 anos ou mais.

Há excessos. Não se pode imaginar um estudante ter oito bilhetes gratuitos num final de semana. Eu entendo que a tarifa subsidiada deva ser para quem vai estudar, para quem vai trabalhar. Agora, oito convenhamos não é exatamente algo razoável, mas é o que existe (segundo portaria que regula esse benefício, o estudante tem o limite de até oito embarques por dia letivo, que pode ser ou não fim de semana). – disse Doria no início do mês: https://diariodotransporte.com.br/2017/04/08/doria-confirma-que-vai-rever-gratuidade-nos-onibus-para-2018/

A eliminação dos postos dos cobradores, em longo prazo, também poderia trazer redução de custos. Hoje, de acordo com dados da SPTrans e das empresas de ônibus, os cobradores representam entre R$ 800 milhões e R$ 1 bilhão por ano nos gastos dos transportes. No entanto, como apenas 6% das pessoas pagam a tarifa com dinheiro, estes profissionais são responsáveis pela geração de aproximadamente R$ 300 milhões.

O fim da atuação dos cobradores no sistema é polêmica. A prefeitura diz que não haverá demissões dos trabalhadores que seriam relocados para outras áreas do transporte.

Adamo Bazani, jornalista especializado em transportes

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Comentários

Comentários

  1. João Luís Garcia disse:

    E agora Sr João Dória Júnior ?
    Qual será a mágica ?

  2. Paulo Gil disse:

    Amigos, boa noite.

    E fazer cortesia com o chapeu do contribuinte nao da mais, basta eliminar o disperdicio do dingeiro do conribuinte.

    Tem muito buzao batendo lata e fazendo volume nas ruas, isso sim,mpor isso nao f6nciona e so da despesa.

    Ninguem no planeta coloca buzao em excesso para bater lata e sem se embolar srm receber pra isso.

    A “gratuidade” e o boi de piranha, que paga buzao ocioso.

    Milagre ninguem faz e nessa crise nem santo ta fazendo milagre.

    O problema do Brasil e o excesso de disperdicio e de buzao em Sampa.

    Nao ha eficiencia para o contribuinte, somente para quem opera.

    Ou alguem acha que buzao algum dia deu prejuizo ????????

    Att,

    Paulo Gil

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