Prefeitura de São Paulo diz que empresários de ônibus fazem “terrorismo barato”

Haddad anda de ônibus. Administração diz que dívidas não significam atrasos nos repasses às empresas

Reação foi às informações sobre situação das finanças no setor de transportes

ADAMO BAZANI

A prefeitura de São Paulo decidiu para, pelo menos parte da mídia, engrossar o discurso contra as empresas de ônibus.

Em resposta a uma matéria do jornal Estado de São Paulo sobre remanejamento de recursos que a prefeitura tem feito para cobrir o rombo do sistema de transportes e sobre a informação do SPUrbanuss –  Sindicato das Empresas de Transporte Coletivo Urbano de Passageiros de São Paulo de que Doria herdaria uma dívida de ao menos R$ 200 milhões para com o sistema, a secretaria de comunicação social classificou o discurso dos empresários sobre a situação econômica do sistema de “terrorismo barato”.

Em nota, a Secretaria de Comunicação diz que o SPUrbanuss “nunca deixou de receber nenhuma moeda” e que não há razão para isso ocorrer agora. “O que os empresários do transporte coletivo de São Paulo estão fazendo é um terrorismo barato.”

A dívida da prefeitura de São Paulo para o sistema de transportes, em especial às operadoras do sistema estrutural, é alta.

De acordo com o último balanço da SPTrans, referente ao dia 27, este débito era de R$ 211,34 milhões, sendo que R$ 137,21 milhões para o subsistema estrutural, que reúne as viações com linhas e ônibus maiores.

Como noticiou o Diário do Transporte em primeira mão, acabou na segunda quinzena de setembro todo valor de R$ 1,79 bilhão em subsídios para o sistema que deveria durar até 31 de dezembro.

Desde então, a prefeitura tem feito diversos remanejamentos, como também noticiou o Diário do Transporte , a exemplo do último sábado, quando o poder público retirou R$ 100 milhões previstos de obras em corredores de ônibus que não se realizaram para compensações tarifárias. Relembre em: https://diariodotransporte.com.br/2016/10/29/haddad-remaneja-mais-r-100-milhoes-para-cobrir-tarifas-de-onibus/

O secretário Municipal de Transportes, Jilmar Tatto, havia calculado então a necessidade de R$ 2,3 bilhões em subsídios até o final deste ano, incluindo o valor de R$ 1,79 bilhão que se esgotou. Mas agora a conta chega a R$ 2,65 bilhões.

A prefeitura de São Paulo nega atrasos e diz que esses débitos serão quitados integralmente.

Farpas à parte entre empresários de ônibus e administração Haddad, a preocupação também é em relação à promessa do prefeito eleito João Doria de congelar a tarifa de ônibus na cidade no ano de 2017.

Doria diz que serão necessários R$ 550 milhões para cumprir o prometido, além de R$ 1,79 bilhão já previsto no Orçamento de 2017. No entanto, técnicos da Prefeitura de São Paulo que elaboraram a peça orçamentária dizem que serão necessários aportes de R$ 1 bilhão a R$ 1,2 bilhão para o congelamento.

Adamo Bazani, jornalista especializado em transportes

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Comentários

Comentários

  1. A dividas e antiga de ano,s não vamos jogar a culpa, somente nesse prefeito, e as empresas sempre lucraram, e devolvem um serviço porco, pra quem paga alto na passagem.

  2. Pedro disse:

    Rodrigo Santos, perfeito comentário, a passagem e cara pelo serviço prestado por todas as empresas e a tendencia e piorar, espero estar enganado mas o novo prefeito vai ser engolido por estas empresas.

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