VÍDEO: Ônibus “Agrícola” da Marcopolo e Mercedes-Benz pode ajudar o “agro” a conquistar mão-de-obra

Diário do Transporte conheceu o Ideale 880 Agro Tech com chassi OF1619 que recebeu configurações especiais foi desenvolvido ouvindo o cliente do operador de transportes em áreas rurais, garantem fabricantes

ADAMO BAZANI / VINÍCIUS DE OLIVEIRA

Assim como em diferentes setores, os diversos segmentos da agropecuária e da mineração têm enfrentado ausência de mão-de-obra qualificada, havendo até mesmo uma espécie de disputa entre os produtos rurais e indústrias do setor por conquistar e reter estes trabalhadores.

E todos os aspectos pesam na decisão do funcionário em escolher um ou outro empregador.

Os transportes têm ganhado destaque especial nessa escolha.

Unir maior adequação a operações mais severas em áreas rurais e de mineração e o conforto e segurança para o passageiro/empregado é o desafio para a indústria e para os operadores de ônibus.

Foi tentando responder a este desafio que nasceu o “ônibus agrícola” da Marcopolo e Mercedes-Benz Ideale 880 Agrotech OF1619.

Para isso, foi necessário não somente ouvir o operador do ônibus, mas o contratante do serviço de fretamento, no caso o responsável pelos empreendimentos rurais ou de mineração.

Quem explicou foi o representante da Marcopolo, Judson da Silva Arante, ao criador e editor-chefe do Diário do Transporte, Adamo Bazani, que esteve nesta sexta-feira, 16 de outubro de 2026, em Dourados (MS) a convite da Mercedes-Benz e da Marcopolo

“Uma das demandas que ouvimos dos produtores rurais foi essa. Como oferecer um transporte dentro da realidade operacional severa, mas que ofereça um conforto semente a de um ônibus regular comum. Houve, assim toda uma solução de engenharia baseada no que o mercado precisa” – disse.

O engenheiro de Marketing e Produto da Mercedes-Benz, Pedro Moretti, na ocasião, disse a Adamo Bazani, que, além de atender a expectativa de mercado em si, outro desafio foi cumprir as normas, reduzir custos operacionais e ao mesmo tempo também garantir segurança jurídica nas operações

“Com itens como eixos blocantes e pneus lameiros, não só adequamos o veículo à realidade operacional do campo e da mineração, como também reduzimos riscos de acidentes e ampliamos o conforto” – disse.

A questão vai ao encontro do que a advogada especializada em riscos jurídicos, Liana Variani, disse ao Diário do Transporte.

“A segurança jurídica é um aspecto que ganha cada vez mais importância no setor de transportes e modelos de ônibus e caminhões seguros, confortáveis e que vão além de atender às normas, garantem segurança jurídica ao operador do transporte e à empresa contratante do serviço, uma vez que existe uma responsabilidade compartilhada entre o prestador e o operador do serviço” – explicou.

Segundo os representantes da Marcopolo e da Mercedes-Benz, o modelo foi desenvolvido com o máximo de personalização possível. O ônibus já está disponível para encomendas integrando a linha de produtos das marcas com a possibilidade de configurações, como eliminação de porta-objetos superiores ou acréscimo de área para transportes de marmitas por exemplo.

O que muda para enfrentar terra, lama e irregularidades

Na configuração Agrotech, a Marcopolo acrescentou reforços laterais e em pontos críticos, proteções inferiores e blindagens de aço para os tanques de combustível e Arla. A bateria fica em caixa fechada de aço.

O conjunto pode receber acoplamento da carroceria até 100 mm mais alto, para-choques reposicionados, pneus lameiros e bloqueio do diferencial, conforme a configuração.

Essas alterações atuam em problemas diferentes da operação. Os reforços ajudam a estrutura a suportar as solicitações do percurso. As proteções resguardam componentes expostos. Já a geometria das extremidades interfere na passagem por obstáculos.

O ângulo de entrada representa a capacidade de se aproximar de uma subida ou obstáculo sem tocar a dianteira no chão. O de saída corresponde à passagem da traseira. Em acessos com valetas, rampas e mudanças acentuadas de inclinação, essas medidas influenciam diretamente a circulação.

O bloqueio do diferencial atua sobre a tração: limita a diferença de rotação entre as rodas do eixo motriz, ajudando o veículo quando uma delas perde aderência. Os pneus lameiros complementam essa função pelo desenho da banda de rodagem, apropriado para trabalhar em solo solto e lama.

Características da configuração Agrotech

Item – Especificação divulgada para o Agrotech

Chassi – Mercedes-Benz OF 1619 Euro VI

Comprimento – Entre 11 e 11,5 metros

Lotação – Até 43 passageiros

Poltronas – Executiva ou Semileito

Climatização – Spheros CC357, 140 mil BTU/h; operação em temperaturas de até 55°C, segundo a fabricante

Higienização – Possibilidade de ralos na cabine e no salão

Reparação – Para-choque modular em três partes

Monitoramento – Opção de sistema ORBE e recurso antifadiga

Eixo Blocante

Pneus Lameiros

As diferenças em relação ao conjunto convencional

O Ideale convencional atende aplicações como fretamento, turismo e transporte escolar em percursos curtos e médios. Na linha geral da carroceria, a Marcopolo oferece comprimentos entre 11,255 e 13,5 metros. O Agrotech concentra suas configurações na faixa de 11 a 11,5 metros e acrescenta o pacote para serviço severo.

A distinção envolve tanto a carroceria quanto a preparação do conjunto com o chassi. No caso da carroceria, entram a resistência estrutural, as proteções e as soluções para limpeza e reparação. Na preparação para circular no campo, ganham importância a altura de montagem, os ângulos das extremidades e os recursos de aderência.

Para quem encomenda o ônibus, isso exige olhar além do nome OF 1619. A especificação contratada precisa corresponder ao percurso: tipo de solo, presença de lama, obstáculos, quantidade de passageiros e equipamentos necessários ao serviço.

A altura adicional de montagem da carroceria, por exemplo, deve ser avaliada separadamente da distância dos componentes mecânicos ao chão. O ponto mais baixo do veículo também interfere na passagem por um obstáculo.

Da mesma forma, pneus e bloqueio do diferencial precisam ser considerados em conjunto com as condições da via. São recursos de auxílio à circulação, cujo resultado depende também do terreno e da condução.

Transporte também faz parte da contratação do trabalhador

Na avaliação apresentada pelos representantes das fabricantes durante a visita, o transporte passou a integrar a disputa pela contratação e permanência de trabalhadores nas atividades rurais e de mineração.

O desafio é conciliar as duas pontas do serviço. O operador precisa de um veículo adequado ao acesso ao empreendimento, enquanto o funcionário utiliza esse mesmo ônibus antes e depois da jornada de trabalho.

As possibilidades de acomodar marmitas, alterar os porta-objetos e escolher a configuração de poltronas aproximam a encomenda da rotina de cada contratante. O projeto apresentado em Dourados procura atender justamente essa combinação entre percurso severo e transporte diário de pessoas.

Confira as entrevistas na íntegra:

ADAMO BAZANI: Judson, como foi desenvolver esse projeto? Ele não é só uma adaptação do que já tem, né? Foi um desenvolvimento mesmo, né?

JUDSON ARANTE: Isso, ele é um veículo que foi desenvolvido junto com a Mercedes para ser uma ferramenta para o transporte fora de estrada. A preocupação era transformar a operação diária dos operadores das indústrias de vários segmentos em operações mais seguras, confortáveis, né? Visando aí o melhor tipo de transporte para esse público-alvo.

ADAMO BAZANI: Quais são as principais diferenças em relação ao modelo convencional, por exemplo?

JUDSON ARANTE: Ele é um veículo que tem ângulos de entrada e saída modificados, a suspensão dele possui um eixo blocante na traseira, a suspensão elevada em 10 centímetros, a carroceria proporciona uma estrutura com poltronas executivas ou semi-leitos de 40 a 42 lugares, né? Totalmente com proteções para tanque de combustível, para o sistema de arla, o tanque catalisador, sistema de rebocadores diferenciados, pneus lameiros e um ângulo de entrada de 11 graus e saída de 13.

ADAMO BAZANI: Qual o diferencial de um veículo desse, não agora só para o operador, não apenas também para o contratante de serviço, mas para a mão de obra? É uma escassez em mão de obra, né? E quanto melhor for o ônibus, mais adaptado, confortável, pesa na decisão do trabalhador escolher aquela empresa para trabalhar?

JUDSON ARANTE: Sim, o que a gente viu durante o processo de fabricação foi exatamente isso, que o colaborador que vai escolher as indústrias para trabalhar buscam opções de maior conforto, ônibus novos, preparados para esse tipo de operação. Então, visando isso, a entrada desse veículo no portfólio de fornecimento dos nossos clientes mostrou e tem mostrado que o passageiro se sente mais confortável, se sente mais valorizado por estar recebendo um veículo de alto conforto e alta qualidade.

ADAMO BAZANI: As indústrias, as fazendas, enfim, elas estão disputando funcionários.

JUDSON ARANTE: Isso, hoje a gente vê que o mercado de trabalho do campo, do agro, ele está muito forte, né? As indústrias hoje têm buscado, muitas vezes, o mesmo profissional tem uma, duas, três, até quatro ofertas para poder estar ali escolhendo qual é a melhor opção para ele estar operando fora dos grandes centros.

ADAMO BAZANI: E agora o Diário do Transporte conversa com o engenheiro de marketing e produto da Mercedes-Benz, Pedro Moretti, que vai continuar esse bate-papo com a gente, falando sobre a importância de conquistar a mão de obra. A gente conversou com o representante da Marco Polo, falando sobre os diferenciais da carroceria, agora a gente vai falar do chassi. Por que um conjunto de carroceria desse, num chassi com essa configuração, pode atrair a mão de obra para o agro, pode oferecer mais conforto para o usuário?

PEDRO MORETTI: Bom, Adamo, obrigado pela pergunta. O nosso chassi, ele já tem um conforto demonstrado, com essa composição que ele tem aqui, ele é basicamente um chassi 16-19, Euro 6 de série, com algumas características que asseguram o conforto, a nossa suspensão, que já se mostrou bastante confiável, e o diferencial desse chassi, ele está justamente no eixo autoblocante e nos pneus lameiros, que garantem uma transposição mais segura e eficiente de um terreno com baixa aderência.

ADAMO BAZANI: Aí, por exemplo, ele, apesar de toda a dificuldade de rodar numa estrada que não é pavimentada, ele acaba oferecendo, por exemplo, menos solavanco, mais segurança, na prática, o que o passageiro vai sentir?

PEDRO MORETTI: Na prática, o passageiro vai sentir, eu acredito que um pouco mais de conforto, visto que com o eixo autoblocante e o pneu lameiro, o ônibus vai sair menos na trajetória, vai ficar sambando menos e, por consequência, vai dar menos solavanco na área interna, ele vai perceber menos solavanco.

ADAMO BAZANI: Quais são as principais mudanças em relação ao F16-19 para rodar na rua normal, na estrada normal e esse?

PEDRO MORETTI: Basicamente, o pneu lameiro, como eu acabei de pontuar, e o nosso eixo com sistema autoblocante, ou seja, uma vez que ele visa a necessidade de equiparar as rodas, ele aplica o eixo autoblocante, o sistema autoblocante dentro dele e, uma vez que você tenha transpassado essa condição, o sistema autoblocante vai se desacoplar automaticamente, garantindo um rodado normalmente.

ADAMO BAZANI: Agora, um dos segredos para o desenvolvimento desse ônibus foi ouvir o operador do ônibus, o dono da viação, da empresa de ônibus, mas ouvir o cliente do cliente, o cliente do agro, o responsável pela agroindústria, como foi esse bate-papo?

PEDRO MORETTI: Bom, nós conversamos bastante com a Marcopolo, também a gente desenvolveu junto com a Marcopolo, essa solução de modo que a gente tivesse um chassi com as alterações necessárias, também atendendo a demanda dessa nova carroceria desenvolvida pela Marcopolo.

ADAMO BAZANI: Agora você tendo, por exemplo, um conjunto que oferece mais conforto, mais segurança também, segurança para evitar acidentes, para minimizar algum risco, além da economia, além do conforto, da facilidade de manutenção, você pode trazer segurança jurídica a um operador e a um contratante de mão de obra?

PEDRO MORETTI: Olha, eu entendo que sim, visto que nessa aplicação, algumas normas também se aplicam, então eu entendo que a segurança jurídica também é algo que foi observado e que será atendido também.

Adamo Bazani, jornalista especializado em transportes

Vinícius de Oliveira, para o Diário do Transporte

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