Nansen vai fabricar em Betim 27 carregadores para os 96 ônibus elétricos Eletra/Caio/Mercedes-Benz de Belo Horizonte
Publicado em: 13 de outubro de 2026
Contrato de R$ 5,5 milhões prevê equipamentos de 160 kW, com possibilidade de ampliação para 240 kW; Diário do Transporte acompanha desde abril a licitação de R$ 313,2 milhões para aquisição dos veículos e da infraestrutura de recarga
ADAMO BAZANI
A Nansen será responsável pela fabricação, fornecimento e instalação de 27 carregadores destinados aos 96 ônibus elétricos que a Prefeitura de Belo Horizonte (MG) contratou para o transporte coletivo municipal. Os equipamentos serão produzidos em Betim, na Região Metropolitana da capital mineira, e terão potência inicial de 160 kW, com possibilidade de ampliação para 240 kW. O contrato, de aproximadamente R$ 5,5 milhões, inclui a elaboração do projeto executivo, obras de infraestrutura elétrica, instalação, testes, treinamento dos operadores e gerenciamento das recargas.
Os carregadores serão utilizados nos ônibus com tecnologia e integração da Eletra, carrocerias Caio e plataforma mecânica Mercedes-Benz, adquiridos pela Prefeitura por R$ 307,68 milhões. O investimento total nos veículos e na infraestrutura de recarga chega a aproximadamente R$ 313,2 milhões. O Diário do Transporte acompanha a licitação desde sua abertura, em abril de 2026, e já havia noticiado a contratação das empresas e a definição dos responsáveis pela fiscalização dos contratos, em setembro.
Carregadores poderão atender dois ônibus simultaneamente e terão possibilidade de ampliação de potência
De acordo com as informações apresentadas pela Nansen, cada um dos 27 carregadores terá potência inicial de 160 kW e dois conectores, permitindo a conexão e a recarga simultânea de dois ônibus elétricos.
Com essa configuração, os equipamentos poderão oferecer um total de 54 pontos de conexão.
A potência de 160 kW corresponde à capacidade total de cada carregador, sendo distribuída entre as duas saídas durante as recargas simultâneas.
Segundo o gerente de Eletromobilidade da Nansen, João Pedro Tabelini, os equipamentos também foram projetados para permitir o aumento da potência para 240 kW, mediante a instalação de módulos adicionais e as adaptações necessárias na infraestrutura elétrica.
A ampliação representa um aumento potencial de 50% na potência nominal dos carregadores em relação à configuração inicial.
Os equipamentos terão conectores no padrão CCS2, alimentação trifásica, tensão entre 380 e 480 volts e frequência de 60 Hz, conforme as especificações anteriormente apresentadas na contratação.
A possibilidade de ampliação da potência permitirá adaptar a capacidade de recarga às necessidades futuras da operação, considerando também as condições de fornecimento de energia elétrica em cada instalação.
Contrato inclui obras de infraestrutura, instalação, gerenciamento e garantia de cinco anos
O fornecimento será realizado por meio do modelo de contratação conhecido como turnkey, no qual a empresa contratada assume as diferentes etapas necessárias à implantação do sistema.
Nesse caso, a Nansen ficará responsável pela elaboração do projeto executivo, execução das obras de infraestrutura, instalação, comissionamento dos equipamentos e treinamento dos profissionais que utilizarão os carregadores.
O comissionamento corresponde à etapa de testes e verificações técnicas realizada antes da entrada dos equipamentos em funcionamento.
O contrato também contempla a plataforma Go Nansen, destinada ao gerenciamento das operações de recarga dos ônibus.
Por meio desse tipo de sistema, é possível acompanhar o funcionamento dos equipamentos e administrar os processos de carregamento.
A garantia contratual informada pela fabricante será de cinco anos para os carregadores.
A vigência prevista para o contrato firmado com a Prefeitura de Belo Horizonte é de 18 meses.
Prefeitura havia previsto 25 carregadores em garagens e dois em áreas públicas
Os 27 equipamentos poderão ser distribuídos em até 27 localidades, cuja definição caberá à administração municipal.
No planejamento apresentado durante a licitação, a Prefeitura de Belo Horizonte estabeleceu a previsão de instalar 25 carregadores nas garagens das concessionárias do transporte coletivo e outros dois em áreas públicas.
A distribuição considera a necessidade de abastecimento dos ônibus nos locais de recolhimento e a possibilidade de realizar recargas fora das garagens.
A instalação dependerá da preparação dos locais, das condições de fornecimento de eletricidade e da compatibilização da infraestrutura com as características operacionais da frota.
O contrato de fornecimento dos carregadores foi acompanhado pela Secretaria Municipal de Mobilidade Urbana, pela Superintendência de Mobilidade do Município de Belo Horizonte (Sumob) e pela BHTrans.
Em setembro, a Prefeitura formalizou as designações dos profissionais responsáveis pelo acompanhamento técnico e administrativo da contratação.
Diário do Transporte acompanha licitação desde abril; compra passou de 100 para 96 ônibus elétricos
A contratação dos carregadores faz parte do processo de eletrificação do transporte coletivo de Belo Horizonte acompanhado pelo Diário do Transporte desde abril de 2026.
Na abertura da licitação, a Prefeitura previa adquirir 100 ônibus elétricos e 27 carregadores.
Em junho, a disputa para os veículos foi homologada com a Caio Induscar como vencedora, pelo valor global de R$ 320,5 milhões.
Entretanto, na formalização do contrato em setembro, a quantidade foi ajustada para 96 ônibus, com investimento de R$ 307,68 milhões.
Segundo a Prefeitura, a adequação da quantidade foi realizada em função dos recursos financeiros disponíveis após a atualização dos valores durante a contratação.
O preço médio por ônibus permaneceu em R$ 3,205 milhões.
Os veículos terão tecnologia de integração e propulsão da Eletra, carrocerias Caio, plataforma mecânica Mercedes-Benz e componentes elétricos fornecidos pela WEG.
O projeto prevê ônibus do tipo BRT Misto, preparados para operação tanto em corredores com plataformas específicas de embarque quanto em linhas que utilizam pontos convencionais.
Os veículos terão cinco portas, sendo três do lado direito e duas do lado esquerdo, permitindo diferentes configurações de embarque e desembarque.
As especificações incluem comprimento entre 12,4 e 14 metros, autonomia superior a 250 quilômetros, ar-condicionado, acessibilidade, capacidade para até 71 passageiros e baterias com capacidade mínima de 337 kWh.
O contrato de fornecimento dos ônibus tem vigência prevista de 20 meses, contados a partir da ordem de fornecimento.
Os recursos para a aquisição dos veículos estão relacionados ao Programa de Aceleração do Crescimento (PAC Seleções), do Governo Federal.
Em 26 de setembro, o Diário do Transporte mostrou que a Prefeitura havia definido os responsáveis pela fiscalização dos contratos de R$ 313,2 milhões para os ônibus e carregadores.
Primeiros ônibus tinham previsão de entrega para dezembro de 2026
Na homologação da licitação, em junho, a Prefeitura de Belo Horizonte apresentou a previsão de receber os primeiros dez ônibus elétricos até dezembro de 2026.
O planejamento inicial considerava a incorporação gradual dos demais veículos até meados de 2027.
Os ônibus serão adquiridos pelo poder público municipal e cedidos em regime de comodato às concessionárias responsáveis pelas linhas.
Nesse modelo, a Prefeitura mantém a propriedade dos veículos e permite sua utilização pelas empresas operadoras durante a prestação dos serviços.
A incorporação à frota envolve a fabricação e entrega dos ônibus, a preparação dos locais de recarga, a instalação dos equipamentos e o treinamento das equipes.
Testes foram realizados entre 2023 e 2024 e Prefeitura estima redução anual de 11,8 mil toneladas de CO₂
O projeto de eletrificação do transporte coletivo de Belo Horizonte foi precedido por testes realizados pela Sumob entre 2023 e 2024.
Durante esse período, a administração municipal avaliou ônibus elétricos de diferentes fabricantes para verificar o desempenho dos veículos nas condições de operação da cidade.
Os estudos consideraram características como consumo de energia, custos operacionais, condições de viagem e comportamento dos veículos nas vias da capital mineira.
Belo Horizonte possui regiões com declividades acentuadas, condição que interfere nas exigências de potência, consumo energético e autonomia dos ônibus.
Segundo a Prefeitura, os resultados dos testes indicaram redução dos custos operacionais e mudanças nas condições de conforto para passageiros e motoristas.
A administração municipal também estima que a substituição de ônibus movidos a diesel por veículos elétricos poderá evitar a emissão de aproximadamente 11,8 mil toneladas de dióxido de carbono (CO₂) por ano.
A estimativa está vinculada ao projeto de eletrificação apresentado pelo município e aos parâmetros considerados nos estudos.
A adoção de veículos elétricos também altera as características de emissão de ruídos durante a circulação, uma vez que esses ônibus utilizam motores de tração elétrica em substituição aos motores convencionais de combustão a diesel.
A operação comercial dependerá da integração entre os veículos, os carregadores e a estrutura de distribuição de energia elétrica, além das condições de manutenção e disponibilidade da frota.
Adamo Bazani, jornalista especializado em transportes



