Vale do Aço (MG): homologada contratação de R$ 3,8 milhões da Codemge para Plano de Mobilidade regional

Estudos de engenharia e planejamento urbano vão subsidiar decisões sobre deslocamentos entre cidades; histórico inclui pesquisa Origem-Destino e diretrizes para integração do transporte coletivo

ADAMO BAZANI

A Agência de Desenvolvimento da Região Metropolitana do Vale do Aço homologou uma contratação de R$ 3,8 milhões da Codemge para elaborar o Plano de Mobilidade regional. O trabalho deverá fornecer base técnica para planejar os deslocamentos entre cidades que compartilham viagens diárias para trabalho, estudo, atendimento de saúde e outros serviços, com reflexos na organização do transporte coletivo e dos investimentos em infraestrutura.

O ato foi publicado nesta terça-feira, 6 de outubro de 2026, no Diário Oficial de Minas Gerais. A contratação reúne serviços especializados de engenharia consultiva e planejamento urbano e se insere em uma agenda que já conta com pesquisa de deslocamentos e um plano diretor metropolitano. A região reúne Ipatinga, Coronel Fabriciano, Timóteo e Santana do Paraíso, com relações de transporte que também alcançam municípios do Colar Metropolitano.

Agência regional homologa contratação direta de estudos da Codemge

A homologação é datada de 2 de outubro e foi assinada pela diretora-geral da Agência de Desenvolvimento da Região Metropolitana do Vale do Aço, Christie Garcia Martins.

O objeto publicado é a prestação de serviços técnicos especializados de engenharia consultiva e planejamento urbano para elaborar o Plano de Mobilidade da Região Metropolitana do Vale do Aço, identificado como Planmob-RMVA.

A modalidade informada é dispensa de licitação. A Companhia de Desenvolvimento de Minas Gerais, a Codemge, aparece como fornecedora, inscrita no CNPJ 29.768.219/0001-17, pelo valor total de R$ 3.800.000,00.

A homologação formaliza a aprovação administrativa do procedimento de contratação. O extrato informa o objeto, a fornecedora e o valor; o detalhamento dos produtos, dos prazos e das condições de execução depende do instrumento contratual e de seus anexos.

Informação Detalhe
Órgão responsável Agência de Desenvolvimento da Região Metropolitana do Vale do Aço
Fornecedora Companhia de Desenvolvimento de Minas Gerais — Codemge
Valor homologado R$ 3.800.000,00
Modalidade publicada Dispensa de licitação
Objeto Engenharia consultiva e planejamento urbano para o Planmob-RMVA
Data da homologação 2 de outubro de 2026
Publicação 6 de outubro de 2026
Identificação para consulta documental Processo 2461022 000021/2026

Plano metropolitano precisa considerar viagens que atravessam limites municipais

O desafio regional decorre do fato de os deslocamentos cotidianos ultrapassarem o território de cada prefeitura. Uma pessoa pode morar em uma cidade, trabalhar em outra e utilizar serviços de saúde ou educação em uma terceira.

O planejamento metropolitano permite avaliar essa circulação como uma rede. A perspectiva é diferente da análise restrita às ruas e linhas de um único município: considera as conexões entre cidades, os pontos de transferência e as relações entre transporte e ocupação urbana.

Para o passageiro, essas decisões podem se refletir no acesso às linhas, nas conexões e no tempo total de viagem. A realização de estudos, porém, é uma etapa de preparação: a implantação das soluções depende das decisões dos gestores, da regulamentação dos serviços e dos recursos necessários.

Em abril de 2026, o anúncio da elaboração do plano indicava investimento de aproximadamente R$ 4 milhões. O valor exato da contratação agora homologada é de R$ 3,8 milhões.

Engenharia consultiva transforma dados de deslocamento em diagnóstico e alternativas para o transporte

A engenharia consultiva reúne atividades técnicas que apoiam o planejamento e a tomada de decisões. Em mobilidade, o trabalho relaciona informações de demanda, características da rede e condições da infraestrutura para avaliar problemas e alternativas.

Um diagnóstico de transporte pode examinar, por exemplo, onde se concentram viagens e transferências, quais ligações têm maior demanda e como a ocupação urbana se relaciona com a oferta de serviços. A comparação de alternativas permite avaliar consequências antes de escolher uma intervenção.

O planejamento urbano complementa essa análise ao considerar localização de moradias, empregos, escolas, serviços públicos e áreas em expansão. Uma nova centralidade pode aumentar a demanda em um eixo; uma ocupação distante dos serviços pode tornar as viagens mais longas.

Esses são exemplos do papel técnico de um plano de mobilidade. A definição dos estudos e entregas exigidos da Codemge será aquela estabelecida na documentação da contratação.

Pesquisa Origem-Destino foi contratada para compreender a circulação regional antes de discutir a integração dos ônibus

O histórico de preparação inclui a primeira Pesquisa Origem-Destino do Vale do Aço, contratada pela agência regional em dezembro de 2022.

Uma pesquisa desse tipo identifica de onde partem as viagens e para onde se dirigem. As matrizes Origem-Destino organizam os fluxos entre áreas e ajudam a compreender padrões de circulação ao longo do dia.

A contratação anunciada pelo Governo de Minas utilizava dados de operadoras de telefonia móvel. A metodologia previa tratamento das informações conforme a Lei Geral de Proteção de Dados e comparação de períodos de referência de 2019 e 2022.

À época, a agência informou que o diagnóstico havia sido pactuado com os prefeitos durante discussão sobre a integração dos sistemas municipais e do transporte intermunicipal gerido pelo Estado.

O anúncio do plano em abril de 2026 relacionava sua elaboração à base de dados de deslocamentos entre 28 municípios da região metropolitana e do Colar Metropolitano. A pesquisa fornece uma referência territorial mais ampla que os quatro municípios do núcleo regional.

Plano diretor aprovado em 2024 estabelece integração operacional, tarifária e de gestão

O Vale do Aço já possui um Plano Diretor de Desenvolvimento Integrado, o PDDI, instituído pela Lei Complementar estadual 178, de 19 de dezembro de 2024.

Esse instrumento reúne políticas de desenvolvimento institucional, urbano, ambiental, econômico e social. Na mobilidade, estabelece diretrizes para integrar modos de transporte e melhorar a circulação de pessoas e cargas.

Entre os objetivos estão a implantação de um sistema integrado de transporte público, com eficiência regulatória, operacional e tarifária; o estímulo aos deslocamentos não motorizados; a organização da rede cicloviária; e a articulação do território por uma rede viária eficiente.

A integração envolve decisões distintas. A dimensão operacional trata de como os serviços se conectam. A tarifária trata das regras de cobrança e transferência. A regulatória envolve competências, contratos e acompanhamento do sistema. Essas dimensões precisam ser coordenadas para que a conexão prevista no planejamento funcione para o usuário.

Instrumento Papel no planejamento
Pesquisa Origem-Destino Caracterizar os fluxos de deslocamento
Plano diretor metropolitano Estabelecer diretrizes de desenvolvimento e integração territorial
Plano de Mobilidade regional Desenvolver o planejamento específico dos deslocamentos
Projetos de infraestrutura Detalhar as intervenções escolhidas para execução
Gestão e contratos dos serviços Organizar responsabilidades e condições de operação

A relação entre esses instrumentos é importante: os dados ajudam a compreender a demanda, o planejamento orienta as escolhas e os projetos detalham o que será implantado.

Quem é a Codemge e qual sua atuação em projetos de mobilidade

A Codemge é uma empresa estatal integrante da administração indireta de Minas Gerais, organizada como sociedade por ações e controlada pelo Estado. Em 2018, assumiu atividades da Codemig após uma cisão parcial.

Além de outras frentes de desenvolvimento, atua na estruturação de projetos, concessões e parcerias público-privadas. Nesses trabalhos, a modelagem técnica e econômica fornece subsídios para definir como um empreendimento poderá ser contratado e executado.

Na contratação homologada para o Vale do Aço, sua função publicada é elaborar o plano regional por meio dos serviços de engenharia consultiva e planejamento urbano.

Projetos de terminais em Ipatinga fazem parte da agenda local e precisam conversar com o planejamento regional

A Codemge também participa de iniciativas próprias de mobilidade em Ipatinga.

Em março de 2026, anunciou parceria com o município no âmbito do programa Cidade Parceira. A agenda incluía uma declaração conjunta para modelagem da nova rodoviária e a estruturação de concessão de três terminais de integração: Cidade Nobre, Bethânia e Centro.

Os estudos dos terminais foram apresentados como preparação para implantação, operação e manutenção dessas estruturas, com reorganização do transporte coletivo e melhoria das conexões.

Essa frente possui objeto próprio. Sua relação com o plano metropolitano está na necessidade de compatibilizar a infraestrutura local com os fluxos entre municípios.

A discussão municipal também continua. Em setembro, a Câmara de Ipatinga recebeu representantes do Conselho Municipal da Cidade para debater o projeto de lei da mobilidade urbana em tramitação. O episódio demonstra a existência de decisões locais que precisam dialogar com a escala regional.

Da homologação à implantação, os estudos devem orientar decisões sobre a rede e os investimentos

O resultado prático esperado do planejamento é oferecer informações e alternativas para que Estado, municípios e instâncias metropolitanas escolham prioridades de mobilidade.

Para o transporte coletivo, essa coordenação é relevante porque uma alteração de rede ou a criação de um terminal pode mudar fluxos de passageiros em cidades vizinhas. A análise conjunta ajuda a avaliar essas relações antes da implantação.

A publicação de outubro formaliza a aprovação da contratação de R$ 3,8 milhões para essa etapa técnica. O acompanhamento dos produtos e das decisões decorrentes do plano permitirá verificar quais propostas serão adotadas e como serão incorporadas à organização dos serviços e aos investimentos regionais.

Adamo Bazani, jornalista especializado em transportes

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