TIC obtém autorizações para duas travessias ferroviárias em Campinas em projeto de R$ 14,2 bilhões
Publicado em: 28 de setembro de 2026
Permissões para cruzar cursos d’água integram implantação do trem expresso a São Paulo, do serviço parador a Jundiaí e a modernização da Linha 7-Rubi
ADAMO BAZANI
A TIC Trens recebeu autorização da SP-Águas para construir duas travessias aéreas ferroviárias sobre cursos d’água em Campinas. Os pontos ficam sobre afluentes do Ribeirão Samambaia e do Córrego Proença. As permissões, publicadas nesta segunda-feira, 28 de setembro de 2026, tratam de interferências específicas necessárias ao desenvolvimento do projeto ferroviário.
O empreendimento reúne três frentes: o Trem Intercidades, planejado para ligar São Paulo a Campinas em cerca de 64 minutos; o Trem Intermetropolitano, serviço parador entre Jundiaí e Campinas; e a modernização da Linha 7-Rubi, já operada pela concessionária. As duas autorizações mostram como a implantação depende da solução de cada travessia ao longo do traçado. Elas não representam uma autorização única para toda a ferrovia nem definem a data em que os trens passarão nesses locais.
Um contrato reúne serviço expresso, trem parador e operação metropolitana
A TIC Trens assumiu a operação e a manutenção da Linha 7-Rubi no âmbito de uma concessão de 30 anos. O projeto completo prevê investimento de R$ 14,2 bilhões, segundo a concessionária. Parte desse trabalho ocorre na infraestrutura já usada por passageiros; outra parte prepara os dois novos serviços ferroviários.
O Trem Intercidades Eixo Norte foi projetado para percorrer 101 quilômetros entre São Paulo e Campinas. A previsão apresentada pela concessionária é de viagem em aproximadamente 64 minutos, velocidade de até 140 km/h e capacidade de cerca de 860 passageiros por viagem. O início da operação comercial do expresso está previsto para 2031.
O Trem Intermetropolitano terá outra função: fazer a ligação regional entre Jundiaí e Campinas com paradas em Louveira, Vinhedo e Valinhos. São 44 quilômetros e tempo estimado de 33 minutos. A previsão divulgada para o início desse serviço é 2029. A Linha 7-Rubi, por sua vez, atende a mobilidade metropolitana entre a capital e Jundiaí e passa por modernização dentro do mesmo contrato.
Essas diferenças importam porque uma autorização publicada em Campinas pode estar associada à implantação do corredor ferroviário compartilhado pelo empreendimento, mas o extrato de recursos hídricos não identifica qual dos serviços utilizará isoladamente cada travessia. A finalidade declarada é ferroviária.
As permissões dizem respeito a dois pontos identificados do traçado
Uma travessia foi autorizada sobre um afluente do Ribeirão Samambaia, nas coordenadas 22°55’51,02″ S e 47°00’38,47″ O. A outra se refere a um afluente do Córrego Proença, nas coordenadas 22°55’37,25″ S e 47°02’01,34″ O. As duas ficam no município de Campinas.
A SP-Águas classifica as intervenções como travessias aéreas. Trata-se, portanto, de pontos em que a infraestrutura ferroviária deverá vencer o curso d’água por cima. O extrato não traz o tipo de estrutura, as dimensões da obra ou o método construtivo. Esses elementos pertencem ao projeto de engenharia e às demais autorizações aplicáveis.
As permissões têm prazo registrado de 360 meses. Esse é o período da autorização administrativa relativa à interferência hídrica; não é a duração anunciada das obras. Ao acompanhar o andamento da ferrovia, também será necessário distinguir licenças e permissões, execução da infraestrutura, testes e início da operação de passageiros.
Construção começou em etapas e depende de um corredor contínuo
A TIC Trens informou que as obras do Eixo Norte começaram em março de 2026, com frentes implantadas de maneira gradual inicialmente no trecho entre Campinas e Jundiaí e, depois, em direção à capital. As autorizações agora publicadas se inserem nesse processo mais amplo.
Para o passageiro, a relevância final é a ligação entre sistemas de escalas diferentes: deslocamento metropolitano na Linha 7-Rubi, viagem regional no TIM e conexão expressa entre Campinas e São Paulo pelo TIC. Para que essa rede funcione, porém, cada segmento da infraestrutura precisa estar concluído, conectado, testado e autorizado a operar. As travessias anunciadas nesta edição representam dois componentes identificados desse trabalho.
Adamo Bazani, jornalista especializado em transportes




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