Fiscalização retira quatro ônibus de circulação em São José do Rio Preto (SP) e identifica problemas em cintos de segurança, equipamentos e vazamento de ar

Operação realizada nesta quinta-feira (24) vistoriou 27 coletivos da Circular Santa Luzia e da Expresso Itamarati, resultando em 45 notificações e cinco autuações. Ações semelhantes em outras cidades mostram a importância da manutenção para a segurança dos passageiros e de todos que utilizam as vias públicas

ADAMO BAZANI

Quatro ônibus do transporte coletivo de São José do Rio Preto, no interior paulista, foram retirados de circulação nesta quinta-feira, 24 de setembro de 2026, após uma fiscalização realizada pela Prefeitura e pela Polícia Militar. A operação identificou problemas relacionados à segurança dos veículos, incluindo cintos de segurança que não funcionavam, extintores de incêndio vencidos e vazamento de ar. Ao todo, 27 ônibus das concessionárias Circular Santa Luzia e Expresso Itamarati foram vistoriados, resultando em 45 notificações municipais e cinco autuações da Polícia Militar.

A fiscalização ocorreu na saída do Terminal Urbano, a partir das 7h. Segundo a administração municipal, as empresas foram acionadas para reorganizar a operação e manter a oferta de ônibus à população. A retirada dos veículos com irregularidades evidencia a importância das inspeções e da manutenção preventiva, não apenas para os passageiros e trabalhadores do transporte coletivo, mas também para pedestres, ciclistas e motoristas que compartilham as vias com os ônibus. Operações realizadas recentemente em outras cidades brasileiras também identificaram problemas envolvendo pneus, acessibilidade e condições mecânicas dos coletivos.

Circular Santa Luzia e Expresso Itamarati tiveram dois ônibus retirados de circulação cada

A operação foi realizada pela Inspetoria Fiscal de Posturas da Secretaria Municipal de Trânsito e Transportes (SMTT), com participação da Polícia Militar.

As equipes verificaram as condições dos veículos das duas empresas responsáveis pelo transporte coletivo municipal.

Na Circular Santa Luzia, foram vistoriados 17 ônibus. A fiscalização municipal emitiu 26 notificações e determinou a retirada de dois veículos de circulação.

Nos dois ônibus recolhidos, o cinto de segurança do motorista não funcionava.

A Polícia Militar também autuou três coletivos da empresa. Dois apresentavam extintores de incêndio vencidos e um estava com o cinto de segurança do motorista sem funcionar.

Na Expresso Itamarati, foram inspecionados dez ônibus. A fiscalização emitiu 19 notificações e retirou dois veículos de circulação.

A Polícia Militar registrou duas autuações relacionadas a irregularidades identificadas nos veículos da empresa.

Uma delas envolveu o cinto de segurança do assento reservado a pessoas com deficiência, que estava travado. A outra foi motivada por um vazamento intenso de ar.

As 45 notificações municipais dizem respeito à fiscalização contratual e às normas do transporte coletivo. Já as cinco autuações da Polícia Militar foram realizadas com base no Código de Trânsito Brasileiro.

A Prefeitura esclareceu que os trabalhos fazem parte das inspeções periódicas realizadas nos terminais e miniterminais da cidade.

Segundo o secretário municipal de Trânsito e Transportes, Edemilson Pinha, as fiscalizações são contínuas, e as concessionárias estão sujeitas às medidas previstas nos contratos quando são identificadas irregularidades.

Por que os problemas encontrados representam riscos para passageiros, motoristas e demais usuários das ruas?

A conservação de um ônibus envolve muito mais do que suas condições aparentes.

Um veículo pode estar limpo, apresentar boa conservação da carroceria e oferecer equipamentos de conforto, mas possuir irregularidades mecânicas ou problemas em componentes de segurança.

Da mesma forma, ônibus novos também precisam passar por manutenção preventiva e inspeções periódicas.

Entre os problemas identificados em São José do Rio Preto, alguns merecem atenção especial pelas consequências que podem provocar.

O cinto de segurança do motorista é um equipamento essencial para reduzir a possibilidade de ferimentos em colisões, capotamentos e frenagens bruscas.

Além de proteger o profissional, sua utilização contribui para que ele permaneça adequadamente posicionado no posto de condução.

Já o cinto de segurança destinado a passageiros com deficiência ou mobilidade reduzida integra os dispositivos necessários ao transporte seguro dessas pessoas, conforme a configuração do veículo.

A existência de um assento reservado não é suficiente quando os equipamentos que permitem sua utilização apresentam problemas.

Os extintores de incêndio também desempenham uma função de segurança. Quando exigidos e instalados nos veículos, precisam estar dentro das condições regulamentares de funcionamento e manutenção.

Um princípio de incêndio pode exigir uma resposta imediata, especialmente em veículos que transportam dezenas de pessoas.

Outro problema identificado em Rio Preto chama a atenção: o vazamento intenso de ar.

Os ônibus urbanos utilizam sistemas pneumáticos para diferentes funções, que podem incluir freios, suspensão e acionamento de portas.

Dependendo da localização e da intensidade, um vazamento pode comprometer o funcionamento desses equipamentos.

Quando envolve o sistema de freios, a perda de pressão exige atenção específica por suas possíveis consequências para a segurança.

O comunicado da Prefeitura não detalha em qual sistema foi identificado o vazamento que motivou a autuação.

A ocorrência demonstra a importância de verificar os sistemas pneumáticos e eliminar vazamentos antes que provoquem falhas operacionais.

A manutenção desses componentes protege tanto os passageiros quanto os demais usuários das vias.

Um ônibus apresenta dimensões e massa significativamente superiores às de automóveis e motocicletas. Por isso, problemas relacionados à frenagem, à direção ou à estabilidade podem ter consequências para outros veículos e pedestres.

A manutenção também envolve os sistemas de acessibilidade, iluminação, pneus, suspensão e equipamentos destinados à prevenção e ao combate a incêndios.

Fiscalização também precisa garantir que os passageiros continuem sendo atendidos

A retirada de ônibus com irregularidades é uma medida de segurança, mas também exige planejamento operacional.

Em São José do Rio Preto, as concessionárias foram acionadas para reorganizar os serviços e evitar impactos na oferta de transporte à população.

A disponibilidade de veículos reservas e a capacidade de realizar reparos são fatores importantes para que as empresas consigam substituir os ônibus que apresentam problemas.

Há também uma diferença entre manutenção preventiva e corretiva.

A manutenção preventiva compreende inspeções e intervenções programadas, realizadas antes que os equipamentos apresentem falhas capazes de comprometer a operação.

Já a manutenção corretiva ocorre quando é necessário reparar um componente que apresentou defeito.

As inspeções independentes realizadas pelo poder público complementam esses procedimentos, permitindo verificar se os veículos efetivamente colocados em circulação atendem às exigências técnicas e contratuais.

As condições encontradas em Rio Preto têm semelhanças com ocorrências identificadas recentemente em outros municípios.

Ubatuba (SP): fiscalização encontrou pneus inadequados e problemas de acessibilidade em sete ônibus

Em 3 de setembro de 2026, a Prefeitura de Ubatuba, no litoral paulista, realizou uma operação de fiscalização da frota da SOU Ubatuba, concessionária responsável pelo transporte coletivo municipal.

As equipes vistoriaram 36 veículos.

Dois ônibus apresentaram pneus em condições inadequadas de conservação e foram impedidos de circular até que os problemas fossem solucionados.

Outros cinco coletivos apresentaram irregularidades nos elevadores utilizados no embarque e desembarque de pessoas com deficiência ou mobilidade reduzida.

A operação foi realizada pela Secretaria Municipal de Mobilidade Urbana, por meio da Diretoria de Trânsito e dos agentes municipais, com apoio da Guarda Civil Municipal.

Parte dos ônibus foi abordada enquanto circulava pelas ruas, enquanto os demais foram inspecionados no pátio da concessionária.

A Prefeitura informou que as irregularidades seriam reunidas em um relatório técnico para orientar as providências administrativas.

A empresa comunicou que realizaria a substituição dos pneus e os reparos nos equipamentos de acessibilidade.

O caso mostra dois aspectos da conservação dos ônibus.

Os pneus são fundamentais para a aderência ao pavimento, a estabilidade e o desempenho da frenagem. O desgaste excessivo pode aumentar os riscos, especialmente em condições de chuva.

Já os elevadores precisam funcionar corretamente para que passageiros com deficiência ou mobilidade reduzida consigam utilizar o transporte coletivo.

São Gonçalo (RJ): vistorias verificam desde pneus e cintos até iluminação e conservação dos ônibus

Em São Gonçalo, na Região Metropolitana do Rio de Janeiro, a Prefeitura também desenvolve um programa de fiscalização das condições dos ônibus.

Em 8 de setembro de 2026, os fiscais da Secretaria Municipal de Meio Ambiente e Transportes realizaram uma vistoria nos veículos da Viação Estrela, no bairro Boa Vista.

As equipes verificaram equipamentos e componentes relacionados à segurança e à conservação dos coletivos.

Entre os itens inspecionados estavam pneus, cintos de segurança, faróis, lanternas, bancos e degraus, além das condições de limpeza.

O município também realiza vistorias anuais nas garagens das empresas que integram o Consórcio São Gonçalo de Transportes.

Os ônibus aprovados recebem um selo de vistoria, afixado no para-brisa.

Quando são identificadas irregularidades, as concessionárias precisam realizar as adequações exigidas e apresentar os veículos para uma nova inspeção.

O Diário do Transporte acompanha o programa municipal de vistorias, que também abrangeu ônibus das empresas Viação Mauá, Auto Ônibus Alcântara e Icaraí Auto Transporte.

Petrópolis (RJ): Justiça determina retirada de ônibus reprovados após episódios de incêndio

Um caso que demonstra as possíveis consequências dos problemas de conservação ocorreu em Petrópolis, na Região Serrana do Rio de Janeiro.

Em reportagem publicada em 7 de setembro de 2026, o Diário do Transporte mostrou que a Justiça fluminense determinou a retirada de circulação dos ônibus da Turp Transporte que haviam sido reprovados em vistorias técnicas.

A determinação ocorreu após episódios de incêndio em veículos da empresa.

A decisão judicial estabeleceu medidas destinadas a ampliar a fiscalização da frota e reorganizar o atendimento à população.

Os veículos reprovados somente poderão retornar à operação depois da regularização e da aprovação pela Comissão de Vistoria Especial.

A decisão também aborda a responsabilidade pela fiscalização e pela manutenção das condições adequadas de prestação do serviço.

A situação de Petrópolis apresenta características diferentes da fiscalização realizada em Rio Preto, mas ambas envolvem a verificação das condições de segurança antes da liberação dos veículos para o transporte de passageiros.

No Estado do Rio de Janeiro, 29 ônibus intermunicipais ficaram retidos nas garagens durante vistorias

As fiscalizações também ocorrem no transporte intermunicipal.

Em 2 de setembro de 2026, o Diário do Transporte mostrou que o Departamento de Transportes Rodoviários do Estado do Rio de Janeiro (Detro/RJ) havia registrado 89 autuações em ônibus intermunicipais durante agosto.

Além das abordagens nas ruas, o departamento realizou inspeções diretamente nas garagens das operadoras.

Ao todo, 622 ônibus passaram por vistoria.

Desse total, 593 foram aprovados, enquanto 29 ficaram retidos nas garagens para a realização de reparos.

As equipes verificaram equipamentos de segurança, condições de conservação, acessibilidade e outros requisitos operacionais.

Os trabalhos envolveram veículos previstos no cronograma de vistoria anual e ônibus que haviam sido alvo de reclamações encaminhadas à Ouvidoria do departamento.

As informações fornecidas pelos passageiros são utilizadas na análise técnica e podem contribuir para o planejamento de novas fiscalizações.

Conservação da frota depende de manutenção, fiscalização e cumprimento dos contratos

As ocorrências registradas em diferentes cidades mostram que a fiscalização do transporte coletivo precisa abranger tanto os aspectos administrativos dos contratos quanto as condições efetivas de circulação.

Os exemplos envolvem problemas distintos, desde equipamentos de acessibilidade até componentes relacionados à segurança mecânica.

Também demonstram a importância de inspeções realizadas em diferentes situações, como terminais, vias públicas e garagens.

A identificação antecipada de uma irregularidade permite que o veículo seja encaminhado para reparos antes que uma falha provoque consequências mais graves.

Entretanto, a responsabilidade cotidiana pela conservação dos veículos permanece com as empresas operadoras, que precisam manter programas de manutenção e profissionais responsáveis pelas inspeções técnicas.

Cabe ao poder público verificar o cumprimento das exigências legais e contratuais, adotando as medidas cabíveis quando encontra irregularidades.

Os passageiros também podem contribuir, comunicando aos órgãos responsáveis problemas observados durante as viagens, especialmente aqueles relacionados à segurança e à acessibilidade.

No caso de São José do Rio Preto, as inspeções realizadas nesta quinta-feira resultaram na retirada de quatro veículos com irregularidades e no acionamento das concessionárias para manter o atendimento.

A operação exemplifica como a fiscalização pode atuar antes da ocorrência de acidentes, associando a verificação técnica dos veículos à continuidade de um serviço utilizado diariamente pela população.

Adamo Bazani, jornalista especializado em transportes

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