Prefeitura de São Paulo formaliza nova prorrogação das obras do Corredor Amador Bueno da Veiga até março de 2027; atrasos se repetem em outros corredores

Termo publicado nesta terça-feira confirma extensão de sete meses já autorizada em agosto; Itapecerica foi adiado para fevereiro de 2027, Imirim acumula sucessivos aditivos e contratos ligados à Radial Leste também tiveram prazos ampliados

ADAMO BAZANI

A Prefeitura de São Paulo formalizou nesta terça-feira, 22 de setembro de 2026, a mais recente prorrogação das obras de reforma do Corredor de Ônibus Amador Bueno da Veiga, na zona leste. O quinto aditamento do contrato com o Consórcio Corredor Amador Bueno confirma a extensão que já havia sido autorizada em agosto e mantém a execução das intervenções até 17 de março de 2027, enquanto o contrato de fiscalização pode continuar até o fim daquele mês. O trecho em obras fica entre a Praça Micaela Vieira e a Rua Embira e inclui reforma do corredor, cruzamentos, plataformas, paradas e sistemas de monitoramento.

O caso não é isolado. Nos últimos meses, a Prefeitura também ampliou prazos relacionados aos corredores Itapecerica e Imirim e a serviços vinculados ao BRT Radial Leste, enquanto outros projetos continuam em diferentes estágios de execução. Para quem depende dos ônibus, o atraso significa esperar mais tempo pelos benefícios da infraestrutura de prioridade ao transporte coletivo. Dados oficiais da SPTrans ajudam a dimensionar a questão: em 2024, a velocidade média dos ônibus no pico foi de apenas 16 km/h pela manhã e 15 km/h à tarde considerando todo o sistema, enquanto nos corredores chegou a 20 km/h e 19 km/h, respectivamente — desempenho aproximadamente 25% superior.

Publicação desta terça formaliza prazo que já havia sido ampliado em agosto

O ato divulgado agora pela Siurb (Secretaria Municipal de Infraestrutura Urbana e Obras) é o quinto termo de aditamento do contrato das obras do Amador Bueno da Veiga.

O documento foi assinado em 27 de agosto e estabelece como objeto a prorrogação do prazo de execução, além da atualização das responsabilidades técnicas dos profissionais envolvidos. O contrato é mantido com o Consórcio Corredor Amador Bueno.

A nova publicação não representa, portanto, outra extensão adicional para além de março de 2027.

Em 12 de agosto, o Diário do Transporte já havia mostrado que a Siurb autorizou sete meses adicionais para a execução, contados de 18 de agosto de 2026 a 17 de março de 2027.

Também foi prorrogado o contrato da SPObras destinado à assistência técnica e ao apoio à fiscalização. Neste caso, o prazo segue até 31 de março de 2027, deixando a estrutura de acompanhamento contratada por mais alguns dias após a data prevista para o encerramento das obras.

Contrato começou em R$ 62 milhões e cronograma já foi ampliado outras vezes

O contrato das intervenções foi assinado em 6 de dezembro de 2023 por R$ 62.051.474,95.

Documentação posterior mostrou atualização do montante contratual para R$ 64.664.411,59, considerando reajustes e alterações registrados até então. Entre as mudanças anteriores houve um aditivo de aproximadamente R$ 4,83 milhões. A prorrogação agora formalizada, porém, trata do prazo e não anuncia por si só novo acréscimo de recursos.

O cronograma também já havia sido alterado anteriormente. Em novembro de 2024, a Prefeitura estendeu em oito meses o período previsto para as intervenções. Agora, a referência contratual para as obras chega a 17 de março de 2027.

As intervenções abrangem aproximadamente cinco quilômetros do eixo e, segundo informações municipais já divulgadas, a região atendida reúne mais de 106 mil passageiros por dia.

Itapecerica: conclusão que era prevista para 2024 agora está em fevereiro de 2027

Um dos exemplos mais recentes de sucessivas alterações de prazo está na zona sul.

Como mostrou o Diário do Transporte na sexta-feira (18), as obras de requalificação do Corredor Itapecerica receberam mais oito meses e agora têm conclusão contratual prevista para 17 de fevereiro de 2027.

O planejamento original previa dez meses de serviços e apontava 18 de outubro de 2024 como data de conclusão.

Depois ocorreram três extensões: a primeira levou o prazo para junho de 2025; a segunda, para junho de 2026; e a terceira, para fevereiro de 2027. Em relação à previsão inicial, são aproximadamente 28 meses de deslocamento no cronograma.

Segundo a documentação da obra, a nova extensão está relacionada principalmente às interferências das redes de energia elétrica e telecomunicações. O consórcio responsável afirmou que essas pendências afetam 74% do cronograma; a fiscalização da SPObras reconheceu o impacto provocado pelas concessionárias responsáveis pelas redes, mas o percentual de 74% é cálculo apresentado pela própria contratada.

O corredor possui 3,5 quilômetros entre os terminais João Dias e Capelinha e atende aproximadamente 122 mil passageiros por dia.

Imirim também acumula prorrogações; Radial Leste teve contratos complementares ampliados

O Corredor Imirim é outro empreendimento com sucessivos ajustes.

Neste mês de setembro, a Prefeitura publicou o oitavo termo de aditamento do contrato com o Consórcio Corredor Imirim. A obra compreende 4,6 quilômetros, 17 paradas e atendimento estimado em cerca de 112 mil passageiros por dia.

O contrato original, de 2023, previa 16 meses de execução. Em fevereiro de 2026 houve extensão até maio; em junho, outro aditamento levou o cronograma até julho e acrescentou R$ 8,37 milhões em serviços; em agosto ocorreu nova ampliação. O contrato de apoio técnico e fiscalização também foi prorrogado, neste caso até 31 de outubro de 2026.

No BRT Radial Leste, as situações são diferentes e precisam ser separadas das prorrogações das obras propriamente ditas.

No trecho I, entre o Parque Dom Pedro II e a Penha, foi ampliado o prazo de um contrato da SPObras destinado à preparação técnica da futura contratação do sistema de monitoramento e controle operacional. Portanto, não se trata de nova prorrogação do contrato principal das obras civis.

Já no trecho II, que deverá levar o BRT da Penha em direção a Itaquera, os serviços de consolidação do estudo funcional e elaboração dos projetos básico e executivo passaram a ter prazo até 30 de junho de 2027. As obras dessa segunda etapa ainda não começaram.

Para o passageiro, demora significa esperar mais pela prioridade que torna o ônibus mais rápido

Os efeitos dos atrasos não ficam restritos aos contratos de engenharia.

São Paulo possui uma rede de ônibus extensa e capilarizada, mas apenas uma parcela relativamente pequena das vias utilizadas pelos coletivos conta com tratamento de corredor. Dados da SPTrans referentes a 2024 mostram aproximadamente 4,7 mil quilômetros de vias percorridas pelos ônibus municipais, dos quais cerca de 135 quilômetros tinham corredores. A cidade possuía ainda mais de 590 quilômetros de faixas exclusivas, que são estruturas diferentes dos corredores.

A diferença aparece diretamente na velocidade.

Segundo o Relatório Integrado da Administração da SPTrans, no pico da manhã os ônibus monitorados nos corredores atingiram média de 20 km/h no sentido bairro-centro. Considerando o sistema como um todo, a média foi de 16 km/h.

No pico da tarde, sentido centro-bairro, foram 19 km/h nos corredores contra 15 km/h na média geral.

A própria SPTrans calcula que as vias com infraestrutura dedicada aos ônibus apresentaram desempenho 25% superior às vias sem tratamento exclusivo.

O dado ajuda a explicar por que o cumprimento dos cronogramas dos corredores tem impacto direto sobre a rotina dos passageiros. Enquanto a infraestrutura não fica pronta, os benefícios esperados de prioridade, maior regularidade e aumento da velocidade comercial também são adiados, ao mesmo tempo em que as regiões em obras continuam sujeitas às interferências típicas das intervenções viárias.

Em 2024, o sistema municipal registrou média de 7,3 milhões de viagens de passageiros por dia útil e aproximadamente 1.320 linhas. Nos trechos sem prioridade, os ônibus permanecem compartilhando o espaço com carros, motocicletas, caminhões e veículos por aplicativo e, consequentemente, sujeitos ao congestionamento geral.

É neste cenário que as sucessivas prorrogações de Amador Bueno, Itapecerica, Imirim e de etapas associadas a outros corredores ultrapassam a questão administrativa dos contratos: para milhões de deslocamentos cotidianos, o tempo de conclusão das obras também determina quando a prioridade ao transporte coletivo efetivamente chegará às ruas.

Adamo Bazani, jornalista especializado em transportes

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