A2 está entre empresas com contratos alterados para ônibus elétricos; Pêssego e Auto Bless recebem mais recursos e aportes para eletrificação chegam a R$ 1,3 bilhão em São Paulo
Publicado em: 22 de setembro de 2026
Prefeitura de São Paulo muda parâmetros de remuneração dos veículos a bateria em nove lotes e autoriza mais R$ 6,49 milhões para Pêssego e Auto Bless; seleção ligada a financiamento do BID também é prorrogada
ADAMO BAZANI
A Prefeitura de São Paulo publicou nesta terça-feira, 22 de setembro de 2026, alterações nos contratos de nove lotes do sistema municipal de ônibus para tratar da remuneração dos veículos elétricos a bateria na expansão da frota da cidade. Entre as concessionárias está a A2 Transportes, responsável pelo lote D9. Na mesma edição do Diário Oficial, a Secretaria Municipal de Mobilidade Urbana e Transporte (SMT) autorizou mais R$ 3,82 milhões para a Pêssego e R$ 2,67 milhões para a Auto Bless, totalizando R$ 6,49 milhões nesta nova rodada de recursos para eletrificação. Atualizado o levantamento do Diário do Transporte, as autorizações identificadas em 2026 chegam agora a R$ 1,292 bilhão, ou aproximadamente R$ 1,3 bilhão.
Outro ato publicado nesta terça-feira prorroga de 18 de setembro para 6 de outubro o prazo para empresas interessadas em atuar como verificadoras independentes do programa de eletrificação financiado pelo BID (Banco Interamericano de Desenvolvimento). O empréstimo de US$ 248,3 milhões prevê recursos para ônibus elétricos e modernização da gestão do sistema, depois de uma tramitação que passou por questionamentos e providências envolvendo Prefeitura, Governo Federal, Senado, TCU (Tribunal de Contas da União) e STJ (Superior Tribunal de Justiça). A ampliação dos recursos ocorre enquanto São Paulo ainda não alcançou a antiga meta de 2,6 mil ônibus elétricos que havia sido anunciada para dezembro de 2024.
A2, Pêssego, Auto Bless e outros seis lotes têm contratos alterados para remuneração dos elétricos
Os termos publicados pela SMT atingem nove lotes do Grupo Local de Distribuição e possuem o mesmo objeto central: alterações relacionadas à remuneração dos ônibus elétricos a bateria.
Todos os aditivos foram assinados em 4 de setembro de 2026 e publicados no Diário Oficial desta terça-feira (22).
Os contratos abrangidos são:
| Lote | Operadora |
|---|---|
| D1 | Consórcio Transnoroeste – Norte Buss e Spencer |
| D2 | Consórcio Transnoroeste – Norte Buss e Spencer |
| D4 | Alfa Rodobus |
| D5 | Pêssego Transportes |
| D6 | Allibus |
| D8 | Movebuss |
| D9 | A2 Transportes |
| D12 | Auto Bless |
| D13 | Alfa Rodobus SIA |
No caso da A2 Transportes, trata-se do 15º termo de aditamento do contrato de concessão do lote D9. Para a Pêssego, responsável pelo D5, também é o 15º aditivo. A Auto Bless, do lote D12, chega ao 16º termo.
Os extratos publicados nesta terça-feira informam como objeto dos aditivos a “remuneração pelos veículos elétricos à bateria”, e estão no contexto da ampliação da frota da cidade.
Por isso, não é possível afirmar apenas com base na publicação resumida que as concessionárias passaram a receber mais por cada ônibus. O que o documento permite afirmar é que os contratos foram modificados para tratar dos parâmetros de remuneração específicos dos veículos elétricos.
Aditivo da A2 foi assinado antes da operação policial
A publicação referente à A2 ocorre em um momento de atenção sobre a empresa, mas a cronologia dos acontecimentos precisa ser separada.
O termo relacionado à remuneração dos ônibus elétricos foi assinado em 4 de setembro. A Operação Vectura Corrupta, que apura suspeitas de infiltração do PCC (Primeiro Comando da Capital) no sistema municipal de ônibus de São Paulo, foi deflagrada somente em 17 de setembro.
Na ocasião, a Prefeitura determinou o afastamento de Paulo Sirqueira Korek Farias e Júlio Salvador Filho de funções de direção na concessionária e informou inicialmente que poderia intervir na operação caso a determinação não fosse atendida.
Posteriormente, após os afastamentos comunicados à SPTrans, o prefeito Ricardo Nunes afirmou que a intervenção estava, naquele momento, descartada, enquanto a administração municipal continuaria acompanhando a situação.
As investigações continuam em andamento, e pessoas e empresas citadas têm direito à defesa.
Assim, o termo publicado nesta terça-feira não foi provocado pela operação policial: quando a investigação se tornou pública, o aditivo já havia sido assinado havia 13 dias.
Pêssego e Auto Bless têm mais R$ 6,49 milhões autorizados para eletrificação
Além das alterações contratuais, a SMT autorizou dois novos empenhos destinados à eletrificação da frota de ônibus em 2026.
Para a Pêssego Transportes, responsável pelo lote D5, foram autorizados R$ 3.820.181,52.
Para a Auto Bless, concessionária do lote D12, são outros R$ 2.674.127,06.
Somados, os dois atos representam R$ 6.494.308,58. Os processos seguem para as providências financeiras da SMT e, posteriormente, para a SPTrans.
O Diário do Transporte havia feito em 9 de setembro uma revisão dos atos individualizados localizados ao longo de 2026 e chegou a R$ 1.285.468.054,34 em autorizações relacionadas à eletrificação.
Naquele levantamento, a Pêssego acumulava R$ 9.080.720 e a Auto Bless, R$ 21.050.760.
Com os atos desta terça-feira, a Pêssego passa a R$ 12.900.901,52 e a Auto Bless, a R$ 23.724.887,06.
O total geral identificado em 2026 sobe para R$ 1.291.962.362,92, ou aproximadamente R$ 1,3 bilhão.
Autorizações para eletrificação identificadas em 2026
| Empresa/consórcio | Total em 2026 |
|---|---|
| A2 Transportes | R$ 19.568.629,21 |
| Alfa Rodobus | R$ 42.206.847,32 |
| Allibus | R$ 38.369.861,20 |
| Auto Bless | R$ 23.724.887,06 |
| Consórcio KBPX | R$ 116.774.624,40 |
| Gato Preto | R$ 19.810.451,70 |
| Gatusa | R$ 23.738.206,36 |
| Mobibrasil | R$ 177.086.429,84 |
| Movebuss | R$ 86.332.187,70 |
| Norte Buss | R$ 56.867.294,50 |
| Pêssego | R$ 12.900.901,52 |
| Sambaíba | R$ 179.839.123,20 |
| Santa Brígida | R$ 9.991.062,40 |
| Spencer | R$ 24.202.471,28 |
| Transppass | R$ 6.301.384,64 |
| Transunião | R$ 40.958.028,32 |
| Viação Campo Belo | R$ 33.397.338,59 |
| Viação Grajaú | R$ 61.190.106,00 |
| Viação Metrópole Paulista | R$ 171.846.273,28 |
| Via Sudeste | R$ 146.856.254,40 |
| TOTAL | R$ 1.291.962.362,92 |
É importante diferenciar autorização de empenho de pagamento efetivamente realizado.
O empenho representa a reserva orçamentária de recursos para determinada finalidade. Assim, o levantamento de R$ 1,292 bilhão não significa que todo esse montante já tenha sido transferido às empresas.
Também não é adequado simplesmente somar esses valores a levantamentos de ônibus já comprados com subvenção da Prefeitura, porque as duas informações representam etapas diferentes do processo de eletrificação.
Meta de 2,6 mil ônibus elétricos não foi cumprida
Apesar do crescimento das autorizações financeiras, a cidade não alcançou a antiga meta de ter pelo menos 2,6 mil ônibus elétricos até dezembro de 2024.
Na última atualização disponível, São Paulo tinha 1.759 ônibus movidos a eletricidade, incluindo 189 trólebus.
Em relação à antiga referência de 2,6 mil unidades, ainda faltavam 841 veículos, e a frota existente correspondia a aproximadamente 67,7% daquela meta.
Ao longo da implantação do programa, Prefeitura, SPTrans e empresas apontaram obstáculos como a capacidade da rede de distribuição de energia, necessidade de ampliação e adaptação das garagens, instalação de carregadores, custos dos veículos e disponibilidade de modelos.
A atual gestão passou a trabalhar no Programa de Metas 2025-2028 com outra referência: a substituição de 2,2 mil ônibus a diesel por veículos menos poluentes.
A nova meta não é equivalente à anterior porque não se limita a ônibus elétricos e permite outras tecnologias de menor emissão.
Prefeitura prorroga seleção de empresa que vai verificar metas do financiamento do BID
Na mesma edição do Diário Oficial, a SMT prorrogou até 23h59 de 6 de outubro de 2026 o prazo para manifestações de interesse de empresas que pretendem atuar como Agente de Verificação Independente do Programa de Eletrificação e Melhoria da Gestão do Sistema de Transporte Coletivo.
O prazo anterior terminaria em 18 de setembro.
O verificador terá função diretamente relacionada à liberação dos recursos do BID: aferir, validar e certificar tecnicamente o cumprimento dos indicadores de resultados associados aos desembolsos do financiamento.
O trabalho inclui análise documental, inspeções presenciais, testes de funcionamento dos sistemas digitais e elaboração de relatórios de verificação por indicador, além de um relatório final consolidado.
A atividade será desenvolvida ao longo de cinco anos.
A Prefeitura prevê formar uma lista curta com cinco a oito consultorias. As empresas poderão formar associações ou subcontratações para reunir qualificações, e a seleção será feita pelo método de qualidade e custo previsto nas normas do BID.
Financiamento do BID é de US$ 248,3 milhões
A operação com o Banco Interamericano de Desenvolvimento envolve US$ 248,3 milhões e integra o programa municipal de eletrificação e modernização da gestão dos ônibus.
Os recursos não se destinam exclusivamente à compra de veículos. O programa também prevê melhorias de planejamento, gestão, sistemas tecnológicos, acompanhamento de indicadores e outras ações relacionadas ao transporte coletivo.
A Prefeitura calcula que o financiamento do BID tenha capacidade para subsidiar aproximadamente 582 ônibus elétricos, dependendo dos valores e condições de cada aquisição.
Em paralelo, o município estruturou outra operação de US$ 248,3 milhões com o BIRD, instituição ligada ao Banco Mundial.
Somadas, as duas linhas chegam a US$ 496,6 milhões.
Operações passaram pelo Senado, TCU e chegaram ao STJ
A liberação das operações de crédito foi precedida por uma sequência de discussões entre Prefeitura e Governo Federal.
Em agosto de 2026, o Diário do Transporte mostrou que a administração municipal havia acionado o Senado e o TCU diante da demora na conclusão das etapas federais necessárias às garantias dos empréstimos.
A Prefeitura argumentava que as duas operações para ônibus elétricos já tinham passado por análises técnicas e jurídicas e alertava para prazos relacionados à validade das autorizações internacionais.
O Governo Federal sustentava que os processos seguiam os procedimentos técnicos e administrativos previstos.
Posteriormente, o Senado aprovou as operações de crédito.
A Prefeitura também autorizou as contragarantias oferecidas à União, condição necessária para que o Governo Federal assumisse as garantias das operações internacionais.
No dia 25 de agosto, a administração paulistana recorreu ao STJ e pediu liminar para que o Ministério da Fazenda concluísse a assinatura das garantias.
Ainda naquela data, o Governo Federal autorizou as garantias da União para três operações internacionais da Prefeitura de São Paulo, incluindo os dois financiamentos destinados ao programa de ônibus elétricos.
A operação do BID foi então formalizada em US$ 248,3 milhões.
O modelo de financiamento prevê desembolsos associados ao cumprimento de resultados e indicadores, o que explica a contratação de uma empresa independente para conferir se as metas estabelecidas estão efetivamente sendo atingidas.
Adamo Bazani, jornalista especializado em transportes




Foi dito nas investigações que são 12 empresas em SP ligadas ao crime organizado, só quero saber quais são.