Prefeitura de São Paulo dá 24 horas para A2 afastar Paulo Korek e Júlio Salvador ou fará intervenção; Nunes diz que recebeu caso Levi “com bastante surpresa”

Prefeito afirma que não conversou com Milton Leite, diz respeitar a trajetória do ex-presidente da Câmara Municipal e declara que caberá ao investigado demonstrar sua inocência no processo

ADAMO BAZANI

A Prefeitura de São Paulo notificará a A2 Transportes para que a empresa afaste, no prazo de 24 horas, Paulo Sirqueira Korek Farias e Júlio Salvador Filho de suas funções. Caso os dois dirigentes permaneçam na companhia, a administração municipal fará uma intervenção preventiva na concessionária, segundo anunciou o prefeito Ricardo Nunes nesta quinta-feira, 17 de setembro de 2026.

Na mesma coletiva, Nunes disse ter recebido “com bastante surpresa” a prisão do ex-presidente da SPTrans Levi dos Santos Oliveira, um dos alvos da Operação Vectura Corrupta. O prefeito afirmou que trabalhou com Levi, destacou que ele é funcionário de carreira da empresa municipal há mais de 30 anos e declarou que, naquele período, nunca havia ouvido falar de suposto envolvimento do ex-dirigente com irregularidades.

EXCLUSIVO: Polícia pediu afastamento de 43 gestores de nove empresas de ônibus e intervenção da SPTrans, mas Gaeco foi contra naquele momento

Medida alcançaria A2, Alfa Rodobus, Allianz,Transcap – não opera mais com esse nome, Imperial, MoveBus, Norte Buss, Pêssego e Spencer; Ministério Público apontou falta de individualização das condutas e risco de descontinuidade do transporte

ADAMO BAZANI

A Polícia Civil pediu à Justiça o afastamento de 43 pessoas ligadas à gestão de nove empresas do sistema municipal de ônibus de São Paulo e a intervenção da SPTrans nas concessionárias, com a possibilidade de redistribuição das linhas para outras operadoras. A medida atingiria A2 Transportes, Alfa Rodobus, Allianz, Auto Viação Transcap, atualmente não opera mais com esse nome, Imperial, MoveBus, Norte Buss, Pêssego e Spencer.

O Gaeco (Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado), entretanto, manifestou-se contra o afastamento coletivo naquele momento. Apesar de considerar que existiam elementos para prosseguir com prisões, buscas e investigação patrimonial, o Ministério Público afirmou que ainda não era possível individualizar a atuação e os poderes administrativos de cada um dos 43 nomes e alertou que a saída simultânea de dezenas de gestores poderia provocar descontinuidade no transporte público.

Os documentos, analisados pelo Diário do Transporte, integram a investigação que deu origem à Operação Vectura Corrupta, deflagrada nesta quinta-feira, 17 de setembro de 2026, para apurar a suposta infiltração do PCC em empresas de ônibus, licitações, contratos públicos e estruturas políticas e administrativas.

Polícia queria afastamento de gestores, bloqueio de pagamentos e proibição de acesso às garagens

A representação foi apresentada pela Delegacia de Investigações Sobre Entorpecentes de Mogi das Cruzes, vinculada ao Demacro, em 4 de agosto de 2026.

A Polícia Civil pediu que os 43 nomes fossem impedidos de exercer funções gerenciais e administrativas, votar em assembleias, acessar sedes e garagens, receber remunerações e retirar lucros, dividendos ou juros sobre capital próprio.

O objetivo declarado era preservar o caixa das concessionárias e impedir que os investigados continuassem se beneficiando economicamente de atividades que, segundo a apuração, estariam relacionadas à organização criminosa.

Caso os afastamentos fossem autorizados, a polícia defendia que a Prefeitura de São Paulo, por meio da SPTrans, interviesse nas concessionárias para evitar interrupção das linhas.

A representação também sugeria que a administração municipal pudesse transferir temporariamente a operação para outras empresas e que o Tribunal de Contas do Município e a Controladoria-Geral do Município fossem chamados para acompanhar as intervenções.

Nove empresas e 43 nomes foram incluídos no pedido de afastamento

A medida cautelar solicitada pela Polícia Civil relacioava as seguintes empresas e pessoas:

Empresa Pessoas que a polícia pretendia afastar
A2 Transportes QUATRO PESSOAS
Alfa Rodobus TREZE PESSOAS
Allianz Transportes SEIS PESSOAS
Auto Viação Transcap, atualmente não opera mais com esse nome DUAS PESSOAS
Imperial Transportes Urbanos QUATRO PESSOAS
MoveBus/Transpeople Soluções em Mobilidade Urbana QUATRO PESSOAS
Norte Buss Transportes SEIS PESSOAS
Pêssego Transportes  QUATRO PESSOAS
Spencer Transporte Rodoviário DUAS PESSOAS

A inclusão dos nomes na representação policial não significa que todos tenham sido denunciados, condenados ou que exista comprovação definitiva de vínculo com o PCC. A própria discussão posterior do Gaeco foi justamente sobre a necessidade de individualizar as condutas antes de aplicar uma medida contínua e restritiva de direitos . O DIÁRIO DO TRANSPORTE TEVE ACESSO A TODOS OS NOMES, MAS COMO NÃO HOUVE A INDIVIDUALIZAÇÃO DA CONDUTA, POR LINHA EDITORIAL, NÃO FARÁ A CITAÇÃO

Polícia defendia intervenção para impedir risco ao transporte

Na representação, a Polícia Civil sustentou que o afastamento dos gestores deveria ser acompanhado de intervenção pública para manter as linhas em funcionamento.

O documento afirma:

“Uma vez deferido o afastamento cautelar dos representados, a fim de evitar que continuem se beneficiando economicamente das atividades ilícitas praticadas por meio das empresas, é impositivo que o Município de São Paulo, por intermédio da SPTRANS, proceda à intervenção no concessionário, nos termos da legislação vigente, com o intuito de assegurar a manutenção do transporte público nessas localidades, evitando-se prejuízo à população usuária do serviço.”

A polícia também argumentou que a permanência dos investigados no controle das empresas poderia comprometer o funcionamento das operadoras e, consequentemente, a prestação do serviço.

Apesar da afirmação policial, o afastamento coletivo dos gestores e a intervenção simultânea nas nove empresas não foram determinados pela Justiça.

Gaeco reconheceu gravidade, mas pediu que afastamentos fossem negados

Em manifestação protocolada em 7 de agosto de 2026, o Gaeco concordou com a maior parte da representação policial, incluindo os pedidos relacionados ao núcleo considerado principal da investigação, prisões temporárias, buscas e apuração patrimonial.

O Ministério Público, contudo, posicionou-se contra o afastamento preventivo dos 43 nomes ligados às empresas de ônibus.

Segundo o Gaeco, as provas reunidas indicavam a utilização de pessoas jurídicas para ocultação de responsáveis, movimentação de recursos e prestação de serviços públicos de transporte. Mesmo assim, faltavam elementos para definir a participação concreta de cada pessoa indicada na administração das operadoras.

O documento afirma que não era possível determinar, naquele momento, “a natureza e a extensão da participação, a existência ou não de poderes de administração de cada um destes representados ou mesmo a coincidência temporal da titularidade das quotas com o período dos fatos apurados”.

O Gaeco também considerou o impacto que uma medida ampla poderia causar aos passageiros:

“Não se ignora, ademais, que as sociedades envolvidas operam serviço público essencial de transporte coletivo de passageiros, sob delegação de diversos Municípios. O afastamento simultâneo de dezenas de integrantes dos respectivos quadros diretivos pode projetar um risco de descontinuidade do serviço, com repercussão direta sobre a população usuária.”

Por isso, o Ministério Público pediu o indeferimento dos afastamentos naquela etapa, sem impedir que a medida fosse novamente analisada depois do cumprimento das buscas e da obtenção de provas individualizadas.

Indeferimento naquele momento não encerrou possibilidade de novas medidas

A manifestação do Gaeco não significou o arquivamento das suspeitas nem uma declaração de inocência das empresas ou das pessoas relacionadas.

O Ministério Público considerou que havia elementos para buscas, apreensões e aprofundamento da investigação, mas avaliou que uma medida continuada, como impedir dezenas de pessoas de administrar empresas, exigia provas específicas contra cada alvo.

Na conclusão, o Gaeco concordou com a representação policial “exceto no que toca à imposição da medida cautelar de afastamento dos quadros diretivos”.

O órgão ainda registrou que o pedido poderia ser reapresentado depois da análise dos celulares, documentos, contratos, registros financeiros e demais materiais apreendidos.

Mensagens analisadas citam 12 empresas, mas pedido de afastamento alcançou nove

Os documentos apresentam duas relações diferentes de empresas.

A investigação transcreve mensagens que relacionariam 12 operadoras do sistema de ônibus da capital:

  1. Viação Transcap, aatualmente não opera mais com esse nome;
  2. Alfa Rodobus;
  3. Transwolff;
  4. A2 Transportes;
  5. Imperial Transportes;
  6. MoveBus;
  7. Pêssego Transportes;
  8. Allianz Transportes;
  9. Transunião;
  10. Qualibus, posteriormente UPBus;
  11. Norte Buss;
  12. Spencer.

Essa lista teria sido enviada por José Daniel Satilite, apontado pelos investigadores como integrante do PCC e intermediário entre empresários, advogados, pessoas ligadas ao meio político e integrantes da facção.

Segundo a Polícia Civil, um interlocutor teria confirmado que a relação estava correta. A partir dessas conversas, os investigadores afirmaram que as 12 empresas estariam sob influência ou controle da organização criminosa.

Essa é uma conclusão formulada pela investigação com base nos diálogos analisados. Não se trata de decisão judicial que reconheça o controle criminoso das 12 operadoras.

Já o pedido concreto de afastamento de gestores atingiu nove empresas. Transwolff, Transunião e Qualibus/UPBus não aparecem nesse grupo específico porque já haviam sido objeto de outras operações, intervenções, substituições operacionais ou processos administrativos.

Empresas relacionadas atendem milhões de passageiros

A manifestação do Gaeco afirma que as empresas citadas pertencem ao subsistema local de distribuição, responsável principalmente pelas linhas alimentadoras que ligam bairros mais afastados a terminais, corredores e estações.

Segundo uma estimativa apresentada nos autos, o conjunto transportaria entre 2,8 milhões e 3,5 milhões de passageiros por dia e operaria entre 550 e 700 linhas municipais.

Os números são estimativas produzidas durante a investigação. Indicadores oficiais mais recentes da SPTrans, citados anteriormente pelo Diário do Transporte, mostram que o subsistema local reúne 6.029 ônibus e 511 das 1.331 linhas da cidade.

A dimensão explica a preocupação do Ministério Público com os efeitos que o afastamento simultâneo de dezenas de gestores poderia causar à operação e aos passageiros.

A2 aparece em negociações de ônibus e supostos pagamentos

A A2 Transportes ocupa uma posição relevante nos documentos. Paulo Sirqueira Korek Farias é apontado pela investigação como gestor da A2 e da Translíder, empresa que atuou no transporte municipal de Cubatão.

A investigação menciona a negociação de 63 ônibus da Translíder por R$ 1,26 milhão. Segundo os documentos, parte do dinheiro teria sido depositada em uma conta da A2.

Uma planilha mencionada nos autos indicaria o pagamento de R$ 825.880 entre novembro de 2019 e janeiro de 2020. Em outro episódio, os investigadores identificaram um comprovante de R$ 100 mil destinado à conta da A2.

A Polícia Civil sustenta que José Daniel Satilite e Claudionor Aparecido Sabino Tomaz apareciam formalmente ligados à Translíder, mas seriam pessoas interpostas, ou “laranjas”, de Paulo Korek.

Júlio Salvador Filho, diretor da A2, também é citado. De acordo com a investigação, ele participaria, com Korek, das decisões sobre a liberação de pagamentos relacionados à Translíder.

Essas afirmações são teses da Polícia Civil e do Ministério Público e ainda dependem de defesa, contraditório e julgamento.

Prefeitura de São Paulo deu prazo de 24 horas para A2 afastar dois dirigentes

Depois da deflagração da Operação Vectura Corrupta, o prefeito Ricardo Nunes anunciou que a Prefeitura de São Paulo notificaria a A2 para afastar Paulo Korek e Júlio Salvador em 24 horas.

Segundo Nunes, se os dois não forem retirados da direção, a administração municipal fará uma intervenção preventiva na concessionária. Caso sejam afastados, a empresa poderá continuar operando.

A providência administrativa anunciada pela prefeitura é diferente do pedido policial de agosto. A representação pretendia afastar 43 pessoas de nove empresas por ordem judicial. O Gaeco posicionou-se contra essa medida coletiva naquele estágio.

O ultimato anunciado por Ricardo Nunes concentra-se na A2 e decorre da competência administrativa da Prefeitura de São Paulo e da SPTrans sobre o contrato municipal.

Prisões foram ampliadas posteriormente pelo Tribunal de Justiça

A Polícia Civil pediu inicialmente a prisão temporária de 16 investigados. O Gaeco concordou com a medida.

Na primeira instância, entretanto, foram autorizadas apenas três prisões, contra André Cassali, Claudionor Aparecido Sabino Tomaz e José Daniel Satilite, além de buscas relacionadas aos três.

O Ministério Público recorreu. Em 4 de setembro de 2026, o desembargador Sérgio Ribas, da 8ª Câmara de Direito Criminal do Tribunal de Justiça de São Paulo, autorizou a prisão temporária de mais 13 investigados:

  • Carla de Paula Muller;
  • Cícero José dos Santos Filho;
  • Danilo Marco Morgado Silva;
  • Edivânia Arruda Botelho Alves;
  • Edson Antonio de Souza;
  • Eduardo Medeiros;
  • José Ronaldo Alves de Sales;
  • Júlio Salvador Filho;
  • Levi dos Santos Oliveira;
  • Milton Leite da Silva;
  • Milton Mello Milreu;
  • Paulo Sirqueira Korek Farias;
  • Sergio Luiz Gevaerd de Oliveira.

Com as duas decisões, a operação passou a ter 16 mandados de prisão temporária. Também foram autorizadas buscas e acesso a dados de equipamentos eletrônicos.

O bloqueio patrimonial foi negado naquele momento porque o Tribunal considerou insuficiente a individualização da possível origem ilícita de cada bem e de sua relação direta com os fatos investigados.

Documentos detalham suspeitas contra Levi Oliveira e Milton Leite

O ex-presidente da SPTrans Levi dos Santos Oliveira é citado como uma pessoa que teria mantido encontros com José Daniel Satilite para tratar de interesses relacionados às empresas de transporte.

A investigação menciona conversas sobre a situação da antiga UPBus e uma eventual troca no comando da empresa. Também aparece uma convocação atribuída a Levi para uma reunião na garagem da MoveBus em outubro de 2024.

Os documentos não demonstram, nesse trecho, qual decisão administrativa concreta teria sido adotada por Levi em decorrência das supostas conversas.

Milton Leite, ex-presidente da Câmara Municipal de São Paulo, é citado como suposto responsável pela operação de algumas empresas que, de acordo com a investigação, estariam sob controle da facção.

A apuração reproduz ainda declarações de policiais militares apresentadas em procedimento da Justiça Militar, segundo as quais Milton Leite “seria o dono de fato” da Transwolff.

A propriedade formal, o eventual poder de decisão e a consistência desses relatos ainda deverão ser comprovados judicialmente.

Investigação começou com apreensão de drogas e chegou ao setor de ônibus

O inquérito teve origem em uma ocorrência registrada em junho de 2023, em Itaquaquecetuba, onde foram apreendidos aproximadamente 28 quilos de maconha e oito quilos de cocaína.

A análise posterior de celulares apreendidos levou os investigadores a identificar pessoas apontadas como integrantes do PCC, suspeitas de lavagem de dinheiro, tráfico, negociação de armas, influência política e utilização de empresas regulares para movimentar recursos.

A partir desses aparelhos, a apuração avançou sobre empresas de transporte, contratos públicos, licitações municipais e relações com agentes políticos e administrativos.

A Polícia Civil afirma ter identificado diálogos relacionados a operações de ônibus em São Paulo, Cubatão, São Vicente, Itanhaém e Leme, além de negociações envolvendo a refinaria Fanal e outros empreendimentos.

Empresas e pessoas citadas têm direito à defesa

As conclusões apresentadas pela Polícia Civil e pelo Ministério Público integram uma investigação em andamento. O material contém pedidos cautelares, análises de mensagens e interpretações dos investigadores, mas não representa condenação definitiva das empresas ou pessoas mencionadas.

O próprio Gaeco considerou que não havia, naquele momento, elementos suficientes para individualizar a atuação de cada um dos 43 nomes incluídos no pedido de afastamento administrativo.

Todos os investigados têm direito à presunção de inocência, ao contraditório e à ampla defesa. O espaço permanece aberto para manifestações das empresas, dos investigados e de seus representantes.

O Diário do Transporte continuará acompanhando eventuais decisões sobre a A2, novas medidas relacionadas às demais concessionárias e os efeitos da investigação sobre a operação do transporte coletivo de São Paulo.

Adamo Bazani, jornalista especializado em transportes

Não há, no material consultado pelo Diário do Transporte, indicação de condenação de Levi ou Milton Leite pelos fatos investigados. As atribuições apresentadas são suspeitas formuladas pelo Ministério Público e pela Polícia Civil durante a investigação.

Para se ter uma dimensão da investigação, as empresas investigadas possuem cerca da metade de todo o sistema de ônibus da capital paulista, que é o maior da América latina e está entre os cinco maiores do mundo.

Surgidas de cooperativas de transportes, operam no chamado subsistema local, dos bairros mais afastados.

Para se ter uma ideia, este subsistema responde por 6.029 ônibus da frota total de 13.690. De 1.331 linhas da cidade, são 511, só neste grupo de operação.

Os dados são dos indicadores oficiais da SPTrans.

As empresas citadas no inquérito são:

  1. Viação Transcap Transportes – atualmente não opera mais com esse nome
  2. Alfa Rodobus Transportes – que assumiu no lugar da UPBus, alvo da primeira operação Fim da Linha, de abril de 2024
  3. Transwolff Transportes
  4. A2 Transportes
  5. Imperial Transportes
  6. Move Buss Transportes
  7. Pêssego Transportes
  8. Allianz Transportes
  9. Transunião Transportes
  10. Qualibus Transportes
  11. Norte Bus Transportes
  12. Spencer Transportes

O Ministério Público e a Polícia Civil de São Paulo deflagraram, nesta quinta-feira, dia 17 de setembro, uma operação para investigar a suposta infiltração do Primeiro Comando da Capital, o PCC, em empresas de ônibus e em procedimentos de contratação do transporte público.

Entre os principais alvos estão o ex-presidente da SPTrans Levi dos Santos Oliveira e o ex-vereador Milton Leite, que presidiu a Câmara Municipal de São Paulo. A chamada Operação Vectura Corrupta prevê o cumprimento de 16 mandados de prisão e 18 de busca e apreensão.

Segundo as informações divulgadas nesta manhã, Levi de Oliveira foi preso. Os investigadores afirmam ter identificado encontros periódicos entre o ex-presidente da SPTrans e José Daniel Satilite, apontado como um dos principais intermediários entre integrantes da facção criminosa, empresários, advogados e pessoas ligadas ao meio político.

De acordo com a investigação, esses encontros teriam como finalidade tratar de interesses relacionados a empresas de transporte, especialmente depois da Operação Fim da Linha, realizada em abril de 2024. Levi de Oliveira presidiu a SPTrans, empresa municipal responsável pelo gerenciamento do sistema de ônibus da capital paulista.

Milton Leite, que exerceu sete mandatos como vereador e presidiu a Câmara Municipal, também aparece entre os investigados. Conforme o documento que fundamenta a operação, o nome do ex-parlamentar foi citado em diferentes momentos como suposto responsável pela operação de empresas de ônibus que estariam sob influência do grupo criminoso.

A investigação também menciona declarações prestadas por policiais militares em um procedimento da Justiça Militar. Segundo esses relatos, Milton Leite seria o proprietário de fato da Transwolff. Essa é uma alegação ainda sob apuração e não representa uma conclusão definitiva da Justiça. O ex-vereador já negou anteriormente qualquer ligação com atividades criminosas.

A Transwolff foi um dos alvos da Operação Fim da Linha, que apurou suspeitas de lavagem de dinheiro do tráfico por meio do transporte coletivo. A Prefeitura de São Paulo decretou intervenção na empresa em abril de 2024 para preservar a continuidade do atendimento aos passageiros.

A nova operação alcança ainda empresários do setor, advogados e pessoas acusadas de intermediar licitações e pagamentos. Entre as empresas citadas nominalmente no material conhecido até o momento estão Transwolff, A2 Transportes e Translíder. A investigação faz referência a outras companhias.

As suspeitas incluem organização criminosa, lavagem de dinheiro, influência em contratações públicas e utilização de empresas de transporte para movimentar recursos ilícitos.

Todos os citados têm direito à defesa, e as acusações ainda serão analisadas pela Justiça. O Diário do Transporte acompanha o caso e atualizará as informações e as manifestações das defesas assim que forem apresentadas.

Ex-presidente da SPTrans teria se reunido com suposto intermediário do PCC

Levi dos Santos Oliveira comandou a SPTrans, empresa municipal responsável pelo gerenciamento do sistema de ônibus da cidade de São Paulo.

De acordo com os investigadores, Levi não aparece como interlocutor telefônico direto de José Daniel Satilite nos diálogos analisados. A apuração, entretanto, afirma que os dois teriam mantido encontros periódicos.

Para os investigadores, a finalidade dessas reuniões seria tratar de interesses da organização criminosa relacionados a empresas de transporte, principalmente depois da deflagração da Operação Fim da Linha pelo Ministério Público de São Paulo.

O documento não detalha, no resumo das condutas, as datas e os locais de todos os encontros, quais decisões administrativas teriam sido discutidas nem se alguma medida concreta da SPTrans foi adotada em decorrência dessas supostas conversas.

Também será necessário esclarecer em que período ocorreram os encontros e se Levi ainda exercia função pública em todas as ocasiões mencionadas.

Investigação cita Milton Leite em relação com empresas de transporte

Milton Leite da Silva, ex-vereador e ex-presidente da Câmara Municipal de São Paulo, é citado nominalmente em diferentes momentos da investigação.

Segundo o resumo elaborado pelos investigadores, o nome de Milton Leite aparece em diálogos como o de uma pessoa que teria responsabilidade direta pela operação de algumas empresas supostamente controladas pelo PCC.

A apuração também faz referência a declarações prestadas por policiais militares em procedimento no Tribunal de Justiça Militar. De acordo com o documento, esses policiais teriam atribuído a Milton Leite a condição de proprietário de fato da Transwolff.

A afirmação é tratada como linha de investigação. A propriedade formal, o eventual poder de decisão sobre a empresa e a consistência dos relatos ainda deverão ser demonstrados no processo.

A Transwolff foi um dos alvos da Operação Fim da Linha, deflagrada pelo Ministério Público em abril de 2024. Na ocasião, a investigação apontou suspeitas de utilização de empresas de ônibus para lavagem de recursos provenientes de atividades criminosas.

Depois da operação, a Prefeitura de São Paulo decretou intervenção na Transwolff e na UPBus para manter o funcionamento das linhas e acompanhar a administração das concessionárias. A medida foi adotada para evitar interrupções no atendimento aos passageiros enquanto prosseguiam as investigações.

José Daniel Satilite é apontado como figura central

José Daniel Satilite, conhecido como “Alemão”, é descrito como o investigado central do caso.

A Polícia Civil e o Ministério Público afirmam que ele seria integrante do PCC e atuaria como intermediário entre empresários, advogados, pessoas próximas a políticos e membros da facção.

Segundo a investigação, José Daniel participaria de negociações relacionadas a empresas, contratos e procedimentos licitatórios, além de manter contato com diferentes núcleos da organização criminosa.

Parte da apuração busca identificar como integrantes da facção teriam se aproximado de empresas regulares, empresários, agentes públicos e pessoas com influência política para ampliar a presença do grupo no setor de transporte.

Empresas Translider e A2 Transportes aparecem na investigação

A investigação também menciona a Translider e a A2 Transportes.

Paulo Sirqueira Korek Farias é apontado como empresário e gestor das duas companhias. Segundo os investigadores, ele atuaria como testa de ferro da organização criminosa e administraria interesses do grupo no ramo de transportes.

Korek também é presidente do Esporte Clube Água Santa.

A Translider teria sido formalmente colocada em nome de José Daniel Satilite e Claudionor Aparecido Sabino Tomaz, que são apontados como laranjas. O verdadeiro controlador, segundo a apuração, seria Paulo Korek.

Júlio Salvador Filho, diretor da A2 Transportes, teria participação em decisões sobre a liberação de pagamentos a José Daniel e Claudionor. Wellington Andrade dos Santos, funcionário de Korek, seria responsável pela execução desses pagamentos.

No caso de Wellington, os próprios investigadores registram que ainda não foi possível determinar se ele conhecia a suposta origem ilícita ou se apenas realizava os pagamentos em decorrência da relação de emprego. Contra ele, segundo a relação da operação, foram autorizadas buscas, mas não prisão.

Licitações e possíveis contatos políticos

José Ronaldo Alves de Sales é apontado como uma pessoa com atuação nos meios político e empresarial, especialmente no ramo dos transportes.

Segundo os investigadores, ele faria a ligação entre supostos integrantes da facção e pessoas do meio político, além de auxiliar em procedimentos licitatórios. A apuração menciona suspeita de corrupção de agentes públicos ainda não identificados.

Edson Antonio de Souza, conhecido como “Peru”, também é investigado por supostamente intermediar interesses da organização criminosa em licitações de diferentes municípios.

Eduardo Medeiros, chamado de “Galo”, é descrito como integrante do PCC, advogado pessoal de José Daniel e proprietário de empresas de transporte. A investigação afirma que ele teria atuado com outros suspeitos no setor e em processos licitatórios.

Os investigadores também citam Danilo Marco Morgado Silva, candidato derrotado à Prefeitura de Praia Grande em 2024. Segundo o documento, foram identificados vínculos com integrantes da organização criminosa e suspeita de financiamento de campanha por meio do grupo investigado.

Essas afirmações ainda dependem de comprovação e não representam conclusão definitiva sobre eventual responsabilidade criminal ou eleitoral.

Advogados são investigados por suposta atuação além da defesa profissional

Três advogados aparecem na relação dos investigados: Cícero José dos Santos Filho, Eduardo Medeiros e Milton Mello Milreu.

A investigação afirma que Cícero teria utilizado o escritório como local de reunião de integrantes da facção e uma conta bancária profissional para receber valores provenientes de empresas investigadas.

Segundo os responsáveis pela operação, essas condutas teriam ultrapassado os limites do exercício regular da advocacia. A análise definitiva sobre a legalidade da atuação dependerá do conteúdo das provas, da manifestação das defesas e das decisões judiciais.

Milton Mello Milreu é apontado como membro da organização criminosa e suspeito de realizar pagamentos periódicos a José Daniel Satilite. Os investigadores também afirmam que ele atuaria na aproximação de empresas para que passassem ao controle do grupo.

O material cita negociações envolvendo a Usina Campo Limpo e a refinaria Fanal, além de mencionar dúvidas dos próprios interlocutores sobre eventual participação de Milreu em outras operações.

Sérgio Luiz Gevaerd de Oliveira é descrito como empresário e braço direito de Milton Milreu. De acordo com a apuração, ele atuaria como intermediário entre o advogado e integrantes da organização criminosa. O investigado é cidadão norte-americano e estaria nos Estados Unidos.

Investigação também alcança núcleos financeiro e logístico

André Cassali, conhecido como “irmão Beringela” e “Tiago”, é apontado como um dos responsáveis pelo setor financeiro do PCC.

Investigações de outras unidades policiais também atribuem a ele participação na logística do transporte de drogas da fronteira com a Bolívia até a Baixada Santista. Cassali seria interlocutor direto de José Daniel Satilite.

Claudionor Aparecido Sabino Tomaz é descrito como integrante da facção e interlocutor direto de José Daniel. Segundo a investigação, os diálogos entre os dois envolveriam negociação de armas e drogas, além de interesses em empresas.

Carla de Paula Muller é esposa de Antônio José Muller Junior, conhecido como “Granada”, apontado como uma das lideranças do PCC e preso na Penitenciária Federal de Brasília.

Segundo os investigadores, Carla transmitiria mensagens de interesse da facção ao marido e também atuaria na exploração de atividades relacionadas ao transporte público. Ela manteria contato direto com José Daniel.

Edivania Arruda Botelho Alves, conhecida como “Lalinha”, teria servido como ponte para a transmissão de mensagens de integrantes da facção presos em Presidente Bernardes, onde também está detido o marido dela.

Os 17 nomes relacionados na investigação

Além de Levi dos Santos Oliveira e Milton Leite, a relação de suspeitos reúne:

  • André Cassali, apontado como operador financeiro e participante da logística de drogas;
  • Carla de Paula Muller, suspeita de transmitir mensagens e atuar em interesses relacionados ao transporte;
  • Cícero José dos Santos Filho, advogado suspeito de oferecer estrutura para reuniões e movimentações financeiras;
  • Claudionor Aparecido Sabino Tomaz, apontado como integrante da facção e laranja da Translider;
  • Danilo Marco Morgado Silva, investigado por supostos vínculos políticos e eleitorais com a organização;
  • Edivania Arruda Botelho Alves, suspeita de transmitir mensagens de integrantes presos;
  • Edson Antonio de Souza, apontado como intermediário em licitações;
  • Eduardo Medeiros, advogado e empresário do setor de transportes;
  • José Daniel Satilite, apontado como principal intermediário do grupo;
  • José Ronaldo Alves de Sales, suspeito de fazer a ligação entre integrantes da facção, empresários e pessoas do meio político;
  • Júlio Salvador Filho, diretor da A2 Transportes;
  • Milton Mello Milreu, advogado apontado como integrante da organização;
  • Paulo Sirqueira Korek Farias, empresário do transporte e presidente do Água Santa;
  • Sérgio Luiz Gevaerd de Oliveira, empresário apontado como intermediário;
  • Wellington Andrade dos Santos, funcionário de Paulo Korek sobre o qual a investigação ainda não definiu se havia conhecimento das supostas atividades ilícitas.

Apuração deve identificar agentes públicos e alcance sobre o sistema de ônibus

Uma das frentes da investigação é identificar possíveis agentes públicos que teriam auxiliado interesses da organização criminosa em procedimentos administrativos ou licitatórios.

O material também deverá ser usado para verificar se houve interferência em autorizações, contratos, pagamentos ou decisões relacionadas ao transporte coletivo.

Apesar da gravidade das suspeitas, a operação não significa condenação. Todos os investigados têm direito à presunção de inocência, acesso aos elementos da apuração, contraditório e ampla defesa.

As manifestações das defesas de Levi de Oliveira, Milton Leite e dos demais investigados não constam no material que embasa esta reportagem. O espaço permanece aberto para os posicionamentos e o texto será atualizado caso sejam apresentados.

POSICIONAMENTO PREFEITURA DE SÃO PAULO

Por meio de nota, a prefeitura diz que vai colaborar com as investigações

A intervenção determinada pela Prefeitura de São Paulo na Transwolff, em abril de 2024, foi uma medida firme e decisiva para proteger o sistema municipal de transporte. Na mesma ocasião, a administração municipal também determinou, por iniciativa própria, a intervenção na UPBus, mesmo sem qualquer solicitação da Justiça. Desde o início das investigações, a Prefeitura agiu com rigor, inclusive encerrando contrato a fim de preservar o interesse público e garantir que a população não fosse prejudicada.
A Prefeitura reforça que, na ocasião, também foi aberto um processo pela Controladoria Geral do Município contra a Transwolff e a UPBus e, desde então, atua em conjunto com o Ministério Público e a Polícia Civil no processo investigatório.
A operação realizada nesta quinta-feira (17) reforça a gravidade dos fatos que motivaram as providências adotadas pela Prefeitura. A administração colabora integralmente com o Ministério Público, fornecendo todos os documentos e esclarecimentos necessários.

Por meio de nota, a A2 nega eventuais crimes

A A2 Transportes, por meio de seu presidente, Paulo Siqueira Korek, reafirma seu compromisso com a legalidade, a transparência, a ética e a seriedade na condução de suas atividades.

A empresa nega de forma categórica qualquer envolvimento com o Primeiro Comando da Capital (PCC), bem como qualquer prática de lavagem de dinheiro ou participação em atividades ilícitas.

A A2 Transportes esclarece, ainda, que todos os recursos financeiros que ingressam na empresa são provenientes exclusivamente dos contratos e pagamentos realizados pela Prefeitura pelos serviços regularmente prestados. Não existem outras fontes de entrada de recursos financeiros na empresa.

Diante das informações que vêm sendo divulgadas, a empresa está à disposição das autoridades competentes para apresentar documentos e prestar todos os esclarecimentos necessários, contribuindo para que os fatos sejam devidamente apurados.

Para o presidente Paulo Siqueira Korek, o movimento que vem ocorrendo em torno da empresa apresenta, em sua percepção, forte componente político. A A2 Transportes, entretanto, reafirma que seguirá colaborando com as instituições responsáveis pela apuração e respeitando rigorosamente o devido processo legal.

«“A A2 Transportes nunca teve envolvimento com o PCC e jamais fez lavagem de dinheiro. Nossos recursos são provenientes exclusivamente dos contratos e pagamentos realizados pela Prefeitura pelos serviços que prestamos. Não temos outras fontes de entrada de recursos. Nossa história é construída com trabalho, seriedade e ética. Estamos à disposição para todos os esclarecimentos necessários e confiamos na apuração dos fatos e na Justiça.”

A ORDEM JUDICIAL:

A ordem judicial, assinada em 4 de setembro de 2026 pelo desembargador Sérgio Ribas, da 8ª Câmara de Direito Criminal do Tribunal de Justiça de São Paulo, ampliou as medidas cautelares de uma investigação sobre a suposta infiltração do PCC em empresas de ônibus, contratos públicos, licitações e articulações políticas.

A decisão é liminar e provisória. O magistrado ressalta que as medidas não representam condenação nem conclusão definitiva sobre a responsabilidade dos investigados.

O que foi determinado

O Tribunal de Justiça decretou a prisão temporária, por 30 dias, de 13 investigados:

  1. Carla de Paula Muller;
  2. Cícero José dos Santos Filho;
  3. Danilo Marco Morgado Silva;
  4. Edivânia Arruda Botelho Alves;
  5. Edson Antonio de Souza;
  6. Eduardo Medeiros;
  7. José Ronaldo Alves de Sales;
  8. Julio Salvador Filho;
  9. Levi dos Santos Oliveira, ex-presidente da SPTrans;
  10. Milton Leite da Silva, ex-presidente da Câmara Municipal de São Paulo;
  11. Milton Mello Milreu;
  12. Paulo Sirqueira Korek Farias;
  13. Sergio Luiz Gevaerd de Oliveira.

Essas prisões foram acrescentadas às três que já haviam sido autorizadas na primeira instância, contra André Cassali, Claudionor Aparecido Sabino Tomaz e José Daniel Satilite. Assim, as duas decisões alcançam 16 investigados com prisões temporárias.

Buscas autorizadas

Foram autorizadas buscas e apreensões nos endereços diretamente relacionados aos 13 investigados e também em endereço ligado a Wellington Andrade dos Santos, citado na apuração como possível operador de pagamentos.

O desembargador autorizou o cumprimento itinerante dos mandados. Isso permite que a Polícia Civil realize a busca em endereço diferente do inicialmente indicado caso seja constatado que o investigado mudou de local.

A polícia, entretanto, deverá justificar a mudança. As apreensões devem permanecer relacionadas aos fatos investigados, não sendo permitidas buscas genéricas ou aleatórias.

O Ministério Público pretendia realizar buscas em dezenas de endereços, mas o Tribunal autorizou apenas os locais vinculados aos investigados para os quais identificou elementos individualizados. As buscas relativas às demais pessoas foram negadas por falta de informações suficientes nesta fase.

Celulares e equipamentos eletrônicos

O TJ-SP autorizou:

  • apreensão de celulares e outros dispositivos eletrônicos;
  • acesso aos dados armazenados;
  • extração e preservação das informações;
  • análise das comunicações e dos documentos digitais.

O acesso somente poderá ocorrer quando houver relação entre o equipamento apreendido e os fatos investigados. A polícia deverá preservar a cadeia de custódia, isto é, registrar e proteger todo o caminho percorrido pela prova digital para evitar alterações ou contaminações.

Bloqueio de patrimônio foi negado

O desembargador negou, por enquanto, os pedidos de indisponibilidade e bloqueio de:

  • imóveis;
  • veículos;
  • aeronaves;
  • embarcações.

Segundo a decisão, a investigação ainda não individualizou suficientemente a possível origem ilícita de cada bem nem demonstrou sua ligação direta com os fatos apurados.

O Ministério Público poderá apresentar novamente os pedidos de bloqueio se surgirem novas provas específicas sobre o patrimônio dos investigados.

Suposta infiltração no transporte público

A decisão afirma que a investigação, derivada da Operação Decurio, apura uma estrutura que supostamente utilizaria empresas de transporte, pessoas interpostas, contratos públicos e relações com agentes políticos para atender a interesses do PCC.

O desembargador registra que, segundo os investigadores, 12 das 22 empresas que operariam o transporte coletivo da capital paulista seriam, em tese, controladas pela organização criminosa. A ordem judicial, contudo, não identifica nominalmente quais seriam essas 12 empresas.

O documento menciona diferentes empresas e negócios investigados, entre eles:

  • A2 Transportes;
  • Translider;
  • Transbellaflor;
  • Otrantur Transporte e Turismo;
  • Translog, atual ABC Plus Transportes Rodoviários e Logística;
  • Viação Bom Jesus;
  • Otratur;
  • Fanal Derivados de Petróleo.

A simples menção das empresas na decisão não significa que todas integrem a relação das 12 operadoras da capital nem que já tenha sido comprovado controle criminoso.

Suspeitas relacionadas a Milton Leite

A ordem reproduz a alegação da investigação de que Milton Leite teria sido citado em diálogos como responsável pela operação de algumas empresas supostamente controladas pelo PCC.

Também menciona declarações de policiais militares prestadas em procedimento no Tribunal de Justiça Militar, segundo as quais o ex-vereador seria o proprietário de fato da Transwolff.

O desembargador considerou os elementos suficientes para autorizar a prisão temporária e as buscas, mas não declarou comprovadas as acusações. A investigação ainda deverá aprofundar a relação de Milton Leite com as empresas e os demais envolvidos.

Suspeitas relacionadas ao ex-presidente da SPTrans

Em relação a Levi dos Santos Oliveira, ex-presidente da SPTrans, a investigação sustenta que ele teria mantido encontros periódicos com José Daniel Satilite para tratar de interesses relacionados a empresas de transporte.

Segundo a ordem, os encontros teriam ocorrido especialmente depois da Operação Fim da Linha, deflagrada pelo Ministério Público de São Paulo.

Também neste caso, a decisão reproduz a linha investigativa e não estabelece culpa definitiva.

Negociações de empresas, ônibus e contratos

A ordem menciona diálogos relacionados a empresas de transporte, licitações municipais, contratos públicos, venda de veículos e pagamentos de comissões.

Entre os episódios citados está a negociação de 63 ônibus da Translider por R$ 1,26 milhão. Segundo a investigação, parte dos envolvidos receberia comissões pela operação.

Também são mencionadas suspeitas de:

  • utilização de sócios formais como “laranjas”;
  • controle oculto de empresas;
  • direcionamento de licitações;
  • pagamento de vantagens indevidas;
  • financiamento de campanhas eleitorais;
  • interferência em contratos municipais;
  • movimentação de recursos por contas de terceiros;
  • aquisição da refinaria Fanal por aproximadamente R$ 40 milhões.

Os investigadores também relacionam os diálogos a contratos ou tentativas de ingresso nos sistemas de transporte de Leme, Cubatão, São Vicente e Itanhaém.

Por que o Tribunal autorizou as prisões

Para o relator, a liberdade dos 13 investigados poderia comprometer a coleta de provas, permitir comunicação entre os integrantes do grupo ou dificultar a identificação de outros participantes.

O desembargador considerou:

  • a complexidade da investigação;
  • a quantidade de pessoas envolvidas;
  • as relações empresariais investigadas;
  • as comunicações com pessoas presas;
  • a possibilidade de destruição ou ocultação de provas;
  • a necessidade de examinar celulares e documentos.

A decisão determina que prisões e buscas sejam cumpridas simultaneamente e sob sigilo absoluto, para impedir que o conhecimento antecipado da operação prejudique as diligências.

Situação jurídica

A decisão concedeu parcialmente o pedido urgente do Ministério Público, dando efeito ativo a uma apelação contra a decisão da primeira instância, que havia autorizado somente três prisões e três buscas.

O mérito do recurso ainda deverá ser analisado pela turma julgadora da 8ª Câmara de Direito Criminal. Até lá, permanecem em vigor as medidas cautelares autorizadas pelo relator.

Todos os citados são investigados e devem ser tratados como inocentes enquanto não houver eventual condenação definitiva.

CONTRATOS ORIGINAIS ULTRAPASSAM R$ 22 BILHÕES COM TODO O SUBSISTEMA LOCAL:

Os contratos originais de concessão assinados em 2019 para os lotes D1 a D13 do Grupo Local de Distribuição do sistema municipal de ônibus da cidade de São Paulo. Juntos, apresentavam valor contratual estimado de R$ 22,22 bilhões e prazo de 20 anos, com possibilidade de prorrogação por até um ano.

Esses valores não representam pagamentos antecipados às empresas. Correspondem ao valor presente da remuneração estimada para todo o período contratual, calculado originalmente com taxa de desconto de 9,85% ao ano.

Contratos originais de 2019

Lote Contrato Concessionária original Valor estimado original
D1 039/2019 Consórcio Transnoroeste R$ 2.953.516.246
D2 040/2019 Consórcio Transnoroeste R$ 1.726.523.554
D3 041/2019 Transunião Transportes R$ 1.902.155.061
D4 042/2019 UpBus Qualidade em Transportes R$ 540.874.628
D5 043/2019 Pêssego Transportes R$ 1.964.597.759
D6 044/2019 Allibus Transportes R$ 2.177.462.147
D7 045/2019 Transunião Transportes R$ 574.992.920
D8 046/2019 MoveBuss Soluções em Mobilidade Urbana R$ 1.994.240.208
D9 047/2019 A2 Transportes R$ 1.858.841.310
D10 048/2019 Transwolff Transportes e Turismo R$ 2.630.545.954
D11 049/2019 Transwolff Transportes e Turismo R$ 2.281.747.206
D12 050/2019 Auto Viação Transcap R$ 1.026.519.847
D13 051/2019 Alfa Rodobus Administração e Participação R$ 586.750.192
Total 13 contratos Dez concessionárias originais R$ 22.218.767.032

Embora sejam 13 contratos, havia dez concessionárias titulares diferentes, porque três operadoras concentravam mais de um lote:

  • Consórcio Transnoroeste: D1 e D2;
  • Transunião: D3 e D7;
  • Transwolff: D10 e D11.

O Consórcio Transnoroeste era formado originalmente pela Norte Buss Transportes e pela Spencer Transportes.

Maiores contratos na configuração original

Os cinco maiores valores estimados eram:

  1. D1 – Consórcio Transnoroeste: R$ 2,95 bilhões;
  2. D10 – Transwolff: R$ 2,63 bilhões;
  3. D11 – Transwolff: R$ 2,28 bilhões;
  4. D6 – Allibus: R$ 2,18 bilhões;
  5. D8 – MoveBuss: R$ 1,99 bilhão.

Somados, os dois contratos originalmente assinados com a Transwolff representavam aproximadamente R$ 4,91 bilhões.

Os contratos D1 e D2 do Consórcio Transnoroeste somavam R$ 4,68 bilhões. Já os lotes D3 e D7 da Transunião totalizavam aproximadamente R$ 2,48 bilhões.

A2 e Transwolff aparecem diretamente no contexto da investigação

O contrato do lote D9 foi originalmente assinado com a A2 Transportes, representada no documento por Paulo Sirqueira Korek Farias. O valor contratual estimado era de R$ 1,86 bilhão.

Na ordem judicial relacionada à investigação sobre a suposta infiltração do PCC no setor de ônibus, Paulo Korek é apontado pela polícia e pelo Ministério Público como empresário ligado à administração de interesses do grupo criminoso no transporte. Trata-se de uma alegação investigativa, ainda sem condenação definitiva.

Os contratos dos lotes D10 e D11 foram assinados originalmente com a Transwolff, representada por Luiz Carlos Efigênio Pacheco. Os valores estimados eram, respectivamente, de R$ 2,63 bilhões e R$ 2,28 bilhões.

A decisão judicial menciona alegações de que Milton Leite seria proprietário de fato da Transwolff e estaria relacionado à operação de empresas investigadas. A ordem não declara comprovada essa relação; utiliza os elementos para fundamentar medidas cautelares, como prisão temporária, buscas e análise de equipamentos eletrônicos.

O que as empresas receberam em concessão

Os contratos delegaram às operadoras a prestação e exploração dos serviços locais de distribuição de passageiros nos respectivos lotes.

Na organização criada pela licitação municipal, as linhas locais de distribuição foram concebidas principalmente para deslocamentos dentro das regiões e para a alimentação de corredores, terminais e ligações estruturais do sistema.

A concessão abrangia, entre outras atividades:

  • operação da frota;
  • execução das viagens programadas;
  • serviços complementares definidos pelo município;
  • disponibilização de motoristas e demais trabalhadores;
  • manutenção e limpeza dos ônibus;
  • abastecimento;
  • conservação de garagens e instalações;
  • cumprimento de horários e itinerários;
  • atendimento aos passageiros;
  • utilização dos sistemas de bilhetagem e monitoramento;
  • fornecimento de informações operacionais à prefeitura e à SPTrans;
  • cumprimento de padrões de acessibilidade, segurança e qualidade;
  • renovação e adequação da frota;
  • implantação dos investimentos previstos nos documentos da licitação.

Os contratos vedavam a transferência livre da operação e submetiam mudanças societárias, subconcessões e alterações relevantes ao controle do poder concedente.

Remuneração não dependia somente da passagem

Os documentos estruturaram a remuneração das concessionárias com base na prestação dos serviços e nas regras econômicas definidas pela Prefeitura de São Paulo e pela SPTrans.

O dinheiro arrecadado dos passageiros integra o financiamento do sistema, mas não é repassado automaticamente à empresa responsável pelo ônibus utilizado. A remuneração contratual considera a produção operacional, os custos reconhecidos, os indicadores de qualidade e as regras estabelecidas pelo município.

Por isso, a tarifa pública cobrada do passageiro e a remuneração contratual da empresa são conceitos diferentes. Quando a arrecadação tarifária não cobre o custo reconhecido do sistema, a prefeitura pode realizar aportes orçamentários.

Reajustes, revisões e reequilíbrio

Os contratos originais previam:

  • reajuste periódico da remuneração;
  • revisão quadrienal;
  • recomposição do equilíbrio econômico-financeiro;
  • alterações por termos aditivos;
  • aplicação de indicadores de desempenho;
  • penalidades por descumprimento;
  • possibilidade de intervenção;
  • extinção ou transferência da concessão nas hipóteses legais.

Esses mecanismos explicam por que os valores e as condições de 2019 não podem ser usados isoladamente para retratar a situação atual.

Reajustes de custos, mudanças na frota, pandemia, alterações na quilometragem, eletrificação, novas obrigações, revisões econômicas, substituições societárias e intervenções municipais podem ter modificado significativamente os contratos.

Prazo original

Todos os 13 contratos estabeleceram prazo de 20 anos, com possibilidade de prorrogação por até um ano, desde que houvesse interesse público devidamente justificado pela Prefeitura de São Paulo.

O prazo não significa garantia de permanência da concessionária por todo o período. O município pode aplicar sanções, intervir, declarar caducidade ou extinguir a concessão se forem comprovados descumprimentos contratuais.

EMPRESAS INVESTGADAS (CITADAS NO INQUÉRITO) FIGURAM ENTRE AS PIORES NO IQT – Índice da Qualidade do Transporte – DA SPTRANS

O Índice de Qualidade do Transporte, o IQT, médio do sistema municipal de ônibus de São Paulo ficou em 77,43 pontos entre janeiro e abril de 2026, resultado enquadrado como “bom” pela escala da SPTrans. Apesar da classificação, houve piora ao longo do período: o índice caiu de 79,66 em janeiro para 76,32 em abril.

O pior resultado mensal foi registrado em março, com 75,91 pontos, faixa considerada “regular”. Abril apresentou pequena recuperação de 0,41 ponto, mas permaneceu 3,34 pontos abaixo de janeiro.

Evolução do sistema

Período IQT do sistema Variação mensal
Janeiro 79,66
Fevereiro 77,86 -1,80
Março 75,91 -1,95
Abril 76,32 +0,41
Média de janeiro a abril 77,43

A média do sistema é ponderada pela quantidade de passageiros transportados. Por isso, não corresponde à média aritmética simples das 40 operações relacionadas.

Dos 40 registros de empresas por lote:

  • 25 ficaram na faixa “bom”, o equivalente a 62,5%;
  • 14 ficaram na faixa “regular”, ou 35%;
  • uma ficou na faixa “ruim”, equivalente a 2,5%;
  • nenhuma alcançou a faixa “ótimo”, que exige índice acima de 93 pontos.

Maio e junho aparecem nas planilhas, mas ainda estão sem resultados. Portanto, a média indicada como pertencente ao ciclo de janeiro a junho considera, neste momento, somente janeiro, fevereiro, março e abril. A própria SPTrans informa que os dados estão sujeitos a revisão até o fechamento do ciclo.

Ranking geral da cidade: das piores para as melhores

A classificação considera cada empresa dentro do respectivo lote. Uma mesma operadora aparece mais de uma vez quando atua em contratos diferentes.

Posição Grupo Lote Empresa/registro IQT médio Avaliação
40ª Distribuição D9 A2 58,11 Ruim
39ª Distribuição D2 Spencer 63,95 Regular
38ª Distribuição D2 Norte Buss 66,87 Regular
37ª Distribuição D4 Alfa Rodobus 67,76 Regular
36ª Distribuição D7 Transunião 68,94 Regular
35ª Distribuição D3 Transunião 69,78 Regular
34ª Articulação Regional AR2 Sambaíba 70,21 Regular
33ª Distribuição D1 Spencer 72,09 Regular
32ª Distribuição D10 SPTrans 73,24 Regular
31ª Estrutural E8 Transppass 73,34 Regular
30ª Articulação Regional AR9 Transppass 73,67 Regular
29ª Distribuição D11 SPTrans 73,95 Regular
28ª Estrutural E7 Metrópole 73,98 Regular
27ª Estrutural E2 Sambaíba 75,27 Regular
26ª Distribuição D5 Pêssego 75,29 Regular
25ª Estrutural E3 Metrópole 76,50 Bom
24ª Distribuição D8 Movebuss 76,75 Bom
23ª Articulação Regional AR3 Metrópole 76,93 Bom
22ª Distribuição D1 Registro identificado como “D1” 78,01 Bom
21ª Estrutural E6 Grajaú 78,10 Bom
20ª Articulação Regional AR5 Via Sudeste 78,28 Bom
19ª Estrutural E5 Mobibrasil 78,66 Bom
18ª Estrutural E4 Via Sudeste 79,64 Bom
17ª Articulação Regional AR4 Express 79,92 Bom
16ª Distribuição D12 Auto Bless 80,89 Bom
15ª Distribuição D1 Norte Buss 81,87 Bom
14ª Estrutural E8 Campo Belo 83,05 Bom
13ª Articulação Regional AR8 Gato Preto 83,24 Bom
12ª Articulação Regional AR0 Ambiental 83,47 Bom
11ª Articulação Regional AR9 Campo Belo 83,97 Bom
10ª Articulação Regional AR1 Gato Preto 84,12 Bom
Estrutural E9 Gatusa 84,20 Bom
Articulação Regional AR7 KBPX 84,33 Bom
Distribuição D6 Allibus 85,32 Bom
Articulação Regional AR6 Mobibrasil 85,39 Bom
Estrutural E1 Gato Preto 85,49 Bom
Estrutural E1 Santa Brígida 85,89 Bom
Articulação Regional AR7 Nova Paineira 86,04 Bom
Distribuição D13 Alfa Rodobus 86,39 Bom
Articulação Regional AR1 Santa Brígida 89,77 Bom

A A2, responsável pelo lote D9, foi a única operação classificada como “ruim”, com 58,11 pontos. O resultado ficou 19,32 pontos abaixo da média do sistema.

Na outra ponta, a Santa Brígida, no lote AR1, obteve o melhor resultado da cidade, com 89,77 pontos. Mesmo a líder, entretanto, não alcançou a faixa “ótimo”.

Ranking dos grupos de operação

Posição Grupo IQT médio Avaliação
Distribuição 75,10 Regular
Estrutural 79,00 Bom
Articulação Regional 79,19 Bom

Articulação Regional e Estrutural ficaram praticamente empatados, separados por apenas 0,19 ponto. O grupo Distribuição ficou 4,09 pontos abaixo da Articulação Regional e foi o único classificado como “regular”.

Distribuição piorou em todos os meses

Grupo Janeiro Fevereiro Março Abril Média
Distribuição 77,31 76,04 73,67 73,33 75,10
Estrutural 80,90 79,04 77,93 78,12 79,00
Articulação Regional 81,85 79,26 76,84 78,81 79,19

O grupo Distribuição caiu continuamente: 77,31 pontos em janeiro, 76,04 em fevereiro, 73,67 em março e 73,33 em abril. Foi, portanto, o único grupo que não apresentou recuperação no último mês analisado.

A Articulação Regional teve a maior recuperação entre março e abril, avançando 1,97 ponto. O Estrutural subiu apenas 0,18 ponto.

Distribuição: da pior para a melhor

Posição no grupo Lote Empresa/registro IQT Avaliação
16ª D9 A2 58,11 Ruim
15ª D2 Spencer 63,95 Regular
14ª D2 Norte Buss 66,87 Regular
13ª D4 Alfa Rodobus 67,76 Regular
12ª D7 Transunião 68,94 Regular
11ª D3 Transunião 69,78 Regular
10ª D1 Spencer 72,09 Regular
D10 SPTrans 73,24 Regular
D11 SPTrans 73,95 Regular
D5 Pêssego 75,29 Regular
D8 Movebuss 76,75 Bom
D1 Registro “D1” 78,01 Bom
D12 Auto Bless 80,89 Bom
D1 Norte Buss 81,87 Bom
D6 Allibus 85,32 Bom
D13 Alfa Rodobus 86,39 Bom

O grupo concentra os resultados mais baixos: nele estão a única avaliação “ruim” e nove das 14 avaliações “regulares” de toda a cidade.

As maiores diferenças da mesma operadora também aparecem na Distribuição. A Alfa Rodobus obteve 67,76 no D4 e 86,39 no D13, diferença de 18,63 pontos. A Norte Buss marcou 66,87 no D2 e 81,87 no D1, distância de 15 pontos. Isso mostra que o desempenho deve ser analisado por lote, garagem e contrato.

Os lotes D10 e D11 aparecem na base oficial sob o nome SPTrans, com índices de 73,24 e 73,95, respectivamente. Os dois ficaram na faixa “regular”.

Estrutural: da pior para a melhor

Posição no grupo Lote Empresa IQT Avaliação
11ª E8 Transppass 73,34 Regular
10ª E7 Metrópole 73,98 Regular
E2 Sambaíba 75,27 Regular
E3 Metrópole 76,50 Bom
E6 Grajaú 78,10 Bom
E5 Mobibrasil 78,66 Bom
E4 Via Sudeste 79,64 Bom
E8 Campo Belo 83,05 Bom
E9 Gatusa 84,20 Bom
E1 Gato Preto 85,49 Bom
E1 Santa Brígida 85,89 Bom

O Estrutural teve três operações classificadas como “regular” e oito como “bom”. Santa Brígida e Gato Preto, ambas no E1, ficaram separadas por apenas 0,40 ponto.

A Metrópole apresentou 76,50 pontos no E3, mas apenas 73,98 no E7. A diferença de 2,52 pontos fez com que uma operação fosse classificada como “bom” e a outra como “regular”.

Articulação Regional: da pior para a melhor

Posição no grupo Lote Empresa IQT Avaliação
13ª AR2 Sambaíba 70,21 Regular
12ª AR9 Transppass 73,67 Regular
11ª AR3 Metrópole 76,93 Bom
10ª AR5 Via Sudeste 78,28 Bom
AR4 Express 79,92 Bom
AR8 Gato Preto 83,24 Bom
AR0 Ambiental 83,47 Bom
AR9 Campo Belo 83,97 Bom
AR1 Gato Preto 84,12 Bom
AR7 KBPX 84,33 Bom
AR6 Mobibrasil 85,39 Bom
AR7 Nova Paineira 86,04 Bom
AR1 Santa Brígida 89,77 Bom

A Articulação Regional apresentou o melhor resultado entre os três grupos. Apenas Sambaíba, no AR2, e Transppass, no AR9, ficaram na faixa “regular”. As outras 11 operações foram classificadas como “bom”.

Empresas que mais melhoraram entre janeiro e abril

Empresa Lote Janeiro Abril Variação
KBPX AR7 79,08 89,23 +10,15
Ambiental AR0 81,47 89,27 +7,80
Gato Preto AR1 87,89 93,54 +5,65
Mobibrasil AR6 83,87 87,13 +3,26
Grajaú E6 75,68 77,61 +1,93

A Gato Preto no AR1 alcançou 93,54 pontos em abril, entrando naquele mês na faixa “ótimo”. Entretanto, a média dos quatro meses ficou em 84,12 porque a operação havia registrado apenas 70,83 em fevereiro.

Maiores quedas entre janeiro e abril

Empresa Lote Janeiro Abril Variação
Gato Preto E1 93,42 80,42 -13,00
Santa Brígida AR1 96,67 83,75 -12,92
Auto Bless D12 86,35 73,44 -12,91
Spencer D1 77,22 66,44 -10,78
Allibus D6 89,98 80,59 -9,39
Nova Paineira AR7 91,21 82,27 -8,94

O resultado da Santa Brígida no AR1 merece atenção: apesar de liderar a média da cidade, a empresa caiu de 96,67 em janeiro para 83,75 em abril. A posição no ranking acumulado é sustentada, portanto, pelos índices elevados do começo do período.

A Auto Bless caiu 12,91 pontos e terminou abril com 73,44, na faixa “regular”, embora a média de janeiro a abril ainda apareça como “bom”.

Principais conclusões

  • A qualidade média do sistema piorou 3,34 pontos entre janeiro e abril.
  • A recuperação registrada em abril foi pequena e não ocorreu no grupo Distribuição.
  • A Distribuição concentra dez avaliações abaixo da faixa “bom”.
  • A A2, no D9, foi a única operação classificada como “ruim”.
  • Nenhuma operação alcançou média suficiente para a classificação “ótimo”.
  • Santa Brígida no AR1 lidera o acumulado, mas apresenta trajetória de queda.
  • KBPX e Ambiental registraram as maiores evoluções entre janeiro e abril.
  • Empresas que atuam em mais de um lote apresentam diferenças expressivas de qualidade, especialmente Alfa Rodobus, Norte Buss, Spencer e Mobibrasil.
  • O ranking deve ser tratado como parcial, pois maio e junho ainda não foram preenchidos e os resultados permanecem sujeitos a revisão.

Nota da Prefeitura de São Paulo (SP) e do prefeito Ricardo Nunes

“O prefeito de São Paulo, Ricardo Nunes, determinou, nesta quinta-feira (17), a criação de um grupo de trabalho formado pela Procuradoria-Geral do Município (PGM), Controladoria-Geral do Município (CGM), SPTrans e Secretaria Municipal de Mobilidade Urbana e Transporte (SMT) para analisar todos os elementos da Operação Vectura Corrupta, deflagrada hoje. Após reunião nesta manhã, o grupo decidiu pelo afastamento imediato, em até 24 horas, dos integrantes da diretoria da empresa A2 Transportes citados na Operação por suposto envolvimento com sócios da empresa Translider. Ela será notificada da determinação sob pena de sofrer intervenção do Município.

Importante destacar que, embora o inquérito policial investigue 12 empresas, 7 de transporte foram citadas na decisão judicial da Operação Vectura Corrupta, das quais 6 não operam na cidade. A A2 Transportes é a única citada em operação na capital paulista. A Transwolff, que consta na decisão, não opera mais na cidade desde dezembro de 2025. Em 2024, a Prefeitura realizou a intervenção na Transwolff e, por iniciativa própria, também na UPBus, mesmo sem solicitação da Justiça. Na ocasião, a CGM instaurou processos contra as duas empresas, a Prefeitura encerrou os contratos e, desde então, atua em conjunto com o Ministério Público e a Polícia Civil nas investigações.

A administração municipal está analisando rigorosamente os contratos, documentos e eventuais vínculos da empresa com os fatos investigados na Operação Vectura Corrupta. Caso sejam constatadas irregularidades, serão adotadas imediatamente todas as medidas administrativas e judiciais necessárias para proteger o interesse público e assegurar a continuidade do serviço à população.

A Prefeitura reitera que não compactua com qualquer irregularidade e seguirá colaborando integralmente com as autoridades competentes. O serviço de transporte público municipal segue normalmente nesta quinta-feira.”

Nota da Transwolff

“A defesa da Transwolff esclarece que Milton Leite nunca teve qualquer participação societária na Transwolff, nunca participou da gestão ou “deu ordens” na empresa e se reputa que tal afirmação está completamente equivocada e dissociada da realidade.

O empresário Luiz Carlos Efigenio Pacheco nunca havia sido denunciado em nenhuma outra situação em sua vida até as indevidas imputações da “Operação Fim de Linha”, que estão sendo combatidas na Justiça, com a defesa alegando sua total inocência.

O processo administrativo de intervenção ilegal e arbitrário na Transwolff está sendo questionado na Justiça.

Ressalta-se que o decreto de intervenção da Prefeitura se apoia exclusivamente em questões financeiras, comuns a todas as empresas do setor e plenamente sanáveis, não havendo qualquer fundamento criminal, diferentemente do que havia sido inicialmente aventado na intervenção.”

Adamo Bazani, jornalista especializado em transportes

A2 terá de afastar Paulo Korek e Júlio Salvador em 24 horas

A determinação anunciada pelo prefeito representa um avanço em relação à primeira nota divulgada pela Prefeitura de São Paulo, que informava apenas a criação de um grupo para analisar a possibilidade de intervenção na A2.

Esse grupo reúne o secretário municipal de Mobilidade Urbana e Transporte, Celso Caldeira; o presidente da SPTrans, Victor Hugo; o procurador-geral do município em exercício, Vinícius; e o controlador-geral do município, Daniel Falcão.

Segundo Nunes, os representantes da prefeitura já se reuniram com o Ministério Público e decidiram notificar a concessionária para o afastamento dos dois dirigentes.

Paulo Korek é diretor-presidente da A2 e também aparece na investigação relacionado à Translíder. Júlio Salvador Filho é citado na decisão judicial como diretor da A2 e interlocutor de José Daniel Satilite, apontado pelos investigadores como suposto integrante do PCC e intermediário do grupo investigado.

O prefeito afirmou:

“Se não houver o afastamento, em 24 horas, desses dois diretores, Paulo e Júlio, a Prefeitura de São Paulo irá fazer a intervenção na A2 por conta dessa questão desses dois diretores da A2 estarem participando da empresa Translíder, que não opera em São Paulo. Mas, como têm participação societária em uma empresa envolvida, a gente preventivamente fará a intervenção.Então, depende agora, em 24 horas, desse afastamento ou não desses diretores para tomar a decisão de fazer a intervenção.”

De acordo com Nunes, se Paulo Korek e Júlio Salvador forem afastados dentro do prazo, a A2 poderá continuar operando normalmente. Se a determinação não for cumprida, a prefeitura assumirá o acompanhamento da operação, em modelo semelhante ao adotado nas intervenções realizadas anteriormente em outras concessionárias.

A intervenção não significa necessariamente o encerramento das linhas. A medida permite que a SPTrans acompanhe ou assuma a gestão operacional para preservar o atendimento aos passageiros enquanto são tomadas as providências administrativas e judiciais.

Prefeito diz que recebeu caso Levi com “bastante surpresa”

Levi dos Santos Oliveira foi presidente da SPTrans e secretário municipal de Mobilidade Urbana e Transporte. Segundo a investigação, ele teria mantido encontros periódicos com José Daniel Satilite para tratar de interesses relacionados a empresas de transporte, especialmente depois da Operação Fim da Linha.

Na coletiva, Ricardo Nunes disse que nunca havia recebido informações sobre possíveis irregularidades envolvendo Levi durante o período em que trabalharam juntos.

“Eu não vou te negar que vi com bastante surpresa a questão do Levi. O Levi foi presidente da SPTrans, foi secretário, e, durante o período em que a gente trabalhou junto, eu nunca havia ouvido falar de nenhum tipo de situação, de envolvimento.”

Nunes acrescentou que Levi é funcionário de carreira da SPTrans, com mais de 30 anos de atuação na empresa, e era considerado um profissional conceituado.

O prefeito ressaltou, entretanto, que não conhece todas as atividades particulares das pessoas com quem trabalhou e afirmou que qualquer agente público ou privado deve responder caso seja comprovada participação em ato criminoso.

Levi foi preso durante a Operação Vectura Corrupta. As suspeitas ainda serão submetidas ao contraditório e à análise da Justiça.

Nunes afirma que não conversou com Milton Leite

Questionado sobre Milton Leite, ex-vereador e ex-presidente da Câmara Municipal de São Paulo, Ricardo Nunes afirmou que não manteve contato com ele depois da deflagração da operação.

“Não, não falei com o Milton Leite. […] Tenho muito respeito pela história, pela trajetória do ex-presidente da Câmara, Milton Leite, vereador por mais de 20 anos. Mas, obviamente, vai competir a ele agora demonstrar ou não a sua inocência dentro desse processo.”

A decisão que embasou a operação registra que Milton Leite é citado como suposto responsável pela operação de algumas empresas que, segundo os investigadores, estariam sob influência do PCC.

O documento também reproduz declarações de policiais militares prestadas em um procedimento no Tribunal de Justiça Militar, segundo as quais Milton Leite “seria o dono de fato” da Transwolff. A afirmação é uma linha da investigação e não representa reconhecimento definitivo de propriedade ou condenação.

Nunes afirmou que a Prefeitura de São Paulo continuará fornecendo apoio às investigações, independentemente de relações políticas ou pessoais dos investigados.

Prefeitura diz que passageiros não correm risco de ficar sem ônibus

Ricardo Nunes afirmou que todas as garagens e linhas permanecem funcionando normalmente e que não existe risco de interrupção dos serviços.

Segundo o prefeito, uma eventual intervenção na A2 terá como objetivo manter a operação, impedir prejuízos aos passageiros e permitir o acompanhamento direto da concessionária pela SPTrans.

“Todas as garagens estão funcionando normalmente, todas as linhas estão operando normalmente. Risco zero de qualquer paralisação ou de que a gente tenha uma descontinuidade do serviço de transporte público de passageiros na cidade de São Paulo”, declarou.

A Operação Vectura Corrupta, realizada pelo Ministério Público e pela Polícia Civil, investiga a suposta infiltração do PCC em empresas de ônibus, contratos públicos, licitações e estruturas políticas e administrativas.

As atribuições contra Paulo Korek, Júlio Salvador, Levi Oliveira, Milton Leite e os demais citados fazem parte de uma investigação em andamento. Não há condenação definitiva pelos fatos apurados, e todos têm direito à presunção de inocência, ao contraditório e à ampla defesa.

O Diário do Transporte mantém aberto o espaço para manifestações das empresas, dos investigados e de seus representantes.

Nota da Prefeitura de São Paulo (SP) e do prefeito Ricardo Nunes

“O prefeito de São Paulo, Ricardo Nunes, determinou, nesta quinta-feira (17), a criação de um grupo de trabalho formado pela Procuradoria-Geral do Município (PGM), Controladoria-Geral do Município (CGM), SPTrans e Secretaria Municipal de Mobilidade Urbana e Transporte (SMT) para analisar todos os elementos da Operação Vectura Corrupta, deflagrada hoje. Após reunião nesta manhã, o grupo decidiu pelo afastamento imediato, em até 24 horas, dos integrantes da diretoria da empresa A2 Transportes citados na Operação por suposto envolvimento com sócios da empresa Translider. Ela será notificada da determinação sob pena de sofrer intervenção do Município.

Importante destacar que, embora o inquérito policial investigue 12 empresas, 7 de transporte foram citadas na decisão judicial da Operação Vectura Corrupta, das quais 6 não operam na cidade. A A2 Transportes é a única citada em operação na capital paulista. A Transwolff, que consta na decisão, não opera mais na cidade desde dezembro de 2025. Em 2024, a Prefeitura realizou a intervenção na Transwolff e, por iniciativa própria, também na UPBus, mesmo sem solicitação da Justiça. Na ocasião, a CGM instaurou processos contra as duas empresas, a Prefeitura encerrou os contratos e, desde então, atua em conjunto com o Ministério Público e a Polícia Civil nas investigações.

A administração municipal está analisando rigorosamente os contratos, documentos e eventuais vínculos da empresa com os fatos investigados na Operação Vectura Corrupta. Caso sejam constatadas irregularidades, serão adotadas imediatamente todas as medidas administrativas e judiciais necessárias para proteger o interesse público e assegurar a continuidade do serviço à população.

A Prefeitura reitera que não compactua com qualquer irregularidade e seguirá colaborando integralmente com as autoridades competentes. O serviço de transporte público municipal segue normalmente nesta quinta-feira.”

Nota da Transwolff

“A defesa da Transwolff esclarece que Milton Leite nunca teve qualquer participação societária na Transwolff, nunca participou da gestão ou “deu ordens” na empresa e se reputa que tal afirmação está completamente equivocada e dissociada da realidade.

O empresário Luiz Carlos Efigenio Pacheco nunca havia sido denunciado em nenhuma outra situação em sua vida até as indevidas imputações da “Operação Fim de Linha”, que estão sendo combatidas na Justiça, com a defesa alegando sua total inocência.

O processo administrativo de intervenção ilegal e arbitrário na Transwolff está sendo questionado na Justiça.

Ressalta-se que o decreto de intervenção da Prefeitura se apoia exclusivamente em questões financeiras, comuns a todas as empresas do setor e plenamente sanáveis, não havendo qualquer fundamento criminal, diferentemente do que havia sido inicialmente aventado na intervenção.”

Adamo Bazani, jornalista especializado em transportes

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