Conpresp rejeita pedidos do Metrô na Estação Barra Funda e da CPTM em imóvel no Brás
Publicado em: 17 de setembro de 2026
Empresas não atenderam integralmente a solicitações do órgão municipal de preservação, segundo decisões; prazo para recursos é de 15 dias
ADAMO BAZANI
O Conselho Municipal de Preservação do Patrimônio Histórico, Cultural e Ambiental da Cidade de São Paulo rejeitou pedidos apresentados pelo Metrô e pela CPTM para intervenções em imóveis na Barra Funda e no Brás. As duas decisões foram tomadas na reunião de segunda-feira, 14 de setembro de 2026, e publicadas no Diário Oficial da Cidade nesta quinta-feira (17).
No caso do Metrô, o pedido era para regularizar uma intervenção na Estação Barra Funda. Em relação à CPTM, a solicitação envolvia a demolição de pilares e muretas de um porte-cochère em um imóvel da companhia no Brás. Segundo o Conpresp, as empresas não atenderam integralmente às exigências feitas durante a análise dos processos.
As decisões não informam a natureza completa da intervenção realizada pelo Metrô, o objetivo operacional da demolição pretendida pela CPTM nem eventuais impactos sobre a circulação dos passageiros. Também não há, nas publicações, determinação de interrupção dos serviços de trens ou do metrô.
Metrô pediu regularização de intervenção na Barra Funda
O pedido do Metrô envolve a Estação Barra Funda, em imóvel situado na Rua Mário de Andrade, nº 718.
O Conpresp informou que se manifestou contrariamente à regularização da intervenção porque não houve atendimento a um “comunique-se”. Esse instrumento é utilizado pela administração para pedir documentos, correções, projetos ou esclarecimentos necessários à continuidade da análise.
A publicação não detalha qual intervenção foi realizada, quais documentos deixaram de ser apresentados nem se o pedido está ligado às áreas de circulação de passageiros, estruturas operacionais, acessos ou dependências administrativas.
A Estação Palmeiras-Barra Funda é um dos principais complexos de transporte de São Paulo, com integração entre as linhas 3-Vermelha do Metrô, 7-Rubi e 8-Diamante de trens metropolitanos, além de serviços rodoviários e linhas municipais e metropolitanas de ônibus.
A decisão foi tomada na 855ª Reunião Ordinária do Conpresp, realizada em 14 de setembro de 2026.
CPTM pretendia demolir pilares e muretas no Brás
O pedido da CPTM tratava da autorização para demolir elementos de um porte-cochère, descritos no processo como pilares e muretas, em imóvel situado na Praça Agente Cícero, sem número, no Brás.
Porte-cochère é uma estrutura coberta instalada diante ou ao lado de uma edificação para permitir o embarque e o desembarque de pessoas protegidas da chuva e do sol. Dependendo do conjunto arquitetônico, os elementos dessa estrutura podem integrar a proteção histórica do imóvel.
Assim como no caso do Metrô, o Conpresp informou que a CPTM não atendeu ao “comunique-se” emitido durante a análise. O despacho não esclarece a finalidade da demolição nem se a retirada das estruturas estava relacionada a obras ferroviárias, segurança, conservação ou reorganização do espaço.
O endereço está na região da Estação Brás, um dos mais importantes pontos de integração metroferroviária da capital, atendido por linhas da CPTM e pela Linha 3-Vermelha do Metrô.
Empresas podem recorrer
O Metrô e a CPTM têm prazo de 15 dias corridos, contado a partir da publicação no Diário Oficial, para apresentar recursos ao Conpresp.
O Conpresp é responsável pela proteção do patrimônio histórico, cultural e ambiental da cidade de São Paulo. Intervenções, demolições, reformas e regularizações em imóveis tombados ou inseridos em áreas envoltórias de bens protegidos dependem de análise do colegiado.
Adamo Bazani, jornalista especializado em transportes



