A2 Transportes deve sofrer intervenção da SPTrans e Controladoria é acionada, diz nota oficial da Prefeitura de São Paulo

Diretor-presidente da empresa, Paulo Korek, é um dos alvos de operação que investiga suposta ligação de 12 viações originárias de cooperativas com a facção criminosa PCC; ex-presidente da SPTrans Levi Oliveira e ex-presidente da Câmara Milton Leite também estão entre os investigados

ADAMO BAZANI

A Prefeitura de São Paulo criou, nesta quinta-feira, 17 de setembro de 2026, um grupo para avaliar uma possível intervenção na A2 Transportes. A equipe reúne representantes da Procuradoria-Geral do Município, da Controladoria-Geral do Município, da SPTrans e da Secretaria Municipal de Mobilidade Urbana e Transporte. A intervenção ainda não foi decretada.

A medida foi determinada pelo prefeito Ricardo Nunes após a A2 ser citada na Operação Vectura Corrupta, investigação do Ministério Público e da Polícia Civil sobre a suposta infiltração do PCC em empresas de ônibus, licitações e estruturas públicas. Paulo Sirqueira Korek Farias, diretor-presidente da A2, está entre os alvos, ao lado do ex-presidente da SPTrans Levi dos Santos Oliveira e do ex-presidente da Câmara Municipal de São Paulo Milton Leite.

Prefeitura vai analisar contratos e possíveis vínculos da A2

Em nota oficial, a administração municipal informou que fará um levantamento rigoroso dos contratos, documentos e eventuais vínculos da A2 com o sistema de transporte coletivo.

Segundo a prefeitura, serão adotadas as medidas administrativas e judiciais consideradas necessárias para proteger o interesse público e assegurar a continuidade do atendimento aos passageiros.

A eventual intervenção seguiria o modelo adotado em abril de 2024 na Transwolff e na UPBus, empresas que passaram ao controle operacional da SPTrans depois de serem investigadas na Operação Fim da Linha. A intervenção nas duas viações foi estabelecida pelo Decreto Municipal nº 63.328, de 9 de abril de 2024. A própria Prefeitura de São Paulo registra que Transwolff e UPBus permanecem sob intervenção municipal.

Veja a nota oficial:

O prefeito de São Paulo, Ricardo Nunes, determinou, na manhã desta quinta-feira, a criação de um grupo formado por representantes da Procuradoria-Geral do Município, da Controladoria-Geral do Município, da SPTrans e da Secretaria Municipal de Mobilidade Urbana e Transporte para analisar todos os elementos da operação deflagrada hoje.
O grupo vai apurar a possibilidade de uma intervenção na empresa A2, citada na denúncia, repetindo o que ja foi feito dois anos atrás em outras duas empresas do setor.

A Prefeitura fará um levantamento rigoroso de contratos, documentos e eventuais vínculos da empresa com o sistema municipal de transporte, adotando imediatamente todas as medidas administrativas e judiciais que forem necessárias para proteger o interesse público e assegurar a continuidade dos serviços à população.

A Prefeitura de São Paulo reafirma que não compactua com qualquer irregularidade e continuará colaborando integralmente com as autoridades responsáveis pelas investigações

Por meio de nota, a A2 nega eventuais crimes

A A2 Transportes, por meio de seu presidente, Paulo Siqueira Korek, reafirma seu compromisso com a legalidade, a transparência, a ética e a seriedade na condução de suas atividades.

A empresa nega de forma categórica qualquer envolvimento com o Primeiro Comando da Capital (PCC), bem como qualquer prática de lavagem de dinheiro ou participação em atividades ilícitas.

A A2 Transportes esclarece, ainda, que todos os recursos financeiros que ingressam na empresa são provenientes exclusivamente dos contratos e pagamentos realizados pela Prefeitura pelos serviços regularmente prestados. Não existem outras fontes de entrada de recursos financeiros na empresa.

Diante das informações que vêm sendo divulgadas, a empresa está à disposição das autoridades competentes para apresentar documentos e prestar todos os esclarecimentos necessários, contribuindo para que os fatos sejam devidamente apurados.

Para o presidente Paulo Siqueira Korek, o movimento que vem ocorrendo em torno da empresa apresenta, em sua percepção, forte componente político. A A2 Transportes, entretanto, reafirma que seguirá colaborando com as instituições responsáveis pela apuração e respeitando rigorosamente o devido processo legal.

«“A A2 Transportes nunca teve envolvimento com o PCC e jamais fez lavagem de dinheiro. Nossos recursos são provenientes exclusivamente dos contratos e pagamentos realizados pela Prefeitura pelos serviços que prestamos. Não temos outras fontes de entrada de recursos. Nossa história é construída com trabalho, seriedade e ética. Estamos à disposição para todos os esclarecimentos necessários e confiamos na apuração dos fatos e na Justiça.”

Paulo Siqueira Korek — Presidente da A2 Transportes»

A A2 Transportes reforça seu compromisso com a verdade, a transparência e a legalidade, confiando que os fatos serão esclarecidos com base em documentos, provas e informações oficiais.

Operação investiga 12 empresas originárias de cooperativas

A Operação Vectura Corrupta prevê o cumprimento de 16 mandados de prisão temporária e 18 de busca e apreensão. A apuração reúne 17 nomes e investiga suspeitas de organização criminosa, lavagem de dinheiro, interferência em contratações públicas e utilização de empresas de transporte para movimentar recursos ilícitos.

De acordo com os documentos da investigação, 12 empresas que atuam no subsistema local de ônibus estão sob apuração: Auto Bless, Alfa Rodobus, Transwolff, A2 Transportes, Imperial, MoveBuss, Pêssego, Allianz, Transunião, Qualibus, Norte Buss e Spencer.

Essas viações têm origem no antigo sistema de cooperativas e atendem principalmente bairros mais afastados. Juntas, respondem por aproximadamente metade da operação municipal, com 6.029 ônibus e 511 das 1.331 linhas da cidade, segundo indicadores da SPTrans.

Levi Oliveira foi preso durante a operação. Os investigadores afirmam que o ex-presidente da SPTrans teria mantido encontros com José Daniel Satilite, apontado como suposto intermediário entre integrantes da facção, empresários, advogados e pessoas ligadas ao meio político.

Milton Leite aparece na investigação como suposto responsável pela operação de algumas empresas que, segundo os investigadores, estariam sob influência do grupo criminoso. Paulo Korek é investigado em razão de sua atuação à frente da A2 Transportes.

As informações fazem parte da investigação e ainda serão submetidas ao contraditório e à análise da Justiça. Não há condenação definitiva dos citados, que têm direito à defesa.

A Prefeitura de São Paulo declarou que não compactua com irregularidades e que continuará colaborando com as autoridades responsáveis pela investigação.

O Diário do Transporte acompanha o caso e atualizará as informações assim que houver uma decisão sobre a intervenção na A2 ou manifestações das pessoas e empresas citadas.

Operação sobre infiltração do PCC em empresas de ônibus inclui ex-presidente da SPTrans e cita Milton Leite entre suspeitos

Investigação do Ministério Público e da Polícia Civil aponta encontros de Levi de Oliveira com suposto intermediário da facção e atribui ao ex-presidente da Câmara de São Paulo participação na operação de empresas de transporte; apuração reúne 17 nomes

ADAMO BAZANI

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Uma operação conjunta do Ministério Público do Estado de São Paulo e da Polícia Civil investiga a suposta infiltração do PCC (Primeiro Comando da Capital) em empresas de transporte por ônibus, processos licitatórios e estruturas políticas e administrativas. Entre os 17 nomes relacionados pelos investigadores estão Levi dos Santos Oliveira, ex-presidente da SPTrans, e Milton Leite da Silva, ex-vereador e ex-presidente da Câmara Municipal de São Paulo.

Segundo o documento que embasa a operação, Levi teria mantido encontros periódicos com José Daniel Satilite, apontado como integrante do PCC e principal intermediário do grupo investigado, para tratar de interesses relacionados a empresas de transporte. Milton Leite, por sua vez, é citado em diálogos como responsável pela operação de algumas empresas que, de acordo com a investigação, estariam sob influência da organização criminosa. As informações fazem parte da apuração e ainda precisam ser submetidas ao contraditório e à análise da Justiça.

Não há, no material consultado pelo Diário do Transporte, indicação de condenação de Levi ou Milton Leite pelos fatos investigados. As atribuições apresentadas são suspeitas formuladas pelo Ministério Público e pela Polícia Civil durante a investigação.

Para se ter uma dimensão da investigação, as empresas investigadas possuem cerca da metade de todo o sistema de ônibus da capital paulista, que é o maior da América latina e está entre os cinco maiores do mundo.

Surgidas de cooperativas de transportes, operam no chamado subsistema local, dos bairros mais afastados.

Para se ter uma ideia, este subsistema responde por 6.029 ônibus da frota total de 13.690. De 1.331 linhas da cidade, são 511, só neste grupo de operação.

Os dados são dos indicadores oficiais da SPTrans.

As empresas citadas são:

  1. Viação Transcap Transportes – Hoje chamada de AutoBless
  2. Alfa Rodobus Transportes – que assumiu no lugar da UPBus, alvo da primeira operação Fim da Linha, de abril de 2024
  3. Transwolff Transportes
  4. A2 Transportes
  5. Imperial Transportes
  6. Move Buss Transportes
  7. Pêssego Transportes
  8. Allianz Transportes
  9. Transunião Transportes
  10. Qualibus Transportes
  11. Norte Bus Transportes
  12. Spencer Transportes

O Ministério Público e a Polícia Civil de São Paulo deflagraram, nesta quinta-feira, dia 17 de setembro, uma operação para investigar a suposta infiltração do Primeiro Comando da Capital, o PCC, em empresas de ônibus e em procedimentos de contratação do transporte público.

Entre os principais alvos estão o ex-presidente da SPTrans Levi dos Santos Oliveira e o ex-vereador Milton Leite, que presidiu a Câmara Municipal de São Paulo. A chamada Operação Vectura Corrupta prevê o cumprimento de 16 mandados de prisão e 18 de busca e apreensão.

Segundo as informações divulgadas nesta manhã, Levi de Oliveira foi preso. Os investigadores afirmam ter identificado encontros periódicos entre o ex-presidente da SPTrans e José Daniel Satilite, apontado como um dos principais intermediários entre integrantes da facção criminosa, empresários, advogados e pessoas ligadas ao meio político.

De acordo com a investigação, esses encontros teriam como finalidade tratar de interesses relacionados a empresas de transporte, especialmente depois da Operação Fim da Linha, realizada em abril de 2024. Levi de Oliveira presidiu a SPTrans, empresa municipal responsável pelo gerenciamento do sistema de ônibus da capital paulista.

Milton Leite, que exerceu sete mandatos como vereador e presidiu a Câmara Municipal, também aparece entre os investigados. Conforme o documento que fundamenta a operação, o nome do ex-parlamentar foi citado em diferentes momentos como suposto responsável pela operação de empresas de ônibus que estariam sob influência do grupo criminoso.

A investigação também menciona declarações prestadas por policiais militares em um procedimento da Justiça Militar. Segundo esses relatos, Milton Leite seria o proprietário de fato da Transwolff. Essa é uma alegação ainda sob apuração e não representa uma conclusão definitiva da Justiça. O ex-vereador já negou anteriormente qualquer ligação com atividades criminosas.

A Transwolff foi um dos alvos da Operação Fim da Linha, que apurou suspeitas de lavagem de dinheiro do tráfico por meio do transporte coletivo. A Prefeitura de São Paulo decretou intervenção na empresa em abril de 2024 para preservar a continuidade do atendimento aos passageiros.

A nova operação alcança ainda empresários do setor, advogados e pessoas acusadas de intermediar licitações e pagamentos. Entre as empresas citadas nominalmente no material conhecido até o momento estão Transwolff, A2 Transportes e Translíder. A investigação faz referência a outras companhias.

As suspeitas incluem organização criminosa, lavagem de dinheiro, influência em contratações públicas e utilização de empresas de transporte para movimentar recursos ilícitos.

Todos os citados têm direito à defesa, e as acusações ainda serão analisadas pela Justiça. O Diário do Transporte acompanha o caso e atualizará as informações e as manifestações das defesas assim que forem apresentadas.

Ex-presidente da SPTrans teria se reunido com suposto intermediário do PCC

Levi dos Santos Oliveira comandou a SPTrans, empresa municipal responsável pelo gerenciamento do sistema de ônibus da cidade de São Paulo.

De acordo com os investigadores, Levi não aparece como interlocutor telefônico direto de José Daniel Satilite nos diálogos analisados. A apuração, entretanto, afirma que os dois teriam mantido encontros periódicos.

Para os investigadores, a finalidade dessas reuniões seria tratar de interesses da organização criminosa relacionados a empresas de transporte, principalmente depois da deflagração da Operação Fim da Linha pelo Ministério Público de São Paulo.

O documento não detalha, no resumo das condutas, as datas e os locais de todos os encontros, quais decisões administrativas teriam sido discutidas nem se alguma medida concreta da SPTrans foi adotada em decorrência dessas supostas conversas.

Também será necessário esclarecer em que período ocorreram os encontros e se Levi ainda exercia função pública em todas as ocasiões mencionadas.

Investigação cita Milton Leite em relação com empresas de transporte

Milton Leite da Silva, ex-vereador e ex-presidente da Câmara Municipal de São Paulo, é citado nominalmente em diferentes momentos da investigação.

Segundo o resumo elaborado pelos investigadores, o nome de Milton Leite aparece em diálogos como o de uma pessoa que teria responsabilidade direta pela operação de algumas empresas supostamente controladas pelo PCC.

A apuração também faz referência a declarações prestadas por policiais militares em procedimento no Tribunal de Justiça Militar. De acordo com o documento, esses policiais teriam atribuído a Milton Leite a condição de proprietário de fato da Transwolff.

A afirmação é tratada como linha de investigação. A propriedade formal, o eventual poder de decisão sobre a empresa e a consistência dos relatos ainda deverão ser demonstrados no processo.

A Transwolff foi um dos alvos da Operação Fim da Linha, deflagrada pelo Ministério Público em abril de 2024. Na ocasião, a investigação apontou suspeitas de utilização de empresas de ônibus para lavagem de recursos provenientes de atividades criminosas.

Depois da operação, a Prefeitura de São Paulo decretou intervenção na Transwolff e na UPBus para manter o funcionamento das linhas e acompanhar a administração das concessionárias. A medida foi adotada para evitar interrupções no atendimento aos passageiros enquanto prosseguiam as investigações.

José Daniel Satilite é apontado como figura central

José Daniel Satilite, conhecido como “Alemão”, é descrito como o investigado central do caso.

A Polícia Civil e o Ministério Público afirmam que ele seria integrante do PCC e atuaria como intermediário entre empresários, advogados, pessoas próximas a políticos e membros da facção.

Segundo a investigação, José Daniel participaria de negociações relacionadas a empresas, contratos e procedimentos licitatórios, além de manter contato com diferentes núcleos da organização criminosa.

Parte da apuração busca identificar como integrantes da facção teriam se aproximado de empresas regulares, empresários, agentes públicos e pessoas com influência política para ampliar a presença do grupo no setor de transporte.

Empresas Translider e A2 Transportes aparecem na investigação

A investigação também menciona a Translider e a A2 Transportes.

Paulo Sirqueira Korek Farias é apontado como empresário e gestor das duas companhias. Segundo os investigadores, ele atuaria como testa de ferro da organização criminosa e administraria interesses do grupo no ramo de transportes.

Korek também é presidente do Esporte Clube Água Santa.

A Translider teria sido formalmente colocada em nome de José Daniel Satilite e Claudionor Aparecido Sabino Tomaz, que são apontados como laranjas. O verdadeiro controlador, segundo a apuração, seria Paulo Korek.

Júlio Salvador Filho, diretor da A2 Transportes, teria participação em decisões sobre a liberação de pagamentos a José Daniel e Claudionor. Wellington Andrade dos Santos, funcionário de Korek, seria responsável pela execução desses pagamentos.

No caso de Wellington, os próprios investigadores registram que ainda não foi possível determinar se ele conhecia a suposta origem ilícita ou se apenas realizava os pagamentos em decorrência da relação de emprego. Contra ele, segundo a relação da operação, foram autorizadas buscas, mas não prisão.

Licitações e possíveis contatos políticos

José Ronaldo Alves de Sales é apontado como uma pessoa com atuação nos meios político e empresarial, especialmente no ramo dos transportes.

Segundo os investigadores, ele faria a ligação entre supostos integrantes da facção e pessoas do meio político, além de auxiliar em procedimentos licitatórios. A apuração menciona suspeita de corrupção de agentes públicos ainda não identificados.

Edson Antonio de Souza, conhecido como “Peru”, também é investigado por supostamente intermediar interesses da organização criminosa em licitações de diferentes municípios.

Eduardo Medeiros, chamado de “Galo”, é descrito como integrante do PCC, advogado pessoal de José Daniel e proprietário de empresas de transporte. A investigação afirma que ele teria atuado com outros suspeitos no setor e em processos licitatórios.

Os investigadores também citam Danilo Marco Morgado Silva, candidato derrotado à Prefeitura de Praia Grande em 2024. Segundo o documento, foram identificados vínculos com integrantes da organização criminosa e suspeita de financiamento de campanha por meio do grupo investigado.

Essas afirmações ainda dependem de comprovação e não representam conclusão definitiva sobre eventual responsabilidade criminal ou eleitoral.

Advogados são investigados por suposta atuação além da defesa profissional

Três advogados aparecem na relação dos investigados: Cícero José dos Santos Filho, Eduardo Medeiros e Milton Mello Milreu.

A investigação afirma que Cícero teria utilizado o escritório como local de reunião de integrantes da facção e uma conta bancária profissional para receber valores provenientes de empresas investigadas.

Segundo os responsáveis pela operação, essas condutas teriam ultrapassado os limites do exercício regular da advocacia. A análise definitiva sobre a legalidade da atuação dependerá do conteúdo das provas, da manifestação das defesas e das decisões judiciais.

Milton Mello Milreu é apontado como membro da organização criminosa e suspeito de realizar pagamentos periódicos a José Daniel Satilite. Os investigadores também afirmam que ele atuaria na aproximação de empresas para que passassem ao controle do grupo.

O material cita negociações envolvendo a Usina Campo Limpo e a refinaria Fanal, além de mencionar dúvidas dos próprios interlocutores sobre eventual participação de Milreu em outras operações.

Sérgio Luiz Gevaerd de Oliveira é descrito como empresário e braço direito de Milton Milreu. De acordo com a apuração, ele atuaria como intermediário entre o advogado e integrantes da organização criminosa. O investigado é cidadão norte-americano e estaria nos Estados Unidos.

Investigação também alcança núcleos financeiro e logístico

André Cassali, conhecido como “irmão Beringela” e “Tiago”, é apontado como um dos responsáveis pelo setor financeiro do PCC.

Investigações de outras unidades policiais também atribuem a ele participação na logística do transporte de drogas da fronteira com a Bolívia até a Baixada Santista. Cassali seria interlocutor direto de José Daniel Satilite.

Claudionor Aparecido Sabino Tomaz é descrito como integrante da facção e interlocutor direto de José Daniel. Segundo a investigação, os diálogos entre os dois envolveriam negociação de armas e drogas, além de interesses em empresas.

Carla de Paula Muller é esposa de Antônio José Muller Junior, conhecido como “Granada”, apontado como uma das lideranças do PCC e preso na Penitenciária Federal de Brasília.

Segundo os investigadores, Carla transmitiria mensagens de interesse da facção ao marido e também atuaria na exploração de atividades relacionadas ao transporte público. Ela manteria contato direto com José Daniel.

Edivania Arruda Botelho Alves, conhecida como “Lalinha”, teria servido como ponte para a transmissão de mensagens de integrantes da facção presos em Presidente Bernardes, onde também está detido o marido dela.

Os 17 nomes relacionados na investigação

Além de Levi dos Santos Oliveira e Milton Leite, a relação de suspeitos reúne:

  • André Cassali, apontado como operador financeiro e participante da logística de drogas;
  • Carla de Paula Muller, suspeita de transmitir mensagens e atuar em interesses relacionados ao transporte;
  • Cícero José dos Santos Filho, advogado suspeito de oferecer estrutura para reuniões e movimentações financeiras;
  • Claudionor Aparecido Sabino Tomaz, apontado como integrante da facção e laranja da Translider;
  • Danilo Marco Morgado Silva, investigado por supostos vínculos políticos e eleitorais com a organização;
  • Edivania Arruda Botelho Alves, suspeita de transmitir mensagens de integrantes presos;
  • Edson Antonio de Souza, apontado como intermediário em licitações;
  • Eduardo Medeiros, advogado e empresário do setor de transportes;
  • José Daniel Satilite, apontado como principal intermediário do grupo;
  • José Ronaldo Alves de Sales, suspeito de fazer a ligação entre integrantes da facção, empresários e pessoas do meio político;
  • Júlio Salvador Filho, diretor da A2 Transportes;
  • Milton Mello Milreu, advogado apontado como integrante da organização;
  • Paulo Sirqueira Korek Farias, empresário do transporte e presidente do Água Santa;
  • Sérgio Luiz Gevaerd de Oliveira, empresário apontado como intermediário;
  • Wellington Andrade dos Santos, funcionário de Paulo Korek sobre o qual a investigação ainda não definiu se havia conhecimento das supostas atividades ilícitas.

Apuração deve identificar agentes públicos e alcance sobre o sistema de ônibus

Uma das frentes da investigação é identificar possíveis agentes públicos que teriam auxiliado interesses da organização criminosa em procedimentos administrativos ou licitatórios.

O material também deverá ser usado para verificar se houve interferência em autorizações, contratos, pagamentos ou decisões relacionadas ao transporte coletivo.

Apesar da gravidade das suspeitas, a operação não significa condenação. Todos os investigados têm direito à presunção de inocência, acesso aos elementos da apuração, contraditório e ampla defesa.

As manifestações das defesas de Levi de Oliveira, Milton Leite e dos demais investigados não constam no material que embasa esta reportagem. O espaço permanece aberto para os posicionamentos e o texto será atualizado caso sejam apresentados.

POSICIONAMENTO PREFEITURA DE SÃO PAULO

Por meio de nota, a prefeitura diz que vai colaborar com as investigações

A intervenção determinada pela Prefeitura de São Paulo na Transwolff, em abril de 2024, foi uma medida firme e decisiva para proteger o sistema municipal de transporte. Na mesma ocasião, a administração municipal também determinou, por iniciativa própria, a intervenção na UPBus, mesmo sem qualquer solicitação da Justiça. Desde o início das investigações, a Prefeitura agiu com rigor, inclusive encerrando contrato a fim de preservar o interesse público e garantir que a população não fosse prejudicada.
A Prefeitura reforça que, na ocasião, também foi aberto um processo pela Controladoria Geral do Município contra a Transwolff e a UPBus e, desde então, atua em conjunto com o Ministério Público e a Polícia Civil no processo investigatório.
A operação realizada nesta quinta-feira (17) reforça a gravidade dos fatos que motivaram as providências adotadas pela Prefeitura. A administração colabora integralmente com o Ministério Público, fornecendo todos os documentos e esclarecimentos necessários.

A ORDEM JUDICIAL:

A ordem judicial, assinada em 4 de setembro de 2026 pelo desembargador Sérgio Ribas, da 8ª Câmara de Direito Criminal do Tribunal de Justiça de São Paulo, ampliou as medidas cautelares de uma investigação sobre a suposta infiltração do PCC em empresas de ônibus, contratos públicos, licitações e articulações políticas.

A decisão é liminar e provisória. O magistrado ressalta que as medidas não representam condenação nem conclusão definitiva sobre a responsabilidade dos investigados.

O que foi determinado

O Tribunal de Justiça decretou a prisão temporária, por 30 dias, de 13 investigados:

  1. Carla de Paula Muller;
  2. Cícero José dos Santos Filho;
  3. Danilo Marco Morgado Silva;
  4. Edivânia Arruda Botelho Alves;
  5. Edson Antonio de Souza;
  6. Eduardo Medeiros;
  7. José Ronaldo Alves de Sales;
  8. Julio Salvador Filho;
  9. Levi dos Santos Oliveira, ex-presidente da SPTrans;
  10. Milton Leite da Silva, ex-presidente da Câmara Municipal de São Paulo;
  11. Milton Mello Milreu;
  12. Paulo Sirqueira Korek Farias;
  13. Sergio Luiz Gevaerd de Oliveira.

Essas prisões foram acrescentadas às três que já haviam sido autorizadas na primeira instância, contra André Cassali, Claudionor Aparecido Sabino Tomaz e José Daniel Satilite. Assim, as duas decisões alcançam 16 investigados com prisões temporárias.

Buscas autorizadas

Foram autorizadas buscas e apreensões nos endereços diretamente relacionados aos 13 investigados e também em endereço ligado a Wellington Andrade dos Santos, citado na apuração como possível operador de pagamentos.

O desembargador autorizou o cumprimento itinerante dos mandados. Isso permite que a Polícia Civil realize a busca em endereço diferente do inicialmente indicado caso seja constatado que o investigado mudou de local.

A polícia, entretanto, deverá justificar a mudança. As apreensões devem permanecer relacionadas aos fatos investigados, não sendo permitidas buscas genéricas ou aleatórias.

O Ministério Público pretendia realizar buscas em dezenas de endereços, mas o Tribunal autorizou apenas os locais vinculados aos investigados para os quais identificou elementos individualizados. As buscas relativas às demais pessoas foram negadas por falta de informações suficientes nesta fase.

Celulares e equipamentos eletrônicos

O TJ-SP autorizou:

  • apreensão de celulares e outros dispositivos eletrônicos;
  • acesso aos dados armazenados;
  • extração e preservação das informações;
  • análise das comunicações e dos documentos digitais.

O acesso somente poderá ocorrer quando houver relação entre o equipamento apreendido e os fatos investigados. A polícia deverá preservar a cadeia de custódia, isto é, registrar e proteger todo o caminho percorrido pela prova digital para evitar alterações ou contaminações.

Bloqueio de patrimônio foi negado

O desembargador negou, por enquanto, os pedidos de indisponibilidade e bloqueio de:

  • imóveis;
  • veículos;
  • aeronaves;
  • embarcações.

Segundo a decisão, a investigação ainda não individualizou suficientemente a possível origem ilícita de cada bem nem demonstrou sua ligação direta com os fatos apurados.

O Ministério Público poderá apresentar novamente os pedidos de bloqueio se surgirem novas provas específicas sobre o patrimônio dos investigados.

Suposta infiltração no transporte público

A decisão afirma que a investigação, derivada da Operação Decurio, apura uma estrutura que supostamente utilizaria empresas de transporte, pessoas interpostas, contratos públicos e relações com agentes políticos para atender a interesses do PCC.

O desembargador registra que, segundo os investigadores, 12 das 22 empresas que operariam o transporte coletivo da capital paulista seriam, em tese, controladas pela organização criminosa. A ordem judicial, contudo, não identifica nominalmente quais seriam essas 12 empresas.

O documento menciona diferentes empresas e negócios investigados, entre eles:

  • A2 Transportes;
  • Translider;
  • Transbellaflor;
  • Otrantur Transporte e Turismo;
  • Translog, atual ABC Plus Transportes Rodoviários e Logística;
  • Viação Bom Jesus;
  • Otratur;
  • Fanal Derivados de Petróleo.

A simples menção das empresas na decisão não significa que todas integrem a relação das 12 operadoras da capital nem que já tenha sido comprovado controle criminoso.

Suspeitas relacionadas a Milton Leite

A ordem reproduz a alegação da investigação de que Milton Leite teria sido citado em diálogos como responsável pela operação de algumas empresas supostamente controladas pelo PCC.

Também menciona declarações de policiais militares prestadas em procedimento no Tribunal de Justiça Militar, segundo as quais o ex-vereador seria o proprietário de fato da Transwolff.

O desembargador considerou os elementos suficientes para autorizar a prisão temporária e as buscas, mas não declarou comprovadas as acusações. A investigação ainda deverá aprofundar a relação de Milton Leite com as empresas e os demais envolvidos.

Suspeitas relacionadas ao ex-presidente da SPTrans

Em relação a Levi dos Santos Oliveira, ex-presidente da SPTrans, a investigação sustenta que ele teria mantido encontros periódicos com José Daniel Satilite para tratar de interesses relacionados a empresas de transporte.

Segundo a ordem, os encontros teriam ocorrido especialmente depois da Operação Fim da Linha, deflagrada pelo Ministério Público de São Paulo.

Também neste caso, a decisão reproduz a linha investigativa e não estabelece culpa definitiva.

Negociações de empresas, ônibus e contratos

A ordem menciona diálogos relacionados a empresas de transporte, licitações municipais, contratos públicos, venda de veículos e pagamentos de comissões.

Entre os episódios citados está a negociação de 63 ônibus da Translider por R$ 1,26 milhão. Segundo a investigação, parte dos envolvidos receberia comissões pela operação.

Também são mencionadas suspeitas de:

  • utilização de sócios formais como “laranjas”;
  • controle oculto de empresas;
  • direcionamento de licitações;
  • pagamento de vantagens indevidas;
  • financiamento de campanhas eleitorais;
  • interferência em contratos municipais;
  • movimentação de recursos por contas de terceiros;
  • aquisição da refinaria Fanal por aproximadamente R$ 40 milhões.

Os investigadores também relacionam os diálogos a contratos ou tentativas de ingresso nos sistemas de transporte de Leme, Cubatão, São Vicente e Itanhaém.

Por que o Tribunal autorizou as prisões

Para o relator, a liberdade dos 13 investigados poderia comprometer a coleta de provas, permitir comunicação entre os integrantes do grupo ou dificultar a identificação de outros participantes.

O desembargador considerou:

  • a complexidade da investigação;
  • a quantidade de pessoas envolvidas;
  • as relações empresariais investigadas;
  • as comunicações com pessoas presas;
  • a possibilidade de destruição ou ocultação de provas;
  • a necessidade de examinar celulares e documentos.

A decisão determina que prisões e buscas sejam cumpridas simultaneamente e sob sigilo absoluto, para impedir que o conhecimento antecipado da operação prejudique as diligências.

Situação jurídica

A decisão concedeu parcialmente o pedido urgente do Ministério Público, dando efeito ativo a uma apelação contra a decisão da primeira instância, que havia autorizado somente três prisões e três buscas.

O mérito do recurso ainda deverá ser analisado pela turma julgadora da 8ª Câmara de Direito Criminal. Até lá, permanecem em vigor as medidas cautelares autorizadas pelo relator.

Todos os citados são investigados e devem ser tratados como inocentes enquanto não houver eventual condenação definitiva.

CONTRATOS ORIGINAIS ULTRAPASSAM R$ 22 BILHÕES COM TODO O SUBSISTEMA LOCAL:

Os contratos originais de concessão assinados em 2019 para os lotes D1 a D13 do Grupo Local de Distribuição do sistema municipal de ônibus da cidade de São Paulo. Juntos, apresentavam valor contratual estimado de R$ 22,22 bilhões e prazo de 20 anos, com possibilidade de prorrogação por até um ano.

Esses valores não representam pagamentos antecipados às empresas. Correspondem ao valor presente da remuneração estimada para todo o período contratual, calculado originalmente com taxa de desconto de 9,85% ao ano.

Contratos originais de 2019

Lote Contrato Concessionária original Valor estimado original
D1 039/2019 Consórcio Transnoroeste R$ 2.953.516.246
D2 040/2019 Consórcio Transnoroeste R$ 1.726.523.554
D3 041/2019 Transunião Transportes R$ 1.902.155.061
D4 042/2019 UpBus Qualidade em Transportes R$ 540.874.628
D5 043/2019 Pêssego Transportes R$ 1.964.597.759
D6 044/2019 Allibus Transportes R$ 2.177.462.147
D7 045/2019 Transunião Transportes R$ 574.992.920
D8 046/2019 MoveBuss Soluções em Mobilidade Urbana R$ 1.994.240.208
D9 047/2019 A2 Transportes R$ 1.858.841.310
D10 048/2019 Transwolff Transportes e Turismo R$ 2.630.545.954
D11 049/2019 Transwolff Transportes e Turismo R$ 2.281.747.206
D12 050/2019 Auto Viação Transcap R$ 1.026.519.847
D13 051/2019 Alfa Rodobus Administração e Participação R$ 586.750.192
Total 13 contratos Dez concessionárias originais R$ 22.218.767.032

Embora sejam 13 contratos, havia dez concessionárias titulares diferentes, porque três operadoras concentravam mais de um lote:

  • Consórcio Transnoroeste: D1 e D2;
  • Transunião: D3 e D7;
  • Transwolff: D10 e D11.

O Consórcio Transnoroeste era formado originalmente pela Norte Buss Transportes e pela Spencer Transportes.

Maiores contratos na configuração original

Os cinco maiores valores estimados eram:

  1. D1 – Consórcio Transnoroeste: R$ 2,95 bilhões;
  2. D10 – Transwolff: R$ 2,63 bilhões;
  3. D11 – Transwolff: R$ 2,28 bilhões;
  4. D6 – Allibus: R$ 2,18 bilhões;
  5. D8 – MoveBuss: R$ 1,99 bilhão.

Somados, os dois contratos originalmente assinados com a Transwolff representavam aproximadamente R$ 4,91 bilhões.

Os contratos D1 e D2 do Consórcio Transnoroeste somavam R$ 4,68 bilhões. Já os lotes D3 e D7 da Transunião totalizavam aproximadamente R$ 2,48 bilhões.

A2 e Transwolff aparecem diretamente no contexto da investigação

O contrato do lote D9 foi originalmente assinado com a A2 Transportes, representada no documento por Paulo Sirqueira Korek Farias. O valor contratual estimado era de R$ 1,86 bilhão.

Na ordem judicial relacionada à investigação sobre a suposta infiltração do PCC no setor de ônibus, Paulo Korek é apontado pela polícia e pelo Ministério Público como empresário ligado à administração de interesses do grupo criminoso no transporte. Trata-se de uma alegação investigativa, ainda sem condenação definitiva.

Os contratos dos lotes D10 e D11 foram assinados originalmente com a Transwolff, representada por Luiz Carlos Efigênio Pacheco. Os valores estimados eram, respectivamente, de R$ 2,63 bilhões e R$ 2,28 bilhões.

A decisão judicial menciona alegações de que Milton Leite seria proprietário de fato da Transwolff e estaria relacionado à operação de empresas investigadas. A ordem não declara comprovada essa relação; utiliza os elementos para fundamentar medidas cautelares, como prisão temporária, buscas e análise de equipamentos eletrônicos.

O que as empresas receberam em concessão

Os contratos delegaram às operadoras a prestação e exploração dos serviços locais de distribuição de passageiros nos respectivos lotes.

Na organização criada pela licitação municipal, as linhas locais de distribuição foram concebidas principalmente para deslocamentos dentro das regiões e para a alimentação de corredores, terminais e ligações estruturais do sistema.

A concessão abrangia, entre outras atividades:

  • operação da frota;
  • execução das viagens programadas;
  • serviços complementares definidos pelo município;
  • disponibilização de motoristas e demais trabalhadores;
  • manutenção e limpeza dos ônibus;
  • abastecimento;
  • conservação de garagens e instalações;
  • cumprimento de horários e itinerários;
  • atendimento aos passageiros;
  • utilização dos sistemas de bilhetagem e monitoramento;
  • fornecimento de informações operacionais à prefeitura e à SPTrans;
  • cumprimento de padrões de acessibilidade, segurança e qualidade;
  • renovação e adequação da frota;
  • implantação dos investimentos previstos nos documentos da licitação.

Os contratos vedavam a transferência livre da operação e submetiam mudanças societárias, subconcessões e alterações relevantes ao controle do poder concedente.

Remuneração não dependia somente da passagem

Os documentos estruturaram a remuneração das concessionárias com base na prestação dos serviços e nas regras econômicas definidas pela Prefeitura de São Paulo e pela SPTrans.

O dinheiro arrecadado dos passageiros integra o financiamento do sistema, mas não é repassado automaticamente à empresa responsável pelo ônibus utilizado. A remuneração contratual considera a produção operacional, os custos reconhecidos, os indicadores de qualidade e as regras estabelecidas pelo município.

Por isso, a tarifa pública cobrada do passageiro e a remuneração contratual da empresa são conceitos diferentes. Quando a arrecadação tarifária não cobre o custo reconhecido do sistema, a prefeitura pode realizar aportes orçamentários.

Reajustes, revisões e reequilíbrio

Os contratos originais previam:

  • reajuste periódico da remuneração;
  • revisão quadrienal;
  • recomposição do equilíbrio econômico-financeiro;
  • alterações por termos aditivos;
  • aplicação de indicadores de desempenho;
  • penalidades por descumprimento;
  • possibilidade de intervenção;
  • extinção ou transferência da concessão nas hipóteses legais.

Esses mecanismos explicam por que os valores e as condições de 2019 não podem ser usados isoladamente para retratar a situação atual.

Reajustes de custos, mudanças na frota, pandemia, alterações na quilometragem, eletrificação, novas obrigações, revisões econômicas, substituições societárias e intervenções municipais podem ter modificado significativamente os contratos.

Prazo original

Todos os 13 contratos estabeleceram prazo de 20 anos, com possibilidade de prorrogação por até um ano, desde que houvesse interesse público devidamente justificado pela Prefeitura de São Paulo.

O prazo não significa garantia de permanência da concessionária por todo o período. O município pode aplicar sanções, intervir, declarar caducidade ou extinguir a concessão se forem comprovados descumprimentos contratuais.

EMPRESAS INVESTGADAS FIGURAM ENTRE AS PIORES NO IQT – Índice da Qualidade do Transporte – DA SPTRANS

O Índice de Qualidade do Transporte, o IQT, médio do sistema municipal de ônibus de São Paulo ficou em 77,43 pontos entre janeiro e abril de 2026, resultado enquadrado como “bom” pela escala da SPTrans. Apesar da classificação, houve piora ao longo do período: o índice caiu de 79,66 em janeiro para 76,32 em abril.

O pior resultado mensal foi registrado em março, com 75,91 pontos, faixa considerada “regular”. Abril apresentou pequena recuperação de 0,41 ponto, mas permaneceu 3,34 pontos abaixo de janeiro.

Evolução do sistema

Período IQT do sistema Variação mensal
Janeiro 79,66
Fevereiro 77,86 -1,80
Março 75,91 -1,95
Abril 76,32 +0,41
Média de janeiro a abril 77,43

A média do sistema é ponderada pela quantidade de passageiros transportados. Por isso, não corresponde à média aritmética simples das 40 operações relacionadas.

Dos 40 registros de empresas por lote:

  • 25 ficaram na faixa “bom”, o equivalente a 62,5%;
  • 14 ficaram na faixa “regular”, ou 35%;
  • uma ficou na faixa “ruim”, equivalente a 2,5%;
  • nenhuma alcançou a faixa “ótimo”, que exige índice acima de 93 pontos.

Maio e junho aparecem nas planilhas, mas ainda estão sem resultados. Portanto, a média indicada como pertencente ao ciclo de janeiro a junho considera, neste momento, somente janeiro, fevereiro, março e abril. A própria SPTrans informa que os dados estão sujeitos a revisão até o fechamento do ciclo.

Ranking geral da cidade: das piores para as melhores

A classificação considera cada empresa dentro do respectivo lote. Uma mesma operadora aparece mais de uma vez quando atua em contratos diferentes.

Posição Grupo Lote Empresa/registro IQT médio Avaliação
40ª Distribuição D9 A2 58,11 Ruim
39ª Distribuição D2 Spencer 63,95 Regular
38ª Distribuição D2 Norte Buss 66,87 Regular
37ª Distribuição D4 Alfa Rodobus 67,76 Regular
36ª Distribuição D7 Transunião 68,94 Regular
35ª Distribuição D3 Transunião 69,78 Regular
34ª Articulação Regional AR2 Sambaíba 70,21 Regular
33ª Distribuição D1 Spencer 72,09 Regular
32ª Distribuição D10 SPTrans 73,24 Regular
31ª Estrutural E8 Transppass 73,34 Regular
30ª Articulação Regional AR9 Transppass 73,67 Regular
29ª Distribuição D11 SPTrans 73,95 Regular
28ª Estrutural E7 Metrópole 73,98 Regular
27ª Estrutural E2 Sambaíba 75,27 Regular
26ª Distribuição D5 Pêssego 75,29 Regular
25ª Estrutural E3 Metrópole 76,50 Bom
24ª Distribuição D8 Movebuss 76,75 Bom
23ª Articulação Regional AR3 Metrópole 76,93 Bom
22ª Distribuição D1 Registro identificado como “D1” 78,01 Bom
21ª Estrutural E6 Grajaú 78,10 Bom
20ª Articulação Regional AR5 Via Sudeste 78,28 Bom
19ª Estrutural E5 Mobibrasil 78,66 Bom
18ª Estrutural E4 Via Sudeste 79,64 Bom
17ª Articulação Regional AR4 Express 79,92 Bom
16ª Distribuição D12 Auto Bless 80,89 Bom
15ª Distribuição D1 Norte Buss 81,87 Bom
14ª Estrutural E8 Campo Belo 83,05 Bom
13ª Articulação Regional AR8 Gato Preto 83,24 Bom
12ª Articulação Regional AR0 Ambiental 83,47 Bom
11ª Articulação Regional AR9 Campo Belo 83,97 Bom
10ª Articulação Regional AR1 Gato Preto 84,12 Bom
Estrutural E9 Gatusa 84,20 Bom
Articulação Regional AR7 KBPX 84,33 Bom
Distribuição D6 Allibus 85,32 Bom
Articulação Regional AR6 Mobibrasil 85,39 Bom
Estrutural E1 Gato Preto 85,49 Bom
Estrutural E1 Santa Brígida 85,89 Bom
Articulação Regional AR7 Nova Paineira 86,04 Bom
Distribuição D13 Alfa Rodobus 86,39 Bom
Articulação Regional AR1 Santa Brígida 89,77 Bom

A A2, responsável pelo lote D9, foi a única operação classificada como “ruim”, com 58,11 pontos. O resultado ficou 19,32 pontos abaixo da média do sistema.

Na outra ponta, a Santa Brígida, no lote AR1, obteve o melhor resultado da cidade, com 89,77 pontos. Mesmo a líder, entretanto, não alcançou a faixa “ótimo”.

Ranking dos grupos de operação

Posição Grupo IQT médio Avaliação
Distribuição 75,10 Regular
Estrutural 79,00 Bom
Articulação Regional 79,19 Bom

Articulação Regional e Estrutural ficaram praticamente empatados, separados por apenas 0,19 ponto. O grupo Distribuição ficou 4,09 pontos abaixo da Articulação Regional e foi o único classificado como “regular”.

Distribuição piorou em todos os meses

Grupo Janeiro Fevereiro Março Abril Média
Distribuição 77,31 76,04 73,67 73,33 75,10
Estrutural 80,90 79,04 77,93 78,12 79,00
Articulação Regional 81,85 79,26 76,84 78,81 79,19

O grupo Distribuição caiu continuamente: 77,31 pontos em janeiro, 76,04 em fevereiro, 73,67 em março e 73,33 em abril. Foi, portanto, o único grupo que não apresentou recuperação no último mês analisado.

A Articulação Regional teve a maior recuperação entre março e abril, avançando 1,97 ponto. O Estrutural subiu apenas 0,18 ponto.

Distribuição: da pior para a melhor

Posição no grupo Lote Empresa/registro IQT Avaliação
16ª D9 A2 58,11 Ruim
15ª D2 Spencer 63,95 Regular
14ª D2 Norte Buss 66,87 Regular
13ª D4 Alfa Rodobus 67,76 Regular
12ª D7 Transunião 68,94 Regular
11ª D3 Transunião 69,78 Regular
10ª D1 Spencer 72,09 Regular
D10 SPTrans 73,24 Regular
D11 SPTrans 73,95 Regular
D5 Pêssego 75,29 Regular
D8 Movebuss 76,75 Bom
D1 Registro “D1” 78,01 Bom
D12 Auto Bless 80,89 Bom
D1 Norte Buss 81,87 Bom
D6 Allibus 85,32 Bom
D13 Alfa Rodobus 86,39 Bom

O grupo concentra os resultados mais baixos: nele estão a única avaliação “ruim” e nove das 14 avaliações “regulares” de toda a cidade.

As maiores diferenças da mesma operadora também aparecem na Distribuição. A Alfa Rodobus obteve 67,76 no D4 e 86,39 no D13, diferença de 18,63 pontos. A Norte Buss marcou 66,87 no D2 e 81,87 no D1, distância de 15 pontos. Isso mostra que o desempenho deve ser analisado por lote, garagem e contrato.

Os lotes D10 e D11 aparecem na base oficial sob o nome SPTrans, com índices de 73,24 e 73,95, respectivamente. Os dois ficaram na faixa “regular”.

Estrutural: da pior para a melhor

Posição no grupo Lote Empresa IQT Avaliação
11ª E8 Transppass 73,34 Regular
10ª E7 Metrópole 73,98 Regular
E2 Sambaíba 75,27 Regular
E3 Metrópole 76,50 Bom
E6 Grajaú 78,10 Bom
E5 Mobibrasil 78,66 Bom
E4 Via Sudeste 79,64 Bom
E8 Campo Belo 83,05 Bom
E9 Gatusa 84,20 Bom
E1 Gato Preto 85,49 Bom
E1 Santa Brígida 85,89 Bom

O Estrutural teve três operações classificadas como “regular” e oito como “bom”. Santa Brígida e Gato Preto, ambas no E1, ficaram separadas por apenas 0,40 ponto.

A Metrópole apresentou 76,50 pontos no E3, mas apenas 73,98 no E7. A diferença de 2,52 pontos fez com que uma operação fosse classificada como “bom” e a outra como “regular”.

Articulação Regional: da pior para a melhor

Posição no grupo Lote Empresa IQT Avaliação
13ª AR2 Sambaíba 70,21 Regular
12ª AR9 Transppass 73,67 Regular
11ª AR3 Metrópole 76,93 Bom
10ª AR5 Via Sudeste 78,28 Bom
AR4 Express 79,92 Bom
AR8 Gato Preto 83,24 Bom
AR0 Ambiental 83,47 Bom
AR9 Campo Belo 83,97 Bom
AR1 Gato Preto 84,12 Bom
AR7 KBPX 84,33 Bom
AR6 Mobibrasil 85,39 Bom
AR7 Nova Paineira 86,04 Bom
AR1 Santa Brígida 89,77 Bom

A Articulação Regional apresentou o melhor resultado entre os três grupos. Apenas Sambaíba, no AR2, e Transppass, no AR9, ficaram na faixa “regular”. As outras 11 operações foram classificadas como “bom”.

Empresas que mais melhoraram entre janeiro e abril

Empresa Lote Janeiro Abril Variação
KBPX AR7 79,08 89,23 +10,15
Ambiental AR0 81,47 89,27 +7,80
Gato Preto AR1 87,89 93,54 +5,65
Mobibrasil AR6 83,87 87,13 +3,26
Grajaú E6 75,68 77,61 +1,93

A Gato Preto no AR1 alcançou 93,54 pontos em abril, entrando naquele mês na faixa “ótimo”. Entretanto, a média dos quatro meses ficou em 84,12 porque a operação havia registrado apenas 70,83 em fevereiro.

Maiores quedas entre janeiro e abril

Empresa Lote Janeiro Abril Variação
Gato Preto E1 93,42 80,42 -13,00
Santa Brígida AR1 96,67 83,75 -12,92
Auto Bless D12 86,35 73,44 -12,91
Spencer D1 77,22 66,44 -10,78
Allibus D6 89,98 80,59 -9,39
Nova Paineira AR7 91,21 82,27 -8,94

O resultado da Santa Brígida no AR1 merece atenção: apesar de liderar a média da cidade, a empresa caiu de 96,67 em janeiro para 83,75 em abril. A posição no ranking acumulado é sustentada, portanto, pelos índices elevados do começo do período.

A Auto Bless caiu 12,91 pontos e terminou abril com 73,44, na faixa “regular”, embora a média de janeiro a abril ainda apareça como “bom”.

Principais conclusões

  • A qualidade média do sistema piorou 3,34 pontos entre janeiro e abril.
  • A recuperação registrada em abril foi pequena e não ocorreu no grupo Distribuição.
  • A Distribuição concentra dez avaliações abaixo da faixa “bom”.
  • A A2, no D9, foi a única operação classificada como “ruim”.
  • Nenhuma operação alcançou média suficiente para a classificação “ótimo”.
  • Santa Brígida no AR1 lidera o acumulado, mas apresenta trajetória de queda.
  • KBPX e Ambiental registraram as maiores evoluções entre janeiro e abril.
  • Empresas que atuam em mais de um lote apresentam diferenças expressivas de qualidade, especialmente Alfa Rodobus, Norte Buss, Spencer e Mobibrasil.
  • O ranking deve ser tratado como parcial, pois maio e junho ainda não foram preenchidos e os resultados permanecem sujeitos a revisão.

Adamo Bazani, jornalista especializado em transportes

Adamo Bazani, jornalista especializado em transportes

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