Eletromobilidade

Prefeitura de São Paulo empenha R$ 8,7 milhões para encargos de financiamentos de ônibus elétricos com BID e BIRD

Valores não representam compra direta de veículos e estão ligados às operações internacionais para eletrificação da frota

ADAMO BAZANI

A Prefeitura de São Paulo autorizou empenhos que somam R$ 8,7 milhões para pagar encargos de dois financiamentos internacionais destinados ao programa de eletrificação da frota municipal de ônibus.

Os despachos foram publicados no Diário Oficial da Cidade desta terça-feira, 25 de agosto de 2026.

São R$ 5,2 milhões destinados ao BIRD (Banco Internacional para Reconstrução e Desenvolvimento), instituição do Grupo Banco Mundial, e outros R$ 3,5 milhões ao BID (Banco Interamericano de Desenvolvimento).

Os R$ 8,7 milhões não correspondem à compra de ônibus nem significam que esse montante será repassado às empresas operadoras.

Os próprios atos especificam que os empenhos são para “cobertura de despesa com encargos” referentes às operações de crédito.

O Diário do Transporte noticiou que, nesta segunda-feira (25), a Prefeitura de São Paulo autorizou a celebração dos contratos de contragarantia com a União referentes aos dois financiamentos internacionais que, juntos, somam US$ 496,6 milhões para a eletrificação da frota de ônibus da capital paulista.

Relembre: https://diariodotransporte.com.br/2026/08/24/sao-paulo-autoriza-contragarantias-a-uniao-e-avanca-em-us-4966-milhoes-do-bid-e-bird-para-onibus-eletricos/

A liberação dos recursos, que vão viabilizar a compra de mais 1,1 mil ônibus elétricos para a cidade, foi marcada por polêmicas e a acusação feita pelo prefeito Ricardo Nunes contra o Governo Federal de que a União estaria travando a aprovação do dinheiro e que o prazo se esgotaria.

Nunes chegou a notificar o TCU (Tribunal de Contas da União) e o Senado

Relembre: https://diariodotransporte.com.br/2026/08/24/sao-paulo-autoriza-contragarantias-a-uniao-e-avanca-em-us-4966-milhoes-do-bid-e-bird-para-onibus-eletricos/

DOIS FINANCIAMENTOS SOMAM US$ 496,6 MILHÕES

Os empenhos estão relacionados a duas operações internacionais de US$ 248,3 milhões cada, totalizando US$ 496,6 milhões.

Uma é com o BID e a outra com o BIRD.

Segundo a Prefeitura, os recursos dos dois financiamentos destinados ao transporte poderão contribuir para a entrada de mais de 1,1 mil novos ônibus elétricos no sistema municipal.

O programa oficialmente denominado “Programa de Redução da Emissão de Gases Poluentes por meio da Eletrificação da Frota de Ônibus” aparece nominalmente nos dois empenhos desta terça-feira.

No caso do BIRD, a Prefeitura autorizou R$ 5,2 milhões para os encargos financeiros. No BID, são R$ 3,5 milhões.

DIÁRIO DO TRANSPORTE ACOMPANHA OPERAÇÕES DESDE 2023

O Diário do Transporte acompanha a estruturação destes financiamentos desde 2023.

Naquele ano, o site revelou em primeira mão a aprovação, pela Cofiex (Comissão de Financiamentos Externos), do projeto que abriu caminho para quase US$ 500 milhões do BID e do Banco Mundial para a eletrificação dos ônibus paulistanos.

Em agosto de 2026, o Diário do Transporte também revelou documentos pelos quais a Prefeitura acionou o Senado e o TCU (Tribunal de Contas da União), alegando demora do Governo Federal no encaminhamento das operações e risco de vencimento dos procedimentos administrativos necessários aos financiamentos.

Em 13 de agosto, o Senado aprovou as duas operações, de US$ 248,3 milhões cada.

Quatro dias depois, em 17 de agosto, foram publicadas no Diário Oficial da União as resoluções que formalizaram a autorização legislativa.

Já nesta segunda-feira, 24 de agosto, a Prefeitura publicou novos atos autorizando as contragarantias à União relacionadas aos empréstimos, outra etapa do processo para a contratação e execução das operações.

Os empenhos de R$ 8,7 milhões publicados agora acrescentam mais um movimento administrativo e orçamentário ligado aos dois financiamentos.

EMPENHO DE ENCARGOS NÃO É LIBERAÇÃO DE R$ 8,7 MILHÕES PARA ÔNIBUS

A distinção é importante.

Empenhar recursos significa reservar uma parcela do orçamento para determinada obrigação pública.

Neste caso, a obrigação apontada expressamente no Diário Oficial é o pagamento de encargos associados aos financiamentos.

Assim, não seria correto afirmar que a Prefeitura “liberou R$ 8,7 milhões para compra de ônibus elétricos”.

Também não é possível concluir somente a partir desses dois despachos que os US$ 496,6 milhões já tenham sido integralmente desembolsados pelos bancos.

O que os documentos mostram é a previsão orçamentária municipal para despesas financeiras relacionadas às operações.

PREFEITURA USA FINANCIAMENTOS PARA REDUZIR DIFERENÇA DE CUSTO ENTRE DIESEL E ELÉTRICO

A Prefeitura vem utilizando diferentes operações de crédito para acelerar a eletrificação.

No modelo de subvenção adotado pelo município, recursos públicos ajudam a cobrir a diferença entre o preço de referência de um ônibus a diesel e o de um modelo elétrico.

A página oficial da Secretaria Municipal de Mobilidade Urbana e Transporte informa que a subvenção atualmente utilizada para aquisição de veículos elétricos conta com recursos provenientes de contratos com Banco do Brasil, BNDES e Caixa Econômica Federal.

Em junho de 2026, a Prefeitura atualizou os valores referenciais. Um ônibus básico, por exemplo, foi tabelado em R$ 573,1 mil na versão diesel e R$ 2,483 milhões na elétrica, diferença de aproximadamente R$ 1,91 milhão. No Padron, a diferença de referência ficou em aproximadamente R$ 1,98 milhão.

Os financiamentos do BID e do BIRD representam uma frente adicional de recursos para a política de eletrificação.

CAPITAL CHEGOU A 1.759 ÔNIBUS ELÉTRICOS EM JUNHO

Em junho de 2026, a Prefeitura informou ter chegado a 1.759 ônibus elétricos na frota municipal após incorporar um lote de 500 veículos.

A administração calcula que esses 500 ônibus, isoladamente, evitam consumo anual de aproximadamente 20 milhões de litros de diesel e emissão de cerca de 45 mil toneladas de CO₂.

A expectativa anunciada pela Prefeitura é que os dois financiamentos internacionais agora relacionados aos empenhos possam viabilizar mais de 1,1 mil veículos, além de ações de gestão e modernização vinculadas ao programa de redução de emissões.

Adamo Bazani, jornalista especializado em transportes

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