Eletromobilidade

Porto Alegre diz que economizou R$ 2 milhões em dois anos de operação de ônibus elétricos

Em balanço sobre a implementação deste tipo de veículos, prefeitura ainda diz que, no período, deixaram de ser emitidas 1,76 mil toneladas de gases poluentes, volume equivalente às emissões associadas à queima de 657.428 litros de combustível fóssil

ADAMO BAZANI

A operação de ônibus elétricos em Porto Alegre, em dois anos, proporcionou uma economia somente em abastecimento de aproximadamente R$ 2 milhões, sem contar com a manutenção dos veículos, que é mais barata que a dos veículos a diesel.

Em balanço sobre a implementação deste tipo de veículos, divulgado nesta quinta-feira, 20 de agosto de 2026, a prefeitura ainda informou que, no período, deixaram de ser emitidas 1,76 mil toneladas de gases poluentes, volume equivalente às emissões associadas à queima de 657.428 litros de combustível fóssil.

A operação regular com a frota elétrica começou em agosto de 2024. Atualmente, 12 ônibus elétricos atendem o sistema da capital gaúcha, com veículos das marcas Eletra e Marcopolo.

Segundo os dados divulgados pela prefeitura, os 12 ônibus transportaram mais de 2,8 milhões de passageiros ao longo dos dois anos, realizaram aproximadamente 130 mil viagens e percorreram 1,3 milhão de quilômetros.

Três linhas são operadas integralmente com ônibus elétricos: E178 – Praia de Belas, E378 – Integradora e E703 – Vila Farrapos.

Além delas, as linhas 110 – Restinga Nova via Tristeza e 165 – Cohab também possuem veículos elétricos em parte das tabelas horárias.

Entre 19 de agosto de 2024 e 18 de agosto de 2026, as três unidades de recarga rápida utilizadas na operação forneceram 1.686.874 kWh de energia. De acordo com a administração municipal, o consumo médio registrado foi de 1,29 kWh por quilômetro percorrido.

A prefeitura atribui à substituição do diesel pela eletricidade a economia aproximada de R$ 2 milhões somente com combustível. O balanço divulgado não detalha, entretanto, os custos totais da operação elétrica nem apresenta, na mesma comparação, os gastos com aquisição dos veículos, infraestrutura de recarga e energia elétrica.

A administração também afirma que os ônibus elétricos apresentam custos de manutenção inferiores aos dos veículos a diesel.

MAIS 100 ÔNIBUS ELÉTRICOS

Porto Alegre pretende ampliar de forma significativa a frota elétrica nos próximos anos.

Em 2026, a prefeitura firmou financiamento de R$ 447,7 milhões com o BNDES (Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social), por meio do FNMC (Fundo Nacional sobre Mudança do Clima), conhecido como Fundo Clima.

Os recursos são destinados à aquisição de mais 100 ônibus elétricos a bateria e dos equipamentos de recarga necessários à operação da nova frota.

De acordo com a prefeitura, o projeto considera ônibus articulados de fabricação nacional. A incorporação deverá ocorrer em etapas, de acordo com o planejamento das linhas, das garagens e da infraestrutura elétrica necessária.

Com os 100 novos veículos previstos, a frota elétrica da cidade poderá passar dos atuais 12 para 112 ônibus, caso todos os veículos atualmente em circulação sejam mantidos.

A experiência iniciada em 2024 também é usada pela prefeitura para estudos sobre autonomia, tempo de carregamento, capacidade da rede elétrica, infraestrutura das garagens e características operacionais das linhas.

Desde 2025, Porto Alegre também participa do projeto AcoplaRE, desenvolvido com apoio da agência alemã de cooperação internacional GIZ (Deutsche Gesellschaft für Internationale Zusammenarbeit), voltado ao planejamento da descarbonização do transporte público.

A Secretaria Municipal de Mobilidade Urbana informa ainda que avalia outras tecnologias de redução de emissões, incluindo biocombustíveis, hidrogênio e sistemas híbridos.

GRATUIDADE NA SEGUNDA VIAGEM

Nas linhas operadas integralmente por ônibus elétricos, passageiros que utilizam o Cartão TRI participam de um projeto-piloto que concede gratuidade na segunda viagem quando o embarque ocorre em uma linha diferente até 30 minutos depois do desembarque do ônibus elétrico.

Segundo a prefeitura, o benefício é aplicado automaticamente e não desconta créditos do cartão.

Adamo Bazani, jornalista especializado em transportes

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