VÍDEO: Iveco diz que seu ônibus com motor de quatro cilindros tem solução de torque e potência para operações com ar-condicionado e em condições severas
Publicado em: 18 de agosto de 2026
Recém-lançado BUS 17-210 “empresta” características do irmão mais potente 17-280. Com menos esforço, consumo e desgaste são menores
ADAMO BAZANI / VINÍCIUS DE OLIVEIRA
Um dos grandes desafios das operações de ônibus urbanos e de fretamento contínuo é aliar robustez, eficiência e economia.
As condições das vias não são adequadas, inclusive em cidades de grande porte; o “para-e-anda” do trânsito causa desgaste e aumenta o consumo e as exigências de passageiros, clientes e gestores públicos são cada vez maiores, com itens como ar-condicionado, tecnologia embarcada e equipamentos de acessibilidade cada vez mais amplos.
Os ônibus devem ser cada vez mais fortes, mas também econômicos.
Foi para atender a estes pilares que a Iveco lançou em agosto de 2026 o BUS 17-210, chassi com motor de 210 cavalos de potência e quatro cilindros para 17 toneladas, a faixa mais utilizada no segmento de urbanos.
De acordo com o coordenador de marketing de produtos da Iveco, Paulo Kazuto, a decisão da marca de oferecer um modelo a diesel com motor de quatro cilindros atendeu aos próprios operadores que participaram do desenvolvimento da plataforma.
Segundo o executivo, nas primeiras demonstrações com os frotistas, o modelo surpreendeu, inclusive, pelo torque nas retomadas de aceleração e o desempenho com ar-condicionado ligado no máximo.
Um dos segredos é que o modelo “empresta” as características de seu “irmão maior e mais velho”, o BUS 17-280, de seis cilindros e 280 cavalos de potência.
“A decisão de partir para o 4 cilindros surgiu principalmente pela necessidade e pela vontade dos nossos clientes. O nosso 17-280 já é muito conhecido pela robustez, é muito conhecido pelo desempenho e a gente quis trazer ao mercado essa mesma impressão e essa mesma funcionalidade, esse mesmo desempenho para o 4 cilindros e a necessidade de uma extensão da nossa penetração dentro do mercado de urbanos” – explicou.
Kazuto disse ainda que o modelo, que passa a ser comercializado no início de 2027, já “nasce” com diferentes versões, com diferenciais para urbano e para fretamento e com suspensão metálica ou pneumática.
“Esse veículo vem com duas opções, então a gente tem a possibilidade de um diferencial mais curto para urbano, diferencial mais longo para fretamento, porque só assim a gente obtém o melhor resultado do conjunto para as operações do nosso cliente também. E outra coisa bastante importante é que ele, da mesma forma que o 17-280, vem tanto em opção de suspensão metálica quanto suspensão pneumática, oferecendo o conforto que já é reconhecido no 17-280” – detalhou.
O coordenador da Iveco explicou ainda que a marca aposta também no biometano/GNV como alternativa à descarbonização e que, também no início de 2027, passa a comercializar o BUS 17-210 G, também lançado na Lat.Bus 2026, feira especializada em transportes coletivos que ocorreu entre os dias 11 e 13 de agosto na capital paulista.
O Diário do Transporte antecipou os lançamentos bem antes da feira.
Relembre:
IVECO BUS apresenta novo chassi BUS 17-210 G, movido a gás natural (GNV) e biometano, durante a Lat.Bus 2026 em São Paulo (SP).
Kazuto ainda detalhou novidades na linha de vans e miniônibus Daily.
Confira a entrevista na íntegra:
ADAMO BAZANI: O Diário do Transporte, no primeiro dia da Lat.Bus, trouxe novidades da Iveco. São várias, em relação às vans, em relação ao sucesso do 17-280, mas o que mais chamou a atenção do público foi o lançamento do motor 4 cilindros do chassi 17-210. Nosso contato é com o coordenador de marketing de produtos da Iveco, Paulo Kazuto, que vai conversar com a gente, vai explicar em detalhes o modelo de ônibus e, primeiramente, por que essa decisão de partir para 4 cilindros?
PAULO KAZUTO: A decisão de partir para o 4 cilindros surgiu principalmente pela necessidade e pela vontade dos nossos clientes. O nosso 17-280 já é muito conhecido pela robustez, é muito conhecido pelo desempenho e a gente quis trazer ao mercado essa mesma impressão e essa mesma funcionalidade, esse mesmo desempenho para o 4 cilindros e a necessidade de uma extensão da nossa penetração dentro do mercado de urbanos.
ADAMO BAZANI: É um produto mais econômico, tanto para comprar quanto para operar?
PAULO KAZUTO: Sim, na verdade o grande diferencial do nosso veículo, ele iniciou no desenvolvimento, porque nós trouxemos os clientes para dentro da fábrica para que eles pudessem nos ajudar a criar o veículo ideal para a operação deles. Nós fizemos isso de forma antecipada, nós fizemos isso durante o projeto e a gente já está trazendo clientes para rodar no carro em teste, para que eles possam dar suas impressões e a gente tem tido um excelente feedback.
ADAMO BAZANI: Então quer dizer, o modelo foi desenhado justamente ouvindo quem opera. Quem opera, o que trouxe de principal demanda para vocês?
PAULO KAZUTO: Na verdade, a grande demanda veio pela simplicidade e pela robustez. Então hoje o que a gente buscou com esse veículo é aliar o melhor custo operacional e isso traz junto dele economia de combustível e a robustez necessária dos componentes para que o cliente possa rodar de forma tranquila.
ADAMO BAZANI: A gente pode dizer então, ouvindo o cliente e também a expertise que a Iveco teve com 17-280, que a gente pode encontrar uma robustez do 17-280 semelhante ou igual no 17-210, porém com uma aplicação mais econômica.
PAULO KAZUTO: Exato, foi essa a nossa intenção e foi esse o pedido dos nossos clientes.
ADAMO BAZANI: Vamos mostrar aqui os principais detalhes desse chassi. Bom, esse aqui é um motor 4 cilindros, né?
PAULO KAZUTO: Isso, é um motor FPT, ele tem cerca de 4 litros, ele tem 210 cavalos de potência com 750 Nm de torque. Foram essas demandas e o padrão para uma grande parte das aplicações tanto no mercado de urbano quanto no mercado de fretamento.
ADAMO BAZANI: Perfeito, aqui o ARLA, o tanque de ARLA fica mais ou menos em que altura?
PAULO KAZUTO: O tanque de ARLA fica ali do lado de lá. Então ele também utiliza o ARLA 32 para poder fazer o processo de catalisação para redução de emissões.
ADAMO BAZANI: Certo, há também diferenciais personalizados para aplicação de fretamento e de urbano, né?
PAULO KAZUTO: Exato, na verdade esse veículo vem com duas opções, então a gente tem a possibilidade de um diferencial mais curto para urbano, diferencial mais longo para fretamento, porque só assim a gente obtém o melhor resultado do conjunto para as operações do nosso cliente também. E outra coisa bastante importante é que ele, da mesma forma que o 17-280, vem tanto em opção de suspensão metálica quanto suspensão pneumática, oferecendo o conforto que já é reconhecido no 17-280.
ADAMO BAZANI: Essa versão manual?
PAULO KAZUTO: Sim, versão manual.
ADAMO BAZANI: Certo, transmissão manual. Agora, com isso, a Iveco, do ponto de vista de negócios, pretende se fortalecer no fretamento, onde ela já tem uma grande aplicação, mas aumentar ainda a participação no urbano, né?
PAULO KAZUTO: Sim, a grande intenção, boa parte desses clientes vem do segmento urbano, então a busca por esse tipo de veículo veio dessa necessidade e a intenção da Iveco é ampliar muito mais a presença dentro do segmento urbano com esse produto.
ADAMO BAZANI: Vocês fizeram testes já com ele encarroçado, né? O que chamou a atenção dos operadores de ônibus? Questão de torque, retomada… Outra questão que chama bastante a atenção é: você reduz a potência, mas eu tenho que usar o ar-condicionado. E aí, como resolveu isso?
PAULO KAZUTO: Na verdade, o que aconteceu foi que o veículo surpreendeu nossos clientes de forma muito positiva, muito positiva. Então, durante os testes que eles fizeram, ele teve uma retomada muito elogiada, mesmo com o uso do ar-condicionado, né? Então, esse conjunto ofereceu aos nossos clientes a satisfação de ter trabalhado e ter ajudado no desenvolvimento de um produto que é perfeito para a aplicação deles no dia a dia.
ADAMO BAZANI: Essas demonstrações foram com urbano, foram com fretamento?
PAULO KAZUTO: Nós utilizamos uma carroceria de fretamento, até porque é uma carroceria mais pesada, né? Então, os testes são colocados numa condição mais pesada, né? Mais severa. Porque com o carregamento da carroceria mais pesada, nós colocamos lastros dentro do veículo, para que nós possamos até atingir capacidade máxima, exceder um pouco e trabalhar dentro desses parâmetros de teste que são tão relevantes para o lançamento desse produto.
ADAMO BAZANI: E agora, como vai ser a estratégia de vendas? Claro, não o que não pode ser dito, óbvio, mas assim, estratégia de vendas, visita a clientes, como que vai ser? Por exemplo, existem casas Iveco que os clientes podem chegar para futuramente fazer testes, como que vai ser agora a estratégia comercial?
PAULO KAZUTO: Sim, o que a gente tem feito é, junto do nosso time comercial, a gente tem conversado com os clientes e, é lógico, eu convido os clientes a irem até uma casa Iveco, ou entrar em contato com o nosso pessoal comercial, para que, havendo interesse nesse veículo, que a gente possa fazer uma aproximação mais aprofundada e, eventualmente, trabalhar para levar esse veículo até a praça em que eles atuam.
ADAMO BAZANI: Se o frotista for a uma casa Iveco, ele pode demonstrar a característica da operação dele e aí se desenhar a melhor aplicação desse produto?
PAULO KAZUTO: Sem dúvida nenhuma. A gente, desde sempre, e a gente sabe que para o mercado de ônibus, a venda consultiva é muito importante. Então, entrar em contato com o nosso time comercial vai fazer com que ele avalie a melhor forma desse produto, ou qualquer produto Iveco, possa atender à operação.
ADAMO BAZANI: E para a gente finalizar nosso bate-papo, dá uma geralzona do que foi apresentado aqui na Lat.Bus, além desse lançamento, né? Tem o conceito a gás, tem as vans, como que é? Dá uma geralzona.
PAULO KAZUTO: O 17-210 Diesel, ele é o grande lançamento dessa feira, na verdade, o que está trazendo muito mais repercussão, mas a gente também tem a versão 17-210 G.
ADAMO BAZANI: Já comercializável?
PAULO KAZUTO: Já comercializável, as entregas iniciarão a partir do primeiro trimestre do próximo ano. Mesmo o 4 cilindros, ele está previsto para o ano de 2027, e o gás tem trazido também uma repercussão bastante positiva na busca de sustentabilidade através de uma nova opção. A gente também trouxe avanços na Daily, lançando a versão Hi-Matic, e não só isso, a gente tem muitas funcionalidades novas e um acabamento interno renovado também na família Daily. E é claro, muito importante, trazendo toda a tecnologia e toda a dirigibilidade que a família Daily conhece, aliada à robustez, que fez dela um grande sucesso no mercado.
ADAMO BAZANI: Quais dessas funcionalidades novas na Daily que você destacaria?
PAULO KAZUTO: Na verdade, além de funcionalidades relacionadas ao consumo, funcionalidades aliadas ao próprio lançamento do câmbio automático, e além disso, em salão, a gente tem cortinas, porta-pacote, carregadores USB, novos diferenciais de revestimento, cor, então tem adaptabilidade cada vez maior desse produto às operações específicas de cada cliente.
DIÁRIO DO TRANSPORTE ACOMPANHOU NOVIDADES DA IVECO ANTES E DURANTE A LAT.BUS
A participação da Iveco Bus na Lat.Bus 2026 foi acompanhada pelo Diário do Transporte antes mesmo da abertura da feira e também diretamente no São Paulo Expo.
Em 30 de julho, o Diário do Transporte antecipou a presença do BUS 17-210 G, movido a gás natural e biometano. A Iveco informa para o modelo motor FPT N60 CNG de 210 cv, torque de 760 Nm e autonomia de até 350 quilômetros.
Relembre:
IVECO BUS apresenta novo chassi BUS 17-210 G, movido a gás natural (GNV) e biometano, durante a Lat.Bus 2026 em São Paulo (SP).
Em 10 de agosto, na reportagem que antecipou as novidades oficiais das fabricantes, o Diário do Transporte novamente destacou a estratégia da Iveco para o gás natural e o biometano.
No primeiro dia da Lat.Bus, em 11 de agosto, o Diário do Transporte mostrou diretamente da feira o lançamento do BUS 17-210 com motor FPT N45 de quatro cilindros, 210 cv e 720 Nm de torque.
Relembre:
IVECO BUS lança novo 17-210 com motor de quatro cilindros e amplia gama de chassis para ônibus.
O novo chassi também integrou o balanço especial do primeiro dia da Lat.Bus, no qual o Diário do Transporte mostrou a diversificação das tecnologias e das aplicações apresentadas pela indústria.
Posteriormente, a reportagem especial sobre as tecnologias que mais chamaram a atenção de operadores durante a feira destacou justamente o BUS 17-210 como exemplo de uma solução mais convencional, voltada a custo, manutenção e aplicação cotidiana, em meio à exposição de tecnologias de maior complexidade.
FICHA TÉCNICA OFICIAL – IVECO BUS 17-210
O BUS 17-210 foi desenvolvido no Centro de Desenvolvimento de Produtos da Iveco, em Sete Lagoas (MG), e terá o início das vendas em 2027. A fabricante informa que o desenvolvimento envolveu mais de dez ciclos de durabilidade e mais de 80 mil quilômetros de testes de validação do conjunto motriz.
A Iveco ainda não divulgou uma ficha comercial definitiva contendo todas as dimensões, relações de eixo, capacidades dos tanques e demais parâmetros do modelo. Assim, a ficha abaixo reúne somente as características oficialmente apresentadas pela fabricante até agosto de 2026.
| Item | BUS 17-210 |
|---|---|
| Categoria | Chassi de ônibus na faixa de 17 toneladas |
| Aplicações | Urbano, fretamento e rodoviário de curta e média distância |
| Combustível | Diesel |
| Motor | FPT N45, família NEF |
| Número de cilindros | 4 |
| Potência máxima | 210 cv |
| Torque máximo oficial | 720 Nm |
| Arquitetura do motor | Quatro cilindros |
| Transmissão | Manual, conforme configuração apresentada na Lat.Bus 2026 |
| Relação de diferencial | Configurações distintas para urbano e fretamento |
| Suspensão dianteira/traseira | Opção metálica ou pneumática Full Air |
| Suspensão Full Air | 2 bolsões pneumáticos dianteiros e 4 traseiros |
| Recursos da suspensão Full Air | Amortecedores telescópicos de dupla ação, barras estabilizadoras e batentes auxiliares |
| Desenvolvimento | Centro de Desenvolvimento de Produtos de Sete Lagoas (MG) |
| Validação | Mais de 10 ciclos completos de durabilidade |
| Testes do conjunto motriz | Mais de 80 mil km |
| Condições avaliadas | Diferentes topografias, operações severas, lotação elevada e uso contínuo de ar-condicionado |
| Mercado | Brasil |
| Início das vendas | 2027 |
| Produção | Complexo de Sete Lagoas (MG), conforme planejamento industrial da linha brasileira |
A fabricante explica que a calibração do conjunto motor, transmissão e relação de diferencial foi direcionada para manter força disponível nas rodas e respostas nas retomadas, inclusive em situações de alta lotação e utilização constante do ar-condicionado.
A arquitetura da suspensão pneumática deriva da solução já utilizada no BUS 17-280. São dois bolsões de ar na dianteira e quatro na traseira, além de amortecedores telescópicos de dupla ação, barras estabilizadoras e batentes auxiliares.
Um ponto merece registro: durante a entrevista, Paulo Kazuto menciona 750 Nm. No comunicado técnico oficial divulgado pela Iveco para o lançamento, entretanto, o torque informado é de 720 Nm. Por isso, a entrevista permanece com a fala original, enquanto a ficha técnica adota o dado oficial publicado pela fabricante.
FICHA TÉCNICA OFICIAL – IVECO BUS 17-210 G
Apesar da identificação 17-210, o BUS 17-210 G não é simplesmente uma versão do novo quatro cilindros a diesel.
Trata-se de outro conjunto de propulsão, desenvolvido especificamente para gás natural e biometano. A fabricante informa que o modelo é produzido na planta da Iveco Bus em Córdoba, na Argentina. No mercado argentino, a plataforma é denominada 170G21.
| Item | BUS 17-210 G |
| Aplicação principal | Transporte urbano |
| Faixa | 17 toneladas |
| Combustíveis | Gás natural veicular (GNV) ou biometano |
| Motor | FPT N60 CNG |
| Ciclo | Otto |
| Potência | 210 cv |
| Torque | 760 Nm |
| Cilindros para armazenamento de combustível | Até 9 |
| Autonomia | Até 350 km, dependendo da configuração |
| Tempo de abastecimento informado | Cerca de 20 minutos |
| Característica operacional | Menor nível de ruído em relação ao diesel |
| Redução de NO2 com gás natural informada pela fabricante | Até 90% |
| Redução de CO2 com gás natural informada pela fabricante | Aproximadamente 10% |
| Redução de CO2 com biometano informada pela fabricante | Até 95% |
| Produção | Córdoba, Argentina |
| Denominação na Argentina | 170G21 |
| Situação no Brasil | Em processo de validação para o mercado |
| Previsão comercial no Brasil | 2027 |
A Iveco já demonstrava o modelo no Brasil antes da Lat.Bus 2026. Na edição de 2024, a fabricante disponibilizou o chassi para test-drive e informou autonomia de até 350 quilômetros com nove cilindros de armazenamento e abastecimento em aproximadamente 20 minutos.
A estratégia foi retomada na Lat.Bus 2026. A fabricante afirma que o gás natural e o biometano fazem parte de sua abordagem multienergética para a América Latina, levando em consideração a disponibilidade regional dos combustíveis e da infraestrutura.
FICHA TÉCNICA OFICIAL – IVECO BUS 17-280
O BUS 17-280 é a principal referência utilizada pela Iveco para posicionar o novo 17-210.
O modelo de seis cilindros já possui histórico no mercado brasileiro e é produzido no Complexo Industrial de Sete Lagoas. Está disponível para operações urbanas, de fretamento e rodoviárias.
| Item | BUS 17-280 |
| Aplicações | Urbano, fretamento e rodoviário |
| Motor | FPT N67 / NEF 6 |
| Combustível | Diesel |
| Número de cilindros | 6 em linha |
| Cilindrada | 6,7 litros |
| Potência máxima | 280 cv / 207 kW |
| Torque máximo | 950 Nm |
| Norma de emissões | Proconve P8 / Euro VI |
| Pós-tratamento | Hi-eSCR/SCR com ARLA 32, sem EGR |
| Injeção | Common Rail |
| Transmissão | ZF 6S 1010 BO |
| Número de marchas | 6 à frente e 1 à ré |
| Embreagem | Monodisco a seco, acionamento hidráulico |
| Relação de diferencial | 5,57:1 de série; 5,13:1 e 6,57:1 opcionais na ficha técnica consultada |
| Comprimento do chassi | 11.505 mm |
| Largura | 2.429 mm |
| Entre-eixos | 5.950 mm |
| Balanço dianteiro | 2.285 mm |
| Balanço traseiro | 3.278 mm |
| Ângulo de entrada | 10° |
| Ângulo de saída | 11° |
| Capacidade técnica do eixo dianteiro | 7.100 kg |
| Capacidade técnica do eixo traseiro | 11.000 kg |
| PBT homologado na ficha técnica consultada | 16.000 kg |
| Suspensão | Metálica ou pneumática Full Air |
| Suspensão Full Air dianteira | 2 bolsões pneumáticos |
| Suspensão Full Air traseira | 4 bolsões pneumáticos |
| Kneeling | Opcional na configuração pneumática |
| Freio de serviço | Pneumático, sistema S-cam, ABS e EBL |
| Freio de estacionamento | Pneumático, atuação no eixo traseiro |
| Freio motor | Tipo borboleta com controle eletrônico |
| Rodas | Aço, 7,5 x 22,5 polegadas |
| Pneus | 275/80 R22,5 na ficha consultada |
| Tanque de combustível | 271 litros |
| Sistema elétrico | 2 baterias de 12 V e 170 Ah |
| Alternador | 12 V / 90 A |
| Capacidade de passageiros | Pode receber carrocerias para até 59 passageiros, de acordo com a aplicação divulgada pela Iveco |
| Produção | Sete Lagoas (MG) |
A ficha técnica oficial da linha registra PBT homologado de 16 toneladas para a configuração nela apresentada, apesar da denominação comercial BUS 17-280. A fabricante mantém o produto posicionado na faixa de alta capacidade dos chassis de motor dianteiro.
A versão com suspensão pneumática Full Air foi incorporada posteriormente à ficha-base do modelo e utiliza dois bolsões de ar no eixo dianteiro e quatro no traseiro, válvulas niveladoras, amortecedores telescópicos de dupla ação e barras estabilizadoras. O kneeling é opcional.
BUS 17-210 AMPLIA UMA LINHA QUE JÁ VAI DOS MICRO-ÔNIBUS AOS 17 TONELADAS
A linha de ônibus da Iveco produzida no Brasil não se resume aos dois chassis de 17 toneladas.
Um dos modelos de menor porte é o BUS 10-190, que utiliza motor FPT N45 de quatro cilindros, 190 cv e torque de 610 Nm. Dependendo da configuração, atende transporte urbano, fretamento, turismo e o programa Caminho da Escola.
No Caminho da Escola, a Iveco também oferece o BUS 15-210 ORE 3, com motor N45 de 210 cv e torque de 720 Nm. A configuração escolar comporta 59 alunos mais o motorista.
Os BUS 10-190 ORE 2 e BUS 15-210 ORE 3 são produzidos no Complexo Industrial de Sete Lagoas.
DAILY MINIBUS É OUTRA FRENTE DE SETE LAGOAS
A Daily também faz parte da atuação da Iveco Bus no transporte de passageiros e é produzida no Complexo Industrial de Sete Lagoas. A fabricante define o Daily Minibus como a única van produzida sobre chassi no mercado brasileiro e destaca a combinação de dirigibilidade de van com estrutura de micro-ônibus.
A família utiliza o motor FPT F1C. Na configuração 50-180, são 180 cv e 430 Nm de torque.
A gama ganhou diferentes configurações nos últimos anos.
A versão 30-160 Escolar foi desenvolvida com teto baixo para facilitar o acesso a garagens e áreas de embarque com limitação de altura e pode transportar 15 passageiros mais o motorista.
A 45-160 é outra configuração da família, e na Lat.Bus 2026 a Iveco apresentou aplicação de fretamento 17+1, ampliando a utilização do modelo no transporte corporativo.
Já a família 50-180 possui alternativas como a configuração sem Porta Lateral Corrediça, voltada a fretamento, receptivo e turismo, além da versão Hi-Matic Executive.
A transmissão Hi-Matic é automática de oito velocidades. A fabricante informa recursos como Eco Mode, Kick Down e Creep Mode.
PRODUÇÃO EM SETE LAGOAS E EXPORTAÇÃO
O Complexo Industrial de Sete Lagoas é um dos pilares da Iveco na América Latina e reúne a produção brasileira dos chassis de ônibus e da linha Daily.
A fábrica também abastece mercados externos.
Em janeiro e agosto de 2026, a própria Iveco Bus confirmou negócios de exportação dos chassis BUS 10-190 e BUS 17-280 para El Salvador. A fabricante afirma que a operação latino-americana é apoiada pelas plantas de Sete Lagoas e Córdoba, que produzem veículos adaptados às características de cada país.
A Daily Minibus fabricada no Brasil também possui aplicações de exportação. A Iveco registrou, por exemplo, unidades utilizadas em operações de mineração pesada no Chile.
É importante separar esta linha brasileira do BUS 17-210 G. Apesar de fazer parte do portfólio da Iveco Bus para a América Latina e estar previsto para o mercado brasileiro, o chassi a gás é produzido em Córdoba, na Argentina, e por isso não integra a relação de produtos fabricados em Sete Lagoas.
MODELOS IVECO BUS PRODUZIDOS EM SETE LAGOAS
A tabela considera os produtos de transporte de passageiros cuja produção em Sete Lagoas é confirmada pela Iveco e as novas configurações já anunciadas para a linha brasileira. Nos casos de exportação, são indicados apenas destinos ou mercados oficialmente comprovados pela fabricante, sem presumir que todas as versões nacionais sejam oferecidas em todos os países da América Latina.
| Modelo | Tipo/aplicação | Motor/potência | Mercado interno | Exportação confirmada ou atuação externa |
| BUS 10-190 | Urbano, fretamento, turismo e escolar | FPT N45, 4 cilindros, 190 cv | Sim | Sim; Iveco confirma exportações para El Salvador |
| BUS 10-190 ORE 2 | Escolar – Caminho da Escola | FPT N45, 190 cv, 610 Nm | Sim | Não há, nas fontes oficiais consultadas, confirmação específica da versão ORE 2 para exportação |
| BUS 15-210 ORE 3 | Escolar – Caminho da Escola | FPT N45, 210 cv, 720 Nm | Sim | Não há confirmação oficial específica da configuração ORE 3 para exportação nas fontes consultadas |
| BUS 17-210 | Urbano, fretamento e rodoviário de curta e média distância | FPT N45, 4 cilindros, 210 cv, 720 Nm | Vendas previstas a partir de 2027 | Exportação ainda não detalhada oficialmente |
| BUS 17-280 | Urbano, fretamento e rodoviário | FPT N67, 6 cilindros, 280 cv, 950 Nm | Sim | Sim; exportações confirmadas para El Salvador e atuação em outros mercados latino-americanos |
| Daily Minibus 30-160 Escolar | Escolar, teto baixo | Família FPT F1C | Sim | A Iveco não detalha nas fontes consultadas exportação desta configuração específica brasileira |
| Daily Minibus 45-160 | Fretamento, escolar, turismo e outras aplicações | FPT F1C, 160 cv | Sim | Família Daily Minibus possui presença latino-americana |
| Daily Minibus 45-160 Fretamento 17+1 | Fretamento | FPT F1C | Sim | Exportação desta configuração específica ainda não detalhada oficialmente |
| Daily Minibus 50-180 | Fretamento, turismo, transporte de trabalhadores e aplicações especiais | FPT F1C, 180 cv, 430 Nm | Sim | Sim; Daily Minibus de produção brasileira possui unidades destinadas ao Chile |
| Daily Minibus 50-180 sem PLC | Fretamento, receptivo e turismo | FPT F1C, 180 cv | Sim | Não detalhada por versão nos comunicados consultados |
| Daily Minibus 50-180 Hi-Matic Executive | Fretamento executivo e turismo | FPT F1C, 180 cv; transmissão automática de 8 marchas | Sim | Família Daily tem atuação internacional; destinação externa desta configuração brasileira deve observar cada mercado |
| Daily Vetrato 45-160 | Base para transformação de transporte de passageiros | FPT F1C, 160 cv | Sim | Família Daily possui atuação regional |
| Daily Vetrato 50-180 | Base para transformação de transporte de passageiros | FPT F1C, 180 cv | Sim | Família Daily possui atuação regional |
O BUS 17-210, portanto, passa a ocupar uma posição intermediária importante dentro da linha brasileira: utiliza motor de quatro cilindros como o BUS 10-190 e o escolar 15-210, mas entra na faixa operacional de 17 toneladas ocupada até agora principalmente pelo BUS 17-280 de seis cilindros.
A Iveco tenta, assim, manter o 17-280 como alternativa para operações que exigem maior potência e torque e, ao mesmo tempo, disputar aplicações nas quais os operadores consideram suficientes os 210 cv do N45 e dão maior peso a consumo, simplicidade mecânica e custo total de operação. Esta é justamente a estratégia descrita pela fabricante no lançamento da Lat.Bus 2026.
No outro extremo da estratégia, o BUS 17-210 G amplia as opções de energia, mas com origem industrial diferente: Córdoba, na Argentina. Desta forma, a linha latino-americana da Iveco Bus combina os produtos diesel e Daily fabricados em Sete Lagoas com a plataforma a gás produzida na unidade argentina.
Adamo Bazani, jornalista especializado em transportes
Vinícius de Oliveira, para o Diário do Transporte



