VÍDEO: Sindicato dos ferroviários descumpre decisão do TRT para operação mínima, diz CPTM, e greve continua prejudicando passageiros das linhas 11, 12 e 13 nesta quarta (05)
Publicado em: 5 de agosto de 2026
Presidente da companhia afirma que sindicalistas estão politizando pauta, não discutindo questões trabalhistas; serviços funcionam parcialmente com atendimento complementado por ônibus PAESE
ADAMO BAZANI e ARTHUR FERRARI
Continua nesta quarta-feira, 05 de agosto de 2026, a greve de ferroviários das linhas 11-Coral, 12-Safira e 13-Jade da CPTM (Companhia Paulista de Trens Metropolitanos).
A decisão foi tomada após reunião entre o Sindicato dos Trabalhadores em Empresas Ferroviárias da Zona Central do Brasil e o Governo do Estado no TRT (Tribunal Regional do Trabalho) e de assembleia com a categoria.
A entidade sindical é contra concessões à iniciativa privada. As três linhas foram concedidas à Trívia Trens, mas depois de sucessivas falhas operacionais, as operações foram retomadas pela estatal CPTM por mais 90 dias, retrocedendo um passo na transição para a Trivia, do Grupo Comporte, comandado pela família de Constantino de Oliveira, fundador da GOL Linhas Aéreas e maior empresário de ônibus do Brasil, com cerca de dez mil coletivos.
De acordo com Michael Cerqueira, Presidente da CPTM, o sindicato continua não respeitando a decisão do Tribunal Regional do Trabalho para operação mínima nas linhas. “Infelizmente, o contingente necessário para operar as linhas com mais estações e atender melhor a população não está sendo atingido. O sindicato continua não respeitando a decisão judicial. Hoje a gente está com 40% apenas do efetivo do total e dos maquinistas continuamos com apenas 3%.”, disse Cerqueira em entrevista coletiva.
Ainda segundo o presidente, os sindicalistas estão politizando a pauta em vez de discutir questões trabalhistas. “Eles estão politizando a pauta, eles não estão discutindo uma questão trabalhista, eles estão querendo discutir reestatização e que não é uma pauta trabalhista e prejudicando a população. Nós não podemos prejudicar a população por uma questão que nada tem a ver com a pauta trabalhista”, completou Michel Cerqueira.
Como fica a operação nesta quarta-feira (05)
Linha 11-Coral: Trens operam entre as estações Palmeiras-Barra Funda e Guaianases. 95 ônibus do Paese atendem entre Guaianases e Estudantes.
Linha 12-Safira: Circulação dos trens acontece somente entre Brás e Engenheiro Goulart. 90 ônibus do Paese atendem o trecho de Engenheiro Goulart a Calmon Viana.
Linha 13-Jade: Trens operam no trecho de Engenheiro Goulart ao Aeroporto de Guarulhos. Dez ônibus do Paese reforçam o atendimento no mesmo trecho.
Paese intermunicipal com problemas
Nas primeiras horas da manhã os usuários que dependem dos trens, e consequentemente dos ônibus do Paese durante a greve, reclamaram da desorganização envolvendo os coletivos intermunicipais, gerenciados pela Artesp.
Segundo os passageiros, coletivos passavm direto pelos pontos, mesmo ainda com capacidade para mais passageiros, e demoravam a chegar nos destinos, pois os condutores, por falta de orientação da gerenciadora, se perdiam nas rotas que não estavam acostumados a fazer. Também foram registradas diversas reclamações de falta de agentes da Artesp nas estacões e pontos para orientação aos usuários e condutores.
Em nota ao Diário do Transporte, a Artesp disse o contrário do relatado pelos passageiros, afirmando que “reforçou as orientações aos motoristas” e que “há inspetores acompanhando a operação nas estações de trem”. “Sobre o caso relatado de desconhecimento da rota, pode ter sido uma ocorrência pontual.”, completa o comunicado.
Nota da Artesp na íntegra
A ARTESP, que realiza a gestão dos ônibus do PAESE, acionou as empresas responsáveis pela operação e reforçou as orientações aos motoristas. Há inspetores acompanhando a operação nas estações de trem. Sobre o caso relatado de desconhecimento da rota, pode ter sido uma ocorrência pontual.
Lembrando que o PAESE foi acionado para reduzir os impactos da paralisação e oferecer alternativas de deslocamento, principalmente entre a capital e a Região Metropolitana, com 195 ônibus nesta quarta-feira, sendo:
Linha 11-Coral: 95 ônibus
Linha 12-Safira: 90 ônibus
Linha 13-Jade: 10 ônibus
No entanto, é importante destacar que ônibus não substituem a capacidade de um trem, que transporta cerca de 2,4 mil passageiros por composição. A operação Paese está sujeita às condições do tráfego, o que pode influenciar o tempo de deslocamento entre as estações.
Primeiro dia de greve
Na terça-feira, 04 de agosto de 2026, a categoria cruzou os braços.
As operações das linhas 11-Coral e 12-Safira foram parciais e a 13-Jade ficou parada integralmente.
A SPTrans (São Paulo Transporte) reforçou a operação de linhas municipais na capital paulista como a 4310-10 (ET Itaquera – Terminal Parque Dom Pedro II); 3686-10 (Jardim São Paulo – Terminal Parque Dom Pedro II) e 407P-10 (Terminal Cidade Tiradentes – Metrô Tatuapé).
A Artesp (Agência Reguladora dos Serviço Delegados de Transportes do Estado de São Paulo) convocou 128 ônibus para a Operação PAESE (Plano de Atendimento entre Empresas em Situação de Emergência), mas por causa do trânsito, nem todos os coletivos conseguiram cumprir o planejado.
O metrô e o monotrilho abriram mais cedo, as linhas metroferroviárias de operação privada não pararam, assim como a linha 10-Turquesa que, apesar se ser estatal, os trabalhadores são representados por outra base sindical.
O TRT determinou que no dia da greve, fosse garantido um percentual mínimo de 80% do contingente nos horários de pico e 60% nas demais horas, mas, segundo o Governo do Estado, este atendimento não foi garantido. A multa ao sindicato estipulada pelo Tribunal é de R$ 400 mil pelo descumprimento, com possibilidade de recurso e defesa.
Por meio de nota, o Sindicato da categoria diz que nesta quarta (05) deve ser realizada nova assembleia
O Sindicato dos Trabalhadores em Empresas Ferroviárias da Zona Central do Brasil informa que, após mais uma tentativa de negociação com o Governo do Estado de São Paulo, a categoria deliberou pela manutenção do movimento paredista (greve).
Apesar das tratativas realizadas ao longo desta terça-feira, o Governo do Estado ainda não apresentou uma garantia concreta por escrito de manutenção dos empregos de todos os trabalhadores da CPTM, principal reivindicação dos ferroviários durante todo o processo de negociação.
Diante da ausência dessa garantia, a assembleia da categoria decidiu manter a greve e convocou nova Assembleia Geral para esta quarta-feira, 5 de agosto, às 17h, quando os trabalhadores voltarão a avaliar o andamento das negociações e os próximos encaminhamentos do movimento.
Os ferroviários afirmam que permanecem abertos ao diálogo e reiteram que a greve poderá ser encerrada assim que o Governo do Estado formalizar o compromisso de preservar os empregos de todos os trabalhadores da CPTM.
Segundo a entidade, o movimento tem como objetivo defender os direitos dos ferroviários e garantir segurança aos profissionais que atuam na CPTM.
Após um dia inteiro de transtornos à população da capital e da Grande São Paulo, a decisão do sindicato de manter a greve nas Linhas 11-Coral, 12-Safira e 13-Jade é injustificável.
O Governo do Estado de São Paulo manifesta sua absoluta reprovação à continuidade de uma paralisação que, sob o pretexto de defender interesses da categoria, impõe graves prejuízos a quase 1 milhão de passageiros que dependem diariamente do transporte ferroviário para trabalhar, estudar e acessar serviços essenciais. Os impactos da greve extrapolaram o sistema ferroviário e comprometeram a mobilidade de toda a maior região metropolitana da América Latina. A paralisação levou à suspensão do rodízio municipal de veículos na capital e contribuiu para o registro de 720 quilômetros de congestionamento no período da manhã, penalizando milhões de paulistas. A justificativa apresentada pelo sindicato para sustentar o movimento não é verdadeira. Não há demissões em curso decorrentes do processo de concessão. Dos 4.648 funcionários empregados em junho de 2026, 2.171 seguem na Linha 10-Turquesa; os demais funcionários estão contemplados no plano de realocação englobando Metrô, Artesp, Arsesp e outros órgãos. Ao insistir na paralisação, o sindicato evidencia que sua motivação ultrapassa qualquer reivindicação trabalhista e se concentra na defesa da reestatização de serviços concedidos, conferindo caráter eminentemente político ao movimento. Além disso, a decisão do Tribunal Regional do Trabalho que determinava a manutenção de 80% do efetivo nos horários de pico foi desrespeitada, uma vez que a CPTM operou com apenas 53% dos funcionários no período de maior demanda da noite, agravando ainda mais os prejuízos impostos à população. A CPTM e o Metrô voltarão a executar o plano de contingência e reforçarão a operação do sistema de transporte para reduzir os impactos à população durante este segundo dia de paralisação. O Governo do Estado continuará adotando todas as medidas administrativas e judiciais cabíveis para assegurar a prestação do serviço público, responsabilizar os envolvidos pelo descumprimento das determinações judiciais e garantir a proteção do direito de ir e vir dos cidadãos.
Adamo Bazani e Arthur Ferrari, jornalistas especializados em transportes



Cadê a galera do estatal é melhor? Enquanto o povo se lasca com paese lotado e chega tarde em casa o sindicato político, continua aprontando a fazendo de propósito por ser ano de eleição.