Fabricante registra crescimento do faturamento e da produção mundial, impulsionada por micros destinados a programas governamentais, enquanto espera recuperação das entregas de ônibus rodoviários, urbanos e novos contratos do Caminho da Escola no segundo semestre
ADAMO BAZANI
Colaborou Vinícius de Oliveira
A Marcopolo encerrou o segundo trimestre de 2026 com lucro líquido de R$ 271,2 milhões, receita líquida de R$ 2,373 bilhões e produção global de 4.105 ônibus, apresentando crescimento nas vendas e na fabricação de veículos, mas também enfrentando redução da rentabilidade diante de um cenário marcado pela desaceleração dos mercados de ônibus rodoviários e urbanos, maior participação de veículos de menor valor agregado no mix de produção, juros elevados, crédito restrito e dificuldades enfrentadas por operações internacionais como Argentina, México e África do Sul.
Os resultados mostram que a companhia continua ampliando suas operações, porém em um ambiente bastante diferente daquele observado em 2025. O crescimento da receita ocorreu principalmente graças ao aumento das entregas de micros destinados a programas governamentais e ao avanço das exportações brasileiras em valor, enquanto as margens sofreram pressão pelo aumento dos custos, pela valorização do real frente ao dólar e pela menor participação dos segmentos tradicionalmente mais rentáveis, como rodoviários de longo curso e urbanos de maior porte.
Outro fator importante foi a diferença de comportamento entre os mercados nacional e internacional. Enquanto o Brasil apresentou expansão consistente nas vendas e na produção, várias operações no exterior registraram retração, reduzindo a contribuição internacional para o desempenho consolidado da companhia.
Principais indicadores do 2º trimestre de 2026
| Indicador | 2T26 | Variação |
| Lucro líquido | R$ 271,2 milhões | -15,5% |
| Receita líquida | R$ 2,373 bilhões | +3,0% |
| EBITDA | R$ 338,6 milhões | -15,0% |
| Margem EBITDA | 14,3% | -3 pontos percentuais |
| Produção global | 4.105 ônibus | +8,0% |
| Receita mercado brasileiro | R$ 1,462 bilhão | +11,3% |
| Receita exportações do Brasil | R$ 289,9 milhões | +16,2% |
| Receita operações internacionais | R$ 621,3 milhões | -16,3% |
Lucro líquido recua, mas permanece acima de R$ 270 milhões
O indicador mais acompanhado pelos investidores, o lucro líquido, ficou em R$ 271,2 milhões entre abril e junho deste ano.
Embora represente redução de 15,5% em relação aos R$ 321,1 milhões registrados no mesmo período de 2025, o resultado continua elevado para padrões históricos da companhia e demonstra que a fabricante preserva capacidade de geração de lucro mesmo em um cenário menos favorável para o mercado de ônibus.
Segundo a administração, a queda decorre basicamente dos mesmos fatores que pressionaram o EBITDA: maior participação de micros, menores margens nas exportações, valorização do real e desempenho inferior de algumas controladas internacionais.
Para investidores, o dado chama atenção porque representa uma redução na rentabilidade, mas não caracteriza perda operacional da empresa.
Receita líquida cresce mesmo com retração dos segmentos mais tradicionais
Apesar da redução do lucro, a Marcopolo conseguiu ampliar o faturamento.
A receita líquida consolidada atingiu R$ 2,373 bilhões, crescimento de 3% sobre igual período de 2025. O resultado demonstra que houve aumento das entregas, especialmente de micros e de exportações realizadas a partir do Brasil.
A composição da receita mostra uma dependência ainda maior do mercado brasileiro.
Receita líquida por origem
| Origem | Valor |
| Mercado interno | R$ 1,462 bilhão |
| Exportações realizadas pelo Brasil | R$ 289,9 milhões |
| Operações internacionais | R$ 621,3 milhões |
| Total | R$ 2,373 bilhões |
Em termos percentuais:
- Mercado brasileiro: 61,6%
- Exportações do Brasil: 12,2%
- Operações internacionais: 26,2%
Ou seja, quase dois terços da receita consolidada passaram a depender diretamente da atividade econômica brasileira.
EBITDA cai para R$ 338,6 milhões
O EBITDA, indicador utilizado pelo mercado financeiro para medir a geração operacional de caixa antes de juros, impostos, depreciação e amortização, ficou em R$ 338,6 milhões.
No segundo trimestre de 2025 havia alcançado R$ 398,3 milhões.
A redução foi de 15%.
A companhia atribui o desempenho principalmente a:
- aumento da participação dos micros no faturamento;
- menor participação dos ônibus rodoviários;
- valorização do real frente ao dólar;
- menores margens nas exportações;
- desempenho inferior das operações argentina e mexicana;
- despesas extraordinárias de reestruturação da Metalsur.
Segundo a empresa, desconsiderando o custo extraordinário de R$ 10,4 milhões relacionado à reestruturação da Metalsur, o EBITDA teria alcançado R$ 349 milhões e margem de 14,7%.
Margem EBITDA diminui
A margem EBITDA caiu de 17,3% para 14,3%.
A redução de três pontos percentuais evidencia que, embora a companhia tenha vendido mais veículos e aumentado a receita, a rentabilidade de cada unidade comercializada ficou menor.
Na prática, isso significa que o crescimento das vendas ocorreu principalmente em produtos de menor margem ou em mercados menos rentáveis.
Produção mundial cresce 8%
A Marcopolo produziu 4.105 ônibus em todo o mundo entre abril e junho.
O resultado representa crescimento de 8% em relação ao mesmo período do ano passado.
Produção mundial
| Região | 2T26 |
| Brasil | 3.675 |
| Exterior | 430 |
| Total | 4.105 |
O desempenho, entretanto, foi bastante diferente entre Brasil e exterior.
Enquanto a produção brasileira aumentou 19,4%, as unidades internacionais recuaram 40,5%.
Isso mostra que praticamente todo o crescimento da companhia veio das fábricas brasileiras.
Mercado brasileiro sustenta crescimento da Marcopolo
A principal conclusão operacional do segundo trimestre é que o crescimento da Marcopolo ocorreu quase exclusivamente graças ao mercado brasileiro.
Das 4.105 unidades produzidas mundialmente, 3.675 saíram das fábricas instaladas no Brasil, enquanto apenas 430 foram produzidas nas unidades internacionais. Em comparação com o mesmo período de 2025, a produção nacional avançou 19,4%, enquanto as operações no exterior registraram retração de 40,5%.
Os números mostram que o Brasil voltou a ser o principal motor da companhia.
Além do aumento da produção, também houve crescimento das unidades registradas na receita líquida.
Unidades registradas na receita líquida
| Mercado | 2T26 | Variação |
| Mercado interno | 3.405 | +18,7% |
| Exportações a partir do Brasil | 368 | -29,0% |
| Total Brasil | 3.773 | +11,4% |
| Operações internacionais | 394 | -43,1% |
| Total Geral | 4.155 | +6,4% |
Na prática, mais de oito em cada dez veículos contabilizados na receita líquida foram destinados ao mercado brasileiro.
Exportações brasileiras perdem volume, mas aumentam faturamento
Um dos aspectos mais interessantes do balanço aparece quando se compara quantidade e faturamento das exportações.
Embora o número de ônibus exportados diretamente do Brasil tenha diminuído, a receita proveniente dessas vendas aumentou.
A receita das exportações brasileiras cresceu 16,2%, chegando a R$ 289,9 milhões, enquanto o volume embarcado caiu de 518 para 368 unidades.
Isso significa que a empresa vendeu menos ônibus para o exterior, porém modelos de maior valor agregado.
Segundo a administração, mercados como Peru e Chile passaram a absorver principalmente ônibus rodoviários de maior porte, o que compensou parcialmente a redução dos embarques em quantidade.
Operações internacionais ainda pressionam o resultado
Enquanto o Brasil apresentou crescimento consistente, várias operações internacionais tiveram desempenho inferior.
A unidade australiana foi a principal exceção.
Produção nas unidades internacionais
| País | 2T26 | Variação |
| Austrália | 174 | +22,5% |
| China | 39 | +14,7% |
| Argentina | 79 | -45,5% |
| África do Sul | 52 | -49,0% |
| México | 86 | -71,3% |
A Austrália, por meio da Volgren, apresentou expansão simultânea de produção, receita e rentabilidade, mantendo uma carteira de pedidos considerada robusta para 2026 e já com perspectivas positivas para 2027.
Em sentido oposto, Argentina e México continuaram sofrendo com restrições de crédito, ambiente econômico desfavorável e menor ritmo de investimentos em renovação de frota.
A operação sul-africana também teve revisão negativa das perspectivas para o restante do ano.
Já a unidade chinesa continua exercendo papel estratégico como centro tecnológico e de fornecimento global de componentes para a companhia.
Rodoviários continuam sendo o maior desafio
Historicamente, os ônibus rodoviários representam um dos segmentos mais rentáveis para a Marcopolo.
Por isso, a retração desse mercado teve impacto direto sobre as margens da companhia.
Na produção mundial consolidada, os rodoviários caíram de 1.348 unidades para apenas 900 veículos no trimestre.
Trata-se de uma redução superior a 33%.
Na receita líquida, os rodoviários responderam por R$ 697,7 milhões, contra R$ 909,1 milhões no segundo trimestre de 2025.
A queda foi superior a R$ 211 milhões.
Segundo a administração, juros elevados, crédito restrito e maior cautela das empresas transportadoras explicam boa parte desse comportamento.
Mesmo assim, a empresa acredita em recuperação gradual no segundo semestre, impulsionada pela sazonalidade das viagens e pelos financiamentos do programa MOVE.
Mercado urbano permanece retraído
O segmento de ônibus urbanos também apresentou retração.
A produção mundial caiu de 1.118 para 692 unidades.
No Brasil, foram produzidos apenas 410 urbanos, contra 624 um ano antes.
Apesar disso, a receita praticamente permaneceu estável.
Os urbanos responderam por R$ 588,9 milhões, praticamente repetindo os R$ 587,6 milhões registrados no segundo trimestre de 2025.
Segundo a companhia, o principal obstáculo continua sendo a dificuldade financeira dos operadores, agravada pelo aumento do diesel, pela necessidade de reajustes tarifários e pelas elevadas taxas de juros.
Em contrapartida, a empresa avalia que o Novo Marco Legal do Transporte Público poderá criar condições mais favoráveis para a renovação das frotas urbanas ao aumentar a segurança jurídica dos contratos e melhorar a sustentabilidade econômica dos sistemas.
Ônibus elétricos ganham espaço
Embora ainda representem pequena parcela do faturamento, os ônibus elétricos continuam crescendo.
No segundo trimestre, a Marcopolo entregou 67 unidades do Attivi.
No mesmo período do ano anterior haviam sido entregues apenas 15.
No acumulado do primeiro semestre foram 72 veículos, contra 47 em igual período de 2025.
O crescimento acompanha o avanço dos programas municipais de eletrificação das frotas, principalmente em grandes centros urbanos.
Além disso, a empresa vem ampliando investimentos em tecnologias de propulsão alternativas ao diesel, estratégia considerada fundamental para os próximos anos.
Volare e micros tornam-se os protagonistas do trimestre
Se os mercados de ônibus rodoviários e urbanos perderam força, os micros e os modelos Volare passaram a exercer papel decisivo para sustentar a atividade industrial da Marcopolo no segundo trimestre.
A produção mundial de micros mais que dobrou em relação ao mesmo período do ano passado, saltando de 782 para 1.750 unidades. Já a Volare aumentou a fabricação de 727 para 775 veículos.
Na receita líquida consolidada, os micros responderam por R$ 420,9 milhões, crescimento expressivo frente aos R$ 189,4 milhões registrados um ano antes. A receita da Volare também apresentou expansão, passando de R$ 450,7 milhões para R$ 463,6 milhões.
Embora esses produtos tenham contribuído para elevar o faturamento e manter elevado o nível de produção das fábricas, eles possuem menor valor agregado quando comparados aos ônibus rodoviários de longo curso, especialmente os modelos double decker, tradicionalmente responsáveis pelas maiores margens da companhia.
Segundo a administração, exatamente essa mudança no mix de vendas foi uma das principais razões para a redução do lucro bruto, da margem bruta e do EBITDA durante o trimestre.
Caminho da Escola e Ministério da Saúde sustentam a produção
A principal explicação para o forte crescimento dos micros está nos programas públicos.
Grande parte da produção foi destinada às entregas remanescentes da Fase 12 do Caminho da Escola, além de contratos firmados com o Ministério da Saúde.
Durante o trimestre, a Marcopolo entregou 384 micros e 59 Volares vinculados ao Caminho da Escola, enquanto outros 1.246 micros foram destinados ao Ministério da Saúde.
Na avaliação da empresa, esses programas compensaram parcialmente a retração observada nos segmentos rodoviário e urbano e foram determinantes para manter elevado o nível de utilização das linhas de produção brasileiras.
Ao mesmo tempo, a companhia ressalta que essas encomendas foram contratadas há mais tempo, em um cenário de custos diferente do atual. O aumento dos preços de matérias-primas, especialmente derivados de petróleo, acabou reduzindo a rentabilidade dessas entregas.
Licitação da Fase 13 pode mudar o segundo semestre
Um dos principais pontos acompanhados pelo mercado é a homologação da nova licitação do Caminho da Escola.
O certame foi realizado em abril deste ano, mas sua homologação ainda não havia sido concluída até o fechamento do balanço.
Caso seja confirmada, a Marcopolo informa que poderá fornecer, direta ou indiretamente, até 7.210 ônibus, distribuídos da seguinte forma:
| Categoria | Quantidade |
| Micros | 4.370 |
| Urbanos | 2.220 |
| Volare | 620 |
| Total potencial | 7.210 |
Para uma empresa cuja produção trimestral ficou em pouco mais de quatro mil unidades, trata-se de um volume potencialmente significativo.
Entretanto, a administração alerta que os atrasos na homologação da licitação, somados à ausência de novos pedidos do Ministério da Saúde, prejudicam a previsão de produção para o terceiro trimestre. A expectativa é que a recuperação ocorra principalmente no quarto trimestre de 2026.
Mercado interno ganha ainda mais importância
Os números mostram que a Marcopolo está cada vez mais dependente do mercado brasileiro.
Receita por origem
| Origem | Receita | Participação |
| Mercado interno | R$ 1,462 bilhão | 61,6% |
| Exportações do Brasil | R$ 289,9 milhões | 12,2% |
| Operações internacionais | R$ 621,3 milhões | 26,2% |
O crescimento das vendas domésticas compensou a retração das operações internacionais, especialmente Argentina e México.
Ao mesmo tempo, o desempenho das exportações brasileiras demonstrou que ainda existe demanda por veículos de maior valor agregado na América Latina, sobretudo em mercados como Peru e Chile.
Carteira de pedidos traz sinais positivos
Apesar do cenário de curto prazo mais desafiador, a companhia identifica fatores capazes de impulsionar a atividade industrial nos próximos meses.
Entre eles destacam-se:
- recuperação sazonal do mercado rodoviário;
- avanço das entregas financiadas pelo programa MOVE;
- homologação da Fase 13 do Caminho da Escola;
- fortalecimento da operação australiana Volgren, cuja carteira de pedidos já alcança parte de 2027;
- continuidade da expansão dos ônibus elétricos Attivi;
- amadurecimento dos investimentos realizados em novos produtos e tecnologias.
No caso da Austrália, a empresa afirma que a carteira de pedidos permanece robusta e já garante perspectivas favoráveis para o próximo ano.
Investimentos continuam elevados
Mesmo diante de um ambiente econômico mais restritivo, a Marcopolo manteve seu plano de investimentos.
No segundo trimestre foram aplicados R$ 69,1 milhões em ativos permanentes.
Desse total:
- R$ 24,5 milhões foram investidos pela controladora;
- R$ 44,6 milhões pelas empresas controladas.
Entre os principais destinos dos recursos destacam-se:
- Volare Veículos (São Mateus): R$ 24,3 milhões;
- Apolo: R$ 12,6 milhões;
- Marcopolo Austrália: R$ 6,8 milhões;
- demais operações: R$ 0,9 milhão.
Os investimentos incluem máquinas, equipamentos, imóveis, benfeitorias e expansão da capacidade produtiva, além do desenvolvimento de novas soluções de mobilidade.
Dividendos
O release de resultados do segundo trimestre não anuncia nova distribuição de dividendos ou juros sobre capital próprio. As informações disponíveis mencionam apenas a existência de obrigações contabilizadas relacionadas a dividendos e JCP já declarados, sem informar uma nova deliberação de distribuição referente ao trimestre.
Na próxima parte, apresentarei a análise final das perspectivas para 2026, os principais riscos apontados pela administração e uma avaliação do que os resultados significam para o mercado brasileiro de ônibus e para os investidores da Marcopolo.
Perspectivas: juros elevados e crédito restrito continuam sendo os principais obstáculos para o setor
Na avaliação da administração da Marcopolo, o desempenho do segundo trimestre reflete um cenário de transição para a indústria brasileira de ônibus.
Apesar do crescimento da produção e da receita, a fabricante afirma que o mercado continua enfrentando dificuldades decorrentes das elevadas taxas de juros, da restrição ao crédito e da maior cautela dos operadores de transporte na renovação de suas frotas. Esses fatores afetaram principalmente os segmentos rodoviário e urbano, tradicionalmente responsáveis pelos veículos de maior valor agregado da companhia.
A empresa observa que, embora a demanda estrutural por renovação de ônibus permaneça elevada, muitas empresas adiaram investimentos diante do aumento do custo do financiamento e da incerteza econômica.
No segmento rodoviário, a expectativa é de recuperação gradual ao longo do segundo semestre, impulsionada pela sazonalidade das viagens de passageiros e pelo avanço das operações financiadas pelo programa MOVE, criado pelo Governo Federal para estimular a renovação das frotas de ônibus e caminhões. A companhia acredita que os efeitos desse programa deverão aparecer principalmente durante o terceiro trimestre.
No mercado urbano, a administração identifica outro conjunto de fatores que dificultam a retomada das compras. Entre eles estão o aumento do preço do diesel, a necessidade de recomposição do equilíbrio econômico-financeiro dos contratos e a limitação financeira enfrentada por diversos operadores do transporte coletivo.
Ao mesmo tempo, a Marcopolo considera que a entrada em vigor do Novo Marco Legal do Transporte Público Coletivo poderá melhorar o ambiente de investimentos ao ampliar a segurança jurídica dos contratos e criar mecanismos para fortalecer a sustentabilidade econômica dos sistemas de transporte urbano.
Ônibus elétricos deverão ganhar participação
Embora ainda representem parcela relativamente pequena da produção da companhia, os ônibus elétricos aparecem entre as apostas para os próximos anos.
A Marcopolo entregou 67 unidades do modelo Attivi no segundo trimestre, número mais de quatro vezes superior ao registrado no mesmo período de 2025, quando foram fornecidos apenas 15 veículos. No acumulado do primeiro semestre, foram entregues 72 elétricos, frente a 47 um ano antes.
A empresa destaca que os investimentos realizados em novas tecnologias de propulsão, incluindo soluções elétricas e outras alternativas ao diesel, deverão ampliar gradualmente a participação desses produtos em seu portfólio.
Austrália se consolida como principal operação internacional
Entre as unidades no exterior, a operação australiana permaneceu como o principal destaque positivo.
Segundo a companhia, a Volgren registrou crescimento de produção, receita e rentabilidade, impulsionada por um mix favorável de produtos e por uma carteira de pedidos considerada robusta. A administração informa que os resultados obtidos em 2026 já superam as expectativas iniciais e indicam perspectivas favoráveis também para 2027.
Em contraste, Argentina, México e África do Sul continuam enfrentando dificuldades.
Na Argentina, a Metalsur passou por um processo de reestruturação para adequar sua estrutura ao ambiente de crédito mais restritivo. No México, a indefinição em torno das relações comerciais com os Estados Unidos mantém os clientes cautelosos quanto a novos investimentos. Já na África do Sul, a empresa revisou para baixo suas expectativas diante da fragilidade da demanda local.
O que os números mostram
Mais do que um simples balanço trimestral, os resultados revelam uma mudança importante no perfil operacional da Marcopolo em 2026.
Enquanto em anos anteriores o crescimento era sustentado principalmente pelos segmentos rodoviário e urbano, neste trimestre a companhia passou a depender mais dos micros destinados a programas públicos e da recuperação do mercado doméstico.
Ao mesmo tempo, os números evidenciam que o mercado brasileiro voltou a exercer papel central na estratégia da fabricante, compensando parcialmente a retração observada em diversas operações internacionais.
A evolução da companhia ao longo do segundo semestre dependerá principalmente de cinco fatores:
- homologação da Fase 13 do programa Caminho da Escola;
- efetivação das entregas financiadas pelo programa MOVE;
- retomada das compras de ônibus rodoviários;
- recuperação gradual do mercado de transporte urbano;
- melhora das condições de crédito e eventual redução das taxas de juros.
Caso esses fatores se confirmem, a Marcopolo poderá ampliar novamente os volumes de produção e recuperar parte das margens perdidas ao longo do primeiro semestre. Caso contrário, a empresa tende a manter uma operação sustentada principalmente pelos programas governamentais e pelos mercados internacionais que continuam apresentando maior dinamismo, como a Austrália.
A HISTÓRIA DO G 8:
O Diário do Transporte cobriu o evento antes mesmo da abertura oficial ao público em geral, com atividades apenas para imprensa especializada mundial a partir do dia 02, tendo viajado a convite da Mercedes-Benz do Brasil. O repórter Adamo Bazani, do Diário do Transporte, foi um dos poucos jornalistas brasileiros presencialmente na Busworld, a maior feira de ônibus do mundo.
Por causa do convite da Mercedes-Benz, foi possível para o Brasil trazer informações em primeira mão, inclusive da Marcopolo.
Em 03 de outubro de 2025, antes mesmo da abertura geral ao público, em dia dedicado à imprensa especializada, o Diário do Transporte gerou matéria do estande da Marcopolo revelando que a marca comercializou 5 mil unidades da Geração 8, desde o lançamento em 20 de julho de 2021, em meio a pandemia de covid-19.
Relembre:
No dia seguinte, em 04 de outubro de 2025, o Diário do Transporte trazia uma entrevista exclusiva com os executivos da marca, Ricardo Portolan e João Paulo Ledur, que detalharam os planos da empresa para a Europa. Segundo eles, já houve contatos e negociações com empresários e operadores europeus para as primeiras vendas, que devem se concretizar em breve.
As entregas iniciais estão previstas para ocorrer a partir do último trimestre de 2026, após a finalização de todas as homologações. França, Itália, Espanha e Portugal devem ser os primeiros mercados. Os executivos também comentaram sobre os planos em relação ao urbano elétrico Attivi e sobre a perspectiva da Marcopolo quanto às normas de redução de emissões na Europa. Como mostrou o Diário do Transporte, um dos grandes desafios tem sido a infraestrutura para os chamados veículos de classe três, que são os ônibus rodoviários de longa distância.
Relembre:
e
https://www.youtube.com/watch?v=5dPGQvlmYnM
No mesmo dia, o Diário do Transporte também trouxe outro destaque da Marcopolo S.A.: HORSE Powertrain, em parceria com a Volare, da Marcopolo, apresentaram uma tecnologia de motores híbridos (a etanol + eletricidade) que promete praticamente dobrar a autonomia das baterias.
Relembre:
e
O LANÇAMENTO DO G 8:
Apresentado oficialmente em 20 de julho de 2021, com a Viação Águia Branca, do Espírito Santo, a adquirir a primeira unidade comercial, a Geração 8 da Marcopolo prometeu diversas inovações: Faróis com maior alcance, carroceria mais leve e com nova aerodinâmica, novo tipo de reclinação de poltronas pneumática, acabamento que evita trepidações, dutos de ar-condicionado que não ocupam porta-pacotes, quatro centrais elétricas, plásticos com deformidade programada em vez de fibra de vidro estão entre as novidades que, segundo empresa, provavam que nova geração vai além de mudanças estéticas.
Relembre:
O MILÉSIMO G 8:
Pouco menos de oito meses após o lançamento, a Geração 8 de ônibus rodoviários da Marcopolo atingia a marca de mil unidades produzidas, entre as diferentes versões do Viaggio e do Paradiso.
No dia 19 de abril de 2023, a Marcopolo comunicou de forma oficial que o milésimo ônibus foi um Double Decker – modelo de dois andares – comprado pela Viação Garcia, do Grupo Viação Garcia Brasil Sul.
A milésima unidade da Geração 8 da Marcopolo fez parte de um pedido de 53 novos ônibus do Grupo Garcia-Brasil Sul (Viação Garcia e Brasil Sul), sendo 28 Paradiso G8 1800 DD, 19 veículos Paradiso G8 1200 e seis Viaggio G7 900, para linhas rodoviárias interestaduais e intermunicipais e em serviço de fretamento contínuo (Viaggio 900).
Relembre:
Garcia renova com mais 53 ônibus e adquire a milésima unidade do G8
QUATRO MIL ÔNIBUS EM TRÊS ANOS:
A oitava geração de ônibus rodoviários da Marcopolo, chamada de G8, atingiu em agosto de 2024, mais de quatro mil unidades vendidas desde quando foi lançada em 20 de julho de 2021.
O número foi revelado pela Marcopolo na Lat.Bus 2024, evento de mobilidade que ocorreu entre os dias 06 e 08 de agosto na capital paulista.
Na feira, foi apresentado oficialmente o modelo Viaggio 1050, da linha de produtos G8, e, como noticiou em primeira mão o Diário do Transporte, já com 50 unidades vendidas.
Relembre:
Viaggio G8 1050 já tem mais de 50 unidades vendidas e é um dos destaques da Marcopolo da LatBus 2024
Com o lançamento, a linha de carrocerias G8 passa a contar com os seguintes modelos: Viaggio 800, Viaggio 1050, Paradiso 1050, Paradiso 1200, Paradiso 1350, Paradiso 1600 LD (Low Driver) – amplos bagageiros, Paradiso 1800 DD (Double Decker) – dois andares.
O ônibus de dois andares responde por 2,2 mil unidades de todas as cerca de quatro mil entre todos os modelos da Geração 8.
No mesmo período, foram aproximadamente 900 ônibus G8 exportados.
UM DOS MAIS BONITOS DO MUNDO, EVENTOS INTERNACIONAIS E CINCO MIL UNIDADES:
A linha da Geração 8, da brasileira Marcopolo, pode ser considerada uma das mais bonitas para ônibus rodoviários do Planeta e integrou um dos principais painéis mundiais sobre tendências de design para veículos deste tipo.
Não é exagero.
A Marcopolo participou da Busworld 2025, em Bruxelas, na Bélgica, não apenas expondo os veículos, como já havia mostrado do Diário do Transporte – Relembre: https://diariodotransporte.com.br/2025/10/04/entrevista-g8-da-marcopolo-na-europa-ja-tem-consultas-de-operadores-e-primeiras-entregas-ocorrem-a-partir-de-setembro-de-2026/
A fabricante nacional integrou o Congresso 2025 da feira mais importante do setor de transportes por ônibus do mundo.
O diretor de Engenharia, Luciano Resner, expôs o case da geração 8 (G8) no painel “Trends in exterior and interior coach design and infotainment” – “Tendências do design e entretenimento exterior e interior em ônibus rodoviários).
A Busworld é o evento mais relevante de ônibus em todo o Planeta. O Diário do Transporte foi um dos poucos veículos de comunicação profissional do Brasil a cobrir presencialmente, indo à feira a convite da Mercedes-Benz. Pelos corredores da Busworld foi possível ver pessoas de todas as regiões do Planeta. O que vai ser o futuro dos transportes globalmente passa pela Busworld.
Na ocasião, sobre a Marcopolo, o Diário do Transporte conversou com os executivos da marca, Ricardo Portolan e João Paulo Ledur, que detalharam os planos da empresa para a Europa. Segundo eles, já houve contatos e negociações com empresários e operadores europeus para as primeiras vendas, que devem se concretizar em breve.
As entregas iniciais estão previstas para ocorrer a partir do último trimestre de 2026, após a finalização de todas as homologações. França, Itália, Espanha e Portugal devem ser os primeiros mercados.
Já sobre o painel, a Marcopolo diz que Luciano Resner apresentou o processo de desenvolvimento do design exterior e interior dos ônibus da marca, reconhecido internacionalmente pelo superior conforto, segurança e tecnologia.
Luciano enfatizou o desenvolvimento da aerodinâmica, feito em túnel de vento para se alcançar um dos mais baixos coeficientes de penetração para um veículo de mais de 3.000mm de altura e área frontal de cerca de 10 m2.
“No processo de desenvolvimento do design dos ônibus Marcopolo focamos em cinco pilares: Sofisticação, Tecnologia, Segurança, Conforto e Experiência. E, por intermédio do equilíbrio entre esses pontos vitais para a concepção do veículo, alcançamos o modelo ideal”, destaca Luciano Resner.
Assim, a Marcopolo definiu as linhas da Geração 8, com desenho limpo e linhas fluidas e aerodinâmicas. O resultado é um veículo com melhor eficiência energética, menor consumo de combustível e pneus, maior espaço interno e para bagagens, e conforto e segurança para os ocupantes.
A Geração 8 de ônibus rodoviários Marcopolo foi lançada em meio a pandemia de covid 19, em 20 de julho de 2021, e já conta com mais de 5 mil unidades produzidas, das quais cerca de 1.600 exportadas para mais de 20 países.
Sobre o fato de ter alcançado 5 mil unidades, o Diário do Transporte trouxe a informação em primeira mão na Busworld 2025.
Relembre:
Busworld 2023:
A Marcopolo já havia participado de uma Busworld com o G8. Foi na edição anterior, a de 2023.
Segundo o diretor de Engenharia, Luciano Resner, o conforto interno dos modelos da Geração 8 se destaca pela ergonomia, poltronas que envolvem o passageiro, espaço para circulação, capacidade dos porta-pacotes e acessibilidade. “Na edição da Busworld de 2023, todos os visitantes e participantes que estiveram no nosso estande se surpreenderam com o conforto, segurança e tecnologia do modelo Paradiso 1800 DD que apresentamos”, comenta Luciano.
Aspectos como mais conforto para curtas, médias e grandes viagens, ergonomia com poltronas que se ajustam ao corpo, materiais exclusivos para mais sofisticação e opções integradas ao assento foram estudados e trabalhados para alcançar os melhores resultados aos passageiros. – complementou
iF Design Award
O design da Geração 8 Marcopolo, em 2022, recebeu o prêmio iF AWARD 2022, um dos mais importantes de design de todo o mundo. Um júri independente de especialistas internacionais em design elegeu os projetos premiados com base em cinco critérios (Ideia, Forma, Função, Diferenciação, Impacto).
“Essa conquista demonstra a vanguarda internacional do ônibus Marcopolo, combinando estilo à funcionalidade do veículo para a concepção de um produto inédito e exclusivo que consolida a identidade e valores da marca”, enfatiza o Luciano Resner.
O Diário do Transporte viajou à BusWorld 2025, na Bélgica, a convite da Mercedes-Benz do Brasil.
O ano era 2021, ápice da pandemia de covid-19. Ninguém sabia para onde o mundo iria. Ninguém sabia se o mercado de ônibus conseguiria se recuperar.
A principal excelência do transporte, o passageiro, havia sumido. E o passageiro mostrou mais uma vez que é o ponto fundamental de tudo.
A partir daí, indústria, operadores e gestores públicos começaram a fazer o que deveriam já ter realizado há décadas e décadas, olhar com mais carinho os usuários.
Diante das incertezas, a Marcopolo fez uma jogada. Lançou em pleno auge da crise uma nova família de produtos, a geração 8.
A apresentação ocorreu no espaço natural do passageiro, o terminal rodoviário e o maior da América Latina, o Tietê.
Hoje, a Marcopolo vê os frutos da aposta. A pandemia foi superada, talvez nem tudo ainda se recuperou, mas o mercado de ônibus rodoviários voltou a ter fôlego. E enquanto as outras tentavam fazer futurologia, a Marcopolo apostou no presente e colheu no futuro.
Na Busworld 2025, que acontece na Bélgica, a empresa anuncia 5 mil unidades dos diversos ônibus rodoviários da geração 8.
Adamo Bazani, jornalista especializado em transportes
Adamo Bazani, jornalista especializado em transportes
