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EXCLUSIVO – VÍDEO: Ônibus Biometano Scania padrão SPTrans já tem um grande lote pré-encomendado e vai para as ruas em setembro – ENTREVISTA e FOTOS

Informação é do Diretor de Desenvolvimento de Negócios da Scania, Marcelo Gallão, em entrevista a Adamo Bazani, nesta quarta-feira (29). Avaliação pela SPTrans está em fases finais

ADAMO BAZANI e VINÍCIUS DE OLIVEIRA

Um grande grupo empresarial de transportes da capital paulista já demonstrou interesse na compra de uma quantidade considerada “relativamente grande” do novo ônibus urbano a biometano da Scania, desenvolvido em parceria com a Caio para atender às especificações operacionais da SPTrans (São Paulo Transporte). – AO FIM DO TEXTO DA ENTREVISTA, VÁRIAS FOTOS PRÓPRIAS

A informação foi confirmada pelo diretor de Desenvolvimento de Negócios da Scania, Marcelo Gallão, em entrevista ao criador e editor-chefe do Diário do Transporte, Adamo Bazani, na fábrica, na manhã desta quarta-feira, 29 de julho de 2026.

A reportagem revelou a apresentação do modelo, que será um dos destaques da marca na Lat.Bus – 2026, feira especializada no segmento de ônibus, que ocorre entre os dias 11 e 13 de agosto na cidade de São Paulo. A Scania também apresentou uma nova linha de ônibus rodoviários, denominada “Super”, com seis modelos, com motores de 11 litros e de 13 litros: K350 4×2, K390 4×2; K390 6×2; k430 6×2; K460 8×2; e K500 8×2.

Relembre a reportagem sobre os lançamentos em geral: https://diariodotransporte.com.br/2026/07/29/scania-lanca-onibus-biometano-sptrans-e-seis-modelos-de-rodoviarios-em-nova-linha-denominada-super/

Saiba dos detalhes da nova linha de rodoviários neste link: https://diariodotransporte.com.br/2026/07/29/entrevista-entenda-as-principais-caracteristicas-dos-lancamentos-dos-onibus-rodoviarios-da-scania/

A compra dos ônibus a biometano para a cidade de São Paulo, entretanto, depende da conclusão dos testes do veículo e de sua aprovação para operação no sistema municipal de ônibus da capital paulista.

“Existe, sim, um grupo interessado, que fala em um número relativamente grande de veículos, caso os testes da SPTrans sejam aprovados”, afirmou o representante da Scania.

O nome do grupo empresarial e a quantidade de ônibus em negociação não foram divulgados por questões de confidencialidade de negócios.

O veículo apresentado possui motor traseiro, configuração 4×2, piso baixo e capacidade aproximada para 80 passageiros. O chassi utiliza a tecnologia a gás e biometano que já integra o portfólio comercial da Scania, mas recebeu adaptações para atender às normas e características exigidas para os ônibus da cidade de São Paulo.

Segundo a fabricante, a iniciativa surgiu após contatos feitos pela Caio e a SPTrans diante dos desafios relacionados à expansão da infraestrutura elétrica em determinadas garagens de ônibus da capital.

Como tem mostrado o Diário do Transporte, apesar de São Paulo deter a maior frota de ônibus elétricos do País, com 1.759 veículos, ou 80% da circulação nacional, ainda está abaixo da meta estipulada pela prefeitura, que era 2,6 mil coletivos deste tipo até dezembro de 2024. Ao todo, o sistema da SPTrans tem mais de 13 mil coletivos. A ausência de infraestrutura para os elétricos carregarem as baterias e ainda poucas opções de modelos de alguns segmentos, como mídis e articulados de 18 metros, estão entre os motivos apontados pela gestão do prefeito Ricardo Nunes para o descumprimento da meta. Como desde 17 de outubro de 2022, não é mais possível comprar ônibus a diesel na cidade de São Paulo, não há todos os modelos elétricos em abundância no mercado e a infraestrutura ainda é insuficiente, muito embora tenha melhorado, não tem sido possível trocar os ônibus a diesel em circulação no ritmo correto, que é cerca de 10% da frota, o que leva ao envelhecimento da atual frota. Por causa disso, a SPTrans autorizou os ônibus a operarem por 14 anos (contanto com a fabricação e não somente o modelo) ou até 15 anos no caso dos mídis.

A avaliação é que o biometano possa ser uma alternativa complementar à eletrificação, principalmente em locais nos quais a distribuição de energia ainda representa um gargalo para a instalação de carregadores e para a ampliação das frotas de ônibus elétricos.

TESTES NAS RUAS

O ônibus já passou pelas principais de avaliação na SPTrans, mas ainda precisa concluir uma série de testes. O modelo já é homologado pelo Contran e Senatran, já podendo ser comercializado, mas, por prática da cidade de São Paulo, precisa antes ter a avaliação da SPTrans, que submete os novos ônibus e padrões mais rigorosos de testes.

O trabalho da SPTrans nesse sentido é tão detalhista que muitas cidades só admitem novos modelos de ônibus depois do aval da capital paulista, mesmo não havendo uma ligação institucional entre as gestões públicas.

A previsão apresentada pela Scania é de que o veículo comece a circular em testes operacionais nas ruas de São Paulo em meados de setembro de 2026.

A própria SPTrans deverá acompanhar e avaliar o desempenho do ônibus antes de qualquer adoção em maior escala.

Apesar de ser comum afirmar que um ônibus foi “homologado pela SPTrans”, o representante da fabricante explicou que o termo técnico não é o mais adequado.

A homologação veicular é de responsabilidade dos órgãos nacionais de trânsito, como Contran (Conselho Nacional de Trânsito) e Senatran (Secretaria Nacional de Trânsito). A SPTrans, por sua vez, analisa se o modelo atende aos padrões técnicos, operacionais e de acessibilidade exigidos no sistema da capital paulista.

O chassi utilizado no novo ônibus já possui homologação nacional. O processo em São Paulo está relacionado à aprovação do conjunto e de sua configuração para operação no sistema municipal.

ALTERNATIVA À ELETRIFICAÇÃO

O desenvolvimento do ônibus ocorre em um momento no qual a Prefeitura de São Paulo amplia os investimentos na eletrificação da frota, mas enfrenta dificuldades relacionadas à infraestrutura de recarga e à disponibilidade de energia em algumas garagens.

Na avaliação da Scania, o biometano pode contribuir para a redução das emissões sem exigir a mesma estrutura elétrica necessária para a operação de ônibus a bateria.

A tecnologia já é utilizada em larga escala em caminhões de coleta de resíduos na cidade de São Paulo.

Segundo o representante da fabricante, mais da metade da coleta de resíduos da capital já é realizada por veículos movidos a biometano, principalmente caminhões da Scania.

A partir dessa experiência, a SPTrans e a fabricante passaram a avaliar se a solução também poderia ser empregada no transporte coletivo de passageiros.

“Será que essa fórmula não funcionaria também para o transporte de passageiros? A gente acredita que sim”, disse Gallão a Adamo Bazani.

SEM USO DE ARLA

Outra característica destacada pela fabricante é que os motores a biometano não utilizam Arla 32, solução empregada em veículos a diesel para reduzir as emissões de óxidos de nitrogênio.

O motor também dispensa alguns componentes dos sistemas tradicionais de pós-tratamento dos gases de escapamento de veículos a diesel, como o filtro de partículas.

De acordo com a Scania, o biometano possui uma estrutura molecular mais simples e sua combustão gera menos resíduos.

O motor utiliza o ciclo Otto, semelhante ao princípio de funcionamento dos motores a gasolina, embora seja preparado especificamente para operar com gás.

A fabricante afirma que essa configuração resulta em um sistema de escapamento mais simples e pode representar vantagens operacionais para empresas e cidades interessadas na tecnologia.

EXPERIÊNCIA EM GOIÂNIA

A Scania também citou como referência a operação de ônibus articulados a gás em Goiânia.

Segundo a empresa, os veículos já foram testados e tiveram boa aceitação, o que deve resultar na ampliação da frota desse tipo na capital de Goiás.

A configuração dos veículos, entretanto, varia conforme as necessidades de cada sistema de transporte.

Para São Paulo, o projeto foi desenvolvido no padrão de ônibus básico com piso baixo. Já Goiânia tem demonstrado preferência por veículos de maior capacidade, como os articulados.

O representante da Scania comparou a fabricação de ônibus a uma “alfaiataria”, devido à necessidade de adaptar os veículos às normas, condições viárias e demandas operacionais de cada cidade.

COMERCIALIZAÇÃO DEPENDE DOS RESULTADOS

Apesar do interesse empresarial já existente, ainda não há uma data definida para o início da comercialização do ônibus na configuração padrão SPTrans.

A possível venda dependerá dos resultados dos testes, da avaliação dos operadores e da aceitação da tecnologia pela Prefeitura de São Paulo e pela própria SPTrans.

Caso o desempenho seja aprovado, o grupo que já procurou a fabricante poderá estar entre os primeiros compradores do modelo.

A expectativa da Scania é que os testes permitam demonstrar que o biometano pode atuar como alternativa complementar aos ônibus elétricos, ampliando as possibilidades de redução de emissões e renovação da frota da cidade.

ADAMO BAZANI: E Gallão, falando agora do Biometano. Já é uma solução já consagrada da Scania, é uma plataforma que já é comercial, já está sendo produzida, mas a diferença desse veículo apresentado aqui é por ser padrão SPTrans.  Conta um pouquinho pra gente as características desse veículo.

MARCELO GALLÃO: Esse é um ônibus K, motor traseiro, com um piso baixo. Então, por que um ônibus padrão 4×2, piso baixo, 80 passageiros? Por que isso? Nós fomos procurados há um tempo atrás pela Caio e pela SPTrans, num argumento onde, poxa, será que não seria interessante, devido a alguns gargalos que nós estamos observando na cidade de São Paulo, em relação à distribuição de energia elétrica em algumas garagens? Entendemos o gargalo, realmente, de fato, a gente observou e preparamos um ônibus padrão SPTrans, junto com a Caio, motivado pela necessidade do teste da tecnologia de biometano, que já é um sucesso em coleta de resíduo em São Paulo. Nós temos até mais de 50% da coleta de resíduo de São Paulo, sendo o resíduo de São Paulo coletado por caminhões movidos a biometano da Scania. E a SPTrans falou assim, poxa, será que essa fórmula não funciona também para o transporte de passageiros? A gente acredita que sim. E em breve, nas próximas semanas, nós vamos colocar o produto nas ruas. É um produto que a gente já tinha, mas agora ele está adaptado de acordo com as normas da SPTrans.

ADAMO BAZANI: Ele já está liberado, já está autorizado pela SPTrans? A gente fala homologado pela SPTrans, mas não é bem homologado.

MARCELO GALLÃO: Não é bem homologado. A própria SPTrans não gosta de falar, não é a SPTrans que homologa, quem homologa é o Contran.

ADAMO BAZANI: Mas ele já está aprovado pela SPTrans para ser comercializado?

MARCELO GALLÃO: Ele tem uma série de testes, nos primeiros testes ele foi aprovado, agora tem uma conclusão de teste. Então a própria SPTrans vai estar testando esse ônibus até a gente começar, provavelmente meados de setembro, a colocá-lo nas ruas.

ADAMO BAZANI: Colocá-lo nas ruas ainda no âmbito desse teste?

MARCELO GALLÃO: Exatamente.

ADAMO BAZANI: Comercialização, claro, depende dos resultados, depende de tudo, mas comercialização vocês projetam mais ou menos para quando?

MARCELO GALLÃO: Olha, esse ônibus em termos de chassis, ele já é um chassi homologado pelo Contran. Depende da adoção do prefeito de São Paulo, da população da SPTrans e como é que eles experimentaram o ônibus. A gente, por exemplo, Goiânia já experimentou os nossos articulados a gás, gostou e está até ampliando o pedido e provavelmente nós vamos ter mais ônibus rodando articulados a gás lá.

ADAMO BAZANI: E Padron para lá?

MARCELO GALLÃO: Padron, a cidade de Goiânia ela prefere os ônibus maiores, então vai muito de cidade, você sabe muito bem melhor do que eu, Adamo, que transporte de passageiros ônibus é uma alfaiataria, é uma customização infinita e cada cidade tem a sua peculiaridade, tem a sua norma e precisa ser respeitado.

ADAMO BAZANI: Um detalhe curioso que muita gente não se atém, a questão do ARLA, por exemplo, ele não precisa, o biometano não precisa de nada disso.

MARCELO GALLÃO: Não precisa de ARLA, quem opera com biometano está livre de ARLA, por quê? O biometano é uma molécula menor, ele tem um carbono só, então quando ele queima ele não deixa resíduo, ele não tem a necessidade de ter um filtro de partícula, por exemplo, não é só o ARLA que você elimina, o silencioso do biometano é um silencioso mais simples, é muito parecido com o silencioso de carro de passeio, que é um motor, o Ciclo Otto. Então ele é um motor mais simples e isso atrai muitos operadores e muitas cidades.

ADAMO BAZANI: Já tem alguma unidade reservada, já esperando só a assinatura da SPTrans, já tem empresa que chegou e falou ‘eu quero’?

MARCELO GALLÃO: Tem um grupo, sim, que fala em um número relativamente grande, se houver a aprovação dos testes da SPTrans, sim.

Adamo Bazani, jornalista especializado em transportes

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