Motoristas da Grande Goiânia relatam como ônibus elétricos e novas tecnologias mudaram a profissão
Publicado em: 27 de julho de 2026
Profissionais de diferentes operadoras passaram a lidar com sistemas embarcados, monitoramento em tempo real e capacitação contínua
ARTHUR FERRARI
A modernização do transporte coletivo da Região Metropolitana de Goiânia (GO) vem transformando não apenas os ônibus utilizados diariamente pelos passageiros, mas também a rotina dos profissionais responsáveis pela condução dos veículos. Com a chegada de modelos elétricos, unidades movidas a biometano e novos sistemas embarcados, dirigir passou a exigir aprendizado constante e domínio de tecnologias que não faziam parte da atividade há alguns anos.
A mudança é percebida por motoristas que acompanharam diferentes fases da evolução da frota. Cleudes Vilela Rocha, que trabalha há mais de duas décadas no setor, começou a carreira na HP Transportes em 2006 e integra a Metrobus desde 2010. Ao longo da trajetória, passou da experiência de identificar o comportamento do veículo pelo som do motor à operação de ônibus elétricos e movidos a biometano.
O primeiro contato com um ônibus elétrico foi marcado justamente pelo silêncio da operação. “Foi uma experiência marcante. No começo estranhei a ausência do barulho e a resposta imediata do motor, mas rapidamente percebi o conforto, a estabilidade e a qualidade da condução”, lembra.
Atualmente, além de atuar como motorista, Cleudes também trabalha como instrutor de veículos elétricos e movidos a biometano. Para ele, embora os equipamentos ofereçam mais informações e suporte durante a viagem, a responsabilidade pela operação continua sendo do profissional que está na cabine.
“A tecnologia facilita muita coisa, mas não toma decisões. Continuamos responsáveis pelo atendimento aos passageiros, pelas escolhas diante de situações inesperadas e pela segurança durante toda a viagem”, ressalta.
A motorista Maria Inês do Nascimento Silva, da Rápido Araguaia, também acompanhou a introdução dos ônibus elétricos no sistema. Com pouco mais de três anos de atuação no transporte coletivo, ela afirma que a adaptação aos novos veículos ocorreu de maneira gradual e destaca diferenças na condução e no conforto.
“O ônibus elétrico é mais silencioso, tem uma aceleração mais suave e proporciona uma condução muito mais confortável para quem dirige e para quem está viajando”, avalia.
Segundo Maria Inês, a redução do ruído do motor é uma das mudanças mais perceptíveis durante a jornada. A dirigibilidade mais leve e a menor sensação de desgaste também fazem parte da experiência, enquanto os passageiros passaram a comentar sobre o conforto proporcionado pelos novos veículos.
“Muitos comentam que o ônibus é mais confortável, silencioso e agradável. A maioria gosta bastante da experiência.”
Antes de iniciar cada viagem, a motorista realiza a conferência dos sistemas do ônibus e acompanha as informações disponíveis durante a operação. Quando necessário, o Centro de Controle Operacional presta suporte à equipe. Ainda assim, ela considera que a tecnologia funciona como uma ferramenta de apoio ao trabalho humano.
“A tecnologia tornou nosso trabalho mais eficiente, mas a experiência, a responsabilidade e o cuidado com as pessoas continuam sendo fundamentais”, enfatiza.
Na Cooperativa de Transportes de Goiás (Cootego), Deborah Ribeiro percebeu mudanças significativas desde que começou a trabalhar no transporte coletivo, há quatro anos. Ela iniciou a atividade dirigindo veículos menores, utilizados em linhas de bairro, e atualmente opera um ônibus de maior porte.
“Quando iniciei, a realidade era um pouco diferente. Os veículos eram mais antigos e não contávamos com tantos recursos, como o ar-condicionado, que hoje faz parte da nossa rotina. A tecnologia evoluiu bastante, trazendo mais qualidade para o nosso trabalho e mais conforto aos passageiros”, avalia.
Entre os recursos incorporados à rotina estão painéis eletrônicos com mais informações, comunicação com o Centro de Controle Operacional e câmeras instaladas nos ônibus. A motorista também participou de treinamentos para operar os novos veículos, com preparação que incluiu o acompanhamento das fabricantes.
“Os passageiros reagem com entusiasmo e é muito bom ver Goiás investindo em uma frota cada vez mais moderna”, frisa a motorista.
Para Deborah, a transformação dos veículos acompanha a própria evolução profissional dos trabalhadores do setor.
“Vejo que estamos caminhando para um sistema cada vez mais moderno, tecnológico e confortável, valorizando os profissionais e oferecendo um serviço de mais qualidade para a população.”
Já Thiago Ribeiro Souza entrou na HP Mobilidade em 2023 e acompanhou desde o início a implantação dos ônibus elétricos. O primeiro contato com a tecnologia trouxe apreensão, mas a percepção mudou após a realização dos treinamentos.
“No começo fiquei apreensivo por ser um veículo muito mais moderno. Depois percebi que toda essa estrutura existe justamente para ajudar quem está dirigindo. Hoje a comunicação é muito mais humana. Você sabe que existe alguém acompanhando a viagem e pronto para ajudar quando necessário. Isso transmite segurança”, destaca.
A preferência dos passageiros pelos novos modelos também é percebida durante a operação. De acordo com Thiago, os usuários comentam principalmente sobre o silêncio, a climatização e o conforto oferecido pelos ônibus elétricos.
“Sempre que chegam um ônibus convencional e um elétrico ao mesmo tempo, muita gente prefere o elétrico. Os passageiros comentam sobre o conforto, a climatização, o silêncio e como a viagem fica mais agradável”, relata.
Capacitação acompanha renovação dos veículos
A evolução da frota também alterou a preparação dos motoristas. Nas operadoras do transporte coletivo da Região Metropolitana de Goiânia (GO), os treinamentos passaram a acompanhar as mudanças nos veículos e na operação, deixando de se concentrar apenas no momento da contratação.
A formação inclui o uso de tecnologias embarcadas, sistemas de monitoramento e equipamentos específicos, além de temas relacionados à segurança, ao atendimento aos passageiros e à condução eficiente. As atividades combinam conteúdos teóricos e práticos e continuam após o início da operação.
Na Rápido Araguaia, os profissionais são preparados para conhecer o funcionamento dos veículos e dos sistemas instalados na frota. A capacitação também inclui segurança, atendimento aos usuários e condução eficiente. A empresa mantém ainda ações periódicas voltadas ao desenvolvimento comportamental e acompanha os motoristas após períodos de férias ou afastamentos prolongados.
Na Metrobus, a chegada dos ônibus elétricos e dos veículos movidos a biometano exigiu treinamentos específicos sobre os novos sistemas, características de condução e procedimentos de segurança. Antes de assumir a operação regular, os motoristas passam por atividades supervisionadas. A capacitação continua com atualizações sobre direção segura, condução econômica e uso dos recursos disponíveis nos veículos.
Já na Cootego, a formação continuada aborda direção defensiva, atendimento ao usuário, legislação de trânsito, prevenção de acidentes, relacionamento interpessoal e utilização adequada dos sistemas embarcados.
Com diferentes tempos de experiência e trajetórias profissionais, os motoristas ouvidos compartilham uma percepção comum: a condução dos ônibus passou por uma transformação profunda, mas o fator humano continua no centro da operação. A tecnologia amplia o suporte disponível na cabine e modifica a forma de trabalhar, enquanto a experiência e a capacidade de tomar decisões permanecem fundamentais para garantir a segurança dos passageiros durante cada viagem.
Arthur Ferrari, para o Diário do Transporte



Embora seja verdade sobre o conforto dos novos ônibus,a super lotação continua,trazendo muito transtornos e um desconforto desumano aos usuários,e em plena evolução,nos bairros ainda existem muitos ônibus muito velhos e danificados rodando,muitos deles quebram no meio da viagem,obrigando o usuário andar kilômetros a pé.
Onibus elétricos são uma porcaria, roda 200 km já tem que carregar bateria, pra carregar são 6 horas ,não tem barulho e nem poluição o que é muito ruim ,o motorzinho elétrico é uma caixinha pequena, tem poucas peças pra manutenção, o que é muito ruim ,quanto mais barulhento e poluente assim é que é bom ,é preciso voltar ao tempo em que não se usava arla ,aquele diesel pesado antigo que fazia nuvem de fumaça 🚬, eta tempo bom ,éramos felizes e não sabíamos.
Só tá mostrando como vc é burro
As porcarias dá Eletra tem realmente 200km de autonomia mas carregam em 2h
Mas das maiorias das marcas já tão passando fácil de 300km alem de recarregar em 1h a 1h e 30m a autonomia de um bys BC22LE é suficiente pra toda a operação e carrega rapidamente
Um E22L roda dá primeira a última viagem na linha que pego as vezes então isso que vc tá falando é só burrice