ENTREVISTAS: Grupo Comporte e prefeitura do Rio de Janeiro vistoriam primeiros ônibus de piso baixo da nova fase dos transportes municipais

Representantes das duas empresas do grupo e do poder público estiveram na fabricante Caio; Diário do Transporte acompanhou

ADAMO BAZANI / VINÍCIUS DE OLIVEIRA

Representantes do Grupo Comporte, um dos maiores conglomerados de transportes da América Latina, e da prefeitura do Rio de Janeiro estiveram nesta quinta-feira, 23 de julho de 2026, na fabricante de ônibus Caio, em Botucatu, no interior de São Paulo, e realizaram as vistorias dos primeiros ônibus comprados para dois lotes operacionais recentemente licitados pela administração municipal.

Entre os veículos, estão os primeiros coletivos de piso baixo e motor traseiro desta primeira fase dos transportes da cidade.

O Grupo Comporte venceu a disputa de dois lotes operacionais e, para o atendimento, criou duas companhias de ônibus: a Transportes Urbanos Sepetiba e Guaratiba Transportes Urbanos.

Ao todo, para estas operações, o Grupo Comporte adquiriu 316 ônibus zero quilômetro, todos com carroceria Caio.

A aquisição ocorre em dois lotes de encomendas, sendo que o primeiro contempla 169 veículos, com destaque para a volta da configuração de piso baixo e motor traseiro, para o sistema municipal, mas desta vez como obrigação contratual.

Deste total do primeiro lote, 74 são micro-ônibus, com chassis Mercedes-Benz e Volkswagen, 45 midi (micrão) e 50 de piso baixo, todos com ar-condicionado, sistema de monitoramento, inteligência embarcada, acessibilidade, tomadas para carregamento de baterias de celular do tipo USB, vidros com proteção contra raios ultravioleta do sol, entre outros itens de conforto e segurança.

O criador e editor- chefe do Diário do Transporte, Adamo Bazani, conversou com Simone Costa, Subsecretária de Planejamento e Projetos da SMTR (Secretaria Municipal de Transportes) da prefeitura do Rio de Janeiro; Guilherme Braga Alves, Subsecretário de Transportes e Operação da SMTR e com Fernando Vincenzo, Diretor Corporativo do Grupo Comporte.

De acordo com Simone Costa, uma das vantagens do novo modelo de concessão é que a prefeitura passa a ter maior controle sobre a arrecadação, planejamento e operação.

Já Guilherme Braga Alves, Subsecretário de Transportes e Operação da SMTR, apontou que outra preocupação com as novas concessões tem sido em ampliar a cobertura da rede de ônibus, prestando atendimento em rotas que deixaram de ter serviços de transportes ou em ligações nas quais não havia nenhuma opção para os passageiros.

Fernando Vincenzo, Diretor Corporativo do Grupo Comporte, explicou a Adamo Bazani, que um dos atrativos do novo modelo para que participasse da licitação foi a remuneração por quilômetro rodado e serviço prestado, bem como a segurança jurídica do contrato. A nova concessão do Rio de Janeiro é feita por lotes e de forma gradativa.

Leia as entrevistas na íntegra:

ADAMO BAZANI: O Diário do Transporte acompanha essa futura entrega dos ônibus novos para o Rio de Janeiro, inclusive, com a inovação, o retorno do piso baixo. Nosso contato, inicialmente, é com a Simone Costa, que é Subsecretária de Planejamento da Secretaria Municipal de Transportes. O que o passageiro pode esperar de inovação com esses ônibus?

SIMONE COSTA: Esses são os ônibus da nova licitação do Rio de Janeiro, da nova forma da gente monitorar e controlar, planejar o sistema da cidade, que é o que a gente chama de sistema Rio. Essa nova concessão trata de três tipologias de ônibus, sendo ela o piso baixo e a gente está tratando também de um ônibus que tem muito mais ITS embarcados e que vai facilitar muito mais o planejamento da operação e, principalmente, o conforto do usuário. Então, a gente vai tratar, na parte de planejamento, o contador de passageiros, o GPS, para o usuário, o sensor de ar, para saber se realmente está funcionando, esses alertas de abertura e fechamento de porta, aviso de parada nos pontos de ônibus. Então, tem várias melhorias que foram pensadas, tanto para a parte de monitoramento da Prefeitura, quanto para o próprio operador, para a gente compartilhar as mesmas informações de monitoramento, e para o usuário, com muitas melhorias.

ADAMO BAZANI: Guilherme é Subsecretário de Operações na Secretaria Municipal de Transportes do Rio de Janeiro. Vamos falar do seu lado, então, do lado operacional. Como vai ser a operação? Como vai ser a distribuição por linhas?

GUILHERME BRAGA ALVES: A gente está aqui conhecendo agora os primeiros 169 ônibus que vão para o Rio. A nossa expectativa é que até 2028 a gente chegue entre 4 mil e 5 mil ônibus. Esses ônibus vão para a zona oeste da cidade, especialmente para a região de Campo Grande e Santa Cruz. São os dois primeiros lotes que a gente licitou no começo do ano. A gente já está com a segunda fase de licitação na rua, para atender Bangu, para atender Ilha do Governador, Vila Isabel. Então, aos poucos, a gente vai avançando ao longo de toda a cidade, com esse novo modelo de contrato, que é o Sistema Rio que a Simone já mencionou, e com essa frota nova, seja com os mini-ônibus e midi-ônibus, ainda com piso alto, e os ônibus de tipo básico, com piso baixo, que a gente está vendo aqui hoje na Caio.

ADAMO BAZANI: Muito mais que frota. Digamos assim, é um planejamento, é uma operação toda integrada. A frota é uma ponta.

GUILHERME BRAGA ALVES: Isso. Então, a gente tem já uma expertise. Desde 2022, a Prefeitura está muito mais atenta à operação dos ônibus. A gente mudou nossa forma de remuneração, então a gente hoje tem um subsídio por quilômetro. E isso aproximou muito mais a Secretaria Municipal de Transportes da operação dos ônibus do dia a dia. Então, ao longo desses últimos 3, 4 anos, a gente conseguiu aprender muito mais sobre a operação de ônibus da cidade. E esse foi um sumo fundamental para a gente fazer o planejamento operacional dessa nova rede. Então, a gente está renovando a frota das linhas que já operam, com intervalos menores, com planejamento mais adequado para o cidadão, mas também trazendo novas linhas para a cidade, para atender regiões que não tinham atendimento por ônibus, para reforçar atendimento em regiões que já tinham atendimento mais precário. Então, a gente não só oferta uma frota nova para o passageiro, mas como a gente oferta com mais regularidade, com intervalos menores, inclusive levando ônibus para regiões que não estavam com atendimento por ônibus.

ADAMO BAZANI: E falando dos investimentos, nosso contato é com o Fernando Vincenzo, que é Diretor Corporativo do Grupo Comporte, o primeiro a entregar esses veículos. No lote total, quantos ônibus são?

FERNANDO VINCENZO: Nós vencemos na licitação dois lotes, um de 97 carros e outro de 215 carros. São duas empresas que vão operar na região Oeste da cidade. Nessa primeira fase de entrada, a gente vai entrar com 169 veículos, entre micros, OF-1619, O500 piso baixo, e em janeiro, a outra fase, completando no total 316 veículos nessas duas empresas, compondo, como eu disse, os três tipos de veículos.

ADAMO BAZANI: Essas empresas, elas terão nomes específicos? Como que vai ser?

FERNANDO VINCENZO: Sim, tem uma empresa Transportes Urbanos Sepetiba, que é um lote, e o outro lote é Guaratiba Transportes Urbanos.

ADAMO BAZANI: Todas do Grupo Comporte?

FERNANDO VINCENZO: Todas do Grupo Comporte, que vão operar no terreno concedido pela prefeitura, a gente está construindo a garagem, para depois, ao final do contrato, retornar ao poder público.

ADAMO BAZANI: Cada vez mais é difícil investir em serviço público. O que atraiu o Grupo Comporte? O que fez o Rio de Janeiro se tornar interessante para o Grupo Comporte?

FERNANDO VINCENZO: O Grupo Comporte é um grupo que sempre tem procurado inovação, a melhor prestação de serviço para o cliente. Então, esse projeto do Rio foi nesse sentido. Um novo transporte, um novo modelo, que é custo por quilômetro, que todo mundo sabe que a tarifa hoje é cara para quem paga e insuficiente para quem opera. Então, esse novo modelo traz essa nova perspectiva e foi um dos motivos que levaram o grupo a entrar nessa licitação.

LICITAÇÃO DO RIO DE JANEIRO

Segundo a prefeitura do Rio de Janeiro, ao longo da concessão devem ser comprados cinco mil ônibus zero quilômetro. Ainda não foi informada a exigência de modelos elétricos.

A previsão é de que a frota seja ampliada em 25%; a bilhetagem não voltará para as empresas.

A divisão do sistema passará dos atuais quatro lotes para 31, sendo 22 estruturais e nove locais.

Serão diversas licitações separadas por lotes, segundo a ex-secretária de Transportes e Mobilidade, Maína Celidonio de Campos, começando pelas áreas mais problemáticas, em coletiva quando ainda ocupava o cargo em 2025.

O projeto estabelece a substituição do atual sistema, hoje operado por quatro grandes consórcios (Intersul, Internorte, Transcarioca e Santa Cruz), por 31 áreas com diferentes operadores, em um modelo que pretende aumentar a concorrência, padronizar o serviço e melhorar o atendimento à população.

Campo Grande e Santa Cruz serão as primeiras áreas contempladas. A previsão é de que o lote estrutural de Campo Grande Norte aumente de 95 para 150 ônibus, enquanto o lote local salte de 37 para 200 veículos. Já Santa Cruz terá a frota ampliada de 67 para 330 ônibus. No total, a Zona Oeste receberá um reforço de 481 coletivos.

A seleção das regiões segue critérios técnicos. A frota nova deverá contar com responsabilidade de investimento atribuída às empresas vencedoras das licitações.

A segunda fase do processo deve atingir a Ilha do Governador no início de 2026. Segundo a prefeitura, a Paranapuan, operadora local, tem a pior avaliação no IQT (Índice de Qualidade de Transportes). As demais fases seguirão até 2028, acompanhando o encerramento dos contratos atuais.

Além de melhorias na frota, a proposta prevê maior transparência na operação e fiscalização mais rigorosa. Uma das metas é o combate às chamadas linhas fantasmas e o cumprimento rigoroso de horários, garantindo maior confiabilidade ao sistema.

Adamo Bazani, jornalista especializado em transportes

Vinícius de Oliveira, para o Diário do Transporte

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