Quinta audiência entre Rio Ônibus e trabalhadores termina sem acordo; estado de greve continua no Rio de Janeiro

Empresas mantiveram proposta de reajuste de 5% nos salários e de 6% na cesta básica; categoria fará assembleia nesta quinta-feira (23), enquanto TRT abre prazo para continuidade do dissídio coletivo

ADAMO BAZANI

Terminou sem acordo, nesta quarta-feira, 22 de julho de 2026, a quinta audiência de tentativa de conciliação entre o sindicato das empresas de ônibus do Rio de Janeiro (Rio Ônibus) e o Sindicato dos Rodoviários terminou, no Tribunal Regional do Trabalho da 1ª Região (TRT-RJ).

Com isso, o estado de greve da categoria permanece mantido, embora os ônibus continuem circulando normalmente.

As viações não mudaram a proposta apresenta na reunião anterior.

Uma nova assembleia dos trabalhadores está marcada para esta quinta-feira (23), às 16h.

As viações continuam a oferecer reajuste salarial de 5%; aumento de 6% no valor da cesta básica; manutenção integral da cesta básica, sem descontos pelos dias de paralisação registrados durante o movimento.

Essa proposta tinha sido rejeitada pelo Sindicato dos Rodoviários, mas voltará a ser debatida.

Os trabalhadores haviam iniciado a campanha salarial reivindicando 17% de reajuste, reduzindo posteriormente o pedido para 12%, divididos em duas parcelas.

Além do aumento salarial, os trabalhadores pedem piso salarial de R$ 5 mil para motoristas do BRT; piso de R$ 4 mil para os demais motoristas; vale-alimentação de R$ 1 mil; implantação de plano de saúde; mudanças na jornada de trabalho e na escala de serviço.

Os rodoviários alegam que a última meia hora é descontada da remuneração e afirmam que esse período não é suficiente para descanso ou alimentação adequada durante a jornada.

Durante a audiência, nesta quarta-feira, 22 de julho de 2026, o Ministério Público do Trabalho reforçou esse entendimento e defendeu que as empresas apresentem alternativas para solucionar.

O presidente do TRT da 1ª Região, desembargador Gustavo Tadeu Alckmin concedeu um prazo de mais dez dias para que as partes apresentem suas manifestações no processo.

Caso os rodoviários decidam aceitar a proposta ou reabrir as negociações após a assembleia, o Tribunal poderá promover uma nova tentativa de conciliação.

Se não houver consenso, o dissídio coletivo seguirá sua tramitação normal, com apresentação das defesas, manifestação do Ministério Público do Trabalho e julgamento pelo colegiado do TRT, que decidirá sobre a legalidade da greve e das reivindicações.

Adamo Bazani, jornalista especializado em transportes

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