Ônibus elétricos têm alta de 92,5% no primeiro semestre de 2026 e Eletra mantém a liderança com o dobro do segundo colocado, diz ABVE
Publicado em: 14 de julho de 2026
De acordo com associação que reúne fabricantes do setor, são 19 modelos comercializados no Brasil por nove marcas diferentes
ADAMO BAZANI
Os emplacamentos de ônibus elétricos no Brasil registraram alta de 92,5% no primeiro semestre de 2026 em comparação com os primeiros seis meses de 2025.
Os dados são da ABVE (Associação Brasileira do Veículo Elétrico), que reúne fabricantes e representantes de marcas deste setor no Brasil, divulgados nesta terça-feira, 14 de julho de 2026, e divulgados em primeira-mão pelo Diário do Transporte.
De acordo com a entidade, foram emplacados no País, 589 ônibus elétricos no primeiro semestre de 2026, e, em semelhante período de 2025, foram 306 coletivos.
O número já inclui os 500 veículos apresentados pela prefeitura de São Paulo e pelas empresas operadoras do sistema gerenciado pela SPTrans (São Paulo Transporte), em 21 de julho de 2026.
O Diário do Transporte anunciou em primeira-mão a entrega e fez a cobertura no local.
Relembre:
Ainda segundo o levantamento, atualmente, no Brasil, são disponibilizados 19 modelos de ônibus elétricos ao mercado brasileiro. Entre as fabricantes cinco têm produção nacional e quatro importam.
A entidade ainda diz no balanço do primeiro semestre consolidado de 2026, que, entre as fabricantes, a Eletra com carroceria Caio liderou os emplacamentos no período, com 38% de participação de mercado (224 unidades). É praticamente o dobro da segunda colocada, a Mercedes-Benz com 19,2% das vendas (113), e a BYD figura em terceiro lugar com 18,5% (109).
O modelo mais vendido é o padron Eletra piso baixo padrão SPTrans com carroceria Caio: 113 unidades, com 19,19% do volume total.
Sobre as regiões, por causa da capital paulista, o Sudeste 79,5% de participação no emplacamento de ônibus elétricos (468). Este resultado é puxado pelo estado de São Paulo respondeu por 99% dos emplacamentos (464).
Apesar da entrega de 500 unidades na cidade de São Paulo terem impulsionado os resultados do primeiro semestre de 2026, segundo a ABVE, os dados históricos têm mostrado o crescimento do mercado de ônibus elétricos, independentemente de ações pontuais, mas ainda muito atrelado à cidade de São Paulo. Se a comparação for realizada com o primeiro semestre de 2024 (127), o crescimento do mercado de ônibus elétrico é muito maior, e representa 363,8%, o que evidencia uma aceleração do processo de eletrificação do transporte público no país. O volume registrado nos primeiros seis meses de 2026 já corresponde a 70% de todos os ônibus elétricos emplacados durante o ano de 2025 (844), e conta com a contribuição da entrega dos 500 novos ônibus elétricos ao sistema municipal de transporte coletivo de São Paulo, realizada em 21 de junho. – diz nota da entidade.
O Diário do Transporte tem mostrado que outros sistemas de transportes pelo Brasil, além da capital paulista, têm incluído em processos licitatórios ônibus elétricos ou têm feito aquisições diretas pelo poder público, como Porto Alegre, Grande Recife e Belo Horizonte com cerca de 100 unidades cada; São José dos Campos (SP) que estima concluir em 2027 um lote de 400 ônibus em modelo de locação. Outras licitações, que estão suspensas por ordem de Justiça ou Tribunal de Contas, mas não por causa de eletrificação, também estimam coletivos elétricos, como Campinas (SP) e Curitiba (PR).
O Rio de Janeiro (RJ), na mais recente licitação lançada de cinco lotes operacionais não obriga a compra de ônibus elétricos, mas concede remuneração 12% maior por quilômetro em relação aos veículos a diesel.
Veja nota completa da ABVE:
DESTAQUE
O mercado brasileiro de ônibus elétricos encerrou o primeiro semestre de 2026 com 589 unidades emplacadas, crescimento de 92,5% em relação às 306 unidades emplacadas no mesmo período de 2025.
Se a comparação for realizada com o primeiro semestre de 2024 (127), o crescimento do mercado de ônibus elétrico é muito maior, e representa 363,8%, o que evidencia uma aceleração do processo de eletrificação do transporte público no país.
O volume registrado nos primeiros seis meses de 2026 já corresponde a 70% de todos os ônibus elétricos emplacados durante o ano de 2025 (844), e conta com a contribuição da entrega dos 500 novos ônibus elétricos ao sistema municipal de transporte coletivo de São Paulo, realizada em 21 de junho.
Com a incorporação desse lote, a capital paulista ampliou sua frota para 1.759 coletivos eletrificados, entre veículos a bateria e trólebus, consolidando-se como o principal polo da eletrificação do transporte público no Brasil. A dimensão da entrega evidencia a mudança de escala desse mercado, que deixa de estar associado apenas a projetos demonstrativos e passa a integrar programas estruturados de renovação das frotas urbanas.
O segmento de eletrificação do transporte coletivo já demonstrou capacidade operacional e benefícios ambientais importantes para as cidades. O desafio para o segmento é dar continuidade aos programas de financiamento, ampliar a previsibilidade das compras públicas e criar condições para que essa transformação alcance outras regiões do país, assim como municípios do interior.
JUNHO
Em junho, foram emplacados 278 ônibus elétricos no país, com um grande crescimento de mercado na ordem de 717,6% em relação a junho de 2025 (34). O comparativo com 2024 (9) eleva esse percentual para praticamente 3.000%.
Diferentemente do mercado de veículos leves, os emplacamentos de ônibus apresentam oscilações mensais mais acentuadas, uma vez que as entregas estão diretamente vinculadas aos processos licitatórios, aos cronogramas de produção das fabricantes e aos contratos de renovação das frotas municipais.
A análise do acumulado semestral permite uma compreensão mais consistente da trajetória de expansão desse mercado, com uma maior linearidade na comparação entre os períodos.
O avanço da eletrificação no transporte público brasileiro, indica que o segmento começa a superar uma fase caracterizada por projetos-piloto, avançando para uma fase aquisições em maior escala e para a incorporação gradual desses veículos às frotas municipais.
GEOGRAFIA
A região Sudeste manteve a liderança do mercado brasileiro no primeiro semestre, com 79,5% de participação no emplacamento de ônibus elétricos (468). Este resultado é puxado pelo estado de São Paulo respondeu por 99% dos emplacamentos (464), impulsionado principalmente pelas aquisições realizadas na capital e por iniciativas de renovação das frotas em outros municípios paulistas.
A predominante concentração dos emplacamentos em São Paulo demonstra que a eletrificação do transporte coletivo ainda ocorre de maneira desigual no território brasileiro.
A ampliação do mercado dependerá da entrada de novos municípios, além da criação de condições técnicas e econômicas que permitam a renovação das frotas também fora dos grandes centros urbanos.
Municípios com emplacamento de ônibus elétrico
1º Sem./2026
1º São Paulo 429 (72,8%)
2º Brasília 90 (15,3%)
3º São Bernardo do Campo 19 (3,2%)
4º Aracaju 15 (2,6%)
Goiânia 15 (2,6%)
5º Osasco 12 (2,0%)
6º Confins 2 (0,3%)
Itapevi 2 (0,3%)
Rio de Janeiro 2 (0,3%)
7º Curitiba 1 (0,2%)
Nova Europa 1 (0,2%)
Santos 1 (0,2%)
TOTAL 589
PRODUÇÃO NACIONAL
No 1º semestre de 2026, 9 fabricantes ofertaram 19 modelos de ônibus elétricos ao mercado brasileiro, ampliando as opções disponíveis para diferentes demandas municipais. Desse total, 5 fabricantes produzem veículos em território nacional, enquanto 4 atuam com modelos importados.
Dos 589 ônibus elétricos emplacados no semestre, 476 foram fabricados no Brasil, o equivalente a 80% do total. Os 20% restantes (113) foram importados. O resultado reforça a capacidade produtiva de empresas instaladas no país, como Eletra, BYD, Mercedes-Benz e Marcopolo.
Entre as fabricantes, a Eletra liderou os emplacamentos no período, com 38% de participação de mercado (224). A Mercedes-Benz ocupa a segunda posição com 19,2% das vendas (113), e a BYD em terceiro lugar com 18,5% (109).
Adamo Bazani, jornalista especializado em transportes


