ANTT: Preços de passagens rodoviárias sobem 3,3% em média, 22% em trajetos curtos, mas faturamento das empresas de ônibus interestaduais cai 6,6%
Publicado em: 14 de julho de 2026
Resultados estão no mais recente anuário estatístico da agência reguladora. *Diário do Transporte* traz com exclusividade. Demanda de passageiros caiu 9,6% em um ano
ADAMO BAZANI
Colaborou Vinícius de Oliveira
Entre os anos de 2024 e 2025, andar de ônibus rodoviários por diferentes estados do Brasil ficou 3,3% mais caro.
Essa foi a variação média das passagens entre os dois anos, de acordo com o mais recente Anuário Estatístico da ANTT (Agência Nacional de Transportes Terrestres), noticiado em primeira-mão pelo Diário do Transporte.
Isso significa que o preço das passagens subiu menos que a inflação entre os dois anos. O IPCA (Índice de Preços ao Consumidor Amplo), do IBGE, foi de 4,26%.
Assim, as passagens subiram em torno de 0,96% menos que a inflação “oficial”.
O valor médio geral foi de R$ 161,93, em 2024; para R$ 167,32 em 2025.
No entanto, o anuário revela que, em alguns casos, o aumento foi bem superior à variação inflacionária, em especial a tarifa para viagens regulares interestaduais mais curtas, de até 200 km, para as quais, o preço médio subiu 21,95%, de R$ 57,37 para R$ 69,96.
Já para as viagens mais longas, acima de 1,5 mil km de extensão, a média de preços, de acordo com o relatório, caiu 0,63%, passando de R$ 421,60 para R$ 418,94.
Os trajetos entre 400 km e 600 km de extensão, isoladamente, são os que respondem pela maior parte dos passageiros: 33,48%. Esta faixa teve aumento de tarifa que passou de R$ 140,28 para R$ 149,10, alta de 6,29%.
A média geral de preços das passagens é calculada com base na variação bruta de preços e no peso da demanda de cada uma das faixas.
Apesar de alta média dos valores, o faturamento das empresas de ônibus caiu 6,6%, passando de R$ 6,58 bilhões para R$ 6,15 bilhões.
O fato se explica pela maior competitividade entre as viações diante de uma queda no número de passageiros.
Entre 2024 e 2025, o volume de usuários do sistema regular rodoviário, desconsiderando o suburbano e o fretamento, recuou 9,6%, passando de 40,66 milhões para 36,75 milhões de passageiros.
VEJA OS PRINCIPAIS DADOS NO DIÁRIO DO TRANSPORTE:
| Indicador | 2024 | 2025 | Variação |
| Tarifa média geral | R$ 161,93 | R$ 167,32 | +3,3% |
Mesmo com a redução do número de passageiros transportados, a tarifa média do transporte rodoviário interestadual apresentou crescimento moderado.
Variação por faixa de distância
| Faixa | 2024 | 2025 | Variação |
| Menos de 200 km | R$ 57,37 | R$ 69,96 | +21,95% |
| 200 a 400 km | R$ 97,80 | R$ 106,60 | +9,00% |
| 400 a 600 km | R$ 140,28 | R$ 149,10 | +6,29% |
| 600 a 800 km | R$ 193,24 | R$ 205,45 | +6,32% |
| 800 a 1.000 km | R$ 229,14 | R$ 244,54 | +6,72% |
| 1.000 a 1.500 km | R$ 286,59 | R$ 299,06 | +4,35% |
| Mais de 1.500 km | R$ 421,60 | R$ 418,94 | -0,63% |
Fonte dos valores:
Principais conclusões
- O maior reajuste ocorreu nas viagens de até 200 km, com alta de quase 22%.
- Entre 200 km e 1.500 km, os aumentos ficaram entre aproximadamente 4% e 9%.
- Apenas a faixa acima de 1.500 km apresentou pequena redução na tarifa média (-0,6%).
Participação dos passageiros
O relatório também mostra que a distribuição dos passageiros mudou pouco entre os dois anos:
| Faixa | % 2024 | % 2025 |
| Menos de 200 km | 14,76% | 16,77% |
| 200 a 400 km | 17,58% | 17,48% |
| 400 a 600 km | 33,38% | 33,48% |
| 600 a 800 km | 13,20% | 13,04% |
| 800 a 1.000 km | 7,62% | 7,04% |
| 1.000 a 1.500 km | 7,63% | 6,73% |
| Mais de 1.500 km | 5,84% | 5,47% |
A ANTT destaca que mais de 87% dos passageiros continuam realizando viagens de até 800 km, mantendo praticamente o mesmo perfil observado em 2024. A faixa de 400 a 600 km segue concentrando a maior demanda do transporte interestadual.
Contexto econômico
Embora a tarifa média tenha subido:
- o faturamento caiu de R$ 6,58 bilhões para R$ 6,15 bilhões (-6,6%);
- a demanda diminuiu de 40,66 milhões para 36,75 milhões de passageiros (-9,6%).
Isso indica que, em 2025, o aumento das tarifas médias não foi suficiente para compensar integralmente a queda do volume de passageiros, resultando em redução da receita total do setor.

Adamo Bazani, jornalista especializado em transportes



Crise na Bananolândia… Inflação: ou se come, ou se viaja. Mas, para o governo, não. Já, já, ele inventa mais algum benefício para viajantes, o que sobrecarregará as empresas, os contribuintes e viajantes pagantes… Pode esperar, isso ele sabe fazer muito bem.
Boa tarde, não sei onde foi realizado este estudo. Mas se pesquisar aqui no Sul, poderam ver que Ouro e Prata, Planalto entre outras estão com o preço do ticket acima do que esta marcado por KM rodado. Seria interessante ver estes monopólios, pois os valores são bem superiores aos apresentados pelo canal.