ANTT: Preços de passagens rodoviárias sobem 3,3% em média, 22% em trajetos curtos, mas faturamento das empresas de ônibus interestaduais cai 6,6%

Resultados estão no mais recente anuário estatístico da agência reguladora. *Diário do Transporte* traz com exclusividade. Demanda de passageiros caiu 9,6% em um ano

ADAMO BAZANI

Colaborou Vinícius de Oliveira

Entre os anos de 2024 e 2025, andar de ônibus rodoviários por diferentes estados do Brasil ficou 3,3% mais caro.

Essa foi a variação média das passagens entre os dois anos, de acordo com o mais recente Anuário Estatístico da ANTT (Agência Nacional de Transportes Terrestres), noticiado em primeira-mão pelo Diário do Transporte.

Isso significa que o preço das passagens subiu menos que a inflação entre os dois anos. O IPCA (Índice de Preços ao Consumidor Amplo), do IBGE, foi de 4,26%.

Assim, as passagens subiram em torno de 0,96% menos que a inflação “oficial”.

O valor médio geral foi de R$ 161,93, em 2024; para R$ 167,32 em 2025.

No entanto, o anuário revela que, em alguns casos, o aumento foi bem superior à variação inflacionária, em especial a tarifa para viagens regulares interestaduais mais curtas, de até 200 km, para as quais, o preço médio subiu 21,95%, de R$ 57,37 para R$ 69,96.

Já para as viagens mais longas, acima de 1,5 mil km de extensão, a média de preços, de acordo com o relatório, caiu 0,63%, passando de R$ 421,60 para R$ 418,94.

Os trajetos entre 400 km e 600 km de extensão, isoladamente, são os que respondem pela maior parte dos passageiros: 33,48%. Esta faixa teve aumento de tarifa que passou de R$ 140,28 para R$ 149,10, alta de 6,29%.

A média geral de preços das passagens é calculada com base na variação bruta de preços e no peso da demanda de cada uma das faixas.

Apesar de alta média dos valores, o faturamento das empresas de ônibus caiu 6,6%, passando de R$ 6,58 bilhões para R$ 6,15 bilhões.

O fato se explica pela maior competitividade entre as viações diante de uma queda no número de passageiros.

Entre 2024 e 2025, o volume de usuários do sistema regular rodoviário, desconsiderando o suburbano e o fretamento, recuou 9,6%, passando de 40,66 milhões para 36,75 milhões de passageiros.

VEJA OS PRINCIPAIS DADOS NO DIÁRIO DO TRANSPORTE:

Indicador 2024 2025 Variação
Tarifa média geral R$ 161,93 R$ 167,32 +3,3%

Mesmo com a redução do número de passageiros transportados, a tarifa média do transporte rodoviário interestadual apresentou crescimento moderado.

Variação por faixa de distância

Faixa 2024 2025 Variação
Menos de 200 km R$ 57,37 R$ 69,96 +21,95%
200 a 400 km R$ 97,80 R$ 106,60 +9,00%
400 a 600 km R$ 140,28 R$ 149,10 +6,29%
600 a 800 km R$ 193,24 R$ 205,45 +6,32%
800 a 1.000 km R$ 229,14 R$ 244,54 +6,72%
1.000 a 1.500 km R$ 286,59 R$ 299,06 +4,35%
Mais de 1.500 km R$ 421,60 R$ 418,94 -0,63%

Fonte dos valores:

Principais conclusões

  • O maior reajuste ocorreu nas viagens de até 200 km, com alta de quase 22%.
  • Entre 200 km e 1.500 km, os aumentos ficaram entre aproximadamente 4% e 9%.
  • Apenas a faixa acima de 1.500 km apresentou pequena redução na tarifa média (-0,6%).

Participação dos passageiros

O relatório também mostra que a distribuição dos passageiros mudou pouco entre os dois anos:

Faixa % 2024 % 2025
Menos de 200 km 14,76% 16,77%
200 a 400 km 17,58% 17,48%
400 a 600 km 33,38% 33,48%
600 a 800 km 13,20% 13,04%
800 a 1.000 km 7,62% 7,04%
1.000 a 1.500 km 7,63% 6,73%
Mais de 1.500 km 5,84% 5,47%

A ANTT destaca que mais de 87% dos passageiros continuam realizando viagens de até 800 km, mantendo praticamente o mesmo perfil observado em 2024. A faixa de 400 a 600 km segue concentrando a maior demanda do transporte interestadual.

Contexto econômico

Embora a tarifa média tenha subido:

  • o faturamento caiu de R$ 6,58 bilhões para R$ 6,15 bilhões (-6,6%);
  • a demanda diminuiu de 40,66 milhões para 36,75 milhões de passageiros (-9,6%).

Isso indica que, em 2025, o aumento das tarifas médias não foi suficiente para compensar integralmente a queda do volume de passageiros, resultando em redução da receita total do setor.

Adamo Bazani, jornalista especializado em transportes

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Comentários

Comentários

  1. Rodrigo disse:

    Crise na Bananolândia… Inflação: ou se come, ou se viaja. Mas, para o governo, não. Já, já, ele inventa mais algum benefício para viajantes, o que sobrecarregará as empresas, os contribuintes e viajantes pagantes… Pode esperar, isso ele sabe fazer muito bem.

  2. Gustavo disse:

    Boa tarde, não sei onde foi realizado este estudo. Mas se pesquisar aqui no Sul, poderam ver que Ouro e Prata, Planalto entre outras estão com o preço do ticket acima do que esta marcado por KM rodado. Seria interessante ver estes monopólios, pois os valores são bem superiores aos apresentados pelo canal.

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