Há 70 anos, Mercedes-Benz iniciava a produção de ônibus no Brasil e marcava a industrialização do setor
Publicado em: 5 de julho de 2026
Primeiro chassi fabricado pela empresa no País saiu da unidade de São Bernardo do Campo, em 1956; desde então, a produção acompanhou a evolução do transporte coletivo brasileiro
YURI SENA
A história da indústria brasileira de ônibus ganhou um de seus capítulos mais importantes em 28 de setembro de 1956.
Naquele dia, a Mercedes-Benz inaugurou sua fábrica em São Bernardo do Campo (SP) e iniciou a produção do LP 312, considerado o primeiro chassi de ônibus fabricado pela empresa no Brasil.
A instalação da unidade no ABC Paulista ocorreu em um período de expansão da indústria automobilística nacional e contribuiu para ampliar a fabricação local de veículos comerciais, reduzindo a dependência de produtos importados.
Além do chassi LP 312, a fábrica também passou a produzir o caminhão L 312, um dos primeiros modelos nacionais equipados com motor a diesel.
Ao longo das décadas seguintes, a produção de chassis de ônibus acompanhou o crescimento das cidades brasileiras e a expansão das ligações rodoviárias entre estados e municípios. Os veículos produzidos pela empresa passaram a equipar frotas urbanas, metropolitanas e rodoviárias em diferentes regiões do país.
Outro marco da trajetória ocorreu em 1958, com o lançamento do monobloco O 321, modelo que introduziu um novo conceito construtivo no mercado brasileiro ao reunir estrutura e carroceria em um único conjunto. O veículo também utilizava motor traseiro, solução ainda pouco comum no país naquele período.
Segundo dados divulgados pela fabricante, aproximadamente 800 mil ônibus já foram produzidos no Brasil ao longo desses 70 anos, considerando os veículos destinados ao mercado interno e às exportações. Atualmente, a empresa afirma que cerca de 70% da frota de ônibus em circulação no país utiliza chassis da marca.
A unidade de São Bernardo do Campo também passou por sucessivas modernizações ao longo desse período. Processos que eram predominantemente manuais nas primeiras décadas deram lugar a linhas de produção automatizadas e digitalizadas, acompanhando a evolução da indústria automotiva.
Além do mercado brasileiro, a produção nacional abasteceu diversos países. As primeiras exportações ocorreram em 1961, com o envio de ônibus para a Argentina. Desde então, veículos produzidos no Brasil passaram a atender mercados da América Latina, África, Oriente Médio e outros continentes.
Especialistas do setor apontam que a nacionalização da produção de chassis contribuiu para o desenvolvimento da indústria de carrocerias e para a consolidação do transporte coletivo brasileiro nas décadas seguintes. O crescimento das empresas encarroçadoras e das operadoras de transporte acompanhou essa evolução, impulsionando a formação de uma cadeia produtiva voltada ao segmento de ônibus.
Yuri Sena, para o Diário do Transporte

