Após protesto dos “Amarelinhos”, prefeito de Manaus (AM) condiciona subsídio à melhoria do transporte alternativo

Declaração ocorre depois de manifestação que bloqueou avenida, teve veículo incendiado e cobrou repasses financeiros ao sistema complementar

ARTHUR FERRARI

Um dia após o protesto promovido por trabalhadores do transporte alternativo de Manaus (AM), o prefeito Renato Junior afirmou nesta quinta-feira (2) que a Prefeitura manterá os subsídios destinados ao sistema complementar, mas condicionará os pagamentos ao cumprimento de critérios técnicos definidos pelo Instituto Municipal de Mobilidade Urbana (IMMU).

A manifestação ocorreu na manhã desta quinta-feira, quando motoristas conhecidos como “Amarelinhos” bloquearam a Avenida Grande Circular, no bairro Jorge Teixeira, na zona leste da capital. Durante o ato, um micro-ônibus foi incendiado. O Corpo de Bombeiros foi acionado para controlar as chamas e informou que ninguém ficou ferido.

Segundo os permissionários, a paralisação foi motivada pela falta de repasses financeiros da Prefeitura destinados a complementar o custeio da operação. A categoria afirma que o custo operacional por passageiro é de R$ 8,30, enquanto a tarifa paga pelos usuários é de R$ 5. A diferença, de acordo com os trabalhadores, deveria ser coberta por subsídios municipais, além da compensação pelas gratuidades concedidas a estudantes.

Em razão do bloqueio, agentes do IMMU foram deslocados para a Avenida Grande Circular para orientar o trânsito e minimizar os impactos na circulação de veículos.

Ao comentar o episódio, Renato Junior afirmou que o município regularizou o transporte alternativo por meio de um processo de licitação, permitindo que os permissionários passassem a atuar legalmente e se tornassem aptos a receber incentivos financeiros pela primeira vez.

“A prefeitura fez uma licitação para que eles pudessem se legalizar pela primeira vez na história. Pela primeira vez, eu vou estar contribuindo, como prefeito de Manaus, ajudando no subsídio do transporte alternativo”, afirmou Renato Junior.

O prefeito destacou que os recursos públicos terão como finalidade apoiar a renovação da frota e melhorar a qualidade do serviço prestado aos passageiros.

“O recurso é para ajudar a subsidiar o transporte do amarelinho e melhorar o serviço. A população quer micro-ônibus novos. O que eu não aceitarei é que o passageiro seja abandonado no meio do caminho, porque o motorista trocou a placa do ônibus ou que o serviço continue prejudicando quem depende dele”, declarou Renato Junior.

Segundo o IMMU, a liberação dos subsídios dependerá do cumprimento de exigências técnicas e administrativas, como a adequação das rotas e horários estabelecidos pelo instituto, a participação dos operadores em cursos da Escola Pública de Trânsito e Transporte e a adesão às linhas de financiamento voltadas à renovação da frota.

Durante entrevista coletiva concedida em um evento para assinatura do início das obras de um complexo esportivo e de lazer no bairro Jorge Teixeira, o prefeito também comentou a paralisação e afirmou que apenas uma das sete cooperativas do transporte alternativo participou da manifestação.

“Seis cooperativas estão satisfeitas. Apenas uma, movida politicamente, fez as velhas práticas de antigamente”, disse Renato Junior.

O prefeito também declarou que o micro-ônibus incendiado durante o protesto teria sido queimado para chamar atenção durante a mobilização. Até o momento, não foram divulgadas informações sobre o encerramento da paralisação ou sobre eventual acordo entre representantes da categoria e o poder público.

Arthur Ferrari, para o Diário do Transporte

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