EXCLUSIVO e OFICIAL: Nenhum sistema de transportes públicos no Brasil é totalmente transparente para a sociedade, aponta Estudo do BNDES e Ministério das Cidades

Há pouca participação social e nem sempre são claros os dados de bilhetagem eletrônica, arrecadação e desempenho. De 21 regiões metropolitanas avaliadas, 13 estão em estado crítico neste quesito

ADAMO BAZANI

Nenhum sistema de transportes públicos do Brasil é totalmente transparente para a sociedade.

A constatação está em um estudo realizado pelo BNDES (Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social) e Ministério das Cidades, cuja conclusão foi divulgada nesta quarta-feira, 1º de julho de 2026.

Isso pode explicar, em parte, porque algumas tarifas são altas e os subsídios abundantes em alguins sistemas, mas, mesmo assim, a qualidade não melhora para o usuário.

Os dados levam em conta serviços de ônibus, tens e metrôs.

Denominado ENMU (Estudo Nacional de Mobilidade Urbana), além de enumerar 187 projetos avaliados em R$ 430 bilhões para os próximos 30 anos, incluindo três mil quilômetros de trilhos e corredores de ônibus BRT, o trabalho faz um diagnóstico sobre a situação atual dos transportes em 21 Regiões Metropolitanas brasileiras que reúnem um milhão ou mais de habitantes.

Os detalhes você vê neste link: https://diariodotransporte.com.br/2026/07/01/entrevistas-especial-governo-federal-lanca-estudo-nacional-com-187-projetos-que-envolvem-r-430-bilhoes-e-66-mil-onibus-eletricos-e-3-mil-km-de-trilhos-e-brts/

O estudo levantou a situação atual de todas estas 21 regiões.

Segundo o resultado, com base em critérios técnicos utilizados no Brasil e internacionalmente, há pouca participação social e nem sempre são claros os dados de bilhetagem eletrônica, arrecadação e desempenho operacional.

De 21 regiões metropolitanas, 13 estão em estado crítico neste quesito.

Oito regiões metropolitanas (Goiânia, Grande Vitória, Recife, São Paulo, Belo Horizonte, Campinas, Distrito Federal e Rio de Janeiro) alcançam o nível amarelo, com mecanismos parciais de acesso a dados e participação social. As 13 restantes têm transparência zero ou próxima de zero.

Além de impedir o controle dos custos reais dos sistemas de transportes, refletindo nos valores das tarifas e subsídios, de acordo com o ENMU, a situação de baixa transparência impede a sociedade de saber se indicadores de qualidade, como cumprimento de viagens e frota estão sendo plenamente atendidos.

O panorama de transparência é ainda mais crítico. Nenhuma das 21 RMs foi classificada como verde, ou seja, em nenhum caso os dados operacionais completos do TPC em abrangência metropolitana são plenamente detidos pelos entes públicos e divulgados para a sociedade. Oito RMs (Goiânia, Grande Vitória, Recife, São Paulo, Belo Horizonte, Campinas, Distrito Federal e Rio de Janeiro) alcançam o nível amarelo, com mecanismos parciais de acesso a dados e participação social. As 13 RMs restantes figuram em vermelho, com dados indisponíveis, defasados, insuficientes ou sem portal público de transparência metropolitana. A ausência de informações consolidadas, incluindo dados de bilhetagem, arrecadação e desempenho operacional, limita suporte qualificado à tomada de decisão e à estruturação de novos projetos, além de comprometer a prestação de contas e a participação qualificada da sociedade civil no ciclo de governança metropolitana – diz a conclusão do estudo.

VEJA O TRECHO SOBRE TRANSPARÊNCIA NO ESTUDO:

Adamo Bazani, jornalista especializado em transportes

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Comentários

Comentários

  1. Santiago disse:

    Via de regra vemos os empresários de ônibus urbanos alegando que:
    “Não aguentam mais tantos prejuizos”
    “Estão pagando pra trabalhar”.
    “Não sabem mais o que fazer pra continuarem operando'”.
    PORÉM: Todos eles recusam-se a largar o osso, e nem pensam em abandonar esse ramo!!! Porque será, né???

    Outra coisa a se ressaltar é que a frota brasileira de ônibus urbanos é essencialmente integrada por ônibus padrão pé-de-boi (chassis pra caminhão com motor dianteiro e suspensão rígida), até mesmo nas cidades mais ricas e com bons viários.
    E eis que agora muitas dessas prefeituras esnobam planos pra eletrificar as suas frotas com sofisticados e caros ônibus a baterias!
    Pergunta que não quer calar:
    – Se havia condições financeiras pra isso, porque então já não operavam ônibus modernos (piso baixo e suspensão pneumática) bem antes da atual “onda/moda elétrica”???

    Esse levantamento feito pelo BNDES é muito oportuno, e uma desejável chance pra que se reveja muita coisa nessa área.
    Trata-se na prática de um reconhecimento oficial daquilo que todos já sabíamos, mas que as diversas autoridades das três esferas fingiam não conhecer.

  2. Claudio Mercador disse:

    BNDES criando dificuldade para vender facilidade. Solução: contratar quem está criticando a preço vil para entregar estudo fracassado (vide as tentativas de licitar a bilhetagem no Estado do Rio).

  3. Lucky disse:

    Parabéns pelo seu trabalho de divulgação muito importante excelentíssimo Adamo Bazani.

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