Greve de ônibus no Rio de Janeiro entra no terceiro dia enquanto nova audiência tenta destravar negociações

Foto: Diego Motta/Ônibus Brasil

Paralisação continua afetando a circulação de coletivos na capital fluminense; reunião entre rodoviários e empresas ocorre nesta quarta-feira em busca de acordo

ARTHUR FERRARI

A greve dos rodoviários do Rio de Janeiro (RJ) chegou ao terceiro dia nesta quarta-feira (1º) sem definição sobre o encerramento do movimento. O Tribunal Regional do Trabalho da 1ª Região (TRT-RJ) iniciou por volta das 11h20 uma nova audiência de conciliação entre representantes das empresas de ônibus e dos trabalhadores, em mais uma tentativa de solucionar o impasse que mantém a circulação de coletivos abaixo do percentual determinado pela Justiça.

Após o encerramento da audiência, está prevista uma nova assembleia da categoria, convocada pelo Sindicato dos Rodoviários para as 16h, na sede da entidade, em Rocha Miranda, na Zona Norte do Rio de Janeiro (RJ). O encontro deverá definir se a paralisação será mantida ou encerrada.

A mobilização começou na madrugada de segunda-feira (29), após aprovação da categoria em assembleia realizada na noite anterior. Desde então, a oferta de ônibus permanece reduzida, provocando dificuldades para os passageiros e filas em pontos e terminais da cidade.

Na terça-feira (30), representantes dos trabalhadores, das empresas e da Justiça participaram de uma audiência de conciliação que terminou sem acordo. Durante a negociação, o Sindicato das Empresas de Ônibus da Cidade do Rio de Janeiro (Rio Ônibus) manteve a proposta de reajuste salarial de 4,39%, enquanto os rodoviários seguiram defendendo a pauta aprovada pela categoria.

Entre as reivindicações dos trabalhadores estão reajuste salarial de 17% para funções gerais, piso de R$ 5 mil para motoristas do sistema BRT e de R$ 4 mil para os condutores das demais linhas, mudança da data-base para 1º de março, adoção da jornada de trabalho na escala 5×2, contratação dos profissionais do BRT pelo regime da CLT, vale-alimentação de R$ 1 mil, manutenção do passe livre da categoria, indenização do intervalo para almoço e implantação de planos de saúde e odontológico.

Durante a audiência realizada na terça-feira, o TRT-RJ e o Ministério Público do Trabalho propuseram que os rodoviários suspendessem temporariamente a greve até uma nova rodada de negociações. Em contrapartida, não haveria desconto dos dias parados e a Prefeitura do Rio de Janeiro se comprometeria a não aplicar multas às empresas pela redução da oferta do serviço.

A proposta, porém, foi rejeitada pelos trabalhadores em assembleia realizada em frente ao tribunal, levando a Justiça a antecipar para esta quarta-feira uma nova rodada de negociações.

Enquanto as partes buscam um entendimento, a greve segue sob determinação judicial que exige a circulação de 80% da frota de ônibus da cidade. Segundo o Rio Ônibus, por volta das 12h desta quarta-feira cerca de 1.700 coletivos estavam em operação, o equivalente a aproximadamente 40,5% da frota total da capital, percentual abaixo do mínimo estabelecido.

O sindicato patronal também informou que aproximadamente 50 ônibus foram vandalizados na segunda-feira (29). Na terça-feira, entretanto, não houve novos registros de depredação.

Em nota divulgada nesta quarta-feira, o Rio Ônibus informou que a folha de pagamento referente ao mês de junho já será processada com reajuste de 4,39% sobre os salários e a cesta básica, medida apresentada como forma de contribuir para o encerramento da greve. A decisão foi comunicada às empresas associadas antes da audiência de conciliação realizada nesta quarta-feira.

O sindicato patronal também divulgou um comunicado direcionado aos motoristas que permanecem paralisados, informando que o reajuste será concedido independentemente do andamento das negociações. Na mesma nota, atribuiu ao Sindicato dos Rodoviários a responsabilidade pela baixa oferta de ônibus, alegando que não foram enviadas as escalas de trabalho aos profissionais, além de citar episódios de vandalismo contra veículos e agressões a motoristas que decidiram trabalhar.

A expectativa é que a audiência desta quarta-feira e a assembleia marcada para a tarde definam os próximos passos do movimento grevista e indiquem se haverá avanço nas negociações entre as partes.

Confira comunicado do Rio Ônibus aos motoristas do sistema

Paulo Valente – Diretor de Comunicação do Rio Ônibus

Nota do Rio ônibus na íntegra

O Rio Ônibus vem comunicar, especialmente aos motoristas de ônibus que não estão trabalhando por determinação do presidente do Sindicato dos Rodoviários, Sebastião José, que independentemente das negociações que estão em curso, no próximo pagamento – referente ao mês de junho – já terão um reajuste salarial de 4,39%. Essa é mais uma demonstração que tem como propósito contribuir para a pacificação do conflito e viabilizar o encerramento da greve.

Infelizmente, por conta do descaso do Sindicato dos Rodoviários – que não enviou as escalas aos motoristas – e dos baderneiros que estão vandalizando coletivos e agredindo os profissionais que resolveram trabalhar, a operação de hoje, mais uma vez, não atingiu o percentual determinado pela Justiça, de 80%.

O compromisso do Rio Ônibus é, acima de tudo, com os passageiros. Trabalhamos com total transparência e, ao contrário do que afirma a Prefeitura do Rio, os nossos dados já eram públicos e acessíveis a todos, inclusive à imprensa e à própria Prefeitura, muito antes da implantação do Jaé e do fim do dinheiro a bordo. O que não acontece com a Mobi-Rio, cujos dados não são disponíveis para consulta em tempo real.

Mais uma vez, pedimos aos motoristas que se dirijam às garagens e retornem ao trabalho imediatamente. A população carioca precisa ser atendida.

Arthur Ferrari, para o Diário do Transporte

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