Câmeras em ônibus de Curitiba (PR) foram essenciais para desarticular quadrilha que furtava passageiros, afirma presidente da Urbs
Publicado em: 1 de julho de 2026
Imagens, biometria facial e trabalho de inteligência da Polícia Civil ajudaram a identificar grupo investigado por crimes contra usuários do transporte coletivo
ARTHUR FERRARI
A integração entre a Urbanização de Curitiba (Urbs) e a Polícia Civil do Paraná (PCPR) foi decisiva para a identificação e desarticulação de uma associação criminosa especializada em furtos no transporte coletivo de Curitiba (PR). Os detalhes da Operação Catraca Final foram apresentados nesta terça-feira (30), durante entrevista coletiva realizada na sede da Polícia Civil, no bairro Rebouças.
Segundo as autoridades, o trabalho conjunto envolveu o compartilhamento de informações do Centro de Controle Operacional (CCO) da Urbs, que disponibilizou imagens das câmeras instaladas em ônibus e estações-tubo, além de registros da biometria facial vinculada ao cartão-transporte. O material permitiu à Polícia Civil identificar os suspeitos e reunir provas para a investigação.
“Foi um processo colaborativo com a Polícia Civil. Nossas equipes do Centro de Controle Operacional disponibilizaram imagens das estações, dos ônibus e informações do cartão-transporte com biometria facial. Com base nesse material, a Polícia Civil conseguiu identificar os envolvidos e realizar essa operação”, afirmou o presidente da Urbs, Ogeny Pedro Maia Neto.
O dirigente destacou ainda que a cooperação com as forças de segurança será mantida para ampliar a proteção aos passageiros. “Queremos que o transporte coletivo seja cada vez mais seguro. Vamos continuar colaborando com a Polícia Civil e incentivando que as vítimas registrem boletim de ocorrência, pois isso contribui diretamente para as investigações”, disse.
De acordo com a Urbs, o sistema de transporte da capital também conta com a Patrulha do Transporte Coletivo. Os motoristas podem acionar o Centro de Controle Operacional diretamente dos ônibus, permitindo o contato imediato com a Guarda Municipal e outros órgãos de segurança quando necessário.
Como mostrou o Diário do Transporte, as investigações tiveram início no começo deste ano, após a Delegacia de Furtos e Roubos constatar aumento dos registros de furtos em ônibus e estações-tubo.
Relembre
Operação mira grupo suspeito de furtos e golpes em ônibus do transporte coletivo de Curitiba (PR)
“Percebemos uma alta incidência desse tipo de crime e identificamos um grupo específico que atuava de forma reiterada, principalmente contra pessoas idosas e mais vulneráveis. A integração com a Urbs foi permanente durante toda a investigação e foi fundamental para chegarmos aos responsáveis”, explicou o delegado Fernando Zamoner.
Segundo o delegado Thiago Mendes, o grupo era formado por mais de 22 integrantes, que atuavam de forma organizada e com funções definidas durante os crimes.
“Eles normalmente agiam em grupos de quatro a dez pessoas. Primeiro escolhiam uma vítima, quase sempre idosos. Em seguida faziam um cerco físico enquanto um dos integrantes retirava celulares, carteiras e cartões bancários. Logo depois, esses objetos eram repassados para outros integrantes, dificultando um eventual flagrante”, afirmou.
Durante o cumprimento dos mandados de busca, a Polícia Civil apreendeu cartões bancários em nome de terceiros e máquinas de cartão que, conforme a investigação, eram utilizadas para realizar transações fraudulentas logo após os furtos.
Mais de 55 vítimas foram ouvidas ao longo do inquérito. Apesar disso, a Polícia Civil avalia que existe subnotificação desse tipo de ocorrência e reforça a importância do registro policial.
“O boletim de ocorrência é fundamental. Muitas pessoas deixam de registrar o furto, mas esse documento é indispensável para direcionar as investigações e identificar os autores”, ressaltou Thiago Mendes.
Considerada a maior operação já realizada no Paraná contra furtos praticados no transporte coletivo, a Operação Catraca Final segue em andamento para localizar outros integrantes da associação criminosa que ainda não foram presos.
Arthur Ferrari, para o Diário do Transporte

