Greve dos rodoviários chega ao segundo dia no Rio de Janeiro; reunião no TRT e assembleia acontecem na manhã desta terça-feira (30)

Foto: Diego Motta/Ônibus Brasil

Passageiros enfrentam filas e pontos lotados; circulação de 50% da frota, como determinou a justiça, não é cumprida

ARTHUR FERRARI

A greve dos rodoviários do Rio de Janeiro entra no segundo dia nesta terça-feira (30) com parte da frota ainda fora de circulação e reflexos no deslocamento da população. A paralisação continua provocando longas filas em pontos e terminais, cenário semelhante ao registrado na segunda-feira (29), quando diversas garagens permaneceram com ônibus parados.

Para tentar solucionar o impasse, o Tribunal Regional do Trabalho da 1ª Região (TRT-1) marcou uma audiência de conciliação sobre o dissídio coletivo na manhã desta terça-feira. Após o encontro, o presidente do Sindicato dos Rodoviários, Sebastião José, convocou uma assembleia da categoria em frente ao tribunal.

Segundo Sebastião José, a expectativa é de que os trabalhadores deixem a reunião com uma proposta capaz de encerrar o movimento grevista.

Em nota, o Rio Ônibus, sindicato patronal, disse que nesta manhã, por volta das 6h, já haviam mil ônibus em operação. O dobro em relação ao mesmo horário no primeiro dia de paralisação. Já por volta das 7h cerca de 1350 coletivos estavam nas ruas.

Durante a segunda (29), aproximadamente 900 coletivos circularam pela cidade durante todo o dia. Ainda de acordo com o sindicato, cerca de 50 veículos foram vandalizados. Já nesta manhã nenhum veículo foi depredado.

A quantidade de ônibus em operação segue abaixo do percentual mínimo estabelecido pela Justiça. Em decisão liminar, o TRT-1 determinou que pelo menos 50% da frota operacional de cada linha permaneça em circulação durante a greve, o equivalente a cerca de 1.800 veículos. O descumprimento da determinação pode gerar multa diária de R$ 50 mil para cada uma das entidades envolvidas.

Segundo Paulo Valente, Diretor de Comunicação do Rio Ônibus, as garagens estão abertas e esperando os trabalhadores para que os coletivos circulem. Valente ainda fez apelo para que a medida de 50% da frota em operação seja cumprida.

Como mostrou o Diário do Transporte, a paralisação teve início à 0h de segunda-feira (29), após aprovação da categoria em assembleia realizada na noite de domingo (28). Antes do início do movimento, o Sindicato dos Rodoviários comunicou oficialmente a Prefeitura do Rio de Janeiro sobre a greve.

Relembre

Greve de ônibus no Rio de Janeiro: Coletivos são vandalizados por grevistas, diz Rio Ônibus

Entre as principais reivindicações dos trabalhadores estão a mudança da data-base para 1º de março, salários de R$ 5 mil para motoristas de ônibus articulados e de R$ 4 mil para os demais condutores, contratação dos profissionais do BRT pelo regime da CLT, adoção da jornada 5×2, vale-alimentação de R$ 1 mil, manutenção do passe livre da categoria, indenização do intervalo para almoço e oferta de planos de saúde e odontológico.

Os rodoviários rejeitaram a proposta apresentada pelas empresas, que previa reajuste salarial de 4,39% e acréscimo de R$ 29 no auxílio-alimentação.

Nota do Rio Ônibus na íntegra

O Rio Ônibus informa que todas as garagens permanecem com as portas abertas e prontas para que os rodoviários coloquem os ônibus nas ruas da cidade.

No início desta manhã já contamos com mais de 1000 ônibus circulando. Mais que o dobro em relação ao mesmo horario de ontem. Durante a madrugada, felizmente, não houveram novos registros de vandalismo.

Os Consórcios reforçam o apelo para que todos os motoristas e rodoviários compareçam às suas garagens, cumprindo a decisão judicial que determina a operação de pelo menos 50% da frota, de modo que a circulação de ônibus seja normalizada o quanto antes, em benefício da população carioca.

Arthur Ferrari, para o Diário do Transporte

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