“Ainda temos dúvidas sobre a capacidade da concessionária em entregar a obra completa”, diz Tarcísio sobre o BRT-ABC
Publicado em: 27 de junho de 2026
Governador volta a falar em possibilidade de quebra de contrato, e diz que não vai correr para entrega só por causa de agenda eleitoral
ADAMO BAZANI
Colaborou Yuri Sena
O governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas, em agenda pública na cidade de Diadema, no ABC Paulista, nesta sexta-feira, 26 de junho de 2026, voltou a falar sobre o BRT ABC, o sistema de corredores de ônibus rápidos de alta capacidade e de alta velocidade, que deve ligar, em 18 quilômetros, as cidades de Santo André, São Bernardo do Campo, São Caetano do Sul e São Paulo, pelos terminais Sacomã e Tamanduateí.
De acordo com o governador, ainda há dúvidas sobre se a concessionária Next Mobilidade vai, de fato, conseguir entregar as obras a tempo. Estas obras já estão atrasadas em três anos e tiveram de passar por um novo cronograma.
Segundo Tarcísio, não haverá correria para entregar um trecho parcial antes do período previsto pela legislação eleitoral para apresentação de obras públicas por quem pretende disputar cargos eletivos, como é o caso de Tarcísio de Freitas, que busca a reeleição ao Governo do Estado.
O governador, entretanto, não descartou a possibilidade da inauguração de um trecho parcial assim que os órgãos reguladores entenderem que já há condições de operação. Ele também não descarta a possibilidade de quebra de contrato da Next Mobilidade.
Por outro lado, a empresa diz que está cumprindo os cronogramas revistos de acordo com o Governo do Estado de São Paulo. A concessionária afirma que os atrasos ocorreram porque empresas de serviços, como a Enel, demoraram para realizar algumas intervenções que só elas poderiam fazer, como a remoção de fios de alta tensão, de postes e também de conduítes de energia de alta capacidade.
Também de acordo com a Next Mobilidade, houve demora na liberação das licenças ambientais para o avanço das obras.
A empresa diz que está cumprindo o cronograma e que, inclusive, algumas etapas previstas no novo cronograma de obras já foram entregues até mesmo com antecipação, como a sinalização de algumas paradas e de trechos já pavimentados.
Confira a fala do governador:
“Não, eu não vou fazer entrega parcial agora, até porque eu quero ver como é que vai transcorrer o andamento da obra. Então, a gente ainda tem muitas dúvidas com relação à capacidade da concessionária de fazer a entrega total e eu quero ver essa entrega acontecer.
Obviamente, a partir do momento que alguma coisa esteja pronta para operar, a gente vai iniciar a operação sem entrega, porque a minha preocupação não é fazer entrega, é atender as pessoas. Tendo condição e tendo o aval do regulador de que este trecho está pronto para operar, a gente pode iniciar a operação parcial.
Agora, a gente vai continuar monitorando para que o cronograma seja cumprido e para que, uma vez a empresa não entregando, ela sofra as sanções.
Qual é o nosso interesse? Nosso interesse é que a obra seja entregue, é ver esse empreendimento acontecendo, é ver o serviço sendo disponibilizado para as pessoas, porque a gente sabe que é um corredor importante e esperado há muito tempo. A gente precisa ver esse empreendimento entregue.
Esse é o nosso objetivo. Não é fazer isso ou fazer aquilo. É entregar a obra e colocar o BRT para funcionar. Funcionou, está ótimo. Não funcionou, aí sim a gente tem que pensar nas sanções, e a sanção maior, é a caducidade.”
O QUE É O BRT-ABC:
O BRT-ABC consiste num sistema para ônibus elétricos de maior capacidade que corredores comuns e deve ligar em 17,5 km as cidades de São Bernardo do Campo, Santo André, São Caetano do Sul, e a capital paulista.
BRT é uma sigla em inglês – Bus Rapid Transit , significando Trânsito Rápido para Ônibus. As obras foram prometidas inicialmente para até 2023 e o sistema foi escolhido em 2020 para substituir um monotrilho (linha 18-Bronze).
O monotrilho não saiu do papel e, de acordo com estudos do Governo, na época, se mostrou tecnicamente inviável e quase sete vez mais caro. A implantação, ainda segundo estes estudos, custaria R$ 7 bilhões (em valores atualizados), sendo cerca de R$ 3,5 bilhões custeados pelo Governo do Estado, dos quais, R$ 1 bilhão somente em desapropriações. O BRT-ABC tem custo estimado de implantação de cerca de R$ 1,2 bilhão é é integralmente bancado pela Next Mobilidade.
Faz parte da concessão a renovação da frota de cerca de 500 ônibus intermunicipais do ABC (antiga área 5 da EMTU, que nunca havia sido concedida, operava com contratos precários por várias empresas e liderava rankings de reclamações dos passageiros sobre frota que quebrava constantemente, atrasos e demora nos pontos). Também integra a concessão a modernização do Corredor Metropolitano ABD (que liga a capital paulista e o ABC com ônibus a diesel e trólebus).
A concessão nasceu de um modelo contratual chamado de prorrogação antecipada de contrato, que consiste em ampliar o prazo em troca de investimentos.
No caso específico, tratou-se do contrato de 1997 pelo Corredor ABD que venceria em 2022.
O modelo que tem o aval do TCU (Tribunal de Contas da União) é mais usado em ferrovias e rodovias federais.
O BRT-ABC, chegou a ser contestado pelo PODEMOS, mas em 2023, em julgamento de Plenário, por 8 votos a 3, o STF (Supremo Tribunal Federal) determinou que o modelo contratual pode ser usado por estados e municípios em diversas aplicações, como transporte por ônibus.
Outros sistemas se inspiraram e seguiram contratações semelhantes, como do Governador Ronaldo Caiado, na rede de ônibus de Goiânia e Região Metropolitana, com a renovação da frota e do sistema de corredores BRT.

BRT-ABC EM NÚMEROS (segundo a concessionária)
Passsageiros: Capacidade de até 600 mil passageiros/dia, com demanda inicial de 173 mil passageiros/dia.
Frota: Operação com 92 ônibus totalmente elétricos fabricados no Brasil, com tecnologia nacional, inclusive baterias, por meio de parceria entre empresas como Eletra, Mercedes-Benz, WEG, Caio e outras; (72 E-Trol e 20 com baterias)
Veículos de piso baixo, não poluentes, silenciosos e confortáveis, com wi-fi e ar-condicionado;
Pavimento: Trajeto em via segregada, com 16 paradas fechadas e mais três terminais;
Embarque-Desembarque: Bilhetagem realizada nas paradas, antes do embarque nos veículos, facilitando o acesso; embarque em nível e ampla acessibilidade;
Custo: Inteiramente a cargo da empresa privada operadora (Next Mobilidade); – atualizado para R$ 1,2 bilhão;
Extensão: Trajeto de 17, 5 km, atendendo diretamente três municípios do Grande ABC (São Bernardo, Santo André e São Caetano), mais Diadema e Mauá (via Corredor ABD).
Interligação com três terminais: São Bernardo (Paço Municipal), Tamanduateí (Linha 2-Verde do Metrô e Linha 10 Turquesa da CPTM) e Sacomã (Linha 2-Verde do metrô e Expresso Tiradentes).
Três opções de linhas: Paradora, Semiexpressa (oito estações) e Expressa (só os terminais São Bernardo, Tamanduateí e Sacomã); a linha Expressa fará o trajeto em menos de 35 minutos.
Adamo Bazani, jornalista especializado em transportes



Então a grande culpada desse injustificável atraso “é a Enel”, a mesma “culpada oficial” pela atabalhoada eletrificação na Capital???
Se em determinado(s) trecho(s) havia que aguardar a Enel habilitar o espaço, porque então nesse meio-tempo a NEXT já não adiantou o inicio de outros trechos que não tivessem tal pendência técnica???
Não cola…
Justamente por isso. Estão “sem pernas” para fazer toda a obra, e ficam se escorando em eventuais falhas alheias, para justamente tocar a obra “em banho maria”…
ATÉ FINAL DO ANO SEM CHANCE DE FICAR PRONTO!
FALTA MUITA OBRA PARA EXECUTAR!
QUAL É O PRAZO PARA CONCLUSÃO DA MESMA???
Segundo A NEXT MOBILIDADE A este mesmo site, começa a operação parcial ainda nesse semestre…
Só que não, infelizmente.
Este BRT transportar 600.000 passageiros por dia? Isto só metrô e monotrilho podem fazer. Infelizmente trocaram o monotrilho por este BRT que transporta menos gente e é mais demorado. Herança do Dória.
Devem estar considerando uma estatística total do BRT ABC e o Corredor ABD, juntos.
Ou, como diz a frase: números não mentem, mas mentirosos fazem contas…
Esses atrasos são uma vergonha porque o safado do Dória não aceitou o monotrilho, I mínimo é que deveria não ter tido um atraso tão absurdo.
Boa noite…
A mesma Next que quer abraçar o mundo, sem planejamento. Inclusive, fecharão a Garagem Santo André e concentrarão a operação na Garagem SBC Alvarenga.
Abraços!
Ué, mas a empresa não disse para esse mesmo Diário do Transporte, que a operação parcial começaria nesse semestre? Quem mentiu nessa história toda?!