Governo Lula cria cota de R$ 2,4 bilhões para isentar importação de veículos elétricos. Valor é maior que todo o MOVE 2 para ônibus nacionais
Publicado em: 23 de junho de 2026
Anfavea lamentou. Medida do MDIC deve beneficiar principalmente fabricante chineses. Isenção é para modelos desmontados ou parcialmente montados
ADAMO BAZANI
O Comitê-Executivo de Gestão da Câmara de Comércio Exterior (Gecex), do Governo do Presidente Luís Inácio Lula da Silva, restabeleceu em reunião nesta terça-feira, 23 de junho de 2026, a isenção tributária que havia sido encerrada em fevereiro deste ano, para importação de veículos elétricos parcialmente montados (SKD) ou desmontados completamente (CKD).
Veículos montados (CBU) estão fora da isenção.
Para isso, o comitê, que é vinculado ao MDIC (Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio) criou uma cota de US$ 463 milhões, o que pela conversão do dólar de hoje, a R$ 5,19, dá algo em torno de R$ 2,4 bilhões.
Para se ter uma ideia, o total é superior a toda a fatia de R$ 2 bilhões para ônibus brasileiros no âmbito do Move 2, para renovação de frota de veículos pesados.
A medida deve beneficiar principalmente os fabricantes chineses, os maiores exportadores de veículos elétricos para o Brasil. Entretanto, pelas características das importações, estas marcas precisam ter unidades industrias ou representações para a montagem final.
A decisão ocorre bem no dia em que o ministro da Fazenda brasileiro, Dario Durigan, está na China em comitiva em Xangai para ampliar as relações entre os dois países.
Oficialmente, nem o MDIC e nem o Ministério da Fazenda relacionam a visita à decisão do Gecex.
Em nota, o MDCI explica a medida e diz que um dos objetivos é “ampliar a descarbonização dos transportes”. A isenção vale até 31 de dezembro de 2026.
Na área automotiva, o Gecex decidiu manter totalmente o cronograma de elevação tarifária para veículos elétricos e híbridos importados. Assim, os veículos eletrificados montados e semidesmontados (SKD) passam a recolher imposto de importação de 35% a partir de julho deste ano.
Para veículos desmontados (CKD), também conforme o cronograma em vigor, a alíquota de 35% vale a partir de 1º de janeiro de 2027. Até lá, os CKDs continuam recolhendo 14% de imposto de importação.
Ainda em relação aos eletrificados, o colegiado deliberou pela aplicação de cotas adicionais de importação com alíquota zero para veículos CKD e SKD, a partir de 1º julho de 2026, pelo prazo de 6 meses, em um somatório de US$ 463 milhões. O patamar é idêntico ao que vigorou até janeiro deste ano. Acima das cotas, permanece o recolhimento de 35% para SKD e de 14% para CKD. A importação de carros montados, por outro lado, não terá qualquer tipo de cotas.
A medida converge com outras iniciativas do governo voltadas à renovação da frota e ao fortalecimento da inovação e da descarbonização no ecossistema automotivo brasileiro, com veículos mais sustentáveis, que contribuem para a redução das emissões de CO2.
Também por meio de nota, a Anfavea lamentou a retomada da isenção que podem frustrar os investimentos de R$ 140 bilhões até 2033 feitos pelas fabricantes instaladas no Brasil à novas formas de propulsão incluindo a eletrificação, pesquisa, engenharia, modernização industrial e ampliação da cadeia de fornecedores.
NOTA À IMPRENSA
Brasília, 23 de junho de 2026
A Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores (Anfavea) lamenta e vê com grande preocupação a decisão do Comitê-Executivo de Gestão da Câmara de Comércio Exterior (Gecex) de restabelecer incentivos à importação de veículos elétricos desmontados e semidesmontados (CKD e SKD).
A medida é contrária aos interesses dos trabalhadores, das fabricantes nacionais de veículos e das empresas brasileiras de autopeças, como atestaram dezenas de manifestações públicas assinadas por sindicatos, centrais sindicais, federações empresariais e associações da indústria nos últimos dias.
A decisão, tomada sem consulta ao setor produtivo, altera de forma intempestiva uma política definida pelo próprio Governo Federal, que teve como objetivo combinar a expansão da eletromobilidade no Brasil com a atração de investimentos produtivos de longo prazo para o país.
As cotas para importação de kits de veículos elétricos terminaram em fevereiro de 2026, conforme definido no ano passado pelo governo após longo debate com o setor produtivo. Agora, a mudança ocorre em detrimento do interesse de empresas e de milhares de trabalhadores espalhados por nove Estados do país.
Ao prolongar benefícios que haviam sido criados como temporários, o governo coloca em xeque a confiança de empresas que ajustaram seus planos de investimento contando com as regras pactuadas.
Nos últimos anos, a eletrificação avançou de forma acelerada no país. Novas marcas chegaram ao mercado, a oferta de veículos aumentou e os emplacamentos de eletrificados importados cresceram 214% entre 2023 e 2025.
Ao mesmo tempo, a indústria respondeu aos estímulos criados pela política pública. As fabricantes anunciaram R$ 140 bilhões em investimentos no Brasil até 2033, destinados à novas formas de propulsão incluindo a eletrificação, pesquisa, engenharia, modernização industrial e ampliação da cadeia de fornecedores.
Os resultados também aparecem na produção nacional. Em 2025, os veículos eletrificados produzidos no país responderam por 25,9% das vendas do segmento. No acumulado até maio de 2026, o mercado atendido por veículos produzidos no Brasil cresceu 57% na comparação com o mesmo período de 2025.
Por essa razão, a discussão deixou de ser como acelerar a entrada dos veículos eletrificados no mercado brasileiro. O desafio agora é garantir que essa transformação gere mais produção local, desenvolvimento tecnológico, fornecedores, engenharia e agregação de valor no país.
Benefícios destinados à importação podem cumprir papel relevante em fases iniciais de implantação industrial. A ampliação em um momento em que os investimentos já estão anunciados e a produção local está em expansão reduz os incentivos para a evolução produtiva esperada dessa nova etapa da indústria automotiva.
A decisão também contraria a sinalização que orientou investimentos anunciados sob as regras vigentes e gera insegurança para empresas que estruturaram projetos considerando o cronograma estabelecido pelo próprio governo.
A Anfavea vai continuar defendendo a descarbonização, que inclui a eletrificação da frota, a concorrência e a ampliação da oferta de veículos ao consumidor brasileiro. O que está em debate, com essa decisão, não é a transição energética, que já está em curso e não vai parar. O que está em debate é qual modelo de desenvolvimento o país pretende incentivar para a nova mobilidade e qual espaço será reservado à produção nacional nesse processo.
Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores — Anfavea
Adamo Bazani, jornalista especializado em transportes


Realmente é complicado, mas o que não dá mais é dar dinheiro para refinarias estadunidenses com importação de diesel inflacionado por causa de guerras fomentadas pelo império para também favorecer indústrias bélicas.
O certo e o governo do Brasil cria, não governo lula
Isso é óbvio que poucos inteligentes entenderão na geo política, o painho é amigão do governo chinês porque adora a forma de governar censurando tudo, é claro que facilitaria entrar ônibus elétrico.