Declaração é da Diretora de Infraestrutura, Transição Energética e Mudança Climática, Luciana Costa, em entrega de 500 novos ônibus elétricos para a cidade de São Paulo
ADAMO BAZANI
Colaborou Arthur Ferrari
O BNDES (Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social) deve intensificar os financiamentos voltados para ônibus elétricos em todo o País e o foco continuará sendo os veículos produzidos ou montados aqui no Brasil.
A informação é da Diretora de Infraestrutura, Transição Energética e Mudança Climática, Luciana Costa, que participou neste domingo, 21 de junho de 2026, da entrega de 500 ônibus elétricos para o município de São Paulo. Grande parte desses veículos foi financiada pela instituição financeira.
No discurso, Luciana Costa deixou claro que o objetivo é ampliar a competitividade dos produtos nacionais. “Temos respeito aos fabricantes de outros países, com todo o respeito aos chineses, mas nossa missão é estimular a indústria brasileira, com os benefícios ambientais e econômicos que a produção no Brasil traz. Geração de emprego no Brasil, geração de oportunidades para o país”, disse Luciana Costa.
Segundo a gestora, no evento, a questão da mobilidade urbana não poluente deve ser apartidária. Luciana destacou a relação do presidente Luiz Inácio Lula da Silva e do presidente do banco, Aluísio Mercadante, com o prefeito de São Paulo, Ricardo Nunes, ambos em posições ideológicas diferentes, mas que não impede da cooperação entre as duas esferas de poder para financiamento desses ônibus e ampliação da frota.
Todos os veículos apresentados neste domingo (21) são de fabricação nacional ou montagem no Brasil. Entre as marcas, como mostrou o Diário do Transporte, estão BYD com, 265 unidades, montadas em Campinas (SP), Eletra, cuja tecnologia é desenvolvida nacionalmente em São Bernardo do Campo, com 142 unidades e 83 unidades da Mercedes-Benz, modelo EO500U, montado e fabricado em São Bernardo do Campo. Há também unidades da Marcopolo e Volkswagen, com tecnologia Blue Electric, também de desenvolvimento nacional.
Relembre:
O BNDES diz que disponibilizou R$ 6,5 bilhões por meio do PAC para ônibus em todo o país, com foco na eletromobilidade. Somente para a cidade de São Paulo foram R$ 2,5 bilhões por meio da instituição.
Como tem mostrado o Diário do Transporte, fabricantes chineses miram o mercado brasileiro com destaque para o de São Paulo. A BYD, apesar de origem chinesa, já está estabelecida no Brasil. Higer e Ankai são empresas chinesas que já disponibilizam modelos para o mercado de São Paulo.
A Higer pretende abrir uma unidade industrial no Brasil. Outras marcas, como Foton e Yutong, também “namoram o mercado brasileiro”. A cidade de São Paulo detém 80% da frota de ônibus elétricos nacionais.
Com a apresentação destes 500 ônibus elétricos, entre os quais, 104 articulados, elevando de 1259 para 1759 unidades, essa é a maior frota do País. Mesmo assim, o número é pequeno, representando apenas 13,07% da frota total de 13.460 coletivos e ainda abaixo da meta de 2,6 mil elétricos que deveria ter sido alcançada em dezembro de 2024. Como há dificuldades de renovação de frota, a prefeitura permite ônibus a diesel mais velhos, de até 14 anos.
Adamo Bazani, jornalista especializado em transportes
