Nunes confirma a inclusão de ônibus elétricos de piso alto na cidade de São Paulo, mas diz que será em casos específicos
Publicado em: 22 de junho de 2026
Modelos, apesar de terem elevadores, não oferecem o mesmo nível de acessibilidade das configurações de piso baixo com rampa
ADAMO BAZANI e ARTHUR FERRARI
O prefeito de São Paulo, Ricardo Nunes, confirmou na manhã de domingo, 21 de junho de 2026, que a cidade de fato vai ter ônibus elétricos de piso alto. A informação já havia sido veiculada pelo Diário do Transporte.
A SPTrans está analisando ao menos dois modelos. O que chama a atenção é que um desses ônibus é de 12 metros, que rodam em vias maiores. Os veículos são modelo Caio Apache Vip V, com tecnologia Blu Eletric, fabricantes ligadas a empresários de ônibus da capital paulista. Os modelos, apesar de terem elevadores, não oferecem o mesmo nível de acessibilidade das configurações de piso baixo com rampa.
Segundo Nunes, a inclusão das unidades de piso alto será excepcional, apenas em itinerários onde o piso baixo pode ter dificuldade por causa das condições viárias.
“A gente vai usar o piso alto porque tem situações em partes do bairro que você não consegue ter o piso baixo porque o ônibus agarra. Então não adianta ter todos os ônibus com piso baixo e o veículo não poder transitar nas regiões periféricas da cidade. A gente tem que ter esse tipo de transporte em todos os cantos da cidade” – disse Nunes.
Na última quarta-feira, 17 de junho de 2026, o conselho de Transportes Públicos e Trânsito da cidade criticou a medida. Segundo os conselheiros, a prefeitura não disponibilizou ainda a relação das vias e itinerários onde supostamente os ônibus de piso baixo não poderiam circular.
Os membros dizem ainda que não há fundamentação técnica disponibilizada para esta escolha de forma detalhada e ainda alegam que a diferença de altura entre o assoalho dos ônibus de piso baixo para os degraus de piso alto não é tão relevante e que a real motivação pode estar no preço destes veículos, que é menor, e porque as fabricantes são ligadas os empresários de ônibus, ainda mais a Blu Eletric de tecnologia, uma vez que a encarroçadora Caio, da família Ruas, fornece carrocerias para versões de piso baixo.
As declarações foram feitas durante a apresentação de 500 ônibus elétricos na região da Marginal Tietê, onde o Diário do Transporte esteve no domingo (21).
Relembre
VÍDEO: De 500 ônibus elétricos entregues neste domingo (21), 490 são de três marcas de tecnologia
Com a apresentação destes 500 ônibus elétricos, entre os quais, 104 articulados, elevando de 1259 para 1759 unidades, a frota é a maior do País. Mesmo assim, o número é pequeno, representando apenas 13,07% da frota total de 13.460 coletivos e ainda abaixo da meta de 2,6 mil elétricos que deveria ter sido alcançada em dezembro de 2024. Como há dificuldades de renovação de frota, a prefeitura permite ônibus a diesel mais velhos, de até 14 anos.
Confira a declaração do prefeito Ricardo Nunes e do Secretário de Mobilidade Urbana e Transporte Celso Caldeira na íntegra
Adamo Bazani
Prefeito, ainda sobre a questão do ônibus de piso alto e piso baixo. Na última reunião do conselho eles reclamaram que a Prefeitura ainda não disponibilizou a relação das vias e dos itinerários que devem receber esses veículos. Há essa previsão dessa disponibilização? E já aproveitando, o senhor falou da caducidade. No Tribunal de Contas do município já tem o edital da Transwolf. Quais são agora os próximos passos e por que não disponibilizar também essa proposta de edital para a sociedade, já que está como documento restrito ainda?
Ricardo Nunes
Com relação à questão da acessibilidade. Eu estou aqui do lado da Silvia Greco, nossa secretária da Pessoa com Deficiência. São Paulo não vai abrir mão das suas políticas públicas de meio ambiente, tanto é que eu acabei de relatar isso aqui para vocês. Então, a gente não abre mão das nossas políticas públicas de ser uma cidade acessível, de ser uma cidade que está dando exemplo para o Brasil e para o mundo de como a gente trata essa questão da acessibilidade.
Agora, o que acontece é o seguinte, você tem vias que, obviamente, o nível da via, o piso baixo, ele enrosca. Até foi muito importante que você, na forma séria de fazer jornalismo, colocou lá um vídeo onde os ônibus e enroscam. Não adianta a gente ter o piso baixo e ele não conseguir transitar, aí não adianta.
O importante é dizer o seguinte, que todos eles, 100% deles, são acessíveis, porque eles têm o elevador para acesso de cadeirantes. Então, a colocação de cadeira, em todos eles você tem o espaço preservado. Então, nós temos 100% da nossa frota de ônibus acessíveis.
A questão do piso baixo é somente uma questão do nível das ruas. A gente, nessa cidade de São Paulo, tem a questão do seu relevo. Do nível das ruas, eu não posso ter um piso baixo no local que o ônibus não consegue passar.
Com relação à disponibilização das vias, eu não sei se o Celso (Caldeira) tem alguma informação sobre isso.
Celso Caldeira
O que acontece é que os estudos são absolutamente individuais. Empresa por empresa, a depender do itinerário, a equipe técnica do SP Trans, aprova ou não aprova.
Importante salientar, prefeito, que a proposta de adotar piso alto em razão do relevo das regiões foi passada na Comissão Permanente de Acessibilidade, que, por sua unanimidade, aprovou a adoção desses modelos, onde as vias, justificadamente, assim o permitem.
Adamo Bazani, jornalista especializado em transportes
Arthur Ferrari, para o Diário do Transporte



Eu não entendo, seja de piso baixo ou piso alto, o ônibus continuará ralando no chão como mostra a foto acima, por exemplo!
Isso porque as beiradas das carrocerias mantêm o mesmo nível do chão independente do modelo de piso.
Espero que os elevadores desses ônibus não sejam daquele maldito modelo embutido que impede o uso da porta pelos outros usuários e, a depender da altura da guia da calçada, seja preciso posicionar o ônibus distante desta e tendo de desembarcar o cadeirante na rua.
E por que não corrigem o ângulo dessas ruas que atrapalham o uso de ônibus de piso baixo?
É por que dá muito trabalho?
E fica suspeita essa enrolação para dar os nomes das ruas e das linhas por onde os ônibus de piso baixo não conseguem passar.
Isso dá mais motivo para acreditarmos de que o motivo real é o preço mais baixo dos veículos.
Concordo que há regiões e viários aonde os ônibus com piso elevado são realmente os mais indicados.
Entretanto seria interessante que estes veículos tivessem a altura do seu assoalho sensivelmente reduzida em relação ao solo, permitindo escadas com degraus “mais suaves”, e contassem com sistemas de suspensão pneumática mais robustos que suportassem constantes ciclos diários de rebaixamento (para embarques e desembarques) e elevação (para rodagem em trechos mais severos).
Isso aumentaria em algo o custo de produção, porém entregaria melhor rodagem do veículo e maior conforto e segurança aos ocupantes, além de menos manutenções corretivas.
Pensem, senhores projetistas!
Fazem mais de 20 anos que lido com transporte coletivo.
Muitos, aliás, a maioria não me conhece, pelo fato de eu ser conservador e, a maioria das pessoas que lidam com transporte coletivo, são progressistas e/ou esquerdistas (respeito-os, o contrário é que não acontece), é um fato inconteste, inclusive de conhecimento do próprio Ministério Público de SP, que tenho minha voz, ações e opiniões canceladas e suprimidas pelos shadowbans que sofro nas redes sociais.
Isso não significa que eu não entendo de logístistica e transportes. Algumas iniciativas vindas de minha parte, alimentaram ações importantes para a cidade como por exemplo, as ações do MP-SP e justiça contra o antigo Consórcio Leste 4, e denúncias contra a Transcooper e Associação Paulistana, atuais Pêssego Transportes, AlliBus e TransUnião, nas quais geram perseguições implacáveis contra a minha pessoa, devido o poder que estes investidores têm sobre o povo da periferia e a ligação dos mesmos com alguns vereadores.
Além disso, tenho colaborado como lider comunitário junto à SPTrans, no apontamento de soluções para problemas graves em linhas locais e principalmente em linhas noturnas da cidade de São Paulo, como no caso, alterações feitas em linhas noturnas, que retiraram-nas de trechos ermos e perigosos e melhoraram a frequencia destas, fatos documentados no SEI, para quem acha que estou praticando alguma ilação.
Pois bem, o nobre Prefeito Ricardo Nunes está correto em dizer que ônibus elétricos de Piso Baixo são inviáveis em certos trechos das linhas da cidade de São Paulo. Isto não se aplica somente às linhas locais e alimentadoras, aplica-se também a muitos trechos de linhas estruturais e complementares, circulares ou não, que passam em trechos de vias com o leito mais curto ou que sofrem com a topologia acidentada, com valetas e ângulos de afluência ou confluência oblíquos, nas quais, o prefeito resumiu brilhantemente que fazem o ônibus “agarrar” na via.
Então, o mérito da discussão deve ser de cunho explicita e tacitamente técnicos e não sobre ‘quem irá fabricar o veículo’. É necessário que hajam ônibus elétricos de Piso Alto, tanto Midis, quanto de 11 e 12 metros na modalidade “Comum” para que a população tenha acesso a veículos novos, de tecnologia limpa, e para que, principalmente nas regiões mais distantes da cidade, a qualidade do ar se mantenha nos mesmos níveis de redução de poluição.
A discussão sobre “o fabricante”, mais me parece uma tentativa de criar impecilhos para que o processo de transição para sistemas de mobilidade urbana limpas seja postergadi, atrasado, para beneficiar interesses econômicos de investidores de empresas que operam no subsistema alimentador local. E o mais interessante, é que, dentro da administraçãos destas próprias operadoras, diretores e CEOs admitem a necessidade de renovação da frota para modelos mais limpos e tecnológicos, mas eles mesmos sofrem internamente com pressões absurdas e incabíveis de investidores que não querem renovar a frota, ou querem continuar a comprarem ônibus à diesel.
3027, 407T, 3020 são exemplos de linhas que o piso baixo Millennium não tem condições nenhuma de trafegar. Quem sabe aparece outro tipo de carroceria com balanços dianteiro e traseiro mais curtos ai talvez dá pra rodar. Ou arruma as ruas, também é uma opção bem mais cara mas também funciona.
Prezado Gilvan: A solução proposta de se fazer obras para melhorar o ângulo de convergência entre vias, para que os ônibus não ‘agarrem’ na via –como disse Nunes– seria de fato, a melhor solução, porém, estamos esbarrando na burocracia e na má vontade de engenheiros e arquitetos de algumas subprefeituras, como a de Itaquera, onde tempo um excelente sub-prefeito –Rafael Limonta– porém, barramos em laudos mal elaborados pelo setor de arquitetura e engenharia de obras em vias. Este foi o caso das obras na Av. Dr. Francisco Munhoz Filho no cruzamento com a Rua Francisco Jorge da Silva onde há uma valeta que torna impossível a passagem de ônibus, o setor de arquitetura e engenharia recusaram a obra e com isso, veículos da linha 4010-10 passam diariamente neste cruzamento ‘agarrando o asfalto’ e os motoristas são obrigados a fazerem a conversão em contra-mão.
A linha N402-11 não pôde atender estas vias para poder depois atender um trecho maior da Avenida Maria Luiza Americano –o que era a intenção para atender um publico uma demanda maior– justamente porcausa da má vontade do setor de arquitetura e engenharia de obras da sub-prefeitura de Itaquera.
A culpa é do Rafael Limonta? Jamais! Conheço ele há décadas e sei o bom homem e o quão eficiente ele é, porém, nem tudo ele consegue. Um laudo feito com má-vontade do setor de arquitetura, que provavelmente o fez por estar dando prioridade a outras obras, demora para ser derrubado e como é laudo técnico, tem peso maior.
E isso se repete por toda a cidade:
O excelente Prefeito e alguns bons sub-prefeitos que temos criam com suas equipes planos bons para melhorar a mobilidade urbana e a tecno-burocracia, usada algumas vezes para benefício de certas castas políticas e sociais, mas nem sempre, acabam estragando excelentes projetos em prol da população.
E aí? Ficamos nas mãos do Ministério Público, que nem sempre tem interesse em abraçar as causas, e é direito dos promotores, aceitarem ou não, representações feitas por ONGs ou por munícipes.
A solução de fato são alterações de itinerários, para que estas linhas passem por vias paralelas ou bem próximas a da via problematica para que o transporte continue a evoluir e atenda bem a população, assim como a renovação por veículos elétricos, sejam eles de Piso Baixo ou Piso Alto. O importante é a melhoria dos serviços e um transporte limpo e não-poluente.
A solução na linha noturna N402-11 de passar por outra via bem próxima resolveu o caso e frustou a má-vontade da arquiteta e dos engenheiros de obras da Sub-Prefeitura de Itaquera. A demanda aumentou e a linha opera agora muito bem, bem melhor do que antes quando seguia direto pela Avenida Afonso de Sampaio e Souza. O estudo da SPTrans nesta linha foi perfeito e constatou que de fato, quem usava a linha, eram os moradores do Jardim Nossa Senhora do Carmo dos entornos da AV. Maria Luiza Americano, e que antes, eram assaltados, assediados e ameaçados por traficantes e garotas de programa entorpecidas de drogas e álcool que ficam todas as madrugadas na Avenida Afonso de Sampaio e Souza, eles antigamente tinham de passar por isso para subirem a pé para os entornos da Av. Maria Luiza Americano, agora não precisam mais passar por estes riscos desnecessários porque a linha N402-11 agora passa no local adequado, onde de madrugada há empresas funcionando e comércio ativo a noite toda.
E fica o alerta: Agora vai lá um ‘bambambam’ ou gente ligadas a vereadores de esquerda e estraguem o trabalho bem feito, só porque foi iniciativa minha –como é o costume deles há 20 anos– A MIM VOCÊS NÃO ESTARÃO PREJUDICANDO E SIM A POPULAÇÃO, ouviu turma do Senival Moura e Alessandro Guedes? Estes e a ‘turma’ deles adoram retaliar projetos bons vindos de lideres de bairro conservadores, se dizem ser os bons, mas acabam prejudicando até o povo que vota neles e precisa de transporte publico, tudo porque há uma necessidade obssessiva deles de destruirem tudo de bom que conservadores fazem.
E fica o exemplo para os demais locais onde existem os mesmos problemas com viário e segurança pública. Solução certa: Arrumar o viário –como Gilvan disse– Não pode, ou estão com má-vontade? Altera o itinerário para uma via próxima.
5013-31 mesmo, apesar do ônibus de piso alto se o motorista não souber entrar na rua Sant’ana ele entala o ônibus atravessado no cruzamento com a Sabará, tem entrar de lado, não pode ir de frente senão engancha.
Não há o que discutir, SP tem muito morro que sempre rodou Midi ou modelos menores porque são muito íngremes, não tem como ter piso baixo por terem também muitas valas e ruas de barro ou mal asfaltadas.